• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Três momentos de Gabeira

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“- Não saio.
De Fernando Gabeira (PV), negando a hipótese de abdicar da candidatura no Rio em virtude das dificuldades de acomodação em sua aliança:
- Quem gostaria que eu desistisse é o governador, que aí poderia sair em viagem e nem fazer campanha”.
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De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O cerco está se fechando em torno do candidato do PV ao governo do Rio. A cúpula nacional do PSDB recebeu um ultimato do DEM: para apoiar Gabeira para governador, ele tem que aceitar a candidatura de Cesar Maia ao Senado. Os tucanos estão convencidos de que não podem abrir mão de um candidato majoritário que pedirá votos para José Serra em favor de um candidato que fará campanha para Marina Silva”.
                           * * *
De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“Desde a eleição de 1989, quando o ex-governador Leonel Brizola apoiou a candidatura de Lula contra Collor de Mello, o Rio de Janeiro tem simpatia pelo ?sapo barbudo?. Não foi à toa que o governador Sérgio Cabral (PMDB) engoliu cobras e lagartos para manter sua aliança com o PT. A ponto de andar de braços dados com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Faria, seu ex-desafeto, e se agastar com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), velho aliado de Cabral que vive às turras com o petista e também é candidato ao Senado.
Já a oposição precisa desenterrar uma caveira de burro. Não consegue erguer o seu palanque no Rio de Janeiro. O candidato do PV, Fernando Gabeira, que fez bonito na disputa pela Prefeitura carioca, dá sinais evidentes de que está com um pé fora da disputa. Criou caso com César Maia (DEM), por causa do índice de rejeição do ex-prefeito, mas isso pode ser apenas um pretexto para não correr o risco de ficar sem mandato. Gabeira sabe que é complicado para o PSDB e o PPS excluírem Maia da coalizão.
Refém de Gabeira, os caciques da oposição estudam alternativas caso fiquem sem o candidato a governador. Mas não conseguem encontrar alguém para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-governador Anthony Garotinho(PR). A ex-juíza Denise Frossard (PPS), amiga dos Maia, não quer nem ouvir falar do assunto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Jobim: “Nada muda na Defesa”

