• Sexta-feira, 29 Junho 2012 / 9:08

A reestréia de Tereza Cruvinel

Tereza Cruvinel*

Uma suave emoção guiou minha visita ao Congresso como parte do rito de estreia desta coluna. Algumas cores e rostos eram novos, mas a alma do parlamento, com seus claros e escuros, virtudes e pecados, adensa os espaços em que vi serem escritos capítulos importantes de nossa recente história democrática. No azul do Senado, recordei Tancredo esgueirando-se em articulações sussurrantes. Brossard trovejando na tribuna. No subsolo, o gabinete que foi de Fernando Henrique, parada obrigatória. Além de informação, ali havia a prosa inteligente e a promessa de renovação da elite e dos costumes políticos, se ele chegasse lá. Pouco além, o gabinete em que Ulysses chorou a derrota da emenda das diretas, apesar das massas que ele levantou. No plenário, o borburinho dos constituintes de 1988. Entre eles, um barbudo lacônico encarnava a emergência do povo na política, promessa que também se cumprirá. Na saída, rumo ao STF, altíssimas as palmeiras imperiais, plantadas no início da transição. No Planalto, a bandeira hasteada indica a presença presidencial, mas agora da primeira mulher. Essas lembranças falam de jornalismo e democracia, binômio que pautará este espaço que me concedem o Correio Braziliense e os Diários Associados. Meu olhar será sempre o de uma repórter política buscando compartilhar com os leitores a verdade, o sentido e a relevância dos fatos, dialogando com a pluralidade, revelando os atores mas também os traços de um sistema político que comporta a virtude e o vício. Com trabalho e aplicação é que um jornalista pode contribuir com a cidadania e a democracia. Passemos, pois, ao trabalho sobre dois temas relevantes da conjuntura.

Legal, mas não democrático
Os presidentes do Mercosul aprovarão amanhã em Mendoza, Argentina, a exclusão do Paraguai do bloco até a realização de eleições livres e limpas. O que já se aprovou foi apenas a suspensão da dita reunião. O texto não dirá, mas deixará nas entrelinhas a sugestão de que as eleições de 2013 sejam antecipadas. O ingresso da Venezuela, que só o Paraguai vetava, pode até ser aprovado, embora não seja conveniente agora. A presidente Dilma Rousseff assumirá a presidência semestral do bloco disposta a mediar uma solução que seja exemplar, mas que abra portas para a reconciliação. E, sobretudo, que preserve os interesses do Brasil e do povo paraguaio. Falou-se em golpe, falou-se em ingerência, mas o que se viu de bom até agora foi um saudável consenso, no Mercosul e na Unasul, sobre a intocabilidade da democracia no continente. Chile e Colômbia, que têm governos mais “liberais”, ou não bolivarianos, para usar o bordão corrente, tiveram a mesma posição. E pela primeira vez, os Estados Unidos ficaram fora da questão, ouvindo o Brasil e os vizinhos. Hillary Clinton concordou com o chanceler Antonio Patriota: o ato foi legal, mas não foi democrático.
O impeachment de Collor ensina a diferença. Faltaram, no caso de Lugo, os procedimentos democráticos aqui adotados. O impeachment é cabível no Brasil quando o governante é acusado de crimes de responsabilidade, previstos nos artigos 84 e 85 da Constituição, e é condenado segundo o rito da Lei nº 1079/50. Já o artigo 25 da Constituição paraguaia prevê o equivalente “juízo político” em casos de “mau desempenho de suas funções, cometidas no exercício do cargo”. Não define o delito e convenhamos que é bastante elástico o conceito de “mau desempenho”, deficiência que, na democracia, deve ser corrigida pelos eleitores, nas urnas. A regulamentação do artigo foi votada no próprio dia do julgamento, concedendo a Lugo duas horas para a defesa. Recordemos o caso Collor: a denúncia foi apresentada em setembro à Câmara, onde houve defesa e derrota do presidente. O processo foi para o Senado, que, em outubro, afastou Collor do cargo provisoriamente até o julgamento final, em 29 de dezembro. Ele renunciou minutos antes da sessão começar. Nesses quatro meses, foram várias as chances de defesa na batalha jurídica travada no Senado. O presidente do STF conduziu o processo.
A suspensão está prevista no Protocolo de Ushuaia, ou cláusula de compromisso com a ordem democrática. O que não está claro é se o Paraguai será suspenso apenas dos colegiados ou se perderá também, como admite o artigo quinto, “direitos e obrigações”. Vale dizer, tarifas comuns e outras vantagens. Não é a inclinação de Dilma.

