• Quinta-feira, 01 Março 2012 / 11:46

Ficha limpa barra Cristovam Buarque

    Do colunista Ilimar Franco, do Panorama Político do ‘Globo’:
    “O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) não vai disputar a reeleição em 2014. Ele foi pego pela Lei da Ficha Limpa. Cristovam foi condenado pela Segunda Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal a pagar multa e ressarcir aos cofres públicos os gastos com a edição de um CD-ROM, quando era governador em 1995. O Ministério Público o acusou de fazer propaganda eleitoral tendo em vista sua reeleição”.

  • Quinta-feira, 22 Julho 2010 / 13:57

Roriz vai perder a eleição no DF

   Uma boa notícia, também de Ilimar Franco:
“A situação do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) não é mais tão confortável nas eleições para o governo do Distrito Federal. O escândalo Arruda também o afetou. O instituto local OP Brasil, do cientista político Fernando Jorge Caldas Pereira, concluiu pesquisa na qual Roriz tem 37% e Agnelo Queiroz (PT), 31%. Para o Senado, Cristovam Buarque (PDT) tem 41,3%, Rodrigo Rollemberg (PSB), 28,9%, Maria Abadia (PSDB) ,19, 5%, e Alberto Fraga (DEM), 7,5%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:37

Eleição custará mais de R$ 1 bi

Do repórter Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“As duas principais candidaturas presidenciais podem consumir, juntas, quase R$ 1 bilhão até outubro. A estimativa de tesoureiros e coordenadores é de que as eleições de 2010 sejam as mais vitaminadas da história brasileira. Somente os recursos destinados diretamente às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) somariam cerca de R$ 500 milhões. Outros R$ 500 milhões seriam repassados aos estados e ao DF para candidaturas majoritárias que garantam palanques aos dois principais postulantes ao Planalto. Para ter alguma chance de vitória, o patamar mínimo de gastos seria de, pelo menos, R$ 100 milhões, valor almejado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). ?Se você somar as candidaturas presidenciais e os apoios aos estados, dificilmente os dois partidos, juntos, gastarão menos de R$ 1 bilhão?, afirmou o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.
Pela previsão dos partidos, a conta final de PSDB e PT nas eleições de outubro sairá, pelo menos, R$ 170 milhões mais cara do que a de 2006. Para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas gastaram R$ 168 milhões. A candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin custou aos cofres tucanos R$ 161 milhões. Os outros candidatos, somados, apresentaram números mais tímidos, de R$ 2,6 milhões, sendo que apenas Cristovam Buarque foi responsável por R$ 1,7 milhão.
As maiores cifras previstas para outubro serão utilizadas em televisão. Dilma e Serra estudam utilizar cerca de R$ 50 milhões, cada um, para tentar convencer o eleitorado no horário eleitoral. A produção petista ficará a cargo de João Santana, o mesmo da reeleição de Lula, em 2006, e autor dos últimos vídeos publicitários da legenda. Os tucanos também investirão no mesmo marqueteiro utilizado por Alckmin em 2006, Luiz González. Somente com o aluguel de um jato particular, a estimativa de gastos é de até R$ 3,5 milhões por mês. Cada candidato terá, pelo menos, uma aeronave à disposição.
O dinheiro gasto nas duas campanhas também servirá para coordenar os trabalhos em comitês regionais(2). A campanha de Dilma terá um responsável por estado e no Distrito Federal, subordinados ao coordenador nacional. O comitê central ainda não foi definido, mas deve ser instalado em um prédio no Setor Comercial Sul, próximo à sede nacional do partido no DF. ?A campanha nos estados tem interação com a eleição para governador e as estruturas acabam se somando, mas teremos um coordenador político responsável por essa interação?, antecipou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.
A estrutura da campanha à Presidência dos tucanos terá oito coordenadores regionais distribuídos pelo país. Cada centro de comando ficará responsável, em média, por três estados. Maior colégio eleitoral do país, São Paulo terá escritório próprio, responsável por coordenar também as ações no Rio de Janeiro. O quartel-general será instalado no DF. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admite que o orçamento será maior do que o utilizado em 2006, mas trabalha com um teto de até R$ 200 milhões. ?Nossa última campanha gastou cerca de R$ 80 milhões (fora os repasses do comitê nacional). Certamente passaremos de R$ 100 milhões nesta campanha, mas acredito que R$ 200 milhões seja um valor superestimado?, avaliou.
Os tesoureiros responsáveis por controlar o caixa de campanha até outubro ainda não foram definidos pelos dois partidos. Os tucanos trabalham com os ex-deputados federais fluminenses Ronaldo Cézar Coelho e Márcio Fortes. O cofre da candidatura petista ainda não tem dono definido. O atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi descartado pelo envolvimento recente em denúncias de gestão fraudulenta no período em que foi diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:45

