• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:00

Demóstenes Tôrres está morto

      O ex-prefeito Cesar Maia, um dos líderes do DEM, coloca uma pá de cal em seu mandato, sem citá-lo.
Em seu blog, Cesar usa a mesma tática que utilizou contra o ex-governador Arruda.
Esfola o pobre coitado, mas sem citá-lo.
Diz o ex-prefeito:
“Escândalos Políticos em “O Novo Principe”, livro de Dick Morris!
“Não há como ganhar na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é falar a verdade, aguentar o tranco e avançar”. Com vasta experiência junto à imprensa dos EUA, lembra que, quando ela abre um escândalo, tem munição guardada para os próximos dias. Os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para a cada dia ter uma nova revelação.  De nada adianta querer suturar o escândalo com uma negação reativa, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa.   
E outros veículos entram com fatos novos, para desmentir. Para Morris, a chave é não mentir. O dano de mentir é mortal. “Uma mentira leva a outra, e o que era uma incomodidade passa a ser obstrução criminal à Justiça”. A força de um escândalo é a sua importância política. As pessoas perdoam muito mais aqueles fatos sem relação com o ato de governar. E ir acompanhando a reação do público. “Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que se diz que ele fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa”.

  • Segunda-feira, 05 Março 2012 / 10:51

A saúde segundo o Prefeito e o seu ex

     O ex-Prefeito Cesar Maia aponta hoje em seu blog o que seriam as mentiras do Prefeito Eduardo Paes, administrador da cidade que tem o pior serviço de saúde do  páis, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde:
Disse Eduardo Paes:
- Aplico 4 bilhões de reais em Saúde.(Globo, 03/03 e RJ-TV, 02/03)
Diz Cesar Maia:
- O Diário Oficial do Município do Rio de 30 de janeiro de 2012, página 64. Execução orçamentária de 2011. Gasto em Saúde: 1 bilhão e 875 milhões de reais. Menos da metade do que foi declarado.
                                             * * *
Disse Eduardo Paes:
- Aplico 25% em Saúde.
Diz Cesar Maia:
- O Diário Oficial do Município do Rio de 30 de janeiro de 2012, página 64. Execução orçamentária de 2011. Aplicações em Saúde: 19,69%.
                                             * * *            
Disse Eduardo Paes:
- Estou construindo 5 hospitais. (RJ-TV 02)
Diz Cesar Maia:
- Está sendo reformado o tradicional Hospital Pedro II em Santa Cruz e construído um pequeno hospital na entrada da Ilha do Governador.
                                              * * *
Disse Eduardo Paes
- A cobertura do programa saúde da família passou para 27,4%. (RJ-TV 02)
Diz Cesar Maia:
- Como não há visita domiciliar de médicos e equipes, não é programa saúde da família, mas um posto médico com 3 especialidades no lugar das 12 especialidades dos postos de saúde, reduzindo a diversidade da atenção básica. E a conta de multiplicar o número de pequenos postos médicos adaptados ou construídos (clínicas da família) pela área de referência é falsa. São pontos fixos.
                                               * * *
Disse Eduardo Paes:
- Sobre Convênios com a Prefeitura do Rio, dados do Ministério da Saúde apontam que em 2008 foram repassados R$ 855 milhões, em 2009 repassados R$ 544 milhões, em 2010 foram R$ 764 milhões e em 2011 R$ 488 milhões. (O Globo 03)
Diz Cesar Maia:
- Então a história que a prefeitura anterior não interagia com o governo federal é mentira. Os números (sem incluir a inflação) mostram que a prefeitura anterior recebia mais em Convênios com Ministério da Saúde que a atual.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 10:00

