• Quinta-feira, 01 Março 2012 / 11:53

Teixeira pede a CBF licença de saúde

      Dos repórteres Silvio Barsetti, Leonardo Maia e Tiago Rogero, do ‘Estadão’:
       “O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, avisou ontem que continua à frente da entidade, mas deixou claro para os dirigentes das 27 federações que vai pedir licença por questões de saúde, sem especificar quando e por quanto tempo. O mandatário maior do futebol brasileiro informou, durante assembleia geral extraordinária, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, que vai fazer exames nos próximos dias, o primeiro nesta quinta, que vão determinar a gravidade de sua condição.
“Ele vai sair, sim, para fazer tratamento”, disse o presidente da federação catarinense, Delfim Peixoto, deixando claro que vai ser uma licença médica, não renúncia. Seu colega do Ceará, Mauro Carmélio, reforçou que Ricardo Teixeira vai mesmo se afastar do cargo para se cuidar. “Ele nos disse que está doente, não disse o que era, nem por quanto tempo ficará de licença”, afirmou. “Mas a condição de saúde do Teixeira é de conhecimento público. Todos sabem que ele está muito doente”.
No fim do ano passado, o presidente da CBF esteve internado em uma clínica, na zona sul do Rio de Janeiro, com um quadro de diverticulite. Com o pedido de licença, cabe a Ricardo Teixeira a escolha de seu sucessor, entre os cinco vice presidentes da CBF. Se renunciasse – como o próprio cartola disse que faria, ao tio Marco Antônio Teixeira, quando o demitiu, no início de fevereiro – assumiria o vice mais velho, José Maria Marin, de 79 anos. Foi a possibilidade de posse de Marin que gerou revolta entre os presidentes de sete federações, que defendiam a convocação imediata de eleições. Eles ficaram conhecidos como “G-7″, ou “rebeldes”, entre os demais dirigentes.
Por conta disso, a assembleia desta quarta foi tensa. Ricardo Teixeira abriu os trabalhos dizendo que permaneceria à frente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e explicou por que demorou tanto a esclarecer os rumores sobre a sua possível saída. Houve muitas reclamações por conta do silêncio. Ricardo Teixeira alegou ter sido por causa dos problemas de saúde.
O cartola pediu “união a todos”, pelo menos até a Copa de 2014. Como recebeu separadamente cada um dos dirigentes, antes da assembleia, conseguiu acalmar um pouco os ânimos. Ainda assim, na reunião, após a votação de pequenas mudanças no estatuto da CBF, houve um momento de “lavagem de roupa suja”, como descreveu Carmélio.
Os presidentes do chamado “G-7″ fizeram questão de mostrar a Ricardo Teixeira que, mesmo contrários a uma possível posse de Marin, em caso de renúncia, jamais desejaram a saída do presidente. O principal líder dos sete, o presidente da federação gaúcha, Francisco Noveletto Neto, disse que “todos erraram”. “A CBF errou, por não nos dar explicações, e nós também. Nos precipitamos”, disse. “Foi uma grande falha de comunicação de todas as partes”.
Entre as alterações aprovadas, as principais são a proibição da doação de dinheiro a campanhas eleitorais, por parte das federações, e uma definição quanto à substituição dos vice-presidentes das cinco regiões. Agora, em caso de morte ou renúncia, uma nova eleição deve ser marcada, com candidatos da respectiva região”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:34

Teixeira procura sucessor na CBF

     Da colunista Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
     “A definição do sucessor é o motivo que retarda a saída de Ricardo Teixeira da CBF. O dirigente avisou a amigos que está decidido a não renunciar. Para ele, nenhum dos cinco vices resistiria ao cerco da imprensa uma vez empossado. Pelo estatuto, o primeiro da fila seria José Maria Marin, recentemente flagrado embolsando medalha do time campeão da Copa São Paulo.
Teixeira inclina-se por convocar assembleia e anunciar que sairá de licença por período indeterminado. Nesse cenário, poderá delegar o comando da entidade a quem quiser. O presidente da federação paulista, Marco Polo del Nero, está entre os cotados.
Entre os cinco vice-presidentes da CBF, estão Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e indiciado por evasão de divisas, e Weber Magalhães, já encrencado com a Ficha Limpa”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:31

Teixeira abre empresa em Miami

   Do repórter Filipe Coutinho, da ‘Folha’:
   “O presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014), Ricardo Teixeira, foi ontem para a Flórida (EUA), onde montou há um mês uma empresa, sediada numa mansão, para investir dinheiro fora do Brasil.
Criada por Teixeira em 20 de janeiro, a Kronos Capital Investiments servirá para ele fazer negócios e ter pessoa jurídica no exterior. A abertura da empresa indica que, enquanto Teixeira discutia uma saída do Brasil, já preparava a estrutura burocrática para viver fora do país.
Ontem à noite, no entanto, a CBF publicou em seu site oficial uma nota na qual informa que “o presidente Ricardo Teixeira retomará as atividades que constam de sua agenda após o Carnaval”.
Nos últimos dias, Teixeira se reuniu com aliados para discutir se deixa a CBF, o país e a organização da Copa. Por ora, decidiu que não.
Ao mesmo tempo, sua mulher e sua filha mais nova já o aguardavam nos EUA.
Com quase um mês de existência, a empresa tem como outra sócia a mulher de Teixeira, Ana Carolina Wigand Pessanha Rodrigues.
Seu escopo de trabalho é “todo e qualquer negócio dentro da lei”, segundo consta em documento da Junta Comercial do governo da Flórida, assinado eletronicamente por Teixeira.
A empresa fica em uma mansão no condado de Palm Beach, na cidade de Delray Beach, com 60 mil habitantes, localizada a 80 km de Miami e a 7 km da praia.
A casa, com garagem e piscina, fica numa área nobre. A Folha identificou cinco residências, na mesma rua da Kronos, com preços que vão de US$ 1,3 milhão (R$ 2,2 milhões) a US$ 2,8 milhões (R$ 4,8 milhões). Nas redondezas, há clubes de hipismo, paixão da filha de Teixeira.
Procurado por meio de sua assessoria, o cartola não comentou a abertura da empresa. Disse que suas atividades são feitas de acordo com a lei.
Ontem, Teixeira pegou um jatinho particular para a Flórida, acompanhado do amigo e empresário Wagner Abrahão, responsável pela comercialização dos ingressos VIP para o Mundial no Brasil e dono da agência de turismo que atende a CBF.
Presidente da confederação desde 1989, o cartola tem mandato até 2015. Mesmo que no futuro deixe o COL, possibilidade por enquanto afastada, Teixeira continuaria a ter influência na organização da Copa brasileira.
A filha Joana Havelange é diretora, e seu pai é sócio da pessoa jurídica do COL.
Teixeira passa por uma crise desde que perdeu prestígio na organização do Mundial de 2014. Entre os motivos que o levariam a morar fora do país estão as dificuldades para negociar com o governo federal, em especial com a presidente Dilma Rousseff.
A própria Fifa, no ano passado, chegou a consultar a presidente para substituir o cartola no comando do COL, mas Dilma não quis indicar um substituto. Além disso, ele foi pressionado pela própria família a sair.
A pressão sobre Teixeira piorou nesta semana, quando a Folha revelou que o dirigente tem relação direta com a Ailanto, suspeita de superfaturar a organização de amistoso da seleção em 2008. A polícia encontrou cheques nominais de uma das sócias da Ailanto para o cartola”.

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