De Eumano Silva, da revista Época:
“O ministro da defesa, Nelson Jobim, desfruta uma situação única no governo Lula. Homem de confiança do presidente numa das áreas mais sensíveis da Esplanada, Jobim mantém estreitas relações com o candidato da oposição ao Planalto, José Serra (PSDB). A dupla militância permite a previsão de que, em assuntos de Defesa, o Brasil manterá as diretrizes atuais caso a eleição seja vencida por Serra ou pela ex-ministra Dilma Rousseff. ?Fiz reuniões com PT, PMDB, DEM e com o ex-presidente Fernando Henrique?, diz Jobim, ao explicar as mudanças na área militar, como a subordinação ao poder civil, aprovadas no Congresso. Nesta entrevista a ÉPOCA, Jobim faz um balanço dos acordos internacionais do país e das medidas para tentar organizar a aviação no Brasil”.
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“? Como vai ficar a defesa nacional do Brasil no futuro?
? Os políticos e os governos civis viam a defesa com certa distância. Na época da Constituinte, a defesa se confundia com repressão política. Com isso, militares tinham de tomar certas decisões que, a rigor, eram decisões de governo civil. Exemplo: quais as hipóteses de emprego (das Forças Armadas) que politicamente interessam ao país? Isso é um misto de política internacional com defesa. Cabe ao poder civil definir o que os militares devem fazer em termos de defesa. Os militares decidem a parte operacional.
? Isso aconteceu no governo Lula?
? Tudo é um processo. Não acontece assim, bum! Começou no governo Fernando Henrique, com a criação do Ministério da Defesa, em 1999, nas condições possíveis naquele momento. No governo Lula, avançou-se um pouco no início, com o ministro Viegas (José Viegas, primeiro ministro da Defesa de Lula). Os avanços mais doutrinários são consolidados pelo vice-presidente (José Alencar) que o sucedeu e, depois, pelo Waldir Pires. Quando assumi, decidi que precisávamos realizar uma mudança de concepção para dar mais musculatura ao Ministério da Defesa.
? Como assim?
? O orçamento, por exemplo. Antes, as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) se acertavam entre si dentro do limite fixado pelo Ministério do Planejamento. O ministro (da Defesa) não tinha participação. Também foi aprovado na Câmara o projeto de alteração da Lei Complementar nº 97. O Estado-Maior de Defesa passa a ser o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Será chefiado por um oficial de quatro estrelas escolhido pelo presidente, indicado pelo ministro da Defesa. Vai ter a mesma precedência dos comandantes de Força. Ao assumir, vai para a reserva. Hoje, ele volta para a Força de origem.
? Qual é o problema?
? Dá constrangimentos. Às vezes, precisa tomar decisão contrária ao interesse da Força de origem e tem dificuldade. Outra mudança é na política de compras, que hoje é fixada pelas Forças, mas será fixada pelo ministério em função do que o poder civil considera relevante. Precisamos de monitoramento e controle, mobilidade e presença. O monitoramento deve ser feito, por satélite, na Amazônia Legal e na Plataforma Continental, onde o Brasil tem soberania.
? São planos de longo prazo?
? Ah, uns 20 anos…
? O senhor, então, não espera grandes mudanças se o próximo presidente for Dilma Rousseff ou José Serra? ? Eu não espero.
? A Defesa está acima das questões políticas?
? Tudo que estou falando foi discutido com todos os partidos. Fiz reuniões com o PT, o PMDB e com o DEM. Fui ao Instituto Fernando Henrique Cardoso. Estava cheio de gente lá, todos os ministros dele, todos meus colegas, e várias outras pessoas, intelectuais também.
? Não há ideologia nessa área?
? Eu quis descolar, mostrar que não é um programa do governo. É um programa do Estado.
? O que mais mudou?
? Tem uma mudança doutrinária. Saímos do conceito de operações combinadas para o conceito de operações conjuntas. Na combinada, cada Força tem seu comando próprio. Na conjunta, tem um comando só para as três Forças. O comandante da operação vai depender do teatro de operações. Se for a Amazônia, o comandante da operação vai ser do Exército. Se for no mar, vai ser um almirante.
? O que, de fato, interessa ao Brasil em termos de defesa?
? O Brasil não é um país com pretensões territoriais, não vamos atacar ninguém. Então, devemos ter um poder dissuasório. Temos três coisas fundamentais. Uma é energia, que tem o pré-sal e também energia alternativa, energia limpa, entre elas a energia nuclear. Segundo, o Brasil tem as maiores reservas de água potável do mundo: a Amazônia e o Aquífero Guarani. E, terceiro, temos a maior produção de grãos. São coisas que, progressivamente, o mundo vai demandar mais.
? Na América do Sul, quais são as maiores preocupações?
? A estabilidade política e econômica. Quanto mais desenvolvido o país, mais estável será. Quando o Brasil paga mais pelo excedente de energia elétrica do Paraguai, ajuda a criar condições para que o Paraguai se estabilize. Um país que tem a dimensão do nosso não pode botar o pé em cima dos outros.
? Qual é sua opinião sobre a relação do Brasil com a Venezuela?
? É boa. A Venezuela viveu sempre do óleo. A elite se apropriou dessa riqueza e não investiu no país. Ficou um conjunto de pessoas muito pobres. Aí, surgiu o presidente Hugo Chávez, que lidera esse setor. Está conseguindo avançar. Agora, o Chávez é um homem, digamos, de uma retórica forte. Isso não atrapalha. Faz parte do hispano-americano. É preciso ter paciência. Boa sorte à Venezuela.
? E com os Estados Unidos?
? Estamos muito bem. Com a vitória do presidente Obama, mudou muito. Concluímos um acordo de defesa para criar novas perspectivas de cooperação bilateral. Vai nos permitir, por exemplo, vender aviões da Embraer para eles sem licitação.
? O Irã é o maior ponto de divergência entre Brasil e Estados Unidos?
? A posição do presidente Obama não é nesse sentido. Há setores nos EUA, principalmente no governo Bush, que demonizam o islã. O islã é pacífico. A posição do Brasil é assegurar a legitimidade do enriquecimento do urânio para fins pacíficos. Nós temos tecnologia para isso e temos urânio. Ainda precisamos completar a parte industrial.
? Qual é sua opinião sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?
? É assimétrico. Divide os países em nucleares e não nucleares. Os nucleares assumiram compromisso de reduzir as armas e transferir tecnologia nuclear com fins pacíficos para os não nucleares. Não fizeram nem uma coisa nem outra. O Brasil só desenvolveu tecnologia de urânio com luta própria, com cientistas militares brasileiros.
? Quais são os interesses do Brasil na área de defesa em Israel?
- Temos interesses em Veículos Aéreos Não Tripulados, os Vatns, para fazer monitoramento. Algumas empresas israelenses produzem. Estou examinando a possibilidade de produzirmos no Brasil, com uma empresa brasileira associada a uma israelense.
? E a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), quando se resolve?
? Pretendo terminar em abril uma exposição de motivos para o presidente, com uma opção. O presidente convoca o Conselho de Defesa Nacional, que emite um parecer e, aí, o presidente decide.
? Como estão as buscas dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia?
? A segunda etapa já começou.
? A irmã de um guerrilheiro desaparecido encontrou ossadas. Isso ajuda?
? Sim. Qualquer pessoa que encontrar ossos tem de chamar a polícia e identificar. Se isso estiver no âmbito de execução da sentença penal que estamos cumprindo com as buscas, vamos ter de aproveitar isso. Não há um conflito.
? O senhor foi nomeado para resolver o caos aéreo do Brasil. Considera a missão cumprida?
? Vou falar o que fizemos. A primeira medida foi substituir a direção da Infraero, despartidarizar. Formulamos a Política Nacional de Aviação Civil. Ela foi aprovada. Pretendemos oferecer um tratamento diferente para a aviação regional. Vamos enviar um projeto de lei ao Congresso. Em 2005, instituímos liberdade de rota e liberdade tarifária. Esse sistema funciona para a aviação doméstica, mas não para a regional, que precisa de estímulos. Vamos investir nos aeroportos regionais.
? Nossa estrutura de aeroportos estará preparada para as Olimpíadas do Rio em 2016?
? Sim. Tem um calendário da Infraero para as obras necessárias. Temos um crescimento anual médio de 10% na aviação civil. Na Copa do Mundo, terá um aumento de 2% em dois meses. Mas nossa preocupação não é só com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tem muito mais gente viajando, os preços caíram. Em 2002, o quilômetro voado custava R$ 0,71. Em 2009, custa R$ 0,49.
? E em relação aos passageiros?
? Incentivamos uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre a responsabilidade das empresas em relação a atrasos, overbooking. É o que a Anac podia fazer dentro da legislação. Paralelamente, nós mandamos para o Congresso um projeto que cria um dever de indenização por parte das empresas se os atrasos forem devidos a qualquer agente. Se o atraso for decorrente da Infraero, a empresa se ressarce do que entregou ao passageiro.
? E se for culpa da meteorologia?
? Nesse caso, não tem ressarcimento.
? Dá trabalho ser ministro da Defesa?
? Na época das demissões da Infraero, recebi críticas de amigos meus porque eu demiti pessoas indicadas por eles. Fiz exatamente o que eu precisava fazer. Como não sou candidato a coisa nenhuma e sempre gostei de confusão, não teve problema”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Gabeira diz ter opção secreta