Rio perde dimensão política

                                                                    Cesar Maia*
          

          O Estado do Rio tem sido, nos últimos anos, a capital da política de clientela do PMDB no Brasil. Não é de hoje, e a Assembleia Legislativa tem sido -nesse sentido- um paradigma. Mas esse nanismo político não havia chegado à capital até 2008. Chegou! Rio, que foi capital do país por 200 anos, onde a disputa política tinha a atenção nacional, agora se condominiza, e o PMDB quer transformar o prefeito da cidade em um síndico.
Quer, mas nem isso consegue, do ponto de vista administrativo. Passou a ser o coordenador de uma grande comissão de licitação. Mas conseguiu que fosse um síndico -e ausente- do ponto de vista político. A ausência do prefeito do PMDB  da capital dos comerciais e do programa nacional do PMDB é retrato disso. Total ausência dos temas de interesse nacional com repercussão regional.
Nestes 3 anos e quase três meses, nunca se viu o prefeito -no Rio, em Brasília, ou em qualquer Estado- tratando de nada. A gratidão ao governador por tê-lo transferido do PSDB e o ter elegido na capital pelo PMDB é bem traduzida num beija mão registrado nos jornais. Não tem nada a dizer sobre reforma política, reforma tributaria, código florestal, nem sobre Rio + 20, onde se imagina um mero mordomo da festa. Nem artigo escreve para jornais ou blogs.
Essa vocação do PMDB, do poder como clientela, afastou o partido do poder nos Estados e Captais do sul e do sudeste. O Estado do Rio e o Rio são exceções à regra. E pelas razões. Os prefeitos do Rio e de SP, que historicamente frequentavam o andar de cima da política nacional, agora apenas o da cidade de SP frequenta.
O Rio-Capital perde, a cada dia mais, centralidade política e centralidade cultural. Os grandes eventos de que se jacta foram conquistados antes do marasmo político atual. A decisão do COI, de 2009, com projeto entregue em 2008, foi simples arrastre do ano anterior. Por sorte antes, pois a perda de dimensão política atual os inviabilizaria.
Esse tema -a dimensão política- está sempre presente no imaginário do carioca, e a frustração presente o colocará no proscênio do debate em 2012, para que o Rio supere essa letargia e mediocridade políticas, e saia do beija mão e volte à altivez de quem representa a cidade brasileira que foi a razão da independência, da identidade e da unidade nacionais.
*Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, em seu blog.

  • Quarta-feira, 15 Fevereiro 2012 / 10:01

Cesar Maia e a Cidade da Música

      Do ex-prefeito Cesar Maia em seu blog:
      “1. Nota de jornal da época. “A limpeza de terreno e terraplenagem em 2003, começará em setembro e vai durar cerca de 90 dias.” Ou seja, a licitação da Cidade da Música e o início das obras ocorreu em 2004. Entre 2004 e 2008 foram 4 anos. 85% estavam prontos, faltavam 15%.         
2. Lá se vão 3 anos e agora se informa que a obra será entregue no segundo semestre. Ou seja: foram 4 anos para construir 85% e três anos e meio para construir 15%.           
3. “A Cidade da Música, definida como uma ‘verdadeira obra-prima de poesia’ pelo Metropolitan Art Press e pelo Centro Europeu de Artes de Design, é o mais arrojado empreendimento público destinado à Cultura realizado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro nas últimas décadas. Neste complexo está instalada a maior sala de concertos sinfônicos e de ópera da América Latina.” Adivinhe onde está escrito isso? Acertou quem disse: NO SITE ATUAL DA PRÓPRIA PREFEITURA DO RIO. Comprove.     4. Desde o projeto do Museu Guggenheim -criminosamente obstruído na justiça por uma oposição xenófoba de meia tigela- que a ideia do Rio recuperar centralidade nas artes vinha lastreada em um equipamento de padrão top internacional. Os valores eram estimados em 250 milhões de dólares ao câmbio da época (2001/2003). A Cidade da Música seguiu a ideia e o padrão e veio no lugar do Museu Guggenheim, com mudança de tema das artes plásticas para a música e a dança.           
5. Como se trata de um Complexo, ocorreram 5 licitações. Os 80 milhões, que alguns falam, eram apenas para as fundações. Basta lembrar que o Museu do Amanhã, de 10 mil m², no píer da Praça Mauá, onde seria o Guggenheim-Rio, está orçado em 240 milhões de reais, para 10 mil m². A Cidade da Música são 90 mil m² de arquitetura, no limite máximo internacional.           
6. A cada etapa se fazia um concerto comemorativo e se inaugurava a etapa. O primeiro deles teve a presença da mega-star soprano Kathleen Battle, que deu uma canja. Leia o que se dizia sobre este ato:           
7. “Com a presença do prefeito Cesar Maia, de convidados e do arquiteto responsável pelo projeto da Cidade da Música, Christian de Portzamparc, 80 músicos da OSB, sob a regência do maestro Roberto Minczuk, apresentaram na tarde deste sábado (17), um repertório que começou com o Hino Nacional.  Havia aproximadamente 400 espectadores, inclusive operários que trabalham na obra. A surpresa ficou por conta da presença da cantora lírica internacional Kathleen Battle, cantando ‘Over my head I hear music in the air’, propiciando um momento de muita emoção para todos os presentes.  O maestro Roberto Minczuk afirmou que esse concerto foi uma experiência única para a OSB: ‘Vivemos um momento inesquecível’.  A Cidade da Música é a única da América Latina e está entre as mais modernas salas de concerto do mundo inteiro. Cerca de 90% das obras de estrutura do complexo musical já foram realizadas”. Atenção: estrutura.           
8. Por que então não é inaugurada na sua última etapa? Elementar a resposta. Porque uma vez funcionando, cai o baralho de cartas da politicagem e surge o mais importante equipamento da Cidade do Rio de Janeiro. Tremem de medo de inaugurar, pois isso -na cabeça medíocre de alguns- significaria votos para quem decidiu e construiu. Num projeto desses não há votos e sim o relançamento da Cidade do Rio de Janeiro no mundo das artes depois de muitos anos.           
9. A “construção de Brasília” na série JK, da TV Globo, foi filmada na Cidade da Música”.

