• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:26

Indignado, Pimentel nega envolvimento

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), um dos coordenadores da campanha da ministra-candidata Dilma Rousseff, negou nesta sexta (26), para o blog do jornalista Claudio Humberto que teria sido um dos principais operadores do mensalão petista, como afirmou a revista IstoÉ. Segundo a reportagem, com base numa investigação promovida pela 4ª Vara Criminal Federal de Minas Gerais, Pimentel é apontado como um dos responsáveis pela remessa ilegal de recursos ao exterior. Pimentel negou que tenha sido inquirido, indiciado ou denunciado no processo e classificou as denúncias de ?absurdas e descabidas”.

                                   * * *
Para a repórter Clarissa Oliveira, do ‘Estadão’, Fernando Pimentel deu uma entrevista mais ampla:
- Como o sr. recebeu a reportagem?
- Com indignação. É claramente uma tentativa de jogar suspeição sobre mim, em um momento em que estou vinculado diretamente à campanha presidencial da ministra Dilma. É um jeito de desviar a
atenção do foco principal hoje, que são os escândalos do Democratas em Brasília. Fiquei indignado porque o que está posto na matéria é absurdo, não tem qualquer fundamento, como o futuro comprovará. Mas na vida pública, hoje, estamos sujeitos a esse tipo de calúnia.
- O sr. fala em calúnia, mas há uma investigação concreta contra o sr. em Minas, que é mencionada.
- Deixa eu explicar. Nunca houve qualquer ação judicial envolvendo a CDL de Belo Horizonte e a prefeitura. Esse inquérito civil público ao qual eles se referem não virou uma ação. Nunca entrou na Justiça, nunca houve procedimento judicial. É uma investigação do Ministério Público Estadual que concluiu que não tinha nada. Simplesmente não virou ação. Então, nunca houve questionamento judicial com relação a esse convênio. É simples assim. Trata-se de um convênio para colocar câmaras no centro da cidade, o chamado Projeto Olho-Vivo. Foi feito, as câmaras foram colocadas, quem fez a instalação foi a Câmara dos
Diretores Lojistas e a prefeitura entrou financiando essa instalação. Depois, foi repassado o convênio à Polícia Militar de Minas Gerais, que é quem o gerencia atualmente. O projeto existe, funciona, é um grande sucesso. Não há nenhuma suspeição sobre o convênio, tanto é que não houve uma ação. A ilação que
está sendo feita, uma forçação de barra completa, é porque um dos diretores da CDL à época do convênio depois foi arrolado no  inquérito do mensalão como doleiro. Como tendo uma empresa offshore que fazia remessas ao exterior.
- O sr. fala do Glauco Diniz. Qual é seu relacionamento com ele?
- Nenhum. Nunca estive com ele na minha vida. Ele simplesmente assinou, entre outros tantos diretores da CDL. O sujeito, naquele ‘a fin’ de querer envolver mais um homem público, prefeito do PT, mais alguém, ele fala: ‘Ah, olha, esse Glauco Diniz, agora apontado como doleiro, assinou um dia um convênio com um prefeito do PT. E quem fez a campanha desse prefeito foi o Duda Mendonça. Então olha, tá vendo, estão mandando dinheiro ao exterior’. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. É uma ilação absurda, falsa, inaceitável, e evidentemente não virou nada. Nunca fui inquirido, arrolado, intimado, indiciado nem
denunciado em qualquer processo desses muitos processos do mensalão.
- O sr. disse que isso está sendo colocado porque o sr. está na campanha de Dilma. O sr. acha que é uma operação da oposição?
- Não vou ser leviano a esse ponto, mas acho que é muita coincidência que justamente no momento em que estou com uma exposição grande, não como prefeito, mas como supostamente um dos coordenadores da campanha de Dilma, vem um vazamento de um documento carimbado como sigiloso, o que não é, a meu ver, prova de nada. Esse procurador diz ‘há indícios de que…’. E esse vazamento serve para que a revista diga de maneira malévola que sou operador do mensalão. De onde tiraram essa coisa absurda?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:22

