• Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:27

Viva o Chico!!!

  Chico Buarque ainda não estreiou no Rio, e já anunciou oito espetáculos extras em fevereiro.
É que janeiro já esgotou tudo.

  • Sexta-feira, 22 Julho 2011 / 1:37

Para começar bem o final de semana

  • Sábado, 02 Outubro 2010 / 11:35

E se o oceano incendiar…

     Para os chamados “formadores de opinião” – que na verdade só escrevem para os que já tem opinião formada -  a ficha ainda não caiu: eles ainda sonham com o 2º turno, com a onda verde, com um novo Serra, etc, etc, etc.
Eles deveriam ouvir o samba de Francis Hime e Chico Buarte, “E Se…”
                     * * *
Eis um trecho:                              
E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o arapiraca for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão…

  • Quinta-feira, 16 Setembro 2010 / 11:16

Cadê o Ministério do Vai dar Merda?

    Em junho de 2004, em longa entrevista a Rodolfo Fernandes, editor de ‘O Globo’, Chico Buarque sugeriu que Lula criasse o ‘Ministério do Vai dar Merda’.
Segundo o relato de Chico ele funcionaria assim:
- A cada decisão importante, esse ministro seria chamado. Se o governo decide recadastrar os idosos, o Lula convoca o ministro e pergunta: “Vai dar merda?” O ministro analisa o caso, vê que os velhinhos vão ser humilhados nas filas, e responde: “Vai dar merda”. No caso da briga com o “New York Times”, era só chamar esse ministro e perguntar: “Vamos expulsar o jornalista. Vai dar merda?” O cara ia analisar e responder: “Vai dar merda”.
                       * * *
Nos bastidores, Lula concordou com Chico, mas nunca criou a  tal Pasta, embora tivesse até escolhido o ministro: o ex-governador Jorge Vianna.
                   * * *
Com o Ministério do Vai dar Merda,  o caso Erenice Guerra estaria solucionado, com o afastamento da ministra da Casa Civil.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:59