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:45

Cesar: “Eleição no Rio terá 2º turno”

       Com vem fazendo todos os domingos, ‘O Dia’ publicou, nesse final de semana, mais uma entrevista com um cacique político do Rio. Esse domingo foi o dia de Cesar Maia que concedeu a entrevista a Rozane Monteiro:
“- O senhor tem dito que é hora de renovação no cenário político do Estado do Rio. O que isso quer dizer?
– A política do Rio de Janeiro, a política do estado todo tem alguns personagens: o (governador Sérgio) Cabral (PMDB), o (deputado federal Anthony) Garotinho (PR), eu (DEM) e, agora, o Lindbergh (Farias, senador do PT). São quatro personagens. Então, se você vai atrás da dinâmica do processo político, você vai atrás desses personagens. Só que, no nosso caso, por exemplo, a gente quer renovar o personagem — nós, do DEM. A busca nossa, não apenas no Rio de Janeiro, é a busca de entender que a nossa geração é uma geração que cumpriu o seu papel. Agora, tem que vir outra geração. Estou com 66 anos. Este ano, vou fazer 67. Em 2014, eu vou ter 70. Então, essas coisas a gente tem que entender. A gente não pode imaginar que a curva política seja uma curva de eternidade. O partido precisa buscar renovação. Para o caso do Brasil, isso é fundamental, que é buscar renovação para construir personagens políticos que serão, este ano ou em outro ano qualquer, os novos personagens da política de cada estado.
- Nesse quadro, o próprio prefeito Eduardo Paes, que parece convencido de que vai ser reeleito…
- Não está mais convencido. Não está mais convencido como estava há cinco meses.
- O senhor acha isso ou o senhor sabe que ele não está mais convencido?
- É o que eu sei. A gente faz as mesmas pesquisas que ele faz. Nós temos no Rio uma eleição que inexoravelmente vai para o segundo turno — é uma tradição do Rio, não tem jeito. O eleitor carioca não joga tudo num nome só. As pesquisas que a gente faz mostram que o Eduardo vai ter que disputar para ir para o segundo turno também. Porque ele comete três erros que, na história política do Rio de Janeiro, têm sido fatais: persegue servidores públicos, humilha os pobres — repressão pela repressão e intimidação —, e privatização da Educação e Saúde, que são os servidores que têm contato direto com a população. Ele vai ter que disputar a eleição para ir para o segundo turno. O Garotinho, em entrevista a O DIA (publicada dia 29 de janeiro), lembrou que, na hora que uma pesquisa do Ibope coloca o nome do (senador do PRB, Marcelo) Crivella, ele (Paes) já vem para 36%. Óbvio. Na hora que coloca o nome do (ex-deputado federal do PV Fernando) Gabeira, o meu, ele já vem pra 25%. E porque tanta gente na prefeitura… Tanta gente no entorno dele… Tanta gente que ele telefona, fala e recebe e que me conhece também… Dessa tanta gente, tem lá, uns 10%, sei lá, que me ligam, me mandam e-mail: “Cesar, estive com Eduardo”, “conversei não sei com quem”, “estão preocupados”…
- O filho do senhor, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a filha de Garotinho, a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), estão juntos para enfrentar o prefeito Eduardo Paes. Os três fizeram uma reunião na quarta-feira para falar de eleição. Por que o senhor não foi?
- Por que não fui convidado. Só por isso.
- Foi o Rodrigo que marcou, não foi?
- Não faço a menor ideia. Eu sei que o Rodrigo e o Garotinho são deputados federais. Eles sentam no plenário e ali conversam. Um deputado fala uma bobagem, outro fala uma besteira, outro fala uma coisa interessante… “Olha, presta atenção, olha o que está falando ali”. Estão conversando ali. Então, tem um tipo de conversa, de interação entre os dois, na condição de deputado federal, que dá para eles uma interação natural todos os dias ou uma vez por semana, sei lá quanto. Não é meu caso.
- O senhor tem se reunido com Garotinho?