Cristovam, o xerife e o estadista

O senador Cristovam Buarque, do PDT, deu uma entrevista a repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’, a quem admitiu vir a se candidatar ao governo de Brasília, embora preferissse concorrer a reeleição para o Senado: “Eu queria terminar a vida como estadista e o GDF é tarefa para xerife”, comentou.
Eis a entrevista:
- O senhor já decidiu se será candidato a governador?
- Acho que a melhor posição que eu posso exercer na política a serviço do Brasil e do Distrito Federal é no Senado. Tenho mais de cem projetos em andamento, um deles é o mais revolucionário do Brasil: cria a carreira nacional do magistério. Não gostaria vê-los parados. As crises do Senado passaram a idéia de que aqui é casa de mordomia, boa vida. Fica parecendo que estou fugindo da luta por interesse pessoal. Eu continuo olhando para o Senado, mas não posso fazer isso de costas para a população. E, quando a população diz que estou querendo abandonar Brasília, fica difícil.
- O que vai pesar em sua decisão?
- Primeiro, o ex-governador Joaquim Roriz não ser candidato. Se ele não for, não precisam de mim para ganhar eleição. Os candidatos quer representam o passado estão tão enfraquecidos, salvo o Roriz, que qualquer um que a gente apresentar vence. E a renovação virá, que é o que o povo quer. O segundo fato que, se acontecer, me libera para disputar o Senado, é as esquerdas se unirem. Se a gente fizer uma frente com oito, nove partidos, incluindo o PT, vamos ter força suficiente até para bater o Roriz. Acho que ele não vai ser candidato, mas só deve decidir isso lá para junho.
- Essa aliança depende do PT?
- No dia 21, o PT vai escolher um candidato (entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, que disputarão prévias). Espero que saia unido e no outro dia venha conversar conosco, com sete partidos que estão trabalhando juntos (PDT, PSB, PCdoB, PPS, PV, PRB e PMDB).
- Esses sete apoiariam o candidato do PT?
- Nós vamos discutir isso, mas o PT é o mais forte. Eu, pessoalmente, defendo que seja do PT e unifique as forças de esquerda. Qual é o meu medo? Que o PT escolha o candidato e, para se unificar, se feche contra os outros partidos. Ou seja, forme uma chapa só deles: o que perder as prévias vai indicar o vice ou o candidato ao Senado. Isso nos dividirá. Por que, para ficarmos unidos, nós, desses sete partidos, queremos que os outros três cargos majoritários (vice e dois de senador) sejam dessegrupo. O PT seria apenas cabeça de chapa.
- Por que o senhor acha que Roriz vai acabar não se candidatando?
- Primeiro, porque vai se expor a um bombardeio da Justiça e da mídia. Além disso, seria governador pela quinta vez, em condições muito negativas. Ele é um homem fortíssimo. Erra quem menospreza o Roriz. Mas ele está num partido sem tempo de televisão, sem militância na rua.Terá dificuldade de comprar cabo eleitoral. A Justiça vai estar de olho. O que ele poderia é ter voto de gratidão, de quem recebeu lote no primeiro governo dele, que terminou em 94. Mas acho que essa gratidão não vai pesar tanto, porque os que receberam já estão velhos e os filhos não têm a mesma gratidão.
- Então seu destino em outubro está nas mãos do PT e do ex-governador Roriz?
- Se a esquerda se dividir e Roriz estiver na disputa, eu vou ter que ser candidato, porque pelo menos não vai ficar a marca de que o Roriz ganhou sem eu brigar com ele. Ele pode até ganhar, mas ninguém vai poder me acusar de virar as costas. Essa é minha tragédia hoje. Olhar para o Senado de costas para o povo.
- O PMDB era aliado de Arruda. Com ele nesse grupo dos sete, dá para falar em união das esquerdas?
- A palavra esquerda é realmente muito forte. Na verdade, é a união das forças que desejam a mudança. Você pode dizer que o PMDB era o partido do Roriz até pouco tempo. Mas o PMDB conseguiu tirar o Roriz dele. E essa crise do Arruda, eu trabalho como sendo crise de pessoas, não de partidos. Até o Democratas está se recuperando bem, na medida que tirou Arruda, Paulo Octávio (ex-vice-governador) e deputados envolvidos.
- Esse escândalo que levou Arruda para a cadeia atingiu também a Câmara Legislativa. A política aqui está contaminada?
- Você já comparou nossa Câmara, com toda sua fragilidade – não estou desculpando -, a todas as 5.563 Câmaras de Vereadores do Brasil para saber se a nossa é pior?
- O senhor está tratando-a como Câmara de Vereadores mesmo?
