• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:37

Eleição custará mais de R$ 1 bi

Do repórter Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“As duas principais candidaturas presidenciais podem consumir, juntas, quase R$ 1 bilhão até outubro. A estimativa de tesoureiros e coordenadores é de que as eleições de 2010 sejam as mais vitaminadas da história brasileira. Somente os recursos destinados diretamente às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) somariam cerca de R$ 500 milhões. Outros R$ 500 milhões seriam repassados aos estados e ao DF para candidaturas majoritárias que garantam palanques aos dois principais postulantes ao Planalto. Para ter alguma chance de vitória, o patamar mínimo de gastos seria de, pelo menos, R$ 100 milhões, valor almejado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). ?Se você somar as candidaturas presidenciais e os apoios aos estados, dificilmente os dois partidos, juntos, gastarão menos de R$ 1 bilhão?, afirmou o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.
Pela previsão dos partidos, a conta final de PSDB e PT nas eleições de outubro sairá, pelo menos, R$ 170 milhões mais cara do que a de 2006. Para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas gastaram R$ 168 milhões. A candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin custou aos cofres tucanos R$ 161 milhões. Os outros candidatos, somados, apresentaram números mais tímidos, de R$ 2,6 milhões, sendo que apenas Cristovam Buarque foi responsável por R$ 1,7 milhão.
As maiores cifras previstas para outubro serão utilizadas em televisão. Dilma e Serra estudam utilizar cerca de R$ 50 milhões, cada um, para tentar convencer o eleitorado no horário eleitoral. A produção petista ficará a cargo de João Santana, o mesmo da reeleição de Lula, em 2006, e autor dos últimos vídeos publicitários da legenda. Os tucanos também investirão no mesmo marqueteiro utilizado por Alckmin em 2006, Luiz González. Somente com o aluguel de um jato particular, a estimativa de gastos é de até R$ 3,5 milhões por mês. Cada candidato terá, pelo menos, uma aeronave à disposição.
O dinheiro gasto nas duas campanhas também servirá para coordenar os trabalhos em comitês regionais(2). A campanha de Dilma terá um responsável por estado e no Distrito Federal, subordinados ao coordenador nacional. O comitê central ainda não foi definido, mas deve ser instalado em um prédio no Setor Comercial Sul, próximo à sede nacional do partido no DF. ?A campanha nos estados tem interação com a eleição para governador e as estruturas acabam se somando, mas teremos um coordenador político responsável por essa interação?, antecipou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.
A estrutura da campanha à Presidência dos tucanos terá oito coordenadores regionais distribuídos pelo país. Cada centro de comando ficará responsável, em média, por três estados. Maior colégio eleitoral do país, São Paulo terá escritório próprio, responsável por coordenar também as ações no Rio de Janeiro. O quartel-general será instalado no DF. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admite que o orçamento será maior do que o utilizado em 2006, mas trabalha com um teto de até R$ 200 milhões. ?Nossa última campanha gastou cerca de R$ 80 milhões (fora os repasses do comitê nacional). Certamente passaremos de R$ 100 milhões nesta campanha, mas acredito que R$ 200 milhões seja um valor superestimado?, avaliou.
Os tesoureiros responsáveis por controlar o caixa de campanha até outubro ainda não foram definidos pelos dois partidos. Os tucanos trabalham com os ex-deputados federais fluminenses Ronaldo Cézar Coelho e Márcio Fortes. O cofre da candidatura petista ainda não tem dono definido. O atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi descartado pelo envolvimento recente em denúncias de gestão fraudulenta no período em que foi diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:23

FHC será o único anti-Lula

De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
Todos os oradores da convenção do PSDB combinaram atacar Dilma Rousseff e esquecer o Presidente Lula.
O próprio José Serra vai encarnar o candidato pós-Lula, estratégia que seria utilizada por Aécio Neves.
“Quem está fora de controle é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que falará de improviso e é imprevisível nessas horas. Como não pode ser o pós-Lula, será o anti-Lula. Aliás, seu esporte favorito é provocar a ira do petista”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