- Nesses últimos anos, estive com Garotinho duas vezes. Uma vez, foi um almoço na casa do Rodrigo, que foi, sei lá, aí por junho ou maio de 2011, com a Clarissa presente, em que se tratou do quadro geral.
- Foi nesse encontro que, como ele já contou, o senhor prometeu apoio em 2014 se ele vier candidato a governador?
- Não foi bem assim, né? Nesse, nem se tratou disso. Esse foi uma análise conjuntural. Teve um outro, que foi um jantar curto, com Rodrigo, Rogério Lisboa, Garotinho e eu. Fiquei 15 minutos na mesa porque tinha um compromisso num hotel em frente — era uma churrascaria, em Brasília. Eu tinha uma reunião. Ele estava com dúvidas sobre Nova Iguaçu. Foram respondidas. “E 2014?” 2014 é 2014. Agora, eu não tenho nenhum tipo de restrição ou dificuldade de amanhã, conforme as circunstâncias, ser seu vice. Falei assim, né? Ou não. Foi só essa frase que foi dita. Depende da dinâmica. Na entrevista do Garotinho a O DIA, ele tem uma preliminar que é muito importante: 2012 definirá 2014. Então, como nós — ele, eu e a torcida do Flamengo — passaremos por 2012? Como Sérgio Cabral passará por 2012? Sérgio Cabral era um forte eleitor em 2008. É um eleitor que os candidatos não vão querer na televisão. Hoje, Sérgio Cabral não agrega aos candidatos, tira voto.
- Ele atrapalha?
- Atrapalha.
- Por quê?
- Porque a gente testa. Só por isso. A gente faz pesquisa e testa. É uma eleição completamente diferente de 2008 e completamente diferente de 2010. Porque em 2010, o (ex-presidente) Lula era um santo, botava o dedo e elegia ou deselegia. Agora, não é assim. Agora, a presidenta é a Dilma, quem tem caneta. Não são mais 27 estados, são 500 cidades grandes. Então, é um quadro completamente diferente, um quadro competitivo. Agora, como é que a gente sai dessa eleição? Pensa bem, se alguém é candidato a governador vai querer como candidato a vice alguém que agregue ou não desagregue. Se eu fosse candidato a vice de alguém em 2010, eu agregaria? Não. Eu desagregaria? Alguma coisa.
- Por quê?
- Porque eu saí da prefeitura impopular. Só por isso. Então, como é que a gente pode fazer uma previsão de 2014, repetindo o que o Garotinho disse, sem passar por 2012? Fundamental. Aí, eu usaria o nome dele, Matheus. Mateus, 6,34: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta para cada dia o seu mal”. Então, o ‘dia’ de 2012 é o ‘dia’ que você tem que viver. Esse ‘dia’ de 2012 é que vai produzir as consequências para 2014. Imagina o que significa o Garotinho, que é uma pessoa muito popular, com muito voto na área popular, com muito voto na área evangélica — teve 170 mil votos para deputado federal na cidade do Rio de Janeiro… Imagina o que significa ele numa campanha dar uma grande agregação de votação ao Rodrigo e Clarissa. Agora, você imagina o contrário. Imagina eu sendo candidato a vereador — que serei, né? —, eu tendo 300 mil votos. Agora, imagina eu tendo 30 mil votos e sendo eleito. Então, como é que a gente vai tratar de combinações antes de saber quem são aqueles que ajudarão ou não candidatos ou ele mesmo em 2014?
- Garotinho seria um candidato competitivo ao governo do estado em 2014 contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão?
- O Garotinho é um pré-candidato a governador muito forte. Ele é o fantasma do Pezão. Pezão faria de tudo para que essa nossa coligação fosse rompida porque onde o Pezão tem expectativa de voto o Garotinho é campeão de voto. O Pezão, com aquele estilo campônico dele, na capital não vai ganhar nada. Então ele fica naquela ansiedade porque essa dobradinha PR-DEM em 2012 é uma dobradinha que, fortalecendo o PR, nos fortalecendo, debilita o PMDB. O que o PMDB tem hoje no estado? A expressão do PMDB basicamente é ter o prefeito da capital, que é um PMDB de último momento. Você sabe das diferenças que existem entre os dois, governador e prefeito.
