• Quarta-feira, 15 Fevereiro 2012 / 10:13

Delúbio tem livro em sua defesa

      Do repóter Wilson Tosta, do ‘Estadão’:
      “Réu do processo do mensalão, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares intensificou nas últimas semanas sua movimentação nos bastidores em busca de apoio político para enfrentar o julgamento da ação penal sobre o caso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para este ano.
Segundo petistas, a postura de Delúbio às vezes incomoda outros acusados – como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu -, que avaliam que uma aproximação poderia prejudicá-los.
Um dos recursos de Delúbio em sua busca por apoio é um caderno de 78 páginas em papel couché, colorido e com ilustrações. Sob o título de A Defesa de Delúbio Soares no STF, o texto, também publicado no site do ex-tesoureiro, reproduz seus argumentos para alegar inocência da acusação de integrar um suposto esquema de compra de votos no Congresso no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com gráficos em cores e citação de Rui Barbosa, o documento, assinado por integrantes das bancas Malheiros Filho, Camargo Lima, Rahal Advogados e Vilardi Advogados, de São Paulo, informa em seu expediente que foi impresso “pelos companheiros petistas de Delúbio Soares”, com tiragem anunciada de 20 mil exemplares.
Delúbio tem percorrido diversos Estados. Há cerca de um ano, reuniu-se no Rio com sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas, de acordo com militantes do PT, quase não conseguiu atrair nenhum integrante de destaque do movimento sindical. Em suas investidas no Rio, muitas vezes se encontra com dois ex-membros do governo Lula, Manoel Severino dos Santos, que presidiu a Casa da Moeda, e Marcelo Sereno, ex-integrante da Casa Civil.
Há cerca de duas semanas, Delúbio fez nova incursão no Rio. Terminou seu dia no bar Villarino, no centro, muito frequentado por advogados devido à proximidade com a sede do Tribunal Regional Eleitoral. Um amigo distribuiu cópias da defesa a alguns frequentadores.
Dirceu permanece distante da movimentação de Delúbio, embora mantenha contato com ele. No início do processo, o ex-tesoureiro propôs ao ex-ministro que se defendessem juntos. Dirceu, porém, não concordou, o que gerou mal-estar entre os dois. O ex-ministro procura evitar ser associado publicamente a Delúbio e a outros personagens do escândalo, do qual é um dos personagens centrais.
Na Justiça, aparentemente, prevalece a política de defesas independentes, embora alguns argumentos – como o de que não existiu mensalão – coincidam.
Mesmo no PT, Delúbio ainda é centro de polêmica. Ele foi expulso do partido em outubro de 2005, por decisão do Diretório Nacional da legenda, que aprovou relatório de Comissão de Ética segundo o qual o ex-tesoureiro “extrapolou as deliberações adotadas pela direção nacional, expondo o partido a uma crise política”. Em maio do ano passado, a legenda decidiu refiliá-lo, com apoio do ex-presidente Lula. A votação, porém, foi adiada pelo menos duas vezes e teve discussão tensa até o fim”.