Dos repórteres Isabel Braga e Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“A tentativa do PV de contornar os problemas da coligação em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio, com o lançamento de mais de dois candidatos ao Senado na mesma chapa, deverá render novo debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O entendimento de especialistas é que essa dúvida tornou-se procedente a partir do fim da regra da verticalização nas alianças partidárias.
O TSE terá de dizer se a emenda que acabou com a verticalização liberou totalmente a possibilidade de coligações eleitorais ou se ainda vale a regra prevista no artigo 6º da lei eleitoral ( Lei 9.504/ 97). Este artigo faculta aos partidos, dentro da mesma circunscrição ( no caso do Rio, o estado), celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, “ou para ambas”. E estabelece que, no caso das proporcionais, é permitido fazer subcoligações, desde que formadas por partidos que integram a coligação na eleição majoritária.
Ou seja, se quatro partidos se unem para tentar eleger um governador, eles podem, no caso de eleição de deputados, fazer coligações menores. No entendimento de especialistas, isso não se estenderia à eleição de senadores, mas caberá ao TSE esclarecer.
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), relator da minirreforma eleitoral do ano passado, diz acreditar que o TSE manterá o entendimento de que não é possível subcoligações no caso de eleições majoritárias nos estados.
- Entendo que cada partido pode se coligar para o governo e apresentar, sozinho, seu candidato ao Senado. Mas não pode haver, para o Senado, subcoligações entre os partidos que formam a chapa para o governo.
Para o advogado eleitoral do PSDB, Afonso Ribeiro, a lei é mais restritiva e só permite que uma coligação para o governo lance dois candidatos ao Senado. O PV entrou com consulta indagando justamente se cada partido pode lançar individualmente seu candidato ao Senado. E também perguntAlou se é possível sub coligações. O PV quer lançar Aspásia Camargo ao Senado, e os nomes de Marcelo Cerqueira (PPS) e Cesar Maia (DEM) seriam lançados pelos demais partidos. A consulta ainda não foi respondida.
Gabeira disse ontem que sua maior preocupação é a de garantir um candidato da oposição que seja competitivo.
- Essa proposta (de lançar quatro candidatos ao Senado) foi feita para acomodar as divergências. Estamos também pensando em outras opções, mas não posso adiantar ainda – disse Gabeira. – Existe uma dominação do PMDB no estado, que pode ser ameaçada por uma candidatura de oposição. Podemos nos unir porque o mais importante é ter um candidato de oposição competitivo.
A crise na coligação PV/PSDB/DEM/PPS no Rio, provocada pela resistência de parte dos verdes e dos tucanos a Cesar Maia, pode atingir as pretensões do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, de ter um palanque no estado.
Gabeira está sendo pressionado por aliados, que temem desgaste se o deputado fizer dobradinha com Cesar Maia, que vai disputar uma vaga no Senado pelo DEM. Gabeira e Serra devem se encontrar ainda esta semana para tentar solucionar o impasse.
Ontem, o presidente regional do PV no Rio, Alfredo Sirkis, admitiu que a situação na coligação está tensa:
- A hipótese (da desistência de Gabeira) tem que ser considerada. Ele (Gabeira) está preocupado e impaciente. Mas temos até junho, na convenção, para resolver.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, disse que o partido seguirá as orientações de Serra, independentemente de Gabeira ser ou não candidato ao governo do Rio:
- Faremos o que Serra mandar para beneficiá-lo no palanque do Rio.
Há quase duas semanas, Rodrigo Maia centrou ataques em Gabeira, dizendo que “ele recebe meia dúzia de mensagens contra Cesar Maia e entra em TPM”.
Ontem, por e-mail, Cesar Maia foi mais cauteloso:
- Acho que o Rio deixaria de contar com um vetor alternativo, o que prejudicaria muito a decisão do eleitor. Espero que isso (a desistência de Gabeira) não ocorra”.
                       * * *
O deputado Fernando Gabeira foi engolido pelos aloprados de sua coligação e, agora, finge que a questão depende do TSE.
É claro que não depende.
O TSE poderá responder a consulta da maneira que bem entender.
O que se discute não é o fim da verticalização, já que o impasse não é jurídico, e ele sabe disso.
O impasse é político.
Não faz sentido o DEM e o PSDB abrirem mão de seu tempo na TV, para o candidato ao governo, e esse não ser leal àqueles que lhe proporcionam esse espaço.
                       * * *
Coligação é para unir simpatizantes e, às vezes, até contrários.
Correligionários estão sempre no mesmo partido.
O que não parece ser o caso do PV.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

PR-BA troca Wagner por Geddel

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
‘Jacques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava “fechado” o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.
Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. “Não venham com Waldir Pires pra cima de mim”, avisou a Wagner.
Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Garotinho convida Cesar

De Ilimar Franco, no ‘Panorama Político’:
“Em conversa com Dilma Rousseff, candidata do PT a presidente, semana passada, Anthony Garotinho (PR) pediu apoio para puxar o PDT para sua chapa no Rio.
O PDT já fechou com a reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) e terá o ex-deputado estadual Carlos Correia como suplente de Jorge Picciani para o Senado. Garotinho avisou que já convidou Cesar Maia (DEM) para integrar sua chapa. Antes da resposta, o DEM avalia o impacto que essa eventual aliança teria em seu eleitorado.
Há também um problema político, já que o DEM apoia José Serra (PSDB) na eleição presidencial, e o palanque de Garotinho será de Dilma”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Coligação no Rio preocupa Serra