Maria Buarque, Memélia

O jornalista Cláudio Renato publicou, em seu blog Passavante, certamente o melhor de Maria Amélia Buarque de Holanda, morta hoje, aos 100 anos.
Aqui vocês verão um resumo do que foi postado nos dias 13, 19 e 26 de novembro, apenas com o tempo verbal no passado.Mas vale a pena dar uma lida no seu site, para quem quiser saber mais sobre Memélia.
Peço desculpas ao autor, se não estiver assinalado os principais pontos de seus post – todos baseados em apurações feitas para a reportagem ‘A construção do clã” (no Caderno ‘Fim de Semana’, da Gazeta Mercantil, em 2000), “Dossiê Sérgio Buarque de Hollanda” (na Revista Bravo, em 2002) e “Os 60 anos de Chico Buarque” (para os telejornais da TV Globo, em 2004).
                       * * *
“O segredo estava guardado, delicadamente, no sétimo andar do Edifício Alcazar, construído na década de 1930, na pequenina rua Almirante Gonçalves 4, em Copacabana, ao lado do botequim Bip Bip. Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Hollanda completara 100 anos em 25 de janeiro. Ela garantiu, com temperamento estoico e simplicidade franciscana, a união e a prosperidade intelectual da família Buarque de Hollanda (…)
                      * * *
Austera e sensível, Maria Amélia trabalhou à moda antiga para perpetuar a família. Ajudou nas pesquisas e datilografou os originais do clássico ‘Raízes do Brasil’ (1936). Viajava de trem com os filhos, na ponte ferroviária Rio-São Paulo, ensinava-lhes a cantar sambas, frequentava com eles o Maracanã e até participava de coros em gravações. Para quem não sabe, a voz de Maria Amélia está ao fundo de ‘O Meu Guri’, no registro de Cristina Buarque, anterior ao disco Almanaque, de Chico Buarque (1981). Raras vezes precisou pôr os pés fora de casa para receber o carinho incondicional dos sete filhos, 14 netos, 13 bisnetos, intelectuais, compositores, poetas e políticos.
Em comum com a musa do saudoso amigo Mario Lago, a Amélia em questão desdenhava luxo e riqueza. Era um ser alegremente monástico em” cujo templo se aceitam, eventualmente, uma cachacinha, um chope, e manifestações entusiasmadas a favor da Mangueira e do Fluminense.
Era aconselhável, no entanto, que não a chamasse de viúva do historiador e crítico literário Sérgio Buarque de Hollanda (1902-1982). Seria gafe imperdoável. O telefone emudecia, a conversa murchava, ela ficava uma fera.
                     * * *
Quando fazia reservas em restaurantes, a mãe de Chico Buarque era lacônica. Pedia “uma mesa para a dona Maria” ou, no máximo, “para dona Maria Buarque”. Gostava mesmo era do apelido Memélia, inventado pela neta Bebel Gilberto, filha da primogênita Heloísa Maria, a Miúcha, com o cantor e compositor João Gilberto.(…)
Foi Bebel, xodó da casa, quem também criou o apelido familiar de Sérgio: Papioto, corruptela de “papai outro”, como ele preferia ser chamado por todos os netos.
                    * * *
O Partido dos Trabalhadores era a paixão política de Maria Amélia.(…) Sérgio Buarque de Hollanda assinou a ficha número 2 do PT em 1980. A número 1 é do crítico de arte pernambucano Mário Pedrosa (1900-1981). “Minha mãe sempre acompanhou o velho, mas não é muito entusiasmada com o PT do Rio”, dizia Chico Buarque. “Meu marido atendeu a um convite do Mário Pedrosa e foi ao Colégio Sion para fundar o PT”, lembra Maria Amélia. Para eleições proporcionais, sempre votou em amigos como Chico Alencar ou Eliomar Coelho. Quando o partido do coração fazia algo que não concordava, como, por exemplo, rejeitar a candidatura de Vladimir Palmeira, ela votava em Leonel Brizola.
                   * * *
Maria Amélia foi a primeira pessoa a contribuir com a campanha presidencial de Lula em 1989, com um cheque da pensão de viúva a que tem direito. Quem nos contou a história, em 2002, foi o próprio Lula. Ele disse que, no aniversário de 90 anos de Maria Amélia, tentou, com o escritor Frei Betto e o crítico literário Antônio Candido, fazer-lhe uma surpresa. Ela preferiu jantar com os filhos no Jardim Botânico, no Rio. “Um metalúrgico de São Bernardo filiar-se ao PT é quase obrigação, mas uma pessoa como dona Maria Amélia só faz isso por solidariedade.”, dizia Lula. O ex-petista Chico Alencar, de 60 anos, amigo de Maria Amélia e atualmente deputado federal pelo PSOL, testemunha tamanha boa vontade. “Memélia, ativíssima, comparecia à sala alugada pelo PT no Rio para conversar com eleitores e envelopar cartas.”
