• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Dilma, candidata sem prévia

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi entrevistado pela repórter Andrea Pinheiro, do ‘Correio Braziliense’. Eis o seu texto.
“O médico Alexandre Padilha, 38 anos, ministro das Relações Institucionais, é o responsável pela articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a missão de conduzir as relações do Palácio do Planalto com o Congresso, estados e municípios. Nos últimos meses, tem sido visto frequentemente ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Padilha é um dos estrategistas da pré-campanha de Dilma e diz que trabalhará integralmente, ?durante o dia e a noite?, para ajudar a eleger os candidatos da base governista.
Mais jovem ministro do governo Lula, Padilha fala sobre a retomada das atividades do Congresso Nacional e do processo eleitoral. Ele aposta que a ministra Dilma conseguirá mobilizar mais militantes em torno de sua eleição do que o próprio presidente Lula e que, na campanha, a liderança e a capacidade de interlocução da pré-candidata petista com os partidos da base e com a sociedade crescerão. Otimista, defende uma eleição polarizada entre a candidato governista e o adversário do PSDB, ainda indefinido.
- Como o senhor acha que a ministra Dilma vai lidar com o próprio PT?
- Eu tenho certeza de que a ministra lidará com isso com a mesma facilidade do presidente Lula. Ela conseguiu algo que nem o presidente Lula conseguiu no PT: ser candidata sem prévia. Em 2002, o presidente teve que enfrentar a prévia contra o senador (Eduardo) Suplicy para ser candidato a presidente. A ministra conseguiu unificar o conjunto do partido em torno do nome dela. O partido compreendeu que a melhor pessoa para a sucessão seria aquela que estaria no centro do governo. Também acho que conseguiu essa unanimidade porque ela nunca operou pessoalmente para ser candidata. A candidatura dela nunca foi um desejo pessoal e nem de uma tendência do PT. Acabou sendo um projeto coletivo. Além disso, nós vamos enfrentar a campanha, e é quando ficará nítida a capacidade de liderança da nossa candidata. Ao longo da campanha, vai crescer ainda mais a capacidade de interlocução dela com os partidos e com a sociedade.
- O PT sempre foi um partido conhecido por sua capacidade de mobilização do eleitorado, mas tinha um líder carismático liderando o partido e concorrendo às eleições. Embora o PT esteja unido em torno de Dilma, ela não é uma ?petista de carteirinha?. O senhor acredita que haverá a mesma mobilização em torno dela?
- Acredito que será ainda maior. Os militantes de todos os partidos da base do governo do presidente Lula e sobretudo aquela população que viu o ciclo de crescimento ininterrupto no país no governo Lula ? desde os setores mais pobres, os setores que migraram para a classe média, aos empresários ? vão querer defender esse governo e vão querer que esse caminho continue.
- Então, vocês apostam mesmo numa eleição plebiscitária?
- Essa eleição, como diz o presidente Lula, é a eleição ?do quem sou eu, quem és tu?. Iniciamos um novo caminho para o país. Respeitamos quem é contra esse caminho, quem tem um caminho alternativo. Mas nós queremos debater com quem é contra quais os rumos para este país. O Brasil não pode permitir retrocesso nem aventura, e nós queremos fazer esse debate.
- Como o governo tem se preparado para a saída da ministra Dilma do cargo e dos outros ministros que concorrerão a cargos eletivos?
- O presidente Lula tem dado sinais de que pretende manter a máquina andando, quer a continuidade das políticas, e pretende manter a economia acelerada. A tendência é que os ministros que saem sejam substituídos por alguém da própria área.
- Qual é exatamente o seu papel na pré-campanha da ministra Dilma?
- O que faço no governo é manter a base unida. Acho que posso contribuir para a coordenação da campanha no sentido de fazer esse diálogo com os parlamentares. Temos o coordenador da campanha, que é o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros membros. O Dutra vai conversar com os demais partidos para compor uma coordenação mais formal de campanha. E o meu papel é ajudar o presidente Lula a terminar o governo, e a ministra Dilma naquilo que ela nos demandar nessa pré-campanha.
- O senhor tem sido visto muito ao lado dela ultimamente?
- Isso é por conta da relação com os governos estaduais e municipais. Eu dirigi a Secretaria de Assuntos Federativos e isso fez com que tivesse papel permanente com os governos estaduais e municipais. E, como há as viagens com os governadores envolvidos e as obras do PAC, isso faz com que a gente seja convidado. - Muito se fala sobre a guinada mais à esquerda do PT a partir do congresso do partido. Como o senhor avalia essa questão?
- O congresso do partido mostrou que a grande maioria do PT compreende que a mudança já começou no governo do presidente Lula, que a inflexão na política econômica nós já fizemos no nosso governo, quando colocamos como objetivos centrais a manutenção do crescimento, a redução do desemprego, da pobreza e da vulnerabilidade externa. Fizemos isso mantendo os instrumentos da política macroeconômica, metas de inflação, superávit primário e câmbio variável, fazendo com que essas metas fossem submetidas a esses ajustes fiscais. E o PT tem a percepção de que o governo da futura presidenta Dilma tem que dar continuidade a esse mesmo caminho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:18