- Por exemplo?
- São reiteradas. Sempre. Reclama: “Está gerando desgaste para mim”… “Não fez o que se comprometeu em UPA”… Não sei das quantas… São coisas que vão acontecendo ali e que são ditas em voz alta. E as pessoas imediatamente, ali, no próprio celularzinho que tem ali… (imita alguém passando torpedo por um celular) “Cesar Maia, sabe o que ouvi agora?” Ou então: “Fulano, sabe o que ouvi aqui agora?” E, aí, vem e repercute para cá.
- O senhor está muito bem informado…
- Não estou muito bem informado porque não sei o quanto de informação existe. Eu estou suficientemente bem informado para que a gente possa planejar a campanha de 2012 de maneira que o nosso vetor seja um vetor liderado pelo Rodrigo e um vetor competitivo. É isso que nós estamos trabalhando. O Rodrigo tem uma linha de crescimento que vai ser relativamente rápida, que vai de 7 a 15 pontos. Depois da campanha, vai fazer a projeção da condição de ir para o segundo turno. Eu tenho tido no Rio de Janeiro 20% dos votos. Aqui, votam 3,5 milhões de eleitores. Eu tenho tido 20% disso como média. Em 2010, eu tive isso.
- O Rodrigo também herda a rejeição ao senhor?
- Claro, mas não herda toda.
- Qual a principal diferença entre o senhor e ele?
- Eu sou um político racionalista, de máquina de calcular. O Rodrigo é um político de articulação. Ele aprendeu a dinâmica da conversa, da audiência, da paciência. Ele tem estilo completamente diferente. Esse estilo permite a ele ter agregações que eu não tenho.
- A Clarissa, por ser bonita e carismática, pode ofuscar o Rodrigo?
- Se isso daí significar agregar, ‘tá bom. A Clarissa é o melhor quadro político da geração dela. Se há algum grande mérito da Rosinha e do Garotinho foi ter criado as condições para ter uma política que os supera. A Clarissa supera tanto a Rosinha quanto o Garotinho, sob qualquer ponto de vista. Eu não vou falar que tem o traquejo do Garotinho numa comunicação em rádio. Claro que não, certo? Mas, do ponto de vista político, eles criaram, educaram, abriram espaço para a filha, que, com seu talento, é hoje o quadro mais importante da geração dela. Mas o que significa ofuscar?
- Brilhar mais.
- Quanto mais ela brilhar, melhor para o Rodrigo. Eu perguntava para ele há um ano se não valeria a pena ter um vice do PR, técnico, sem brilho. E ele defendeu enfaticamente que não, que era fundamental ter um vice — que seria Clarissa Garotinho — que tem o talento dela, que tem a visibilidade dela, que tem a luz dela e que, em governo, será uma figura importante. Não apenas em campanha eleitoral, mas também em governo, pelo talento dela, pelo preparo dela, pela disciplina dela. Então, ele está muito bem acompanhado. O Garotinho tem, como eu, elementos de atrito que ela não tem.
- Que elementos de atrito os senhores têm?
- Essa combinação toda, do ponto de vista eleitoral, pode nos custar alguma coisa na Zona Sul, (nos fazer) perder votos. Vê a votação do Garotinho na Zona Sul e vê na Zona Oeste. Alguma razão existe para isso. Você tem uma taxa de rejeição dele na Zona Sul que não é pequena. E, ao contrário, na Zona Oeste, a taxa entre os evangélicos é uma taxa de aprovação grande, de entusiasmo com ele. Só que, na Zona Sul, o que a gente pode perder no início da campanha migra para o (deputado estadual Marcelo) Freixo (PSOL). Por quê? Porque, se a pessoa está marcando a gente e não o Eduardo, na hora que tiver algum motivo para sair, sai para o Freixo, para o (deputado federal) Otávio Leite (PSDB-RJ), não sai para o Eduardo. O problema nosso é só esse. Então, isso daí não nos preocupa porque a campanha vai corrigir algum tipo de potencial de desgaste na Zona Sul que poderia vir dessa combinação PR-DEM. Vamos ter um tempo de televisão muito bom.
- O senhor e o Garotinho têm um encontro marcado para o dia 27, quando estarão juntos em um ato público da coligação. A cena vai causar algum estranhamento porque os senhores já foram adversários?