                    * * *
Mulher altiva, que recusava ajuda até para carregar pacotes de compra em supermercados, Maria Amélia jamais abandanou a fé religiosa, nem mesmo pelo marido, irreverente e ateu. Miúcha, aliás, adora falar sobre a união aparentemente improvável de Memélia e Papioto. “Papai era um intelectual boêmio; e mamãe, católica, de uma família mineira tradicional de Ubá.” Eles se conheceram no carnaval de 1934, embalados pelos sambas e marchinhas de Noel Rosa e Braguinha, em frente à sede do Jockey Club do Rio. Foram apresentados por Afonso Arinos de Mello Franco, primo-irmão de Maria Amélia e amigo de Sérgio. Para Miúcha, “não fosse a admiração e a organização de minha mãe, papai não teria escrito ‘Raízes do Brasil’.” A própria Memélia confirma que, “para bancar a noiva boazinha, datilografava o que Sérgio escrevia à mão.”
A casa de 600 metros quadrados na Rua Buri, construída em 1929, foi a primeira que a família conseguiu comprar (a prestações). Sérgio e Maria Amélia recebiam nela os amigos Vinícius de Moraes, Antônio Candido, Caio Prado Jr, Manuel Bandeira, Prudente de Moraes Neto, Carybé, Jorge Amado, Paulo Vanzolini, Florestan Fernandes, Clóvis Graciano, Dorival Caymmi, Fernando Sabino e tantos outros que aportavam em São Paulo.(…)
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O casarão dos Buarques de Hollanda em São Paulo foi de festa na era de ouro, mas, também, de resistência, nos anos de chumbo. Nos períodos negros da ditadura, a casa da rua Buri se transformava em “aparelho.” Sérgio pedira aposentadoria da universidade, a USP, em solidaridade a Florestan Fernandes e outros professores afastados. O telefone da família foi grampeado. Maria Amélia conhecia as senhas. “Fulano no hospital” significava prisão de alguém. Nos confrontos de estudantes com a polícia na rua Maria Antônia, em São Paulo, levava comida para a meninada. E ajudava os proscritos, como o deputado cassado Márcio Moreira Alves, cujo discurso anódino contra os militares fora, em 1968, o pretexto para a decretação do AI-5, que restringiria todas as liberdades constitucionais dos cidadãos brasileiros. Maria Amélia é uma católica esclarecida, que frequentava a igreja São Paulo Apóstolo, em Copacabana, bairro carioca onde morava. A simpatia contagiava a vizinhança. Alfredo Jacinto Mello, o Alfredinho, de 66 anos, proprietário do botequim Bip Bip, era fã de carteirinha. “Memélia é a mãe e a avó que todos gostaríamos de ter: uma ativista da esquerda católica que jamais se entrega à depressão”, conta Alfredo, que frequenta a mesma igreja da mãe de Chico. Além do Bip Bip, Maria Amélia, sempre que pode, faz uma propaganda subliminar do Carioca da Gema, uma das principais casas de espetáculo da Lapa, no centro do Rio, administrada por um dos sobrinhos, Carlos Thiago Cesário Alvim. Filha do desembargador mineiro Francisco de Cesário Alvim e da paulista Maria do Carmo da Costa Carvalho, Maria Amélia nasceu em 25 de janeiro de 1910 – no mesmo ano de Noel Rosa, da passagem do cometa Harley e da Revolta da Chibata, na qual marinheiros se amotinaram contra a semiescravidão imposta pelos oficiais da Armada aos subalternos e quase bombardearam toda a cidade. Ela veio à luz no elegante bairro do Cosme Velho, no Rio. Era a mais velha de dez irmãos. O avô paterno, José de Cesário Alvim, foi o primeiro presidente de Minas Gerais e o materno, Álvaro de Carvalho, senador e ministro. Quando Memélia tinha 6 anos, a família mudou-se para Copacabana. A menina estudou no Sacré Couer de Marie. Depois, fez curso de enfermagem. Aprendeu a falar francês, italiano e inglês. Para a educação dos filhos, exigiu colégios excelentes: o Des Oiseaux, o Santa Cruz e o Caetano de Campos.      Socialista de corpo e alma, Maria Amélia procurava distribuir o afeto equitativamente por cada filho, neto, bisneto ou amigo. “Sucesso é palavra de consumo externo e o importante é o amor que sentimos por cada um deles, não que saiam ou deixem de sair na imprensa. Até porque o amor de verdade dificilmente é publicado nas páginas dos jornais.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