Lindinho se avacalha um pouco mais

 Do Panorama Político, assinado por Fernanda Krakovics:
“O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, passou o domingo apagando incêndio.
Ligou para Fernando Pimentel, coordenador da pré-campanha de Dilma Rousseff, para dizer que foi mal interpretado e não teve a intenção de criticar o discurso da ministra no Congresso do PT. Repercutiu mal no partido a declaração de que a fala tinha sido longa e burocrática. Lindberg disputa com Benedita da Silva a indicação para ser candidato ao Senado, e esse episódio está sendo usado como suposto exemplo de deslealdade. O prefeito disse a Pimentel que, na verdade, quis dizer que preferiu a parte mais emotiva do discurso”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:17

Terrorismo de direita

A oposição que reclama tanto do terrorismo situacionista, resolveu aderir a essa prática. Bom exemplo é o blog de hoje do ex-prefeito Cesar Maia.
Dos sete tópicos da abertura, cinco são puro terrorismo. Nos dois últimos, ele diz que nada do que foi dito antes irá acontecer.
Durma-se com um barulho desses:
“1. O Congresso do PT reiterou as teses básicas e históricas do partido em relação ao controle dos meios de comunicação, o revanchismo atropelando a lei de anistia, a inobservância do direito de propriedade, a gula fiscal com aumento de impostos, a agressão aos valores da família… Era natural e esperado. Isso não quer dizer que Dilma abra o jogo e assuma essas teses em suas propostas eleitorais. Claro que não. Alegará que uma chapa pluripartidária e um governo de coalizão exigirão assumir parcialmente as propostas dos parceiros.
2. Os sinais de sua vontade íntima estão dados pela escolha de seu coordenador de programa, o chavista Marco Aurélio Garcia. Dilma terá dois programas de governo: um aberto ao distinto público, repleto de moderações econômicas, políticas, jurídicas… E outro, no cofre, bem guardado. Qual dos dois será aplicado?
3. Isso depende da futura composição do Congresso Nacional. Se as forças da esquerda autoritária, somadas ao clientelismo/patrimonialismo e aos interesses especiais, tiverem maioria no Congresso, o programa de verdade será retirado do cofre e aplicado. E obter esta maioria com esta composição não será tão difícil, com os fornecedores das estatais federais e do governo federal pressionados a patrocinar seus candidatos, vale dizer os que garantirão pela ideologia, passividade ou interesse, aquela maioria.
4. E isso já começou, segundo comentam alguns fornecedores. Em 2010, teremos, no Brasil, uma derrama de recursos para os “aliados”, como “nunca antes neste país”. Por isso tudo, as eleições para deputados federais e senadores ganham uma importância estratégica. É fundamental que aqueles comprometidos com as instituições democráticas, a liberdade de expressão, a estabilidade política, a defesa do contribuinte, do direito de propriedade, dos valores da família componham mais de 60% do Congresso.
5. Hoje é assim, já que na dita “base aliada” uma parte dela não aceita votar qualquer coisa, como terceiro mandato, controle dos meios de comunicação, ruptura com os valores da família, abandono da lei de anistia, atropelo ao direito de propriedade… Mas se a composição dessa base aliada for alterada, com proporção maior dos parlamentares do clientelismo/patrimonialismo e dos interesses especiais, isso pode ocorrer.
6. É verdade que Serra é favorito, e que isso só poderia ocorrer se Dilma vencesse, o que é pouco provável. Mas há que se prevenir para uma surpresa eleitoral. E a composição do futuro Congresso é a muralha que se anteporá a situações imprevistas.
7. Precaução e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:15