Da repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’:
“Com a pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência formalizada no sábado, a coordenação da campanha já recebeu convites para que o ex-governador visite quase todos os Estados. Nas últimas 48 horas, foram mais de 20. É um alívio para o PSDB e seus aliados (DEM e PPS), que, por conta de resistências locais, enfrentaram dificuldades para que o próprio Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006, fossem recebidos nos Estados.
Desta vez, com Serra liderando as pesquisas de intenção de voto, o problema do tucano é administrar uma agenda que evite constrangimentos entre os aliados locais. Um dos Estados que mais preocupam é o Rio de Janeiro, onde a aliança entre PSDB, DEM, PPS e PV – em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV) para governador – está ameaçada.
Enquanto buscam uma solução para a resistência de setores do PV à participação do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) na chapa de Gabeira, como candidato ao Senado, os organizadores da campanha presidencial tucana decidiram adiar por pelo menos 15 dias o anúncio da coligação no Rio. Estava prevista uma grande reunião logo depois do lançamento da pré-candidatura de Serra, para anunciar as candidaturas no Estado.
“Nós adiamos qualquer decisão sobre o assunto para depois que tivermos uma maturidade que se conquista conversando, ouvindo, falando”, disse o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ). Segundo ele, a coligação (PV, PSDB, DEM e PPS) será mantida e necessita apenas de “ajustes”. Para Fortes, o desafio do grupo que negocia a aliança é conversar muito e convencer o eleitorado a votar em Gabeira para governador e em Maia para senador. Enquanto a pacificação não se der, Serra não deve ir ao Estado.
Além de tentar evitar Estados em que os aliados estejam divididos, a coordenação da campanha pretende que Serra não participe de eventos de caráter político-partidário. “A ideia é interagir com setores da sociedade, andar com a população, com naturalidade, informalidade. Reunir com populares, também. Os eventos não podem ter o carimbo político-eleitoral”, definiu o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), coordenador-geral da campanha. O objetivo é fugir de encontros entre pessoas que já votam em Serra. Seria “contraproducente”, avaliou um aliado.
Ontem à noite, Guerra definiria a agenda inicial de viagens de Serra. Embora o ex-governador Aécio Neves (MG) tenha feito convite para que Serra inicie sua pré-campanha por Minas, em evento na próxima segunda-feira, os tucanos preferem não esperar tanto. Visitas a Goiás ou Paraíba nesta semana estavam sendo cogitadas. A coordenação da campanha também analisava convite para um evento em Santa Catarina, onde a histórica aliança entre PSDB, DEM e PMDB está, por enquanto, dividida em três palanques diferentes.
Restabelecer a coligação entre os três partidos é um dos desafios da coordenação da campanha de Serra. O Estado está sendo governador por Leonel Pavan (PSDB), que assumiu o cargo com a licença de Luiz Henrique (PMDB). Embora enfraquecido por denúncias de irregularidades, Pavan tem mantido disposição de disputar a reeleição. O PMDB realizou prévia e lançou a pré-candidatura de Eduardo Moreira. O DEM também está na disputa, com o senador Raimundo Colombo.
No Estado, ainda concorrem ao governo a senadora Ideli Salvatti (PT) e a ex-prefeita Ângela Amin (PP), por enquanto líder das pesquisas. Analistas políticos acreditam que essas candidaturas serão mantidas por mais dois meses, pelo menos, até que as pesquisas indiquem a posição de Serra e da petista Dilma Rousseff na corrida presidencial. O que estiver na frente poderá atrair tanto o PP quanto o PMDB.
Um Estado em que Serra está sem palanque e no qual o PSDB não quer se envolver em negociações de alianças, por enquanto, é o Distrito Federal. Um escândalo tirou do cargo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e comprometeu vários políticos locais. O PSDB teme que outros políticos sejam envolvidos e, por isso, prefere esperar que o quadro fique mais claro. O partido de Serra negocia com o PSC participação na aliança nacional, mas evita comprometer-se com a candidatura local do ex-governador Joaquim Roriz (PSC).
A cúpula tucana comemora a formação de palanques para Serra em quase todos os Estados. Deve ter candidato próprio em 15 (Acre, Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins), apoiar candidatos do DEM em pelo menos três – Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe, com possibilidade de aliança em Santa Catarina -, do PMDB em Mato Grosso do Sul e Pernambuco, e do PSB em dois (Amazonas e Paraíba). No Ceará, Serra contará com o palanque do senador Tasso Jereissati (PSDB), candidato à reeleição. No Amazonas, onde se negocia aliança com o PSB, o mais importante para os tucanos é encontrar uma forma de neutralizar a imagem de Serra como adversário da Zona Franca de Manaus”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Gabeira desanimado ameaça renunciar