Supremas rugas
Entra em cartaz o tão cobrado julgamento do mensalão. Serão 15 sessões públicas em agosto, mês de desgosto na política brasileira (e de gosto para outros, certamente). É jogo quase jogado: esse processo está para o STF como a cassação de Demóstenes Torres está para o Senado. Terão que condenar, terão que cassar, se não quiserem se imolar, permitindo a desqualificação das duas instituições. No caminho, vão se acumulando os sinais de uma crise na mais alta corte, onde as rusgas entre ministros já dão um livro de crônicas. Agora, o ministro relator declarou-se “estupefato” com as cobranças do presidente para que entregue logo os autos. E os entregou antes do prazo, num claro protesto. Mais parece o parlamento que a Suprema Corte
*Tereza Cruvinel escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:05

Veríssimo e Dorinha

 De Luiz Fernando Veríssimo:
“Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, sempre teve grande intimidade com o poder, embora negue que chamasse o Washington Luiz de Vavá. Ela reconhece que sua idade não é a que consta nos seus documentos, já que cada vez que sai da clínica do Pitanguy faz outro registro de nascimento, mas diz que as pessoas exageram. Ela deixou de frequentar os salões presidenciais durante a ditadura, em protesto não contra o poder discricionário dos militares mas contra o que suas mulheres usavam. Jurou que só voltaria ao Planalto na posse de um civil, para não sofrer outro trauma cívico com o tafetá, mas teve que ser retirada numa ambulância, desfalecida, depois de ver o jaquetão do Sarney. Mesmo com os breves intervalos Ralph Lauren com Collor e mineiro básico com Itamar, Dorinha estava convencida de que gente comme nous jamais chegaria ao poder no Brasil.
Não mudou de opinião nem com o Fernando Henrique, cujo estilo ela chamava de ?intelectual amassado?. E depois veio o… Mas vamos deixar que a própria Dorinha nos conte na sua carta, escrita, como sempre, com tinta púrpura em papel lilás cheirando a ?Ravage Moi?, um perfume condenado pela CNBB.
?Caríssimo! Beijíssimos. Escolhe um lugar decente.
Sim, tenho pensado muito no que nos aconteceu nestes últimos anos. Lembro das vezes em que eu e o Mario Amato nos encontrávamos, nos abraçávamos e chorávamos, aterrorizados, ele com o que esperava o empresariado nacional com a eleição do Lula, eu com os horrores que passaríamos a ver em matéria de moda, em Brasília. (Eu não tinha dúvida de que Lula tomaria posse de macacão.) Ambos temíamos o que nos reservava o futuro sob uma ditadura do proletariado, e não adiantava tentar pensar no gulag como um spa para emagrecimento involuntário. Meu marido na ocasião, cujo nome me escapa no momento, chegou a construir um abrigo anti-PT, onde nos refugiaríamos, com nossa prataria, alguns enlatados e águas Perrier e San Pellegrino até que chegassem os americanos. Finalmente apareceu uma força política capaz de nos salvar do PT ? o próprio PT! O governo Lula não foi nada do que a gente imaginava e nem as roupas da dona Marisa chegaram a assustar, muito. E preciso dizer uma coisa: foi bom o Fernando não propor ao Lula que comparassem guarda-roupas em vez de governos, pois o Lula, no quesito passeio completo, quem diria, venceria.
Não se tem notícia de uma transformação tão radical na política brasileira desde que o Zé Dirceu perdeu o seu ?r? de Passa Quatro.
Enfim, me preparo para o Carnaval, com vitaminas, meditação e líquidos, muitos líquidos. Não, este ano não serei madrinha de nenhuma bateria.
Tive um sonho em que meu salto ficava preso no asfalto, eu morria atropelada por trezentos ritmistas e era retirada da pista pelos garis dentro de um tonel de lixo, triste fim para uma mulher que, como disse alguém, justificou o século. Não pergunte qual! Da tua precavida Dorinha.?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:49