Governador do DF tem quatro processos

Das repórteres Fernanda Odilla e Larissa Guimarães, da ‘Folha’:
“Enquanto luta para se manter no poder, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), responde a processo na Justiça por improbidade administrativa.
Ele e outros quatro deputados são réus em ação movida pelo Ministério Público do DF por terem assinado ato de criação de cargos de confiança em 2008, contrariando a lei. Lima era o responsável pela área de pessoal da Câmara do DF.
Movida em outubro, a ação questiona deliberação da Mesa que recriou cargos no fundo de saúde dos deputados. Quinze dias antes de os cinco distritais assinarem o documento, o Tribunal de Justiça do DF havia considerado os cargos ilegais.
O Ministério Público pediu a suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 1,2 milhão para Lima e cada um dos outros integrantes da Mesa.
“Os membros da Mesa agiram dolosamente, alinhados contra os princípios da administração pública, restando configurado o ato de improbidade”, afirma a denúncia.
O processo está em fase de apresentação da argumentação dos distritais. A defesa de Lima sustenta que a denúncia “beira as raias do absurdo”. Alega que houve apenas mudança de nomenclatura de dois cargos.
O novo governador também tem uma dívida com a Fazenda Pública do DF, que acionou a Justiça contra seu supermercado. Segundo o processo, o débito de R$ 20 mil foi parcelado e já está sendo quitado.
Pesa ainda sobre Lima a suspeita de ter alterado, em 2006, o Plano Diretor do Gama, cidade onde vive, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, teria mudado o texto para beneficiar amigos.
Ele ainda é suspeito de desviar servidores da Câmara Legislativa para trabalhar no Instituto Wilson Lima, que oferece cursos profissionalizantes.
Lima nega todas as acusações.
No inquérito da Caixa de Pandora, há só uma citação lateral sobre Lima. Em folha apreendida na casa de um secretário do governador afastado José Roberto Arruda, as iniciais WL aparecem junto ao nome de outros deputados distritais, sem valores, com números soltos e a inscrição “balanço”.
Por avaliar como inconsistentes as acusações, a base aliada de Arruda se mobilizou ontem para tentar blindar o DF contra a possível intervenção.
Com a ameaça de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a entrada de um interventor, Wilson Lima, que é aliado de Arruda, passou o dia tentando dar provas de estabilidade. Reuniu secretários e pediu relatório das principais ações em andamento.
Lima marcou um encontro no Tribunal de Contas para anunciar a suspensão de pagamentos de contratos com empresas citadas no inquérito que investiga o mensalão do DEM e pediu urgência nas auditorias.
O novo governador não deu entrevista. Mandou apenas um recado por assessores: “A intervenção não é oportuna”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:46

Batata de Arruda está assando

O vice Paulo Octávio já anunciou que não será candidato a governador de Brasília.
E promete abandonar a política.
O presidente da Câmara Distrital, o deputado da meia, foi afastado do cargo pela Justiça.
Agora só falta algemar o governador.
Se tudo correr bem, isso deverá acontecer na Quaresma, entre a Quarta-Feira de Cinzas, dia 17 de fevereiro, e a Páscoa, dia 4 de abril - 17 dias antes das comemorações do cinqüentenário de Brasília.
A Capital da República não merece que a festa seja comandada pelo ainda  governador.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:46

Arruda continua se complicando

Do repórter Felipe Recondo, hoje no ‘Estadão’:
“Documento apreendido pela Polícia Federal, que mostra suposta divisão de recursos no DF, foi escrito pelo governador José Roberto Arruda (sem partido), conforme perícia feita a pedido da revista Época por Ricardo Molina, perito e professor da Unicamp. As anotações integram o processo contra Arruda no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De posse do papel, Molina concluiu que, apesar da “limitação do material”, as anotações foram feitas por Arruda. “Podemos afirmar que, com mínima possibilidade de erro, a escrita questionada foi produzida pelo punho escritor do governador José Roberto Arruda”, escreveu no laudo divulgado ontem.
O texto manuscrito foi apreendido na casa de Domingos Lamoglia, chefe de gabinete de Arruda até outubro de 2009. O perito descartou possibilidade de as anotações terem sido feitas por Lamoglia. “Há uma série de divergências significativas entre a escrita questionada e os padrões de Domingos Lamoglia. Tais divergências são sistemáticas”, concluiu Molina.
Na folha apreendida, nomes e valores estão divididos em duas colunas intituladas “pessoais” e “política”. Na coluna “pessoais” aparece o nome “Severo” com o valor de 450 ao lado. A PF, de acordo com a revista, suspeita que seja uma referência a Severo de Araújo Dias, dono do haras Sparta. A polícia investiga se Arruda é o verdadeiro proprietário do haras. Em depoimento ao Ministério Público, o ex-secretário Durval Barbosa, responsável pelas gravações de distribuição de dinheiro, afirmou que a propriedade foi comprada pelo governador para presentear sua mulher, Flávia Arruda”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:41