  • Terça-feira, 24 Agosto 2010 / 6:14

Expresso Tiririca

                                                        Fernando de Barros e Silva*

        Se a política é uma palhaçada, vote no palhaço. Resumida a seu cerne, é essa a mensagem em torno da qual Tiririca faz sua campanha para deputado federal pelo PR de São Paulo. O Congresso seria um circo, e o “abestado” pede seu espaço no picadeiro.
“O que é que faz um deputado federal?”, pergunta o humorista. E responde: “Na realidade eu não sei, mas vota em mim que eu te conto”. Seu bordão mais famoso diz: “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica”. Tornou-se um sucesso instantâneo.
Ao fazer da desmoralização da política uma bandeira, razão e causa da sua candidatura (disposta a “avacalhar o avacalhado”), Tiririca se põe, à primeira vista, como mais um herdeiro do “voto Cacareco”.
Era, como se sabe, o nome do rinoceronte do zoológico paulistano que recebeu, em fins dos anos 1950, mais votos do que qualquer outro candidato a vereador, tornando-se um caso célebre de voto nulo e por isso sinônimo do voto de protesto.
Mas Tiririca não está no zoológico. Ele é um “puxador de votos”, a estrela do programa do PR. Sua galhofaria se destina a eleger -aí sim- uma boa bancada de rinocerontes do PR, o antigo PL, partido do mensaleiro (e também candidato) Valdemar Costa Neto. Tiririca não é um palhaço, é um biombo. Atrás dele, vão os verdadeiros artistas do circo fisiológico que o lulismo (e agora Dilma) alimenta.
Se você reparar na campanha do idiota útil na TV, verá que a propaganda exibe o nome de Mercadante, candidato a governador de SP. Tiririca não é, pois, um “outsider”, uma aberração avulsa do processo eleitoral, mas alguém estrategicamente patrocinado pelo bloco que detém hoje o poder hegemônico.
Escarnecendo da política para dela se beneficiar, Tiririca é menos uma ameaça individual do que a face caricata de um sistema político que se tornou imune aos escândalos em série que fabrica. Ele de certa forma realiza a profecia de Delúbio Soares, para quem o mensalão um dia iria virar “piada de salão”.
* Fernando de Barros e Silva é jornalista da ‘Folha’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Mensalão: Lula é testemunha no STF

Do repórter Juliano Basile, do ‘Valor Econômico’:
“O presidente Luiz Inácio lula da Silva reconheceu formalmente junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, em encontro com o então presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi informado antecipadamente a respeito da existência de um esquema de compra de votos no Congresso, o chamado mensalão. Ele argumentou ter pedido a auxiliares para verificarem a procedência das acusações.
“Pelo que me lembro, ao final de reunião, no primeiro semestre de 2005, e na presença de Aldo Rebelo, Walfrido dos Mares Guia, Arlindo Chinaglia e José Múcio Monteiro, Roberto Jefferson fez menção ao assunto”, disse Lula, por escrito, em ofício com respostas a questões encaminhadas pelo relator do processo no STF, Joaquim Barbosa.
“Então, solicitei ao Aldo Rebelo (na ocasião, ministro das Relações Institucionais) e ao Chinaglia (na época, líder do governo na Câmara) que verificassem se as afirmações procediam”, continuou Lula, que não esclarece se recebeu alguma resposta.
Boa parte das questões foi pedida pelo Ministério Público Federal, que entrou com a ação denunciando o mensalão. Ao todo, o MPF fez 33 perguntas ao presidente, algumas com dois ou três desdobramentos. Outros réus que ocuparam cargos importantes no governo, como o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-titular da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, também fizeram perguntas por escrito a Lula, mas principalmente para obter afirmações de apoio do presidente à defesa.
Dirceu fez oito perguntas. Ele perguntou se o governo enfrentava resistência da base aliada na reforma da Previdência. “Desconheço qualquer ilicitude relacionada à votação da reforma da Previdência”, respondeu Lula. “Sua aprovação foi fruto de acordo com 27 governadores de Estado para votação conjunta com a reforma tributária”, completou.
O presidente disse desconhecer qualquer fato que desabone Dirceu, Gushiken e o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que foi presidente da Câmara no fim do primeiro mandato do governo Lula. “Desconheço qualquer fato desabonador sobre José Dirceu, que lutou pela democratização do Brasil, pagando com o exílio.”
Lula também elogiou outros réus do mensalão. Além de Dirceu e Cunha, ele disse ser amigo de Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, Delúbio Soares, que foi tesoureiro do partido, e José Genoíno, que presidia o PT quando estourou o escândalo e hoje é deputado federal (PT-SP). “Posso dizer que tenho relações de amizade com eles, em graus variados, em função das atividades político-partidárias”, afirmou Lula.
Logo em seguida, o presidente se desvinculou das tendências no PT. “Quando a terminologia campo majoritário passou a ser utilizada no PT, eu, na condição de presidente de honra do partido, já não fazia parte da militância interna mais direta.”
No documento enviado ao STF, o presidente disse que não conheceu o publicitário Marcos Valério, um dos 39 réus do processo do mensalão, acusado de ser o operador do esquema de transferência de dinheiro público para o pagamento de parlamentares.
Em outro momento do ofício ao STF, o presidente negou a participação em reuniões com empresas agendadas por Delúbio.
Em suas últimas respostas ao STF, Lula disse não se recordar da maneira como o PTB ingressou na base aliada do governo. O MPF suspeita que o apoio do partido foi comprado com cargos em estatais e repasses em dinheiro para parlamentares petebistas. “O PTB ingressou na base aliada do governo?”, perguntou o MPF. “Não me recordo”, respondeu Lula. “Quem negociou pelo PTB o ingresso do referido partido na base aliada?” “Não sei”, concluiu Lula.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:26