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Desanimado com a falta de acordo entre PV e DEM e convicto de que a união de seu nome ao do ex-prefeito Cesar Maia, candidato ao Senado pelo DEM, seria prejudicial à sua campanha a governador, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) ameaça desistir da candidatura ao governo do Rio e tentar nova vaga na Câmara. A possível desistência pode atrapalhar a candidatura do pré-candidato à Presidência da República do PSDB, José Serra, no Estado. “Tenho dado boas contribuições lá. Já participei do programa de Aids, quebra do monopólio das teles e fui relator para Kioto. Posso continuar a trabalhar em Brasília, apesar de não ser um dos melhores lugares do mundo”, disse Gabeira. O PV fez acordo com PSDB, DEM e PPS, mas o PV fluminense guarda resistência com o DEM, especialmente com Maia. O PSDB nacional, porém quer o DEM aliado em todos os Estados do país.
Nesta semana, depois de ouvir sobre a rejeição de seu nome pela base eleitoral de Gabeira, Maia publicou em seu blog que a coligação seria mais necessária à Gabeira que a ele próprio. Maia afirmou ainda que o deputado do PV não seria mais essencial à campanha de Serra, pois sem Ciro Gomes e com poucas chances de vitória da candidata a presidente do PV, Marina Silva, Serra poderia ganhar a eleição já no primeiro turno. Segundo o ex-prefeito, a solução seria lançar candidatura própria do PSDB no Rio.
Mesmo com 18% dos votos nas pesquisas, Gabeira diz que faria a campanha com pouco dinheiro e tempo curto na televisão. O deputado está em terceiro lugar nas sondagens eleitorais, próximo a Anthony Garotinho (PR), com 23%. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), tem 37%. “Estou lutando com todas as máquinas, a da prefeitura, a do Estado, a federal e a Universal [Igreja Universal], não posso me dar ao luxo de perder contato com parte do eleitorado. Tenho que manter minha trincheira”, afirmou.
O deputado estadual tucano Luiz Paulo Corrêa da Rocha diz que os ânimos estão muito acirrados e que o tempo apaziguará as diferenças. “Não fizemos nenhuma conversa coletiva sobre a coligação. Por enquanto, só há muita conversa individual. O que temos acordado são dois senadores, um do DEM e outro do PPS, e o Gabeira para governador”, disse. “Deixa todo mundo se acalmar. Nosso desejo é pela manutenção do que foi acordado, mesmo porque é o eleitor quem vai decidir.”
A possibilidade de Gabeira desistir da candidatura a governador causou surpresa no PPS. “Tivemos hoje (ontem) uma reunião no diretório regional e o que nos foi passado é que o problema vai ser resolvido pelas direções dos partidos. Esta possibilidade não nos foi informada ainda”, disse o vereador Paulo Pinheiro (PPS). “A coligação está acertada e nós daremos um dos candidatos a senador”, referindo-se ao ex-deputado federal Marcelo Cerqueira.
Procurado através de e-mail, por onde se comunica com a imprensa, o ex-prefeito César Maia não respondeu se desistiu da coligação. Na última semana, divulgou em seu blog números com a média de pesquisas eleitorais ao Senado, onde aparece em segundo lugar, com 35%, atrás do senador Marcelo Crivella (PRB), com 39%. Na terceira colocação, viria o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT), com 15%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Ciro, agora, depende do TSE

 O PSB está, desde o dia 18 de março, aguardando um pronunciamento do TSE sobre uma consulta relacionada ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no radio e na TV.
O partido entende que o tempo a ser dividido entre os partidos políticos com representação na Câmara, seja concedido apenas para as legendas que possuem candidatos à Presidência. Se o Tribunal tiver esse entendimento, o tempo de Ciro Gomes – que não se coligou a nenhum partido -  subiria de 1 minuto e 40 segundos, para 3 minutos e 30 segundos.
Pela legislação eleitoral, o tempo de campanha é dividido da seguinte forma: 10 minutos são distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidatos, e os demais 20 minutos são repartidos entre as legendas com representação na Câmara.
Caso a tese do PSB saia vitoriosa no TSE, o peso do PMDB na coligação com o PT será ser bastante reduzido, assim como o do DEM na coligação que apóia o ex-governador José Serra.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:23

Cesar: “Serra no primeiro turno”

 O ex-prefeito Cesar Maia fez hoje uma edição extra, de seu blog, para reproduzir a entrevista que concedeu a BBC Brasil, na qual diz que “Serra pode vencer eleições já no primeiro turno”. A ver.
“1. Pré-candidato ao Senado pelo Democratas (DEM), prefeito do Rio de Janeiro por três vezes e uma das vozes mais contundentes e críticas ao governo Lula, o economista carioca Cesar Maia admite que os quase oito anos de administração do PT “confundiram” a oposição, que agora terá que comparar projetos políticos e apontar o “potencial de instabilidade” da candidatura de Dilma Rousseff (PT) se quiser voltar ao Planalto.              
2. Em entrevista concedida à BBC Brasil às vésperas do lançamento de José Serra como nome do PSDB para disputar as eleições presidenciais, Maia afirma que, durante boa parte do governo Lula, a oposição ficou dividida entre “apontar para o futuro” ou reivindicar a “paternidade” da estabilidade econômica e de programas como o Bolsa Família.               
3. “O fato de Lula ter rolado os programas anteriores do governo FHC – estabilidade monetária, Bolsa Escola….- confundiu a oposição, que não sabia se apontava para o passado, tentando resgatar a paternidade dos programas, ou se apontava para o futuro”, disse. Para Maia, “somente agora” a oposição parece ter conseguido se “descolar” deste dilema, embora continue presa ao debate econômico em relação ao governo Lula.               
4. Questionado sobre os índices recorde de aprovação ao presidente, o ex-prefeito do Rio afirma que Lula foi beneficiado por um “ciclo mundial ascendente” na economia, que alavancou sua popularidade, assim como fez com outros líderes latino-americanos, como os ex-presidentes do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Chile, Michelle Bachelet. E minimiza o impacto da crise econômica mundial de 2008. “A duração da crise foi menor do que se supunha para todos os países”, argumenta.               
5. Mesmo assim, Cesar Maia diminui a importância da transferência de votos de Lula para Dilma, “que têm DNA diferente”, e vê com otimismo as perspectivas de José Serra nas eleições de outubro, afirmando que o ex-governador poderia vencer já no primeiro turno. Para ele, em um cenário em que o pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, não concorra e Marina Silva, do PV, perca votos, é possível que o tucano vença a candidata do PT sem a necessidade da realização de um segundo turno. “Se Marina ‘emagrecer’, Serra ganha no primeiro turno. Claro, não acredito na candidatura de Ciro, que aliás mudaria esse raciocínio”, disse. 
6. Para Maia, a performance dos candidatos durante a campanha deve ser decisiva nestas eleições, o que seria uma vantagem para o tucano e uma desvantagem para Dilma. “Nos últimos anos, quando as economias não têm crescimento chinês, nem vivem um desastre, as campanhas se decidem por perfomance. Os slogans são cada vez mais impulsões. Nesse sentido, se aprende a fazer campanha, fazendo campanha. Dilma nunca foi candidata a vereadora. Não sabe o que é campanha.”               
7. Para o democrata, no entanto, caso a eleição presidencial vá para um segundo turno, as dificuldades de Serra poderiam aumentar, pois a concentração em apenas dois candidatos tenderia a facilitar a associação entre Lula e Dilma, tornando a candidata mais competitiva. “No segundo turno Dilma já terá feito seu doutorado em campanha. A TV passa a ser contínua, 10 minutos para cada e Lula aparece com muito maior nitidez. O discurso de criar insegurança nos que recebem as diversas bolsas do governo fica mais fácil pela TV.               
8. Por isso, o segundo turno seria diferente do primeiro e Dilma se tornaria mais competitiva”, diz. Maia, que afirma que Dilma se aproximaria de um “esquema bolivariano” parecido com o do venezuelano Hugo Chávez caso vença, afirma que o melhor vice para Serra seria o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, mas que caso isso não aconteça, a vaga deveria se do DEM. “O Democratas, excluindo São Paulo, tem muito mais capilaridade que o PSDB, lidera um segmento estratégico como o agropecuário e afirma teses – como a redução da carga tributária e a defesa do direito de propriedade – que o PSDB tem um certo recato para fazer”,