MP denuncia Paulo Octávio

O Ministério Publico entrou com cinco denuncias, na Justiça Federal, contra as construtoras do vice-governador de Brasília, o empreiteiro Paulo Octavio, que teria provocado um rombo na Caixa de R$ 27 milhões. A reportagem, do ‘Estadão’, é assinada por Leandro Colon: 
“Em meio ao escândalo do “mensalão do DEM”, o grupo empresarial do vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), é acusado de provocar um rombo de R$ 27 milhões aos cofres da Caixa Econômica Federal. O Ministério Público Federal entrou, há três semanas, com cinco denúncias na Justiça Federal contra as construtoras do vice-governador. O procurador da República Carlos Henrique Martins Lima cobra, entre outras coisas, a devolução do dinheiro à Caixa.
Paulo Octávio é a aposta do DEM para suceder o governador José Roberto Arruda, que deixou o partido após as denúncias de corrupção no governo.
O Estado teve acesso à íntegra dessas novas ações judiciais que complicam ainda mais a vida do vice-governador, citado no inquérito sobre as fraudes no governo. No centro das investigações está o Brasília Shopping, um dos mais luxuosos da cidade, situado em área nobre da capital federal.
O Ministério Público aponta uma série de irregularidades na construção feita em parceria entre o Grupo Paulo Octávio e o Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa. Essa sociedade dura até hoje na administração do shopping. O fundo tem 105 mil associados e um patrimônio de R$ 32 bilhões. O procurador lembra que o rombo prejudica “interesses das dezenas de milhares de pessoas” que participam do Funcef. Dos R$ 27 milhões de prejuízo, R$ 14 milhões referem-se a apenas uma das cinco denúncias.
Há vários indícios, segundo a investigação, de que ex-diretores do Funcef autorizaram repasses às empresas do vice governador “como estratagema para subtrair indevidamente recursos”. “É uma afronta à legalidade e à moralidade pública”, afirma o Ministério Público. As apurações mostram que o Grupo Paulo Octávio e ex-diretores do fundo teriam atuado em conjunto para transferir recursos, supostamente ilícitos, do fundo para a obra do shopping, inaugurado em 1997. Pelo contrato, cada parte teria 50% de participação no negócio. No entanto, em 19 de novembro de 2009, após quatro anos de cobrança do Ministério Público, o Grupo Paulo Octávio admitiu que o Funcef repassou mais dinheiro do que deveria. “Tais pagamentos se configuram indevidos”, diz a ação civil, que contou com a ajuda de auditores da própria Caixa.
A investigação aponta o sumiço de relatórios mensais da obra e aditivos contratuais, além de uma falha importante: a conta bancária da construção do shopping foi gerenciada apenas pelas empresas do vice-governador, e não em conjunto com o fundo da Caixa, como exigia o contrato. Cerca de R$ 8,2 milhões, relata o Ministério Público, saíram dos cofres do Funcef para obras realizadas antes da parceria com Paulo Octávio. Não haveria “amparo legal” para tanto. O gestor do Funcef não cumpriu com as “boas práticas de gestão”, diz o Ministério Público, “devendo a ele e à Paulo Octávio Investimentos Imobiliários ser imputada a responsabilidade pelos prejuízos”. Pagamentos indevidos também teriam sido feitos por meio do condomínio, do stand de vendas e do marketing.
Paulo Octávio é um dos homens mais ricos de Brasília. Declarou um patrimônio de R$ 320 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. É dono de um império da construção civil que envolve prédios residenciais, shoppings e hotéis. Em cima desse patrimônio, ganhou prestígio e força política que o levaram a ser deputado, depois senador e hoje vice-governador.
Não é a primeira vez que sua parceria com o Funcef é posta sob suspeita. Essa aliança, aliás, é considerada fundamental para o crescimento financeiro de Paulo Octávio em Brasília. O Ministério Público já apontou irregularidades em outros empreendimentos, entre eles a construção de 11 edifícios numa quadra residencial. Desde 2005, duas ações contra o vice-governador sobre o assunto aguardam decisão do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, Paulo Octávio era senador.
Novas denúncias devem ser protocoladas na Justiça até março contra o Grupo Paulo Octávio. Como essas recentes ações citam a empresa, não há foro privilegiado, o que pode acelerar a tramitação dos processos. Estima-se que os prejuízos aos cofres públicos ultrapassem os R$ 200 milhões.
O nome de Paulo Octávio aparece na Operação Caixa de Pandora – deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no dia 27 de novembro -, que investiga o esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda. Delator do esquema, Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, afirma que Paulo Octávio recebeu propina oriunda de empresas contratadas pelo governo. Em vídeo gravado por Barbosa, Marcelo Carvalho – que dirige o Grupo Paulo Octávio – discute partilha de dinheiro que seria do esquema. Em depoimento ao Ministério Público, Barbosa diz que entregou pessoalmente R$ 200 mil ao próprio vice-governador. O escândalo fez o DEM pressionar Arruda a deixar o partido em dezembro. Deu resultado. Mas o comando da legenda tem poupado Paulo Octávio”.