- Assim como trato o governador como prefeito. Governador aqui é um prefeito. Quando fui governador, cheguei a discutir a possibilidade de a polícia ser comandada do Palácio do Planalto. Sabe por que? Por uma questão de estadismo. Um dia, pode haver um governador, comandando a PM, com mais tropa que o exército em Brasília, que queira invadir o palácio. Essas mudanças têm que ser discutidas. Realmente, são duas coisas diferentes: a capital e a cidade. Brasília hoje é muito maior que a capital. Brasília tem uma peculiaridade. Todo mundo que faz política aqui entrou na política recentemente. Eu não conseguiria ser eleito governador na primeira eleição que disputasse em nenhum outro Estado. Brasília ainda é um faroeste. Um lugar a ser desbravado. Em algumas áreas evoluiu, como em medicina e na ciência e tecnologia. Na política, a gente chegou atrasada. Aqui não tinha líderes, até porque os governantes eram nomeados. Eram interventores. Ficamos mais tempo da história sem direito a voto do que com voto. Temos existência pequena.Tivemos apenas quatro governadores e quatro Câmaras Legislativas até aqui. A primeira não foi ruim. Mas o fisiologismo chegou lá também. A política virou questão de marketing, compra.
- O fato de ser a capital estimula a corrupção, o fisiologismo?
- Não. É por ser nova, não ter tradição nem lideranças consolidadas. Aqui não teve um Miguel Arraes, um Leonel Brizola, um Antonio Carlos Magalhães, que levaram décadas para criar suas carreiras. Eu saí de uma reitoria para ser governador. Eu me filiei só em 90. Isso é fruto do fato de a cidade ainda estar sendo desbravada em todas as áreas,inclusive na política.
- O senhor acha que o escândalo atual vai forçar uma mudança, uma ruptura em relação à prática política de Brasília?
- Essa é minha esperança: que Brasília, daqui a quatro anos, seja a cidade com o melhor sistema governamental do ponto de vista ético. Não acredito que seja possível o eleitor repetir erros e que os governantes cometam os erros que Arruda cometeu, mesmo que tenham vocação para cometer esses erros. Por uma questão de sobrevivência. Brasília vai poder construir uma novidade na forma de administrar. Aliás, acho até que na campanha. Espero não ser candidato a governador, mas, se for,penso em algumas inovações. Exemplo: divulgar todas as contribuições imediatamente na internet e não receber contribuição para a campanha acima de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. Ao estabelecer um teto por doador você não fica com débito. Quando vier um empresário disputar uma licitação de R$ 500 milhões, não vai poder cobrar nada. Se doou R$ 200 mil já começa a querer cobrar. Coisas como essa podem inovar Brasília.
- Uma intervenção federal não poderia ser uma solução para o momento em que nenhuma instituição é confiável?
- A possibilidade de intervenção está na Constituição. Esse negócio de dizer que é a falência da democracia não é verdade. A intervenção se dá dentro da democracia. Seria falência se fosse o comandante da PM que indicasse o governador ou um empresário rico. Mas não, é a justiça. Mas minha opção é que o governador para esse final de mandato seja eleito pela Câmara Legislativa. Mas, para ter legitimidade, o eleito tem queter cara, cabeça, coração e mão de interventor. Isso é uma das coisas que também me fazem temer ser candidato. Eu queria chegar nessa idade como estadista. O próximo governador vai ser um xerife. A principal prioridade não vai ser a educação. Vai ser a ética. A grande tarefa é construir uma máquina exemplar de governo, em que mesmo ladrão não consiga roubar e nem os desonestos possam ser corruptos. Essa vai ser a obrigação. Por isso não sou entusiasmado em ser candidato a governador.Não é o que eu gostaria de deixar como marca: construir um governo ético. Queria deixar como marca a mudança na sociedade e não na máquina do governo. Repito: não gostaria de terminar a vida como xerife, queria terminar como estadista.
- Sua proposta significa uma intervenção legalizada pela Câmara.
- É isso. E por que essa sutileza? Por que a intervenção não é um abalo na democracia, mas é um abalo na classe política. É o fracasso da política. E o fracasso da política é ruim pedagogicamente. A ideia que  vai passar é que foi preciso a Justiça intervir, porque os líderes daqui não foram capazes de encontrar uma saída. Falo da autonomia de 2 milhões de habitantes. É uma população do porte de outros Estados. A gente vai cortar a autonomia do Acre, de Rondônia? Por que cortar autonomia da população do DF?
- Mas essa Câmara, que tem entre seus deputados pessoas envolvidas no escândalo, tem condições de eleger uma pessoa com o perfil que o senhor defende?
- Essa é uma pergunta que não dá para responder ainda. Ninguém dizia, há duas ou três semanas atrás, que eles iriam aceitar o processo de impeachment do Arruda. E votaram por 17 a 0. E eu acho que vão cassar o Arruda.
- Há quem diga que ele pode apoiar um candidato em outubro. Acredita que ele ainda tenha alguma influência política no GDF?
- Tem. A gente fala muito dos lotes. Mas esquece que, como Brasília é Estado e prefeitura, o número de cargos comissionados é muito grande.Acho que são 35 mil num total de 150 mil servidores, mais ou menos.Aqui o governador se fortalece dando aumento salarial e distribuindo lotes. Um candidato apoiado por ele não teria chance de ganhar, mas teria muitos votos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:18