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

A política pós-Lula

O historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro disse a Diego Viana, do ‘Valor Econômico’, em Paris, que “os cenários políticos que podem emergir das urnas, em outubro, contêm elementos preocupantes, seja quem for o vencedor. Michel Temer, como eventual vice-presidente de Dilma Rousseff, tenderia a comandar um PMDB fortalecido demais, a ponto de comprometer o poder da presidente. Quanto a José Serra, Alencastro entende que o ex-governador de São Paulo, embora tenha “muita experiência” e seja “um grande líder”, tem “um problema sério”, derivado da dificuldade de formular uma proposta que se diferencie de políticas que se mostraram bem-sucedidas no governo Lula. Essa situação pode trazer certo conforto para a candidata do PT, mas está aí outro motivo de inquietação”, pois “não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política”.
“Tendo acompanhado de perto a formação dos novos partidos, nos anos 1980, Alencastro conhece a dinâmica interna das principais legendas. No PT, vê o risco de transformação do lulismo no varguismo que o partido combateu em sua origem. Já o PSDB pode ficar circunscrito a São Paulo, enquanto a direita passa por um processo de radicalização semelhante ao dos republicanos nos Estados Unidos.
Exilado em 1968, Alencastro, então estudante da Universidade de Brasília, foi recebido na França pelo economista Celso Furtado e Raul Ryff, secretário de Imprensa do governo João Goulart. Na Europa, completou a graduação, o mestrado e o doutorado, antes de voltar ao Brasil para lecionar na Unicamp.
Titular da cadeira de História do Brasil na Sorbonne desde 2001, o autor de “O Trato dos Viventes” [Companhia das Letras, 2000] conversou com o Valor num café próximo de sua residência parisiense”.

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A seguir, trechos da entrevista.