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“O superintendente de shoppings do Grupo Paulo Octávio, Edmar Barros, informou ao Estado que a empresa ainda não foi avisada das denúncias do Ministério Público, protocoladas na Justiça na véspera do recesso do Judiciário, em dezembro. “Até o momento a empresa não recebeu qualquer notificação da Justiça e, portanto, não pode se pronunciar sobre o caso”, afirmou Barros, por meio da assessoria de imprensa.
A assessoria de Paulo Octávio disse que ele não pretende se manifestar sobre as acusações contra suas empresas. “O vice-governador Paulo Octávio não fala sobre assuntos ligados à empresa, uma vez que está licenciado da mesma para o exercício da vida pública”, informou.
Em nota, a Caixa Econômica Federal disse que “vem prestando todos os esclarecimentos demandados” pelo Ministério Público. Já o Funcef informou que forneceu todos os documentos solicitados e confirmou que ainda é sócio de Paulo Octávio no shopping. “Atualmente, os únicos negócios que a Fundação possui com o Grupo são os que foram efetivados na década de 90: Brasília Shopping e Hotel Brasília Alvorada.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:39

Arruda pode ter prisão decretada

De Élio Gaspari:
“José Roberto Arruda voltou a sorrir, mas ainda não está livre de ser mandado à cadeia. Está no Supremo Tribunal Federal o pedido do procurador-geral para que seja declarado inconstitucional o artigo da Constituição de Brasília que dá poderes à Câmara Legislativa para blindar o governador. Se o STF aceitar o pedido (o que parece provável), Arruda cairá na jurisdição do STJ. No interesse da preservação de provas, o tribunal poderá deferir um pedido de prisão preventiva. Arruda pode parar de sorrir ainda em 2010″.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:31