SP abre arquivo da ditadura

 Do repórter Jotabê Medeiros, do ‘Estadão’
“Em algum lugar no centro de São Paulo, mesmo após a abertura política e a extinção de órgãos de repressão no País, uma repartição misteriosa continuou atuando clandestinamente durante mais de 15 anos. Batizada eufemisticamente de Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil, dedicou-se a produzir dossiês sobre os movimentos de indivíduos tidos como “subversivos e perigosos”. Esses “arapongas” fotografavam, liam jornais, recortavam notícias, assistiam palestras e seguiam os passos de cidadãos de destaque, muitos da área artística.
Entre os “perigosos”, gente do teatro como José Celso Martinez Correa, Fernanda Montenegro, Ruth Escobar, Plínio Marcos, César Vieira; das artes visuais, como Marcello Nitsche e Mauricio Segall; da música, como Geraldo Vandré e Walter Franco, entre dezenas de outros. “Eles me vigiaram dos 16 anos, quando estudava no Colégio Bandeirantes, até os 70 anos. Isso é dinheiro do contribuinte. É uma loucura!”, espantou-se o advogado Idibal Pivetta, defensor de pessoas perseguidas pela ditadura e que usa o codinome artístico de César Vieira (ele é fundador do grupo Teatro Popular União e Olho Vivo).
Os relatórios do sombrios, misteriosos e anônimos arapongas do DCS – órfãos da polícia política – foram armazenados durante anos em armários de ferros e desde a semana passada estão disponíveis para consulta no Arquivo Público do Estado de São Paulo. A reportagem do Estado foi checar seu conteúdo.
Fernanda Montenegro foi vigiada de perto durante a grande manifestação pelas Diretas Já!, em 25 de janeiro de 1984. Ruth Escobar tem oito pastas de recortes e prontuários, e coleciona, entre outras acusações, a de “incitar a discórdia entre civis e militares” após a abertura política. Em 1983, Gianfrancesco Guarnieri voltou a ser objeto de atenção dos arapongas por ter ajudado a fundar o Alicerce Juventude Socialista.
Entre as atitudes “suspeitas” de Maurício Segall estava a participação em seminários pelo centenário de Karl Marx, em 1983. “Foi o orador principal, dizendo que estamos vivendo um momento crítico, sem democracia, etc…”. Plínio Marcos estava sendo acompanhado de perto quando participou de um debate sobre política na Folha de S. Paulo, em 1984. Em 1984, o ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel acusou artistas como Regina Duarte, Irene Ravache, Fernanda Montenegro e outros de terem recebido cachês do PMDB para lutar pelas Diretas. Os artistas processaram Abi-Ackel e, em troca, tiveram novas fichas abertas no DCS em seus nomes.
Mas o monitoramento mais patético é o que teve como objeto de atenção o ator de cinema pornô Alexandre Frota, que teve uma ficha aberta no DCS após um quebra-pau numa boate, em 1993. “Você não consegue entender a lógica. Não sabe se é um vício, uma rotina, ou se eles veem inimigos onde ninguém mais vê”, disse Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público de São Paulo.
José Celso Martinez Correa teve um araponga no seu encalço quando, em 1986, foi cobrar do então deputado Paulo Maluf cheque de R$ 20 milhões que o político tinha prometido para a reforma do Teatro Oficina. Logo após, Martinez foi investigado por ter pedido esclarecimentos sobre a morte do seu irmão, Luiz Antonio, em 1987. Zé Celso considerava que tinha sido crime político, cometido por grupo parapolicial.
Certa vez, o DCS atribuiu à atriz, diretora e produtora Ruth Escobar a autoria de um certo Manual de Direitos. A respeito, o araponga escreveu: “Arquitetado por figuras de reconhecida representatividade ideológica, entre os quais já se tornou comum encontrar a nominada (Ruth)”. Raul Cortez foi debater democracia e foi considerado “perigoso” pela arapongagem, que destacou “61 personagens na reportagem, entre eles o nominado (Cortez)”.
“Eu tinha noção de que tinha sido monitorado, digamos assim, até o final da década de 1970. Depois da anistia me despreocupei totalmente”, disse Celso Frateschi, ator e ex-secretário de Cultura de São Paulo. “É ilegal, além de ser invasão de privacidade sem sentido.” Frateschi considerou irônico saber dessa arapongagem justamente quando estava prestes a estrear O Grande Inquisidor, de Dostoiévski, na semana passada. “É o texto que antecede 1984 (George Orwell) e Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), todas as obras sobre o Big Brother, o grande espião da vida alheia”, diverte-se.
Após a eleição de Franco Montoro, pouco antes de sua posse, em 1983, os arquivos do DCS foram transferidos para a Polícia Federal. “Houve na cúpula do Dops um certo medo sobre o destino desse acervo”, conta Carlos Bacellar. Ao mesmo tempo, a transferência era irregular, já que arquivos estaduais não podem passar ao controle federal. Ficaram ali até o governo Covas, que ao saber de sua existência mandou que lacrassem o material e o enviassem para o Arquivo do Estado. Mas o tratamento do material só foi iniciado em 2007 e concluído na semana passada.
Idibal Pivetta/César Vieira, que ficou três meses preso durante a ditadura, já tinha recorrido à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para obter informações sobre suas fichas. “Eles são sumamente organizados, colocam até coisa que você nunca fez. Por exemplo: diziam que, em 1933, eu fundara a célula do Partido Comunista em Santo André. Mas eu tinha 2 anos na época, não sou tão precoce assim.”