Dilma:”Sem aventuras ou retrocessos”

  De Vera Rosa, Clarissa Oliveira, Wilson Tosta e Lisandra Paraguassu, do ‘Estadão’:
“Aclamada ontem como pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, encarnou o pós-Lula e ensaiou o discurso de sua campanha. No encerramento do 4.° Congresso Nacional do PT, preparado para sacramentar sua candidatura e aprovar as diretrizes do programa de governo, Dilma pregou o fortalecimento do Estado, mas fez questão de defender com todas as letras a preservação da estabilidade econômica, com manutenção do equilíbrio fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante.
“Não haverá retrocesso nem aventuras”, avisou a ministra no ato político que também comemorou os 30 anos do PT. “Mas podemos avançar muito mais e muito mais rapidamente.” Atrás dela, um painel com sua foto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibia a inscrição “Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou”.
Vestida de vermelho, a cor do PT, a chefe da Casa Civil falou por uma hora em um salão decorado com estrelas, logo após Lula apresentá-la como herdeira para a plateia, assumindo o papel de avalista da candidatura. “Eleger a Dilma é a coisa mais importante do meu governo”, disse. “Eleger a Dilma não é secundário para o presidente da República: é a coisa prioritária na minha vida neste ano.”
Lula não escondeu a emoção ao apresentar a ministra. Contou que a conheceu quando ela foi secretária de Energia do Rio Grande do Sul no governo de Olívio Dutra (1999-2002), fato que muitos petistas não sabiam. Depois, teceu elogios à sua capacidade de trabalho, dedicação e solidariedade nos momentos difíceis, como na crise do mensalão, que, no seu diagnóstico, não passou de um “golpe” contra o Palácio do Planalto.
O presidente recomendou à candidata que esteja pronta para responder aos ataques da oposição na campanha. “Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se prepare”, afirmou, olhando para a ministra. “Isso não é ruim, não. Isso é bom.” Logo depois, porém, emendou: “Claro que você não vai querer estatizar borracharia, bar, pizzaria, cervejaria. Mas aquilo que for estratégico, não estiver funcionando e precisar colocar para funcionar, a gente não tem que ter medo de tomar decisões importantes para o nosso país.”
Em meio a promessas de continuar investimentos sociais iniciados no governo Lula, Dilma encontrou espaço para críticas à oposição. E foi com elas que arrancou os primeiros aplausos. “Não praticamos casuísmos. Basta ver a reação firme e categórica do presidente ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos, como se fez no passado, as regras do jogo no meio da partida”, insistiu.
Ao citar os poetas Carlos Drummond de Andrade, mineiro, e Mário Quintana, gaúcho, e relembrar seu passado de combate à ditadura, ela afirmou que nunca esperou ser candidata, mas disse estar preparada para o desafio.
Na tentativa de tranquilizar quem viu viés estatizante nas diretrizes de sua plataforma, Dilma garantiu que tudo será feito para manter a estabilidade. Enfatizou, no entanto, a determinação de “continuar valorizando o servidor público” e “reconstituindo o Estado” e rebateu as críticas de que o governo petista inchou a máquina pública. “Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado”, comentou, atacando a defesa da privatização, feita por tucanos.
O discurso de Dilma, lido em dois teleprompters, demorou para empolgar os petistas. Com menos espontaneidade que Lula, ela se revelou um tanto dura ao falar e seguiu praticamente à risca o pronunciamento escrito dias antes, com a colaboração do ex-prefeito Belo Horizonte Fernando Pimentel, do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do coordenador do programa de governo, Marco Aurélio Garcia.
“Quem duvidar do vigor da democracia em nosso país, que leia, escute ou veja o que dizem livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições, ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas, ao silêncio das ditaduras”, afirmou.
Ex-guerrilheira, a ministra se emocionou ao citar três companheiros mortos na luta armada. Eram Carlos Alberto Soares de Freitas, desaparecido em 1971; Maria Auxiliadora Lara Barcelos, exilada que se matou em 1976, em Berlim; e Iara Iavelberg, morta em 1971.
Dilma também foi acompanhada no Congresso do PT pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), cotado para vice na chapa. O comando do partido só foi à festa depois que Temer e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), pediram a Lula sua interferência para resolver impasses em Estados onde os dois partidos disputam a cabeça de chapa.
“Acho que foi boa a presença do PMDB aqui”, disse ela. “O Brasil precisa de um governo de coalizão. Não acho bom para o País governo de um partido só.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:15

