• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:12

PT quer CPI do Senado

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, em entrevista hoje no ?Globo?, insiste na tese que a oposição desejava jogar seu partido contra o PMDB, por isso o apoio ao senador José Sarney. Agora, ele quer que o  partido proponha uma CPI para investigar o Senado.
Veja a entrevista concedida ao repórter Ricardo Galhardo:
?- Qual o balanço da crise no Senado e no PT?
- Foi um episódio difícil porque a bancada no Senado estava com uma visão muito focada no fato em si, desconhecendo a importância de analisar essa questão em um aspecto mais amplo, não verificando que a oposição vinha numa tática de tentar estabelecer um conflito político entre o PT e o PMDB no Senado. Até acreditando que o o Conselho de Ética teria condição de fazer um debate sobre essa questão de maneira isenta. Na verdade, o Conselho de Ética é um foro político e a votação demonstrou isso. O PT fez o certo no Conselho de Ética. O PT não errou.
- Mas o PT não acabou caindo na armadilha, já que, certamente, entrou em conflito com o eleitorado que defende a ética na política?
- O PT defende a ética mas não trata a ética como se fosse uma questão isolada da política. Defendemos investigações no Ministério Público, na Polícia Federal, no Judiciário, que são instrumentos institucionais. Quando se concentra a investigação no Parlamento é porque se quer fazer disputa política. Quando se ignora irregularidades graves cometidas por outros senadores e se concentra só no presidente da Casa é porque se quer fazer disputa política.
- Como o PT vai explicar isso ao eleitor?
- É óbvio que é um debate que temos que fazer com a sociedade. Não é um debate que está feito, que está tranquilo. Ou a gente enfrenta ou a gente se acovarda. E na política quem se esconde normalmente perde. Quem enfrenta tem chance de ganhar.
- Então a questão é ganhar?
- Não. A questão é não cair em armadilha e facilitar o trabalho da oposição. Não reconheço no DEM, que está na 1aSecretaria (da Mesa do Senado) há 14 anos e diz que não sabe dos atos secretos, autoridade política para fazer essa investigação. Não reconheço no PSDB, que nas CPIs do Proer e do Banespa agiu para não ter investigação, autoridade política. Reconheço no Ministério Público.
- Muita gente diz que o PT trocou a ética pelo pragmatismo.
- Eu seria favorável a uma CPI para apurar o conjunto da obra no Senado. Por que a oposição não aceita? Porque, com uma CPI, certamente não conseguiriam pôr o foco só no presidente do Senado. Os atos secretos envolvem mais de 40 senadores dos mais variados partidos. O PT não abandonou a ética. Mas o PT, no governo, precisa ter clareza de qual é o espaço para a defesa da ética. Certamente, não é no Conselho de Ética do Senado. A simplificação só interessa a quem não quer investigar em profundidade. O PT não pode ser ingênuo e entrar nesse joguete?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:11

Duque quer enterrar a ética

O senador Paulo Sergio Duque Cabral teve uma idéia.
Imaginem!
Vai apresentar um projeto para enterrar o Conselho de Ética do Senado.
?Não é legal apontar o dedo para os colegas?, diz ele.
Certamente está atendendo a ordem do chefe.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:11

Marina, senso de oportunidade

Do jornalista Kennedy Alencar, hoje na ?Folha?, analisando a saída da senadora Marina Silva do PT:
?Com impiedoso senso de oportunidade, Marina Silva decidiu anunciar a saída do PT justamente no dia em que o antigo partido da ética enterrava no Senado todas as acusações contra José Sarney. Foi um gesto de inteligência política que demonstra o forte potencial da provável candidatura ao Palácio do Planalto pelo PV.
Errará quem subestimar Marina. Ao ficar mais conhecida, ela poderá construir um caminho competitivo entre os projetos presidenciais do PSDB e do PT -hoje representados pelo governador José Serra (SP) e pela ministra Dilma Rousseff.
Espécie de “Lula de saia”, a biografia semelhante à do presidente assegura o ingrediente emocional que os marqueteiros adoram. A bandeira ambiental é simpática à classe média e aos formadores de opinião. A passagem ministerial lhe confere a experiência administrativa cara a tucanos. É doce, ao contrário de Serra e Dilma. Tais características tenderão a animar a juventude e os desiludidos com a política tradicional.
Um viés conservador poderá afastar fatias progressistas do eleitorado, mas agradará a estratos tradicionalistas, digamos assim. Contrária ao aborto, é uma evangélica ainda ligada à Igreja Católica. Mais: já defendeu o ensino do criacionismo ao lado do evolucionismo.
Haverá obstáculos. Falta de traquejo para arrecadar contribuições de campanha. Pouca presença nacional do PV. Dificuldade para costurar alianças que garantam mais tempo no horário eleitoral. Um discurso que vá além do eixo ambiental.
O primeiro estrago atinge o PT. O eleitorado petista decepcionado com o realismo político de Lula ganha uma opção.
Marina é um tiro na estratégia de Lula de apostar que, numa campanha polarizada entre PT e PSDB, esse pessoal acabaria preferindo Dilma.
Mas a alegria de caciques do PSDB com o fator Marina poderá virar pesadelo. A “terceira via” também será construída na oposição. E a classe média antipetista passará a ter duas opções: Serra e Marina?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:10