Lei da anistia na pauta do STF

 De Alana Rizzo, Diego Abreu e Josie Jeronimo, para o ‘Correio Braziliense’:
“A ação que questiona a Lei da Anistia em vigor no Brasil desde 1979 pode tumultuar os últimos meses de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trazendo de volta à cena as divergências entre alguns ministros. A análise pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) dos quatro volumes do processo está marcada para a próxima quarta-feira. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), autora da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº153, questiona a concessão da anistia para todos os crimes, inclusive a tortura, no período da ditadura militar. O julgamento terá um valor histórico, pois pode reabrir, após mais de 30 anos, o debate sobre a ação de militares durante o período.
Cabe observar que uma manifestação tolerando os abusos cometidos pelo regime de exceção pode ameaçar o próprio legado do presidente, eclipsando os palpáveis avanços alcançados, diz o relatório da Secretaria de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, incluído na ação.
Recentemente, Lula orientou os ministros a evitarem polêmica e, adotando um tom mais conciliador, o ministro Paulo Vannuchi, responsável pela secretaria, pregou o bom senso na discussão. Não é justo que os integrantes das Forças Armadas carreguem o peso por violências que foram praticadas somente por algumas dúzias. Segundo o ministro, o voto do relator do caso, Eros Grau, pode não resolver de maneira direta a questão, mas deve indicar o dever de o Estado fazer uma narrativa oficial sobre os fatos ou permitir a abertura dos arquivos secretos. Ele (Eros Grau) é uma pessoa que foi preso político, foi torturado. Ele não terá uma posição do tipo: esse assunto vai ser encerrado. Não é pão, pão, queijo, queijo, mas tem um rumo, incorpora argumentos à demanda.
Vannuchi e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, protagonizaram o racha no governo sobre o assunto. Parecer jurídico da pasta que comanda os militares diz que, caso o Supremo julgue procedente a ação, poderá conduzir a resultado oposto àquele buscado e a Corte estaria criando divergência atualmente inexistente no que se refere à lei. No entendimento do ministério, os crimes cometidos àquela época já estariam prescritos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Cabral briga com os pobres

 Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
“Como nunca antes, choveu a cântaros no Rio de Janeiro nas últimas 48 horas. A reação do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi tardia, perplexa e acaciana: ninguém deve sair de casa, disse nas primeiras horas de ontem, quando muitos já estavam na rua. Voltaram para casa aqueles que estavam na rua e não conseguiram transporte. Muitos permaneceram no local de trabalho na segunda à noite, sem poder voltar para casa.
O governador Sérgio Cabral não fez muito diferente: ao ser entrevistado por uma emissora de TV, ao ver moradores do Morro da Mangueira uma das favelas mais antigas do Rio na beira de um barranco que havia desabado, deu uma bronca coletiva nos incautos, ao vivo e em cores. Mas não havia ninguém da Defesa Civil para interditar a área.
Cabral chamou de irresponsáveis os moradores do local do deslizamento, que ocupam edificações de três a quatro andares construídas em área de risco cuja ocupação está sendo consolidada pelo Minha Casa, Minha Vida. Há 10 mil cariocas morando em áreas de risco, por onde deveria começar o programa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