PT, conforme o figurino

?Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e a esperança de mudar o Brasil, esse para mim é um dia extraordinário. Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio, mas me sinto preparada para enfrentá-lo com humildade, serenidade e confiança?.
E na foto, todos brilharam.
Dilma Rousseff vestiu vermelho.
Lula foi de camisa vermelha e paletó boliviano, que ganhou de Evo Morales.
Michel Temer sentou-se ao lado direito de Dilma.
Á sua esquerda ficou o vice José Alencar.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

Lula revolta o PT gaúcho

Do diário gaúcho ‘Zero Hora’:
“Ao afirmar que não fará corpo-a-corpo eleitoral em Estados onde há palanque duplo para a ministra Dilma Rousseff ? pré-candidata do PT à Presidência ?, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou revolta entre petistas gaúchos ontem.
Figura ausente na campanha à prefeitura de Porto Alegre em 2008, o presidente sinaliza que poderá frustrar novamente as expectativas e não se engajar à candidatura a governador de Tarso Genro, uma vez que o ex-ministro da Justiça vai disputar com o prefeito da Capital, José Fogaça (PMDB). No plano federal, PT e PMDB deverão abraçar a candidatura de Dilma.
Quando fez a declaração, Lula estava ao lado do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), que concorrerá à reeleição e pode enfrentar Zeca do PT. Em Três Lagoas, o presidente citou os casos de Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina, de Pernambuco e do Rio Grande do Sul como exemplos de locais onde as negociações estão difíceis.
? Se em algum Estado não houver possibilidade de construir uma aliança política, o que vai acontecer é que o presidente da República não participará da campanha naquele Estado ? disse Lula, em referência à campanha eleitoral de Dilma Rousseff (PT).
Se Lula não aparecer no Estado, o maior beneficiado é Fogaça, uma vez que Tarso terá seu cabo eleitoral de luxo neutralizado. Inconformados com a eventual ausência de Lula, dirigentes gaúchos do PT demonstraram irritação com as declarações do presidente e reconheceram possíveis prejuízos a Tarso. À frente do PT estadual, o deputado Raul Pont considerou ?dispensável? a manifestação presidencial:
? O palanque prioritário é o nosso, o do PT. É o partido que sustentou as campanhas e a eleição. É um equívoco. Tarso trabalhou e sustentou sete anos de governo. Lula deveria estar junto conosco.
Disse também que não se pode cobrar um preço impagável do PT:
? Não é porque José Sarney (presidente do Senado) ajudou o governo, que deixaremos de ter candidatura, por exemplo, no Maranhão.
Coordenador da pré-candidatura de Tarso, Luiz Fernando Mainardi defende que Lula apoie abertamente todos os candidatos do PT:
? O presidente não é candidato. Ele vai exercer o direito de militante do PT e não do PMDB. Por que isso? O partido é construção de Lula, e ele é construção do partido.
Rebelião nos Estados não será tolerada este ano. Ontem, o 4º Congresso Nacional do PT deu ao comando do partido poderes totais para fechar as alianças eleitorais que quiser e para intervir em qualquer seção estadual que as contrariar. O objetivo é não criar obstáculos para a construção da coligação de Dilma.
? Esse poder da direção, sendo usado com ponderação e conhecimento da situação local e não sendo usado de maneira arbitrária, mas com sensibilidade das questões políticas locais, é correto, porque dá predominância à questão nacional ? avaliou Tarso no encontro petista.
O ex-ministro voltou a dizer que a disputa com Fogaça não trará prejuízos a sua candidatura. Para ele, o duplo palanque será favorável a Dilma:
? Não sei porque acham que eu perderia votos com o apoio do Fogaça para Dilma. É o reconhecimento da legitimidade do PT. A eleição para a Presidência é mais importante”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Dilma aposta na estabilidade