ATÉ ALEXANDRE FROTA FOI FICHADO
“O coordenador do Arquivo Público de São Paulo, Carlos Bacellar, conta que houve preocupação em dar sumiço em “coisas sensíveis” nessas pastas do Departamento de Comunicação Social da polícia política, abertas na semana passada. Segundo ele, 60% dos textos nos arquivos são clipping de jornais.
- Que tipo de gente trabalhava nesse DCS?
- Funcionários de carreira. Se extinguiu o Dops, mas não os funcionários, que continuaram trabalhando normalmente. O DCS ficou ativo mais 15 anos, de 1983 a 1999, com esse nome vago. Isso aí que eles fizeram, de acompanhar as pessoas e a sociedade civil de uma maneira geral, é irregular. O Dops era um órgão oficial, formal, todo mundo sabia que existia e espionava quem eles achavam potencial inimigo do regime. Agora, quando vira o DCS, a coisa se inverte, porque quem vira clandestino são eles. E eles acompanham tudo que não é mais clandestino, porque vem a Anistia: homens públicos, governador, secretários, músicos, artistas. O Chico Buarque tem um histórico de perigoso ao regime, tudo bem: você entende. Mas você consegue imaginar o Alexandre Frota um perigo? Para quê a polícia fichou esse homem?
- E era grande o DCS?
- A gente não sabe. É possível no futuro investigar, quando começarem a vir para cá as informações burocráticas da secretaria. Os arquivos chegaram aqui em 1999. O Covas mandou lacrar e recolher para cá. Não houve preocupação em se mexer com isso. Quando assumi, em 2007, achei que tinha de dar um destino. A documentação, em termos de arquivística, não podia ser aberta porque é muito recente. Mas, por causa do seu caráter político, eventuais problemas de informação de caráter pessoal são sobrepostos pelo interesse coletivo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:23