Mais escândalos contra Arruda

Não tem recesso na Câmara Distrital que livre o ainda governador de Brasília, José Roberto Arruda, de novos escândalos.
Em reportagem publicada no ?Estadão?, os repórteres Rodrigo Rangel e Leandro Colon, descobriram que a sogra, a mulher e os filhos do governador compraram recentemente cinco imóveis no valor de R$ 1,3 milhão.
Eis a reportagem:
?A recente expansão do patrimônio imobiliário do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), se estende a agregados da família. São imóveis comprados – com valores declarados bem abaixo dos preços de mercado – desde a vitória de Arruda nas eleições de 2006. Só em 2009, a atual sogra do governador, a professora aposentada Wilma Vitoriana de Mello Peres, comprou dois apartamentos em Águas Claras, o mais novo paraíso dos investimentos no mercado imobiliário de Brasília.
Dois filhos do governador – um deles estudante – compraram outros dois apartamentos na região recentemente. E a primeira-dama, Flávia Arruda, registrou em março a propriedade de um imóvel no mesmo prédio em que a mãe fez negócio. Juntos, esses cinco imóveis valem, pelo menos, R$ 1,3 milhão.
Esses apartamentos se juntam ao levantamento publicado pelo Estado no dia 6 de dezembro e que revelou um crescimento de mais de 1.000% no patrimônio de Arruda em relação aos valores informados por ele nas declarações de renda entregues à Justiça Eleitoral nas duas últimas eleições. A reportagem revelou ainda o hábito de o governador registrar bens em nome dos filhos. Agora, descobre-se que, desde a vitória nas eleições de 2006, mais imóveis foram comprados em nome dos filhos, além dos bens adquiridos pela sogra e a atual mulher.
Arruda á apontado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, como o líder do suposto esquema de propinas que ficou conhecido como mensalão do DEM. O ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, seria o responsável pela arrecadação de dinheiro entre empresas que mantinham contratos com o governo e pela distribuição dos pagamentos a integrantes do esquema.
Wilma Peres é casada com Heraldo Paupério, advogado que Arruda bancava até pouco tempo para defender Barbosa, que deflagrou o escândalo de corrupção no governo do DF. Gravação feita por ele indica que os serviços de Paupério eram pagos com dinheiro do esquema.
Os apartamentos registrados em nome da sogra do governador foram comprados em abril e agosto de 2009, de acordo com levantamento feito pelo Estado nos cartórios de registro do DF. Wilma e Paupério negaram-se a revelar à reportagem a origem do dinheiro usado nessas aquisições. Pelos valores declarados oficialmente, os dois imóveis – um apartamento de três quartos e uma quitinete – teriam custado R$ 219 mil. O valor de mercado, porém, é superior.
A quitinete, que no papel teria sido adquirida por R$ 49 mil, vale R$ 140 mil. O apartamento também está subvalorizado. Ao cartório, Wilma informou ter fechado o negócio por R$ 170 mil: sinal de R$ 120 mil mais R$ 49 mil financiados em 23 prestações de R$ 2.169. Apartamentos semelhantes, no mesmo prédio, são vendidos a R$ 350 mil, segundo imobiliárias. Wilma teria comprado os imóveis para investir. Até a semana passada, ambos estavam vazios. A quitinete, segundo funcionários do prédio, foi entregue a um corretor para que fosse alugada.
No mesmo edifício, a primeira-dama Flávia Peres Arruda também adquiriu uma quitinete. A escritura foi lavrada em março de 2009. Flávia declarou ter pago R$ 50 mil, menos da metade do valor de mercado.
Há outros dois apartamentos em nome de filhos de Arruda. Um deles, de 120 metros quadrados, foi registrado em abril de 2008 por Fernando Sant”Ana Arruda, de 23 anos. Valor registrado em cartório: R$ 170 mil. No mesmo condomínio, outra filha do governador, Bruna Sant”Ana Arruda, de 32 anos, comprou apartamento em dezembro de 2006. Ao cartório, Bruna informou ter pago R$ 157 mil. Cada um vale hoje R$ 350 mil. Fernando Arruda é estudante. Bruna, formada em Direito, trabalha como assessora no Tribunal de Justiça do DF.
A exemplo da sogra Wilma Peres, Fernando e Bruna adquiriram os apartamentos para investimento. O de Bruna estava vazio na semana passada. “Faz um bom tempo que esse apartamento está desocupado”, disse um funcionário do residencial. O apartamento registrado em nome de Fernando está alugado. O valor do aluguel no prédio é de, em média, R$ 1.300 por mês. Os dois filhos de Arruda declararam ter comprado os apartamentos da Cooperativa Habitacional Econômica Primavera, criada em 1992 por empregados do Metrô do Distrito Federal. Nas investigações da Operação Caixa de Pandora, o Metrô é apontado pelo denunciante Durval Barbosa como uma das fontes de renda do esquema montado por Arruda”.