As pesquisas brasileiras

Do sociólogo Marcos Coimba, presidente do Vox Populi, para o ‘Correio Braziliense’:
 ”Até agora, as eleições presidenciais de 2010 já bateram dois recordes: a) são as que mais cedo começaram em nossa história política e b) são, de todas as que fizemos, aquelas onde mais tivemos pesquisas. Desde sua largada, há mais de três anos, não deve ter havido um só mês em que pelo menos uma não tenha sido divulgada.
Daqui para frente, esse ritmo só tende a aumentar. De abril a junho, quando serão realizadas as convenções dos partidos, a frequência se intensificará, com periodicidade cada vez menor. Depois de julho e, especialmente, do dia 18 de agosto em diante, quando se inicia a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, uma verdadeira enxurrada de números vai desabar sobre o eleitorado. Sem contar que as eleições nos estados também estarão quentes e merecerão as próprias pesquisas.
A maior parte das pessoas fica confusa com tantas porcentagens, tabelas, análises por segmento e cruzamentos de dados. O que parece claro a um estatístico ou especialista chega a ser incompreensível para o cidadão comum, a quem, em última instância, as pesquisas de divulgação pública se destinam.
Como são normais as variações entre as pesquisas, o quadro se complica. Os resultados do mesmo instituto podem variar de um levantamento para outro, nem sempre em sentido igual. Entre institutos, as oscilações de resultados são ainda mais comuns.
Quem torce por um candidato olha qualquer pesquisa em que ele não aparece bem como se tivesse sido deliberadamente falsificada. Assim, ora acha que um instituto é ótimo, ora péssimo, em função de como seu preferido se sai. Volta e meia, vê-se alguém tecer uma longa argumentação para provar que um instituto foi ?comprado? e ser desmentido a seguir, quando uma nova divulgação põe por terra sua hipótese conspiratória.
Parte dos problemas decorre do modo como algumas pesquisas são apresentadas. É o caso, tipicamente, das que são feitas por institutos ligados a veículos. Por interesse comercial ou solidariedade da redação com os colegas do departamento de pesquisa, seus levantamentos são divulgados pela empresa patrocinadora como se fossem melhores, mais verdadeiros que outros. Não o são, e o pior é que fingir que só um é ?bom? prejudica a credibilidade de todos.
Um dos mais importantes pesquisadores das pesquisas políticas no Brasil (senão o maior), o professor Marcus Figueiredo, do IUPERJ, do Rio de Janeiro, vem avaliando o desempenho do setor nos anos após a redemocratização. Seus estudos nos ajudam a visualizar melhor o que é o trabalho dos institutos e o que a opinião pública pode esperar deles.
A primeira coisa é que, de 1989 até agora, o desempenho médio dos principais institutos que se dedicam ao tema (Ibope, Vox Populi e Datafolha, até 2002, junto com a Sensus, daí em diante), nas eleições presidenciais, é melhor que dos congêneres americanos, entre 1956 e 1996. Nossa margem de acerto é significativamente melhor que a deles. A média das diferenças entre as intenções de voto estimadas pelos institutos para os candidatos e os resultados oficiais foi, no Brasil, nas cinco eleições que fizemos, de 1,4 ponto percentual, enquanto lá foi de 1,9. Eles foram bem, mas nós fomos muito bem.
Em segundo, que as variações de desempenho entre os institutos, nesse período, nas eleições para presidente, foram irrelevantes. Em 1989, a média das diferenças entre o que os três institutos previam, candidato a candidato, e o que aconteceu na urna foi de 1,6 ponto, sendo que nenhum dos três se afastou dessa média em mais que 0,8 ponto. Ou seja, todos previram a mesma coisa e todos tiveram o mesmo nível de acerto. Em 1994, a discrepância média foi ainda menos relevante, situando-se em 0,9 ponto percentual, com números quase idênticos para os três. E assim em 1998 (diferença média de 1,6 ponto), 2002 (de 1,1) e 2006 (de 1,9).
Não é fácil convencer pessoas apaixonadas de que o trabalho dos institutos é desapaixonado. Mas é certo que a opinião pública pode esperar deles, nas eleições de 2010, o mesmo que mostraram nas últimas: um trabalho bem feito, que ajuda o cidadão a saber como andam as intenções de voto a cada momento.
Serão muitos números, nenhum mais correto que outro, alguns até incoerentes. Mas todos pintando o mesmo quadro, o longo processo através do qual 135 milhões de pessoas formam suas escolhas a respeito de quem querem que governe o Brasil nos próximos anos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

Petista do MA ameaça com greve de fome

De Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
“O líder do governo na Câmara, CândidoVaccarezza (PT), artífice do acordo que levou o deputado Michel Temer(PMDB-SP) à Presidência da Câmara, defende a tese de que o PT não tem do que se queixar do PMDB em relação ao apoio da legenda aliada à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a presidenta da República. Muito pelo contrário, quem anda criando problemas para a aliança são os quadros do PT que não subordinam seus projetos pessoais à política de alianças do governo Lula e ao projeto nacional do partido, cuja prioridade é a vitória de Dilma.
Vaccarezza fez essa avaliação no começo da tarde de ontem, no gabinete de líder do governo. Minutos depois, o deputado Domingos Dutra(PT-MA) subiu à tribuna da Câmara para um discurso inflamado contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que teria procurado o presidente Lula para reclamar do apoio do PT do Maranhão à candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB), pré-candidato ao governo do estado. Afinal, a governadora Roseana Sarney (PMDB), que disputará a reeleição, apoia Dilma.
No discurso, Domingos disse que entraria em greve de fome no plenário da Câmara se a executiva nacional do PT, a pedido do presidente Lula, fizer uma intervenção no diretório regional, como seria previsível pelas resoluções adotadas até agora no plano nacional.O parlamentar é um dos fundadores do PT no Maranhão e adversário figadal do clã Sarney”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:04