Deops-SP esconde dossiês políticos

De Mario Cesar Carvalho, da ‘Folha’:
“Espiões nazistas podem entrar disfarçados de latino-americanos no porto de Santos, alertava a polícia em 1943. Romeu Tuma, então chefe da polícia política, é informado sobre um show de Chico Buarque em 1972. Relatos de dois pescadores e de um funcionário público dão conta de que Carlos Marighella, líder guerrilheiro da ALN (Ação Libertadora Nacional), prepara uma ação no litoral paulista em 1969.
Essas histórias estão guardadas num arquivo secreto do Deops-SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), abandonado pela Polícia Civil em Santos e que nunca havia sido aberto a consultas.
A reportagem da Folha entrou pela primeira vez no arquivo. Numa sala com cerca de 18 m2, trancada com cadeado, duas estantes de madeira guardam cerca de 600 pastas e caixas, que abrigam entre dez e 15 dossiês cada uma, tudo infestado por cupins, traças e poeira. A sala fica no segundo andar do Palácio da Polícia, atrás de dois elevadores.
Numa estimativa grosseira, o arquivo teria de 6.000 a 9.000 dossiês. O Deops foi a polícia política no Estado à época da ditadura militar (1964-1985).
Os investigados são sindicalistas, comunistas, guerrilheiros, políticos, padres e líderes estudantis. Não há ordem alfabética ou cronológica no armazenamento. As pastas são organizadas por temas -sindicato dos estivadores, movimento estudantil, Marighella, Jânio Quadros, e assim por diante.
O documento mais antigo encontrado pela Folha é de 1943, sobre os riscos de infiltração nazista no porto; o mais recente, de 1982, sobre lideranças estudantis.
O Deops foi extinto em 1983 e sua documentação deveria ter sido entregue ao Arquivo do Estado a partir de 1994, segundo uma resolução do então secretário da Cultura do governo paulista, Ricardo Ohtake, que criou as normas de consulta a esses papéis. Essa resolução determinava que os arquivos do Deops fossem abertos a consulta pública e que ficariam sob a guarda do Arquivo do Estado.
O historiador Rodrigo Rodrigues Tavares, autor de dois livros sobre a história política de Santos contada a partir de documentos do Deops, diz que a polícia da cidade sempre negou que tivesse esse arquivo: “Pedi umas quatro ou cinco vezes para consultar essa documentação e a polícia dizia que não tinha mais nada”.
Os livros escritos pelo historiador (“O Porto Vermelho” e “A Moscouzinha Brasileira”) foram pesquisados na documentação que a polícia de Santos enviava para São Paulo e está guardada no Arquivo do Estado. Nesse arquivo, há cerca de 50 pastas sobre Santos, segundo ele, menos de 10% do que está abandonado nas 600 pastas que estão naquela cidade.
As 50 pastas existentes em São Paulo não traduziam a importância política que Santos teve no país, na avaliação dele.
A cidade era um dos principais polos dos anarquistas no país e uma bases históricas do Partido Comunista Brasileiro. Tão importante que o escritor Jorge Amado dedicou um dos livros da trilogia “Os Caminhos da Liberdade” a Santos -o volume intitulado “A Agonia da Noite”. “Os velhos comunistas diziam que deveria haver muito mais material do Deops do que aquele que eu achei em São Paulo”, relata o historiador.
Um desses velhos comunistas, Anibal Ortega, 64, militante do PCB desde 1961, diz que o arquivo encontrado agora estava escondido porque os policiais temiam retaliações após a redemocratização do país.
“Muitos comunistas de Santos foram procurar dossiês em arquivos para entrar com pedidos de indenização e não acharam nada”, conta Ortega. A possibilidade de presos políticos serem indenizados foi instituída em 1995 pelo governo federal e, seis anos depois, pelo governo paulista.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vai pedir que o Ministério Público apure as razões pelas quais os dossiês não foram entregues ao Arquivo do Estado em 1994. O conselheiro Arley Rodrigues diz que a Secretaria de Segurança violou uma norma do próprio Estado. “Se descobrirmos que houve ação ou omissão de algum delegado, ele pode ser punido”, diz. Rodrigues foi informado da existência do arquivo pelo radialista João Carlos Alckmin.
O delegado responsável por Santos, Waldomiro Bueno Filho, diz que não sabia da existência do arquivo, mas que vai transferir a documentação para o Arquivo do Estado. Bueno Filho foi acusado de ter participado de sessões de tortura do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975), o que ele nega”.
                                              * * *
“O arquivo do Deops em Santos guarda uma história de pescadores e guerrilheiros.
Dois pescadores e um funcionário público caçavam passarinho no morro dos Itatins, em Peruíbe, e, no meio de uma trilha, dizem ter achado um bilhete escrito em código Morse cuja autoria é atribuída pela polícia ao líder guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969).
O bilhete, arquivado no dossiê de Marighella, estava numa clareira, segundo o trio, onde havia latas de sardinha e de pêssego em calda. A polícia achou que havia encontrado uma pista do guerrilheiro, um dos homens mais procurados pelos militares em 1969.
Traduzido “com algumas dúvidas”, como anota a polícia, o bilhete menciona a movimentação de cem homens -”distribua homens em grupo na Baixada dia 5 para ? [ação] no porto e o restante na serra Xixova e na Baixada dia 7″. É assinado por “Maringhela”.
Foi encontrado em setembro de 1969, um mês quente para a ALN (Ação Libertadora Nacional), que adotava a estratégia de focos guerrilheiros preconizada por Che Guevara. Nesse mês, o grupo participou junto com o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick no Rio de Janeiro.
Com base no bilhete a polícia criou uma estratégia de defesa, descrita num documento de três páginas assinado pelo delegado Adalberto Dias de Almeida. Fez um mapa dos supostos pontos que Marighella poderia atacar, deduzidos a partir do bilhete em código Morse: uma usina na serra Pouso Alto, o porto de Santos e a fortaleza de Itaipu. Os locais são descritos como “objetivos relevantes para um grupo de audaciosos terroristas que pretendesse, em ação simultânea, a eclosão de três atentados”.
O jornalista Mário Magalhães, que prepara há sete anos um livro com a história de Marighella, diz que o guerrilheiro cultuava códigos, mas nunca viu algo escrito por ele em código Morse. Por causa do culto, ele acha que Marighella poderia ter escrito o bilhete.
Em setembro de 1969, Marighella passava a maior parte do tempo na zona norte do Rio, de acordo com o jornalista. A ação poderia ter sido planejada por militantes da Baixada Santista. Havia militantes da ALN em Cubatão e Mongaguá, segundo Agenor Ortega, militante do PCB em Santos à época.
Completamente improvável, segundo Magalhães, seria imaginar um foco guerrilheiro da ALN no litoral paulista: “A ALN nunca conseguiu viabilizar uma base rural”, afirma, apesar das tentativas que fez em Goiás, no Maranhão e no Pará”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:59