Suplente foi jogado às feras

A covardia do PT foi tamanha, na nota assinada pelo seu presidente Ricardo Berzoini, que quem a leu foi um suplente, cujo sonho é ficar mais quatro anos no Senado mesmo que não tenho tido um único voto para tal.
É o senador João Pedro, do Amazonas, suplente do ministro dos Transportes, Antonio Nascimento, que concorrerá ao governo do Estado.
Os outros dois senadores da Comissão de Ética que votaram a favor de Sarney ? Delcídio Amaral  e Ideli Salvatti,  terão dificuldades na campanha para a reeleição de 2010 no Mato Grosso do Sul e em Santa Catarina, respectivamente.
Quem viver verá.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:14

Pizza de Duque feita por Cabral

 A pizza que o senador Paulo Duque levará amanhã à Comissão de Ética, foi temperada pelo governador Sergio Cabral.
Paulo Duque, como bom suplente que é, só faz o que o chefe Cabral manda.
É isso que lhe garante o mandato.
Se deixar a receita desandar, Duque perde a cozinha e Regis Fichtner assume o forno.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:12

Pizza vai pro forno amanhã

 O senador Eduardo Suplicy não está entendendo nada.
Ele quis saber de Sarney, há pouco, a que horas o presidente do Senado fará o seu discurso amanhã.
Sugeriu também que Paulo Duque adie a reunião do Conselho para quinta-feira.
Sarney respondeu que, como fará um discurso na qualidade de senador, e não como presidente da Casa, ele não poderá anunciar a hora de antemão, “pois sou igual a todos os senhores”.
E nem Paulo Duque adiará reunião alguma.
O cenário já foi armado e o ‘script’ está pronto.
Duque absolve Sarney, e Sarney renuncia a presidencia.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:11

Sarney já sabe o que fará amanhã

O senador  José Sarney ouviu, agora há pouco, o discurso do líder do PSDB, Arthur Virgílio, que mais uma vez pediu o seu afastamento da presidência da Casa.
Ao final, Sarney disse que responderia amanhã ao pronunciamento de Virgílio.
Amanhã também, pela manhã, será  instalada a Comissão de Ética do Senado.
O Senador Paulo Duque, presidente da Comissão, tem dois caminhos: ou aceita as representações contra Sarney – ou pelo menos uma delas - ou decide arquivá-las.
E Sarney, discursando à tarde, depois da decisão tomada por Duque, terá também dois caminhos: acusado, ele reafirma que continua presidente ou sai para defender-se, o que é praticamente impossível.  Absolvido, continua na presidência, mas alvo de todo o tipo de pancadaria, ou renuncia a presidência, já que após o exame das representações nenhum delas se concretizou.
Talvez seja essa o caminho que Sarney tenha escolhido.
Paulo Duque o absolve  pela manhã,  e à tarde,  Sarney,  num gesto que ele considera de grandeza, deixa a presidência da Casa, não sob suspeita, mas como um político absolvido de todas as acusações a que foi “vítima” e, por isso, não tem mais o que explicar.
Novas representações nesse caso, só poderiam ser apresentadas sobre fatos novos.
Não caberiam mais representações sobre os delitos conhecidos. Estes já teriam sido objetos de exame e foram arquivados.

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