Caetano descarta José Serra

Caetano Veloso deu a entender, sexta-feira à noite, que não votará em José Serra para a Presidência da República.
Na coletiva que deu em Salvador, registrada por Lauro Lisboa Garcia, do ?Estadão?, Caetano disse que ?tenho pouquíssimas relações com o presidente Lula, exceto as que você tem, porque vivo no país de que ele é presidente. Votei nele pra se eleger, não votei nem pra se reeleger, mas acho que é admirável o que vem acontecendo com o Brasil, desde que Collor abriu o mercado. E aí Fernando Henrique, com um governo espetacular, a criação do real. O plano real está dando certo até hoje, porque Lula também foi esperto. Acho que se fosse Serra poderia mudar. Lula foi esperto, chamou Meirelles, botou no Banco Central, ficou uma política mais parecida com a do Chile, que foi Pinochet que implantou?, disse ele.
Ou seja: na disputa Lula e Serra, Caetano foi Lula; e na disputa Lula e Alckmin, Caetano votou contra o Presidente. E ainda elogiou Lula por ter mantido o Real: ?Se fosse Serra poderia mudar?.
Caetano Veloso disse ainda que ?nossa história é complexa, não pode ficar simplificando ?eu sou de esquerda, eu sou direita, odeio você, você me apetece?. É muito pobre, entendeu? Eu não sou pobre. Acho o seguinte: Lula é uma figura histórica, com grandeza épica, pra entrar na lista de Fernando Pessoa de ?Mensagem?. Foi o que eu disse em Lisboa, repeti aqui. Mas nem o embaixador de Portugal entendeu, o imbecil.?
Sobre o filme ?Lula ? O Filho do Brasil?, de Fábio Barreto, disse Caetano:
- Achei os atores maravilhosos, o tema é muito bom, a fotografia é muito bonita, a direção de arte é maravilhosa. Aquele cara que faz o Lula é espetacular. Ele é tão bom que fica ali batendo na Glorinha, e todo mundo está bem. Mas o filme é mal escrito, o roteiro e os diálogos são mal escritos. O Lula que eu tenho na minha cabeça é muito maior do que aquilo, uma grande figura que poderia entrar na lista de ?Mensagem? de Fernando Pessoa. É assim que eu vejo Lula. Não pode ser pequeno não. Ser pequenininho não tem graça. O filme é bacana, mas poderia ser mais empolgante.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:32

A nova face de Lindberg

E o cara pintada virou um cara de pau deslavado.
Em entrevista a Cassio Bruno, de ‘O Globo’,  o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, deixou claro que um ponto importante que fez com que ele desistisse de sua candidatura ao governo do Rio foi dinheiro.
Nos próximos dias, ele acertará um pacote de R$ 100 milhões para obras em seu município, e o montante ? cujo valor será anunciado pelo novo aliado Sergio Cabral ? o ajudará na campanha para o Senado.
Isso é quase compra de votos, e declarado sem um mínimo de pudor.
Lindberg, ou Lindinho como gosta de ser chamado, poderia dizer que renunciou por questões políticas (o apoio de Cabral a sua candidatura ao Senado), ou  por questões partidárias (o apelo de Lula).
O mais grave é que o acordo com o governador gira ainda em torno da criação de “políticas para a Baixada  para os próximos 15 anos”, em duas áreas onde o dinheiro publico é gasto de forma polêmica: na saúde e nos transportes.
Lindberg, na juventude, foi um dos líderes do movimento estudantil, que pintou a cara e exigiu o ‘impechament’ do Presidente Collor, na época acusado de corrupção.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:11