A ‘Isto É’ e o ‘Mensalão’ – 3

AS TESTEMUNHAS DO CAIXA 2 

A ação penal no STF traz depoimentos inéditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimentações de ?dinheiro não contabilizado?, expressão usada pelo petista Delúbio Soares para
justificar o Mensalão. Os testemunhos surpreendem, não apenas pelo seu valor jurídico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma questão criminal como se fosse algo rotineiro. Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães confirmou na Justiça Federal em São Paulo, no dia 27
de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. ?Boa parte da crise era devido a esses empréstimos que não constaram da contabilidade, o caixa 2?, disse Guimarães, dando detalhes dos empréstimos que o PT fez no Rural e no BMG. ?Tomei conhecimento destes empréstimos. Eu não me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milhões (de reais).? Guimarães afirmou ter participado das reuniões que escolheram a agência de Marcos Valério para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.
Pelos depoimentos, fica evidente que práticas ilegais eram cotidianas nos escritórios dos partidos políticos. Funcionários das legendas não se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paraná e secretária do ex-deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou à Justiça em 2009 que sua conta bancária foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava através da corretora Bônus Banval, que lavava o dinheiro do Mensalão. ?O deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (então dono
da Bônus Banval) iria me ligar e daí iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar?, disse Rosa. Entre casos já conhecidos e outros só agora descobertos, as confissões surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), revelou na Justiça ter recebido R$ 80 mil ?não contabilizados? do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Delúbio Soares. Presidente do PT no Tocantins na época das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional,
enviado por Delúbio. O ex-deputado baiano Eujácio Simões, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.

Em alguns relatos, os detalhes são tão ricos quanto as quantias movimentadas irregularmente pelos políticos. É o caso do testemunho do empresário José Carlos Batista, sócio da Garanhuns Empreendimentos, empresa que ficou conhecida na época do Mensalão como lavanderia do Mensalão. Réu no processo, Batista decidiu contar tudo o que sabe para ser beneficiado pelo instrumento da delação premiada. Foi ouvido na condição de informante. Pela primeira vez, disse que era dono da Garanhuns apenas no papel porque, na verdade, era ?laranja? do verdadeiro dono da empresa, Lúcio Funaro, amigo de Costa Neto. Batista esmiúça como entregou pessoalmente, a pedido de Funaro, quase R$ 3 milhões do esquema do PT para o deputado do PL bancar a campanha eleitoral de 2004. O dinheiro foi entregue na sede do PL em São Paulo. Eram recursos repassados a Funaro por Valério com base em um ?contrato fictício? de compras de certificado de
reflorestamento da Garanhuns para a SMP&B. Já se sabia que a Garanhuns fora usada por Valério para esquentar o dinheiro repassado do caixa 2 do PT para o PL. O publicitário sempre negou. Em seu depoimento, Batista não só se define como ?laranja? como cria dificuldade para aqueles que querem contestar a sua versão do fato pela quantidade de informações que forneceu à Justiça. Ele cita modelos de veículos em que o dinheiro foi carregado em ?caixas de papelão?, horários de voos, nomes de intermediários e destinos do dinheiro, como a cidade de Mogi das Cruzes, no interior paulista. São esses detalhes que irão influenciar o ministro relator na hora de confrontar depoimentos contraditórios.