Lula coloca Cabral de joelhos

   Do colunista Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de joelhos o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ao pôr a participação especial do Rio de Janeiro (e demais estados produtores) nos royalties de petróleo na moagem do novo marco regulatório da camada pré-sal. Agora Lula diz que não tem nada a ver com isso, pois pretendia deixar essa discussão para depois das eleições. Cabral conta com o veto do presidente Lula à emenda Ibsen Pinheiro(PMDB-RS)-Humberto Souto(PPS-MG), que distribui igualmente os royalties entre todos os estados e municípios, para evitar um colapso econômico e administrativo em seu estado e o próprio desastre eleitoral. Lula negaceia o veto.
                 * * *
A posição de Lula alimenta o fogo amigo contra Cabral.
O bombardeio vem da Bahia, que abriga um grande polo petroquímico,explora petróleo e começa a concorrer com a indústria naval do Rio de Janeiro. Amigo do presidente da República, com quem viajou para o Oriente Médio, o governador Jaques Wagner (PT) juntou-se aos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do Ceará (PSB), Cid Gomes, para contestar a participação especial do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo na distribuição dos recursos do pré-sal.O petista defende a tese de que os royalties devem ser distribuídos de acordo com a população e a riqueza ou a pobreza de cada estado, medidas pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
                  * * *
Wagner diz que São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo querem ficar com a maior parte dessa riqueza. Eu não vejo o porquê, já que o petróleo foi descoberto por uma empresa que pertence a todos os brasileiros, argumenta. Segundo ele, o petróleo está afastado da costa e, portanto, não implica em nenhum prejuízo ambiental. Minha posição é essa desde o começo: uma distribuição que seja justa para todo o povo brasileiro e não apenas para três estados. Agora tem essa discussão sendo feita no Senado e eu espero que o bom senso prevaleça de tal forma que a gente possa ter essa riqueza fazendo bem para todos os brasileiros, dispara.

                    * * *  
Ontem, o presidente Lula colocou em xeque a estratégia eleitoral do governador Sérgio Cabral(PMDB) para a reeleição ao pressioná-lo a entregar uma das vagas de candidato ao Senado a Marcelo Crivella (PRB). O senador é aliado do presidente Lula, disputou e perdeu as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro. A outra vaga seria do PT, a ser ocupada pelo prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, ou a ex-governadora Benedita da Silva. Cabral não pode atender o pedido de Lula sem cortar uma das pernas. A vaga está prometida ao presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), peso pesado da política fluminense”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Dilma, candidata sem prévia