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Em outra reportagem, Leandro Colon conseguiu localizar, no Rio, por telefone, o advogado Heraldo Paupério, marido da sogra de Arruda e antigo advogado de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal e delator do esquema de corrupção em Brasília.
Quem atendeu o telefonema, na quarta-feira, em um hotel do Rio, foi Wilma, a sogra de Arruda, que nervosa passou o telefone para o marido. Eis a entrevista:
- Como avalia o escândalo do mensalão do DEM?
- Não temos nada a ver com essa problemática que está existindo. Eu não misturo relações profissionais com pessoais. Eu conheço José Roberto Arruda há muitos anos. Sempre achei que ele fosse uma pessoa normal. Não desgosto dele, não tenho porque ter raiva. Mas minha relação com ele é familiar.
- A sua mulher, Wilma Peres, comprou dois apartamentos este ano, um deles de três quartos. Com quais recursos adquiriu o imóvel?
- Isso é uma coisa que interessa a ela e à Receita Federal, e não à imprensa.
- Na escritura de um dos imóveis, diz que ela pagou R$ 170 mil, mas ele vale R$ 350 mil…
- Isso tudo? Que maravilha, sensacional. Na época em que foi comprado (há 9 meses), valia infinitamente menos.
- Como ela pode comprar esses imóveis com salário de professora aposentada?
- Isso não interessa a vocês. Por que vai interessar a vocês?
- Porque ela é sogra de um governador sob suspeita…
- Mas ela não tem nada a ver com o governador. Não depende dele. Ela trabalhou a vida inteira. Só interessa para você que é curioso.
- Numa conversa com Durval, Arruda fala de uma dívida de R$ 100 mil com o senhor…
- É uma maravilha. É um problema deles, não meu.
- O Durval diz ao Arruda que havia pago R$ 400 mil ao senhor. O senhor recebeu esse dinheiro?
- Nossa mãe de Deus, que maravilha. Isso é problema dele, é conversa dele. Você tem que me respeitar. Não interessa. Você é curioso demais. Eu era
advogado do doutor Durval. E até por questão de ética não posso falar nada quanto a isso.
- Ainda advoga para o Durval?
- Não, porque eu não tinha conhecimento de que ele iria fazer uma delação premiada. E acho que com isso ele deixou de confiar em mim. E me senti à
vontade para renunciar.
- O senhor está decepcionado com o Arruda?
- Eu fui delegado de polícia, promotor e agora sou advogado. Eu só acredito em verdade quando é escrita em decisão judicial transitada em julgada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:27

Paulo Octávio, bola da vez

Da ‘Folha’:
“Até então blindado para servir como opção para a disputa da sucessão de José Roberto Arruda (sem partido), o vice-governador foi pressionado pela cúpula do DEM a deixar a presidência regional da sigla no DF. O anúncio oficial deverá ser feito entre hoje e amanhã. A pressão a Paulo Octávio aumentou após novas revelações do inquérito que apura esquema de distribuição de propina no DF”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:26

Paulo Octávio recebeu propina

Demorou mas apareceu.
?Em novo depoimento à Procuradoria da República, Durval Barbosa, o homem que denunciou o mensalão do DEM, disse que entregou pessoalmente cerca de R$ 200 mil de propina ao vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), “há um ano e meio”.
A entrega do dinheiro, segundo ele, ocorreu no hotel Kubitscheck Plaza, em Brasília.
O advogado do vice confirma o encontro no hotel, de propriedade de Octávio, mas nega pagamento de propina? ? diz hoje reportagem da ?Folha?.
?É a primeira vez que Barbosa afirma que entregou dinheiro a Paulo Octávio, que continua no DEM. O vice não aparece em nenhum dos vídeos gravados por Barbosa e divulgados até o momento.
Em depoimento anteriores, antes da deflagração da operação da PF, no mês passado, Barbosa afirmava que a propina era levada “inúmeros vezes” a Marcelo Carvalho, funcionário da construtora do vice.
Ele também disse que o governador do DF, José Roberto Arruda, recebeu R$ 3 milhões em propina. As íntegras dos depoimentos foram publicadas ontem no site de notícias iG.
A origem da propina paga a Paulo Octávio, segundo Barbosa, foi o grupo TBA, da empresária Maria Cristina Boner Léo.
A Folha revelou na sexta-feira que o executivo Antônio Bruno Di Giovanni Basso, ex-marido de Maria Cristina, afirmou em e-mails a interlocutores que, em troca de apoio financeiro “informal” à campanha de 2006, empresas de informática acertaram com Arruda e Paulo Octávio uma divisão de contratos públicos.
Entre as empresas, segundo Grossi, estava a TBA, que desde a posse de Arruda fechou contratos de R$ 35 milhões.
Barbosa disse no depoimento que Maria Cristina repassou R$ 800 mil para caixa dois de campanha de Arruda.
“Brasília não pode ficar refém de Durval. Se ele entregou dinheiro [a Paulo Octávio] que apresente o vídeo”, disse Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado do vice.
Nota divulgada ontem pelo advogado de Arruda, José Gerardo Grossi, classificou de “calúnia” a nova denúncia de que o governador recebeu propina?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:25