A PALAVRA DOS PRESIDENTES

Não é comum que presidentes ou ex-presidentes da República sejam sabatinados por juízes, mas entre os novos documentos do Mensalão estão depoimentos de Fernando Henrique Cardoso e do vice-presidente José Alencar. FHC foi arrolado como testemunha de defesa do ex-deputado Roberto Jefferson e prestou um longo depoimento. Suas declarações na 2ª Vara Federal Criminal Especializada em Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e Crimes de Lavagem, em São Paulo, em junho do ano passado, somam dez laudas. ?O deputado Roberto Jefferson é um batalhador?, disse Fernando Henrique. ?Ele é assim, por bem ou por mal ele toma a posição, ele vai em frente.? Fernando Henrique discorreu sobre as diferenças entre seu governo e o do presidente Lula e aproveitou para dar uma estocada no PT. Ele disse que o partido de Lula costuma ?transformar em escândalo qualquer caso, muitas vezes sem ter sido apurado?. E acha que o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino (PT-SP) são responsáveis por ?essa postura?. A provocação de FHC acabou sendo assimilada. Há poucas semanas, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu: ?O PT nasceu questionando as instituições tradicionais, mas foi adquirindo vícios. Até o
vício da corrupção, que infelizmente entrou em nosso partido.?

Também prestou depoimento no caso do Mensalão o vice-presidente José Alencar. Na época do escândalo, Alencar estava filiado ao PL, o partido do deputado Valdemar Costa Neto. Alencar recebeu da Justiça as perguntas por escrito e se manifestou rapidamente. Afirmou que só soube dos repasses financeiros do PT para o PL quando o ex-deputado Roberto Jefferson fez a denúncia do Mensalão. Disse que durante as negociações para a formação da chapa presidencial eleita em 2002 em nenhum momento participou
de discussões envolvendo o financiamento da campanha e que nunca tratou sobre o assunto com o presidente Lula. O presidente, ao contrário de Alencar que se prontificou a colaborar com as
investigações e em apenas duas semanas respondeu ao questionário, tem se esquivado de falar sobre o Mensalão. No dia 10 de agosto do ano passado, a juíza Pollyanna Kelly Martins Alves, da 12ª Vara da Justiça Federal de Brasília, enviou ofício diretamente ao Palácio do Planalto, informando que Lula está arrolado como testemunha no ?processo do Mensalão?. E redigiu: ?Conto com a compreensão de Vossa Excelência em colaborar com o Poder Judiciário.? A seguir, a juíza pede a Lula que ?indique dia e hora que melhor lhe convier? para comparecer à Justiça, ou ainda que ?manifeste interesse em encaminhar respostas por escrito, se assim lhe aprouver, observando o intervalo entre 14 de setembro de 2009 e 30 de outubro de 2009?. Já se passaram quatro meses do prazo sugerido pela juíza e Lula não se prontificou até agora a enviar as respostas, nem sequer por escrito.

O Mensalão do PT foi o primeiro a ser descoberto, em 2005, e nos últimos cinco anos vem sendo investigado. Depois dele, surgiram o Mensalão Tucano, revelado por ISTOÉ em setembro de 2007, e o
Mensalão do DEM, no final de 2009. Os esquemas são semelhantes e mostram que a prática do caixa 2 e da compra de apoios políticos não é privilégio de um único partido político. Como todos têm seu mensalão, é até possível que se depender dos políticos esses crimes permaneçam impunes. A boa notícia é que o Judiciário tem dado mostras de que esse quadro poderá ganhar novas molduras. No caso do Mensalão do DEM, um governador está preso preventivamente e, se depender do potencial dos novos documentos
em poder do relator Joaquim Barbosa, o STF tem elementos de sobra para não manter a impunidade no caso do Mensalão do PT, ainda que cinco anos depois.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:57