Picciani veta CPIs na Alerj

Reportagem de Cássio Bruno e Cláudio Motta hoje no ‘Globo’:
“O calor dos vagões do metrô, que ainda sofre com problemas de ar-condicionado e superlotação, não chegou à Assembleia Legislativa (Alerj). O presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), afirmou nesta quinta-feira que arquivará todos os pedidos de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Os deputados Alessandro Molon (PT) e Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) pedem a investigação de irregularidades no metrô, no trem e na agência do estado que regula os serviços, a Agetransp.
Picciani alega que os pedidos protocolados em 2010 – ambos com assinaturas acima do mínimo necessário, o que implicaria aprovação automática – estão prejudicados por conta de um outro pedido de abertura de CPI, feito em novembro de 2009 por Molon. Este primeiro requerimento será levado a plenário, onde haverá uma votação. No entanto, mesmo que seja aprovado pelos deputados, o presidente da Casa o vetará. De acordo com Picciani, não há fato que justifique a criação de comissão de inquérito:
- Não se pode, a qualquer custo, abrir uma CPI num momento em que o Rio vai recepcionar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas. Os investidores não podem se sentir inseguros.
O parlamentar afirmou, ainda, que o metrô está se modernizando e que os investimentos estão sendo feitos. Picciani disse que vai transferir a investigação para a Comissão permanente de Transportes.
O presidente da Alerj também defendeu o governador Sergio Cabral, alegando que este foi o primeiro governo a investir nos últimos 15 anos, implantando o bilhete único e comprando mais vagões para metrô e trens, que só começarão a chegar em 2011.
Molon, por sua vez, afirmou que entrará na Justiça contra Picciani. Ele quer um mandado de segurança que o obrigue o presidente da Alerj a instalar a comissão parlamentar.
- O presidente não tem o direito de escolher os temas que vão ou não ser investigados. Só há duas CPIs em funcionamento na Casa, não há razão para impedir a investigação do caos que chegou ao metrô. A decisão do presidente é uma afronta ao sofrimento que a população vem experimentando no transporte metroviário e ferroviário – afirma o deputado.
O petista anunciou uma campanha a partir desta sexta-feira para recolher assinaturas de usuários do metrô que apoiem a instalação da CPI. Ele pretende passar o documento na porta das estações de trem e metrô.
Já Corrêa da Rocha, o primeiro a protocolar em 2010 um pedido de CPI, afirmou que a abertura de um novo ano legislativo abre a perspectiva de que não é necessário consultar pedidos anteriores. Tanto que ele colocou um assessor na fila desde o dia anterior, para garantir que o pedido dele seria o primeiro a ser protocolado.
- A CPI precisa ter objeto definido. Obedeci aos princípios: fato determinado existe. Em relação ao pedido de CPI de novembro de 2009, não li a justificativa, não sei como está escrito. Mas as questões todas são de ponto de vista, de discussões, faz parte das quedas de braço entre oposição e governo – disse o tucano”.
A seguir um trecho da música – sempre atual – “Apesar de Você”, do genial Chico Buarque de Hollanda: 
Essa é dedicada especialmente ao presidente da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Jorge Picciani:
“Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
Antes do que você pensa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:52

Explicação para o piripaque de Lula

A indisposição e o aumento de pressão que Lula sofreu, nessa madrugada, no Recife,  deve ter sido  conseqüência ainda da viagem que o Presidente fez ao Rio, na segunda-feira.
Vejam se isso é possível.
Na casa de Chico Buarque, onde o papo do anfitrião, por si só, já vale a visita,  Lula ficou apenas 60 minutos. E  olha que lá estavam a homenageada Memélia, e mais  Oscar Niemeyer, Frei Beto, Nelson Pereira dos Santos e um bando de gente interessante.
Depois, ele passou 90 minutos no Palácio das Laranjeiras com Sergio Cabral, Paulo Mello, Jorge Picciani, Eduardo Paes e um bando de gente como eles.
Tinha que dar que no deu.

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