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi entrevistado pela repórter Andrea Pinheiro, do ‘Correio Braziliense’. Eis o seu texto.
“O médico Alexandre Padilha, 38 anos, ministro das Relações Institucionais, é o responsável pela articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a missão de conduzir as relações do Palácio do Planalto com o Congresso, estados e municípios. Nos últimos meses, tem sido visto frequentemente ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Padilha é um dos estrategistas da pré-campanha de Dilma e diz que trabalhará integralmente, ?durante o dia e a noite?, para ajudar a eleger os candidatos da base governista.
Mais jovem ministro do governo Lula, Padilha fala sobre a retomada das atividades do Congresso Nacional e do processo eleitoral. Ele aposta que a ministra Dilma conseguirá mobilizar mais militantes em torno de sua eleição do que o próprio presidente Lula e que, na campanha, a liderança e a capacidade de interlocução da pré-candidata petista com os partidos da base e com a sociedade crescerão. Otimista, defende uma eleição polarizada entre a candidato governista e o adversário do PSDB, ainda indefinido.
- Como o senhor acha que a ministra Dilma vai lidar com o próprio PT?
- Eu tenho certeza de que a ministra lidará com isso com a mesma facilidade do presidente Lula. Ela conseguiu algo que nem o presidente Lula conseguiu no PT: ser candidata sem prévia. Em 2002, o presidente teve que enfrentar a prévia contra o senador (Eduardo) Suplicy para ser candidato a presidente. A ministra conseguiu unificar o conjunto do partido em torno do nome dela. O partido compreendeu que a melhor pessoa para a sucessão seria aquela que estaria no centro do governo. Também acho que conseguiu essa unanimidade porque ela nunca operou pessoalmente para ser candidata. A candidatura dela nunca foi um desejo pessoal e nem de uma tendência do PT. Acabou sendo um projeto coletivo. Além disso, nós vamos enfrentar a campanha, e é quando ficará nítida a capacidade de liderança da nossa candidata. Ao longo da campanha, vai crescer ainda mais a capacidade de interlocução dela com os partidos e com a sociedade.
- O PT sempre foi um partido conhecido por sua capacidade de mobilização do eleitorado, mas tinha um líder carismático liderando o partido e concorrendo às eleições. Embora o PT esteja unido em torno de Dilma, ela não é uma ?petista de carteirinha?. O senhor acredita que haverá a mesma mobilização em torno dela?
- Acredito que será ainda maior. Os militantes de todos os partidos da base do governo do presidente Lula e sobretudo aquela população que viu o ciclo de crescimento ininterrupto no país no governo Lula ? desde os setores mais pobres, os setores que migraram para a classe média, aos empresários ? vão querer defender esse governo e vão querer que esse caminho continue.
- Então, vocês apostam mesmo numa eleição plebiscitária?
- Essa eleição, como diz o presidente Lula, é a eleição ?do quem sou eu, quem és tu?. Iniciamos um novo caminho para o país. Respeitamos quem é contra esse caminho, quem tem um caminho alternativo. Mas nós queremos debater com quem é contra quais os rumos para este país. O Brasil não pode permitir retrocesso nem aventura, e nós queremos fazer esse debate.
- Como o governo tem se preparado para a saída da ministra Dilma do cargo e dos outros ministros que concorrerão a cargos eletivos?
- O presidente Lula tem dado sinais de que pretende manter a máquina andando, quer a continuidade das políticas, e pretende manter a economia acelerada. A tendência é que os ministros que saem sejam substituídos por alguém da própria área.
- Qual é exatamente o seu papel na pré-campanha da ministra Dilma?
- O que faço no governo é manter a base unida. Acho que posso contribuir para a coordenação da campanha no sentido de fazer esse diálogo com os parlamentares. Temos o coordenador da campanha, que é o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros membros. O Dutra vai conversar com os demais partidos para compor uma coordenação mais formal de campanha. E o meu papel é ajudar o presidente Lula a terminar o governo, e a ministra Dilma naquilo que ela nos demandar nessa pré-campanha.
- O senhor tem sido visto muito ao lado dela ultimamente?
- Isso é por conta da relação com os governos estaduais e municipais. Eu dirigi a Secretaria de Assuntos Federativos e isso fez com que tivesse papel permanente com os governos estaduais e municipais. E, como há as viagens com os governadores envolvidos e as obras do PAC, isso faz com que a gente seja convidado. - Muito se fala sobre a guinada mais à esquerda do PT a partir do congresso do partido. Como o senhor avalia essa questão?
- O congresso do partido mostrou que a grande maioria do PT compreende que a mudança já começou no governo do presidente Lula, que a inflexão na política econômica nós já fizemos no nosso governo, quando colocamos como objetivos centrais a manutenção do crescimento, a redução do desemprego, da pobreza e da vulnerabilidade externa. Fizemos isso mantendo os instrumentos da política macroeconômica, metas de inflação, superávit primário e câmbio variável, fazendo com que essas metas fossem submetidas a esses ajustes fiscais. E o PT tem a percepção de que o governo da futura presidenta Dilma tem que dar continuidade a esse mesmo caminho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:17

Tá tudo dominado!

Como diria o Presidente Lula, ?nunca antes nesse país? a imprensa esteve tão submissa aos governantes, pelo menos a nível regional.
Da mesma maneira como os jornais do Rio tratam, com carinho, o governo de Sergio Blindado Cabral, o ?Correio Braziliense? trata o governo do ‘demo’ José Roberto Arruda.
Caso o pobre leitor brasiliense queira se inteirar dos fatos graves de corrupção no governo do Distrito Federal, ele terá de procurar os jornalões de outros estados, principalmente ?O Globo? e a ?Folha?.
O espaço que o maior jornal de Brasília está dando a esse fato é ridículo, para se dizer o mínimo.
A Polícia Federal bem que poderia aprofundar suas investigações.

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