Do repórter Gerson Camarotti, em ?O Globo?:
? Num contraponto às teses mais esquerdistas aprovadas ontem pelo 4oCongresso Nacional do PT, a ministra Dilma Rousseff assumirá o compromisso com a estabilidade econômica como fator fundamental para o crescimento do país no discurso que fará hoje no lançamento de sua pré-candidatura à sucessão presidencial. Segundo interlocutores que tiveram acesso ao discurso, será uma fala voltada para a sociedade, mas que terá também a função de tentar animar a militância petista.
O texto final foi fechado por Dilma no início da noite de ontem, depois de consultar assessores e integrantes da sua coordenação de campanha. Como agrado aos petistas e aliados, ela dirá que a política de desenvolvimento do governo Lula foi garantida pela estabilidade, e que o PT e partidos da base governista tiveram grande responsabilidade no sucesso da gestão ? sem ressaltar, claro, que a estabilidade começou no governo passado, do tucano Fernando Henrique.
Num dos pontos mais fortes do discurso, Dilma deve lembrar que o Brasil já começa a ser apontado, para um futuro próximo, como a quinta potência mundial. Mas ela vai dizer que o país só será de fato esta potência quando todos os 190 milhões de habitantes tiverem acesso à educação, à saúde e à segurança de qualidade, e participarem dos ganhos desse desenvolvimento.
Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o discurso terá um tom emocional e servirá ?para levantar a galera?.
? Vai falar para levantar a galera, colocar o pessoal na campanha.
Ela vai falar dos avanços do nosso governo e apontar outras coisas que deverão ser feitas ? disse Paulo Bernardo.
A pré-candidata petista deve exaltar ainda o esforço fiscal feito no primeiro mandato do governo Lula e acrescentar que foi isso que permitiu os avanços em várias áreas no segundo mandato. Fará uma defesa contundente do governo Lula e deve estabelecer a comparação com o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como parte da estratégia de fazer uma disputa plebiscitária. E assumirá o compromisso de continuar avançando nas políticas adotadas por Lula.
Ao falar de seus planos para o futuro, Dilma dará ênfase à necessidade de inserir todo o país na ?era do conhecimento?. Dirá que as crianças não são apenas o futuro, mas o presente. A inclusão social, inserindo cada vez mais pessoas, terá muito destaque em sua fala.
A chefe da Casa Civil dirá ainda que o crescimento sozinho não deve ser um bem em si, mas que o seu objetivo principal deve ser o de trazer melhorias para toda a sociedade. Nesse momento, a previsão é que a ministra fale que o país deve continuar apostando no mercado interno, que foi o que segurou o Brasil durante a crise financeira.
No momento político do discurso, ao falar dos 30 anos do PT, deve ressaltar a sua história na militância de esquerda e que seu comprometimento com a causa ocorreu durante toda sua vida ? ela era do PDT e só filiou ao PT há cerca de dez anos?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Presença de alto risco

  Lula telefonou ontem duas vezes para Michel Temer, insistindo que ele vá, hoje, ao congresso do PT.
E se Temer for vaiado por alguns petistas?

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