“- A revista “The Economist” fez uma matéria de capa sobre o Brasil, dizendo que o futuro chegou para o país do futuro. O sr. compartilha desse otimismo?
- Até a oposição compartilha desse otimismo. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.
- E a perspectiva política?
- O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT. O presidencialismo pressupõe um vice discreto, porque ele é eleito de carona, para trazer alianças e palanques. Aos trancos e barrancos, instaurou-se um sistema presidencialista que tem dado certo no Brasil. O fato de haver dois turnos, associado à integração do vice na chapa do presidente, deu estabilidade ao sistema. Foi assim com Fernando Henrique e Marco Maciel. Foi assim com Lula e José de Alencar. Dilma e Temer formam uma combinação inédita: uma candidata até então sem mandato associada a um político cheio de mandatos e dono do PMDB, que é o maior partido do Brasil, mas nunca elegeu um presidente e vai com sede ao pote. O PMDB pode estabelecer um vice-presidencialismo, com um papel de protagonista que seria descabido.
- Dilma é considerada uma administradora eficiente, mas não tem uma carreira política como a de Lula. Isso pode comprometer seu governo?
- Ela assumiu a Casa Civil num momento difícil. O governo e o país estavam em crise e, por muito tempo, não se falou nela, o que é um indício de grande eficácia. Num cargo exposto como esse, não ser notícia é um grande feito. Isso prova que não é ficção sua fama de boa administradora. Mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo.
- Lula, quando eleito, só tinha passado pela Assembleia Constituinte.
- Mas era o fundador de um importante partido político e um grande líder sindical. O lado conciliador de Lula vem daí, da experiência de conversar no botequim com os companheiros, negociar com o patronato, avaliar relações de força na fábrica e na política. Se ele errasse, dirigindo uma greve furada, a sanção não seria perder um mandato, mas ter no dia seguinte dezenas de trabalhadores no olho da rua. Sem contar as campanhas, as três que perdeu para presidente e uma para governador de São Paulo, em 1982. Dilma foi secretária estadual no Rio Grande do Sul, um Estado muito politizado, mas isso não equivale a um cargo eletivo.
- Serra, o sr. conhece melhor.
- Serra tem muita experiência e é um grande líder. Mas tem um problema sério. Vou formulá-lo de maneira abrupta: e se Serra for um blefe? Explico: ele é apresentado desde 1982, quando foi secretário de Planejamento em São Paulo, como o reformador do Brasil, o homem que vai racionalizar a economia e dar jeito no país. Quando Fernando Henrique ganhou, ele foi ministro do Planejamento, mas ficou fora da política econômica. Como se dizia, Serra era o candidato da Fiesp, da indústria, e Fernando Henrique, da Febraban, dos banqueiros. Serra foi parar na Saúde e até hoje não quer ser associado àquela política econômica, de que era crítico acerbo.
- Já em 2002 ele tentava se apresentar como ruptura.
- As pesquisas mostravam uma rejeição ao candidato indicado por Fernando Henrique. Isso continua. É curioso esse excesso de impopularidade. Chega a ser injusto. Não tem um vereador do PSDB que faça santinho dizendo ser candidato do partido de Fernando Henrique. Pergunto às pessoas, quando vou ao Brasil, o que as incomoda em Fernando Henrique. Fala-se das privatizações: “Vendeu tudo e não se viu o dinheiro”. Ou nos bilhões de dólares queimados na gestão temerária da paridade cambial. Ou coisas mais subjetivas, misteriosas: “O jeito como ele ri”…
- Voltando a Serra, e se ele for um blefe, como o sr. diz?
- O problema dele é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.
- Essa situação parece confortável para Dilma.
- Esse pode ser outro motivo de inquietação. Não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política. A transição de Fernando Henrique para Lula foi a primeira alternância que houve no Brasil dentro da legalidade democrática. Era a última hipoteca que pesava sobre a democracia brasileira. Uma democracia não é só ter partido político e eleição. É preciso que a oposição também possa ganhar. Isto posto, no Chile a “Concertación” ficou 20 anos no poder, só perdeu agora. Se o Lula voltar em 2014, e ficar 8 anos, aí vamos ter 20 anos de PT na Presidência. Penso que será mais complicado que o ocorrido no Chile.
- De todo modo, é uma projeção.
- É uma projeção, mas está no horizonte de gente como Aécio Neves, que deve estar inquieto. E não é uma perspectiva nova. Em 2006, a candidatura de Fernando Henrique estava na pauta. Na época, Serra teria dito: “Se for para perder, o candidato sou eu. Se for para ganhar, é Fernando Henrique.” Essa projeção não é irracional. Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista "Novos Estudos"] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.
- A classe média também pode gerar instabilidade, ao sentir que perde privilégios?
- Isso já está acontecendo. É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.
- A oposição está desarticulada?
- Desarticulada e sem discurso político coerente, e isso é ruim para o Brasil. Como ela vai se reorganizar? E vamos extrapolar: se perder São Paulo e o Rio Grande do Sul, acaba como força política nacional. Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático. Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo… O Brasil pode enveredar por aí. Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.
- Depois de 2003, muitos desses foram embora, como os fundadores do PSOL.
- Foram, mas não saíram do quadro institucional. No México ainda tem gente fazendo política com capuz e arma na mão, como o subcomandante Marcos [porta-voz do comando militar do grupo indígena chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional]. Na Argentina, não houve alternância completa: não conseguiram se livrar do peronismo até hoje. A China é uma ditadura que explora brutalmente sua classe operária. A Índia tem atentados a bomba. A Rússia está envolvida numa guerra colonial na Tchetchênia. O Brasil é o único dos Bric [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China] sem bomba atômica, sem encrencas com os vizinhos e com uma prática democrática bem enraizada.
- A tendência, então, é Serra liderar uma direita radicalizada?
- O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin. Por quê? Porque Serra teve a experiência da perseguição política, da ditadura, do exílio. Companheiros dele foram mortos, outros torturados. Isso até o aproxima de Dilma: os dois principais candidatos à presidência correram o risco de ser assassinados pela direita mais radical. Serra ainda escapou de Pinochet quando estava no Chile. De Paris, acompanhei com atenção sua volta ao Brasil em 1977, antes da anistia. Eduardo Kugelmas [sociólogo e cientista político, morto em 2006], quando soube que Serra tinha voltado sem ser preso, me disse: “Todo mundo pode voltar agora. Serra é um elefante de piranha. Se ele passou, todo mundo pode voltar”. Hoje, o que torna sua candidatura difícil é não ter um discurso mais abrangente, além do anti-PT, para atrair outros setores.