Cesar e as eleições de 89

 Do blog do ex-prefeito Cesar Maia:
“1. O folclore pós-eleitoral atribuiu ao marketing dos programas eleitorais de Collor importância na sua vitória. Mas a verdade é outra: Collor abriu a campanha com 45% das intenções de voto e fechou o primeiro turno com 28% e mais uma semana cairia ainda mais.
2. Lula abriu com 8% e Brizola com 16%. Brizola manteve-se estacionário nestes 16% e Lula subiu para 16% vencendo Brizola por margem estreita.
3. Os setores empresariais oscilaram entre os candidatos. Inicialmente apoiando a Afif Domingues, depois a Collor e só já perto da campanha, aderindo a Collor.
4. No segundo escalão veio Covas com 11% e Maluf com 8%, Afif e Ulysses com 4%. Ulysses e Aureliano,(0,83%), tinham 70% dos deputados e senadores e mais da metade do tempo de TV.
 5. Silvio Santos, aproveitando uma brecha na legislação, apresentou sua candidatura pelo PMB 40 dias antes da eleição, e disparou na frente nas primeiras pesquisas. Os advogados de Collor recorreram e o presidente do TSE deu a liminar. Esse-após a eleição- renunciou a condição de ministro do STF e foi ser ministro de Collor. Em seguida foi designado para a Corte de Haia.
6. A pasta que Collor levou para o debate e a citação a um aparelho ” Três em Um” ,(TV,Rádio e Som), que Lula teria na sala do apartamento em Brasília, (segundo o oficial que trabalhou na segurança de Collor disse depois reservadamente e ainda não se dispõe a abrir a informação), seria a comprovação que Lula havia sido fotografado naquele período e que as fotos poderiam criar constrangimento para ele. Por isso a tensão.
7. Collor venceu no segundo turno por 50% a 44% e diferença de 4 milhões de votos. No segundo turno votaram menos 4 milhões de eleitores.
8. Relembre os resultados.

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  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:55

O despropósito do PPS

O deputado Raul Jungmann  (PPS-PE) ? ministro de Fernando Henrique e patrocinador da viagem da Sra. Julia Pinto a Paris, pago com dinheiro da Câmara ? brindou os telespectadores, no horário gratuito de propaganda eleitoral, com a afirmação de que Lula age como Collor na questão da poupança.
Aqui a análise da competente e insuspeita jornalista Miriam Leitão em seu blog:
?É um despropósito a propaganda do partido PPS que tem sido veiculada, como foi na noite de sábado.
Ela acusa o governo Lula de querer “mexer”na poupança como o governo Collor.
O que o governo Lula pretende fazer com a poupança não tem nada a ver com o que fez o governo Collor.
Collor fez “confisco” e prendeu as aplicações nos bancos por dois anos.
Lula pretende diminuir a rentabilidade da poupança alegando que precisa abrir espaço para queda dos juros. Sobre o assunto, o próprio Lula não é sincero quando diz que faz isso para “proteger” os pequenos poupadores. A verdade é que ele pretende fazer isso para que a poupança não fique mais atrativa que os fundos de investimento que compram títulos públicos e que são os produtos oferecidos aos poupadores com maior poder de poupança.
O confisco do Collor e a mudança de remuneração da poupança não podem ser comparados e fazer isso é manipular um velho trauma brasileiro.
A maioria dos economistas acredita que hoje a remuneração da poupança em TR mais 6% e sem recolhimento de IR é um teto para a queda dos juros. A queda da Selic torna menos rentáveis os títulos públicos. Com isso, os investidores podem passar a botar o dinheiro na poupança. E o Tesouro terá dificuldades em rolar a dívida. Está criado um desajuste macro. Por outro lado, os bancos bem que poderiam reduzir suas taxas de administração dos fundos para, pelo menos, garantir mais rentabilidade nos fundos.
A briga política quando chega na economia provoca muitas distorções e seria lamentável a manipulação desse fantasma agora. É preferível que os partidos de oposição avaliem o que será feito e em cima disso critiquem.
O que temos criticado aqui é a insistência com que Lula e Mantega dizem que vão mudar a poupança, sem explicar as novas regras. Isso eles não devem fazer porque cria incerteza no pequeno investidor?.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:01

A vez de Rolando Lero

Quem achou ruim a eleição de Fernando Collor para a presidência da comissão de Infraestrutura do Senado não sabe de nada.

Bom será ver a atuação de Almeida Lima, o popular Rolando Lero, na presidência da Comissão de Orçamento.  Esse sim é o verdadeio fundo do poço.

Ontem, por exemplo, ele falou sobre as horas extras que seus funcionários receberam em janeiro, em pleno recesso legislativo: “No mês de janeiro é quando os funcionários trabalham mais. Quem entra de recesso é o Senado. Eu não fechei meu escritório político”.

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