Jornal do Senado é isento?

Santo de casa não faz milagre.
O cartão vermelho que o senador Eduardo Suplicy exibiu ontem contra o presidente do Senado, José Sarney, foi  destaque, na primeira página, nos principais jornais do país.
Já no jornal do Senado, o fato não mereceu nem uma única linha na capa.
Lá dentro, o discurso de Suplicy, e mais a contestação de Heráclito Fortes, teve o mesmo espaço que um breve pronunciamento do senador Almeida Lima, da tropa de choque de Renan/Sarney contra um aparte de Cristovam Buarque.
Qualquer dia vai ter discurso no plenário contra o jornal da Casa.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:58

Marina Silva e a “faxina”

  O ex-prefeito Cesar Maia lança hoje uma dúvida em seu blog: seria Marina Silva, provável candidata do PV à Presidência da República, um Cristóvam Buarque ou uma Heloísa Helena?
Cesar lembra que o primeiro, quando foi candidato à Presidência, pelo PDT,  ?fixou-se monotematicamente na educação, e terminou com 2,6% dos votos.
Heloísa Helena iniciou a campanha com sucesso e chegou a passar a barreira dos 15%. Abriu seu discurso a vários temas. Depois foi minguando e terminou com 6,85%. Pouco tempo de TV. Cristóvão teve um tempo de TV razoável pelo PDT.
Marina tende a ser monotemática-ambiental e teria pouco tempo de TV?.
E faz três perguntas:
1 – Enfrentaria seu partido de 30 anos? 
Marina tem dito que é possível discordar, sem que seja necessário um enfretamento.
2 – Refundaria o PV, como afirmou (Valor, 11/08) e manteria seu mandato pelo Acre?
Segundo ela já declarou, se fosse para ocupar o mesmo espaço (o Senado) não seria necessário a troca de partido.
3 – Apenas marcaria posição como candidata?
Aí é que pode estar a diferença. É óbvio que a questão ambiental deve prevalecer. Mas sua candidatura, pela credibilidade que conquistou e pela novidade que representa, tem enorme possibilidade de sucesso. E é isso que deixa o Planalto de cabelo em pé.
Nizan Guanaes ensinou a Fernando Henrique Cardoso que ele deveria repetir e repetir a necessidade de se combater a ?carestia? . Essa era a palavra mágica que todos entendiam: ?carestia?.
Em 2010, a palavra mágica será ?faxina?.
Quem prometer fazer a ?faxina? nas instituições já terá meio caminho andado.
E não é qualquer um que poderá fazer essa promessa.
Tanto José Serra quanto Dilma Rousseff são políticos de enorme credibilidade, mas uma “faxina” em seus  discursos soaria falso.
No de Marina, ela cai como uma luva.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:28

É pura marola

O senador Cristóvam Buarque é dos melhores brasileiros vivos. Mas é também um dos mais vaidosos. E adora idéias malucas.
Na mesma semana em que ele teve a idéia de fazer um plebiscito para o fechamento ou não do Congresso, ele conseguiu que o Senado aprovasse um projeto que aumenta o número de deputados.
Um  sujeito que propõe o aumento da representação parlamentar de 513 para 520 deputados, decididamente não está querendo fechar a Casa.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:27

Power x Point

  Nos bastidores, Lula está trabalhando intensamente para manter a tropa unida em torno de Dilma Rousseff. O Presidente chamou o senador Cristóvam Buarque para conversar, e disse que gostaria muito de ter o PDT nesse barco.
Cristóvam disse que bem que gostaria de sair candidato a presidente em 2010, quando acaba seu mandato de senador, mas acha que a tendência de seu partido é mesmo seguir com a candidata de Lula. 
Pelo sim, pelo não, não se compromete. E seu argumento é infalível: “Tem que ter mais candidatos à presidência além de Dilma e Serra. Se ficar só os dois, o debate vai ser muito chato: vai ser powerpoint contra powerpoint”…

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