- A aliança possível para Serra seria talvez a direita radical, com que não se identifica. E sua adversária é uma esquerda que se aproximou das ideias que ele defendia…
- Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.
- Isso pode fazer com que a campanha se torne virulenta?
- Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados “formadores de opinião”. Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.
- A presidente da Associação Nacionais de Jornais, Judith Brito, disse que a fraqueza da oposição leva a imprensa a agir como partido. O que significa a imprensa se comportar como partido político?
- Normalmente, a imprensa defende a Constituição, reformas políticas, ideias. Não há nada errado, por exemplo, em apoiar candidatos. O “New York Times” apoiou Obama, mas tem um trabalho jornalístico sério e equilibrado. Esse é o papel da imprensa, o que é diferente de querer substituir partidos políticos. Fiquei perplexo com o texto de uma coluna regular num grande jornal carioca que continha uma proposta partidária para o PSDB. O papel do jornalista não é redigir programas partidários.
- Aécio Neves fala de um voto antipaulista que poderia prejudicar Serra.
- Aécio vem falando nisso desde 2002. A política nacional sempre foi perturbada pela política paulista. São Paulo não consegue se arrumar internamente por razões objetivas: é o maior Estado industrial, mas também o maior Estado agrário. Tem alta tecnologia, mas grandes favelas. Pesa economicamente do Oiapoque ao Chuí, no Paraguai e na Bolívia. Tudo isso cria rivalidades fortes na esfera estadual e a influência do Estado no país faz com que essa desordem repercuta nacionalmente.
- O PSDB é cada vez mais dependente desse Estado. Ele pode se tornar uma versão moderna dos partidos paulistas de antigamente?
- É uma possibilidade. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Tarso Genro já empatou com José Fogaça. Se o PT toma o Rio Grande, sobra pouco para o PSDB fora de São Paulo. Fernando Henrique disse numa entrevista quando percebeu que a eleição de 1994 estava ganha: na Bahia, foi mais ovacionado que Antonio Carlos Magalhães. As pessoas agitavam notas de um real. Qual é o real do Serra? O real da Dilma são o Bolsa-Família, o PAC, o ProUni. Serra vai vender o quê? A grande mudança trazida pela ditadura eram os partidos nacionais, tanto na direita quanto na esquerda. Mas isso está acabando. O último partido nacional é o PT, os outros são fragmentos de costuras locais. Com isso, o que acontece? O desabamento do PFL, hoje DEM, à direita. Um PDMB que virou essa massa informe, que permeia tudo com clientelismo e é o maior partido do país. O PSDB pode se tornar um partido ilhado.
- Como fica o PT nessa configuração?
- Como partido no poder, o PT se aguenta, porque tem financiamento também do patronato, empreiteiras, grupos que antes não o financiavam. O PT tem ainda uma máquina partidária bem operacional, tempo de televisão e, claro, a disciplina partidária. Mal ou bem, eleições para a direção do PT têm atraído dezenas de milhares de militantes. Que outro partido brasileiro tem essa participação? Todo mundo se lembra da “convenção do Massimo”, que reuniu Serra, Aécio, Fernando Henrique e Tasso Jereissati, em fevereiro de 2006, num dos restaurantes mais caros do Brasil, em São Paulo, para discutir a candidatura do PSDB às eleições presidenciais daquele ano.
- O PT sofreu mutações desde que Lula foi eleito.
- O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! Existe um problema de sobrevivência para o PT pós-Lula. O movimento mais forte do Brasil no século XX, o varguismo, esgotou-se quando Lula foi para o segundo turno em 1989, batendo Brizola e puxando o eleitorado trabalhista. O PT também pode se desarticular porque perdeu o debate interno. Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa. A ausência de debate interno pode transformar o PT num partido amorfo, corroído pelo empreguismo e o clientelismo político.
- A política brasileira caminha para a fragmentação?
- O que está acontecendo é a fagocitose das estratégias partidárias nacionais pela política estadual. É um efeito das reeleições nos Estados e nos municípios. Isso também coloca outros problemas. Seria necessário que os tribunais de contas estaduais e municipais fossem mais fortes, mais independentes – como o Tribunal de Contas da União – para escapar ao sobrepeso de um governador ou prefeito que é reeleito. As contas do Maluf, por exemplo, sempre foram aprovadas, e hoje ele está na lista vermelha da Interpol. Isso deveria levar a um questionamento maior no Brasil. Primeiro, nos partidos. Eles têm comissões de ética, mas abrigam eleitos acusados de diversos crimes. Depois, na imprensa, que deveria questionar tribunais de contas que aprovam o exercício de governadores e prefeitos delinquentes. Os editores deveriam pautar repórteres para recuperar os documentos, interrogar os membros desses tribunais. Como pode alguém ser perseguido pela Interpol, podendo ser preso em 181 países por causa disso, mas passar pelas regras da gestão pública brasileira?
- A política externa brasileira tem recebido elogios no exterior, mas críticas pesadas no país. A que o sr. atribuiria essa disparidade?
- Pela primeira vez, desde 1850, quando a marinha de guerra inglesa bloqueava a baía de Guanabara por causa do tráfico negreiro, a diplomacia brasileira entrou na agenda da campanha eleitoral nacional. Acho uma coisa muito boa. Durante a ditadura, política externa era um assunto secundário. Depois, com a internet, os jornais desistiram de ter sucursais e correspondentes no exterior. Ora, a política externa virou um assunto complexo, mas o Brasil não tem especialistas suficientes nos jornais ou nas universidades. A imprensa não segue política internacional de maneira adequada. Exige-se mais conhecimento específico dos jornalistas esportivos que de quem cobre o setor internacional. Há um quarteto de embaixadores aposentados que estão sempre na televisão, batendo em Celso Amorim e Lula. Repetem que a política externa é um desastre. Desastre? Os jornais americanos e europeus discordam. Nunca vi o Brasil com tanto prestígio. É até desproporcionado, dado o peso ínfimo do país no comércio internacional. Ao contrário da Índia e da China, potências atômicas com peso comercial enorme. Em maio, Lula vai ao Irã e está sendo criticado no Brasil. Já a “Economist” diz que é bom, porque abre novos canais de comunicação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, a diplomacia brasileira usou com habilidade as regras da OMC e as manobras políticas para rebater o protecionismo americano na questão do comércio do algodão. Tenho certeza de que esse assunto, que começou em 2002 e ainda não terminou, ficará como um marco na história diplomática”.

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