Beija Flor e o escândalo do DEM

 Uma reportagem de Leandro Colon, do ‘Estadão’, revela a baixaria que se tornou a  negociação do governo do Distrito Federal e a Escola de Samba Beija Flor de Nilópolis, que desfiliará no próximo ano o enredo em homenagem aos 50 anos de Brasília.
Eis o seu texto:
“O patrocínio do governo do Distrito Federal para a escola de samba Beija-Flor fazer seu desfile no carnaval de 2010, no Rio, virou uma disputa entre os deputados “mensaleiros”, o carnavalesco Joãosinho Trinta e o grupo político do vice-governador Paulo Octávio (DEM), responsável pelas festividades dos 50 anos de Brasília no ano que vem. Os parlamentares envolvidos no chamado “mensalão do DEM”, liderados pelo deputado Leonardo Prudente (DEM), atravessaram a negociação para superfaturar a verba e negociar propina com o governo do DF e uma das mais vitoriosas escolas de samba do Rio. “É um dinheiro maldito”, afirma Joãosinho Trinta, que também tentou ganhar dinheiro no negócio, mas foi passado para trás.
Antes de entrar na negociação, deputados como Prudente – flagrado colocando nas meias propina do “mensalão do DEM” – criticavam publicamente o patrocínio à Beija-Flor, comandada pelo bicheiro Anísio Abraão David. Após as conversas com o governo e a escola, silenciaram. A ofensiva dos parlamentares foi desencadeada numa reunião em setembro na casa de Prudente num bairro nobre de Brasília. Além do parlamentar, outros três colegas de Câmara Legislativa estavam presentes: Júnior Brunelli (PSC), notabilizado pela “oração da propina”, Rogério Ulysses (PSB) e Batista (PRP). Eles queriam dobrar o patrocínio negociado de R$ 3 milhões do governo à agremiação de Nilópolis, que vai contar na avenida a história dos 50 anos de Brasília. Em troca, não usariam a Câmara Legislativa para atrapalhar a iniciativa.
O encontro com os quatro parlamentares foi confirmado ao Estado por outros três personagens da conversa: o secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, o subsecretário, Beto Sales, e o empresário Ricardo Marques, amigo de Joãosinho Trinta e responsável por um instituto que leva o nome do carnavalesco. A reunião ocorreu em setembro na casa de Prudente.
Num primeiro momento, os deputados “mensaleiros” se aliaram a Joãosinho Trinta para que o governo do Distrito Federal ficasse de fora das negociações. Queriam que a ONG do carnavalesco representasse Brasília na arrecadação dos recursos e na relação com a Beija-Flor dentro de um projeto de R$ 6 milhões. “Foi uma das reuniões mais constrangedoras que eu tive na minha vida”, diz o secretário Silvestre Gorgulho. “O Brunelli ficou o tempo todo ao telefone e disse: “nós vamos fazer o contrato da Beija-Flor com o Instituto Joãosinho Trinta”.” Assim como Prudente, Brunelli aparece no inquérito do “mensalão do DEM” recebendo, em vídeo, propina de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF. Segundo Barbosa, Rogério Ulysses, integrante da reunião sobre o carnaval, também está envolvido no esquema supostamente comandado pelo governador José Roberto Arruda.
Brunelli deu dois telefonemas naquela reunião: um para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e outro ao presidente da Beija-Flor, Farid Abraão David, irmão de Anísio e primo do deputado Simão Sessim (PP-RJ), que representa os interesses da escola de samba em Brasília. Aos dois, pediu ajuda para intermediar o contrato do carnaval. Os deputados ameaçaram usar a Câmara para criar problemas ao patrocínio à Beija-Flor. “O Brunelli virou para o Leonardo Prudente e disse: “lembra aquela CPI que estava na gaveta? Se não fizer (o contrato) pode tirar”, conta Silvestre, sem detalhar qual era essa CPI.
Naquele momento, a BrasíliaTur, empresa de turismo do governo, e a Secretaria de Cultura já tinham fechado o acordo com a Beija-Flor sem a participação do Instituto Joãosinho Trinta. Uma nova reunião com os deputados, o carnavalesco, o secretário de Cultura e, dessa vez, o vice-governador Paulo Octávio manteve a decisão de deixar a ONG de Joãosinho de fora, contrariando a reivindicação dos deputados. Os parlamentares, no entanto, aceitaram e não criaram mais problemas. E, no dia 23 de setembro, a Beija-Flor recebeu R$ 1,5 milhão, referente à primeira parcela do patrocínio.
Ao Estado, Ricardo Marques deixou no ar a possibilidade de um acerto ilícito entre os envolvidos na negociação. “Depois das cenas a que todos nós assistimos, não podemos descartar a suspeição de nenhum tipo de projeto em Brasília. O governo está em suspeição. Todos os contratos devem ser revistos.”

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