Cabral quer demitir Sereno

  Sergio Cabral está mesmo apavorado com a sua reeleição.
Veja a reportagem que o governador conseguiu publicar na ?Isto É? que está nas bancas.
?Enquanto em Brasília o PT e o PMDB fazem juras de amor e tentam acertar a aliança em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, o relacionamento entre os dois partidos no Rio de Janeiro assume contornos beligerantes. A guerra aberta entre PT e PMDB no Rio envolve uma das mais tradicionais empresas do Estado, a cinquentenária refinaria de Manguinhos. Ex-estatal, privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, Manguinhos agora está nas mãos do ex-secretário Nacional de Comunicação do PT Marcelo Sereno, um dos citados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no escândalo do Mensalão e nas denúncias que derrubaram da Casa Civil Waldomiro Diniz, braço direito do então ministro José Dirceu. Além de ser o presidente da Grandiflorum, holding controladora de Manguinhos, com salário de R$ 10 mil mensais, Sereno aparece no banco de dados da Serasa como sócio do empresário João Manuel Magro na empresa que assumiu o controle da refinaria numa polêmica operação que envolveu a transferência das participações da petroleira espanhola Repsol e da família Peixoto de Castro para o grupo Andrade Magro, de São Paulo.
Conforme apurou ISTOÉ, Sereno foi nomeado presidente da Grandiflorum em 28 de novembro de 2008, 18 dias antes de a refinaria Manguinhos ser adquirida. Sereno tenta diminuir sua importância na empresa. Alega que é “apenas” presidente. Atribui a um erro do Serasa o fato de figurar como sócio do grupo. Equívoco ou não, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), está preocupado com o poder exercido por Sereno em Manguinhos. Enxerga uma grande jogada do PT, comandada por Dirceu, para fortalecer a candidatura ao governo do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Isso criaria obstáculos para as pretensões do PMDB de reeleger o governador. Mas Cabral reagiu. Mandou a Secretaria da Fazenda promover uma operação de recadastramento de empresas que operam no ramo de distribuição de combustíveis. Também acusou Manguinhos de utilizar em 2002 o regime especial tributário para gerar uma perda de R$ 600 milhões nos cofres do Rio. E entrou com ação na Justiça contra a refinaria. Cabral pode ir além.
Está ao alcance do PMDB uma fita, hoje em poder de um empresário do mercado financeiro, que comprovaria o envolvimento de Sereno no Mensalão.
A gravação jogaria uma pá de cal na candidatura do petista à Câmara dos Deputados em 2010.
O PMDB fluminense acredita que pelo menos uma parte desses R$ 600 milhões vai engordar o caixa das campanhas petistas no Rio, especialmente a do próprio Sereno e a de Farias. Trabalhando intensamente por sua candidatura, Sereno espera ter destino diferente de seus ex-colegas de PT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Silvinho Pereira. Desligados do PT, ambos não conseguiram legenda e viram frustrados seus desejos de retornar à cena política em 2010. Nos últimos dias, Cabral fez chegar sua preocupação ao Palácio do Planalto.
Os assessores de Lula responderam que não acreditam na utilização eleitoral dos recursos de Manguinhos. E disseram ainda que apostam num acordo eleitoral envolvendo o próprio Cabral, Farias, Dirceu e Sereno. Mas o desejo de Cabral é deixar Sereno ao relento – sem o guarda-chuva de Manguinhos?.
Apenas um detalhe: Marcelo Sereno não é um dos 40 réus no processo que ficou conhecido como Mensalão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:39

Agaciel pode virar ‘excelência’

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, enrolou, enrolou e não se filiou a partido algum. Continurá no sereno.
Já o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, filiou-se ao PTC do Distrito Federal, e vai tentar um mandato de deputado.
Tem tudo para fazer uma campanha milionária.

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