- São meses com esse processo entrando. Cesar e Garotinho, “caramba, mas eles eram adversários”. No dia 27, não vai ter esse impacto que você imagina. Se nós estivéssemos há sete, oito meses, e tivéssemos dado essa fotografia (juntos em público). Mas nós não demos. De uma forma racional, o encontro foi sendo construído. Você imagina há sete, oito meses, a quantidade de e-mails que eu recebia: “Me explica isso, Cesar Maia”. As pessoas foram tendo respostas, conversando umas com as outras, isso vai acomodando. Por outro lado, você tem uma grande parte da população que acha bom isso.
- Vocês vão juntos fazer campanha nas ruas?
- Eu sou candidato a vereador. Ele está apoiando os candidatos do PR e não a mim, candidato a vereador. Ele vai junto com o Rodrigo e com a Clarissa, que são os candidatos majoritários. Eu sou candidato a vereador. Ele não pode querer que eu tenha mais votos — eu poderei ter — porque eu vou tirar vereador do PR. Então, ele vai ter que fazer campanha na rua para o PR, e a minha campanha de vereador vai ser uma campanha própria.
- Isso foi uma decisão de vocês dois?
- Foi uma decisão do partido, tomada na convenção de julho. A ideia dele é que eu vou ter muito voto. “E se eu não tiver?”, perguntei para ele. “E se eu não tiver e for eleito? A responsabilidade é de vocês. Mas, para que eu tenha voto, eu preciso de tempo de televisão. Então, vocês vão ter que sacrificar tempo de televisão para que eu possa ter essa votação que vocês imaginam. É uma hipótese de vocês. A minha é fazer uma campanha para me eleger vereador e tentar ter a votação que vocês imaginam.”
- Qual é a sua expectativa de votos para se eleger vereador?
- A conta ali no quadro negro foi assim: o Tio Carlos, o Caiadinho (Carlos Caiado) e o Cesar Maia, somados, teriam 250 mil votos. Os demais candidatos nossos a vereador (do DEM), numa chapa com coligação, teriam uns 3 mil votos em média. Isso daria de 8 a 9 vereadores (DEM). Eu e mais sete ou oito, desde que os três — Tio Carlos, Caiadinho e eu — tenhamos 250 mil votos. Essa é a projeção que eles fazem. Acho possível.
- Quais serão suas bandeiras como vereador?
- Eu vou lutar para derrubar as leis que prejudicaram os servidores públicos, derrubar as leis que permitiram a privatização da educação e da saúde, enfrentar a especulação imobiliária e garantir os recursos das Olimpíadas
- O prefeito Eduardo Paes já disse “não perco um minuto da minha vida com nenhum deles”, referindo-se ao senhor e ao Garotinho. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- Ele vai dizer o quê? Se ele é prefeito, se ele é candidato à reeleição, vai dizer que as pesquisas dele dizem que essa eleição é uma eleição difícil e vai para o segundo turno? A resposta dele é uma resposta natural. Não vai encher a bola dos adversários. Mas está sempre ali procurando… Dá uma pancadinha. É aquele negócio: não se joga pedra em fruta podre. Vai fazer um discurso, diz: “Estou fazendo uma coisa que o Cesar Maia não fez…” Para quê? Por que ele não diz que o Conde não fez, por que não diz que o Marcello Alencar não fez? Ele não diz que o Conde não fez, que o Marcello Alencar não fez porque não são atores competitivos no quadro político do Rio de Janeiro hoje. Depois, está cometendo um erro político muito grande. Quantos partidos o estão apoiando? 17? Isso é uma coligação? Isso é um baile de máscaras de Luiz XVI. Ninguém sabe quem é quem. Com máscara, vale tudo. Prejudica. Uma coligação dessa é fácil ser atingida. Mas eles acham que isso tudo gera vitória…
- Há alguma possibilidade de o senhor ser candidato a prefeito este ano?
- Isso não existe. Não há hipótese, não há possibilidade. Quarta vez? Muito bom três vezes prefeito — o prefeito mais longevo da história do Rio de Janeiro. ‘Tá bom. Cumpri com minha função”.

  • Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:21

Garotinho e Maia mostram força

   Do repórter Cassio Bruno, do ‘Globo’:
   “Nova Iguaçu se transformou no fiel da balança para a consolidação da aliança entre o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Sem acordo fechado na cidade da Baixada Fluminense, que possui 547.483 eleitores, Garotinho se encontrará, nesta quarta-feira, com o filho de Cesar, o deputado federal Rodrigo Maia, para tentar resolver o embrólio. Só assim, PR e DEM deverão selar oficialmente a dobradinha entre Rodrigo e a deputada estadual Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, para ambos formarem chapa única e disputarem a Prefeitura do Rio.
O impasse ocorreu porque o DEM quer lançar, em Nova Iguaçu, a pré-candidatura de Rogério Lisboa à prefeitura daquele município. Lisboa, porém, não decolou nas pesquisas de intenção de voto, o que provocou a resistência de Garotinho em torno de seu nome na disputa. Neste caso, o PR lançaria uma candidatura própria, hipótese já descartada por Cesar Maia. Em 2004, Lisboa foi vice na chapa do então candidato Lindbergh Farias (PT), ex-prefeito da cidade e, atualmente, senador.
- Sinceramente, eu só acredito nesta aliança (DEM-PR), quando Cesar Maia e Garotinho fizerem uma foto pública apertando as mãos. Fora isso, eu duvido de tudo – afirmou um dirigente partidário próximo aos dois políticos.
Na tentativa de mostrar força na aliança com o DEM, no entanto, Garotinho anunciou, na terça-feira, a realização de um evento público na Zona Oeste, nesta quinta-feira, com a presença de Rodrigo Maia, que deverá ser a cabeça de chapa, e Clarissa, a vice. O encontro será às 18h no Bangu Atlético Clube.
Na semana passada, Garotinho defendeu Cesar Maia como candidato da coligação a prefeito da capital, como O GLOBO revelou. Maia rejeitou a proposta sob críticas a Garotinho. Segundo o ex-governador, com Cesar Maia, seria a única chance de levar a disputa para o segundo turno contra o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição.
Em seu blog, nesta terça-feira, Garotinho justificou:
- O fato de eu ter defendido a candidatura de Cesar Maia a prefeito, como expliquei no blog, trata-se de uma questão de viabilidade, mas deixei claro que se tratava apenas da minha visão pessoal, mas nunca um empecilho à aliança entre o PR e os Democratas, que está consolidada. Cesar Maia tem posição diferente da minha, mas isso é normal numa composição. A turma da intriga é que parece estar com medo da aliança política do PR com o DEM, no Estado do Rio de Janeiro”.

  • Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 / 10:37

Garotinho quer Cesar candidato

     Deu no ‘Globo’:
      “O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-governador, defendeu ontem, em evento de seu partido, no Rio, a candidatura de Cesar Maia (DEM) a prefeito da cidade nas eleições de outubro, descartando, assim, o atual pré-candidato da aliança, deputado federal Rodrigo Maia (DEM), filho do ex-prefeito.
Segundo Garotinho, com Cesar Maia, as chances de levar a disputa para o segundo turno contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB) serão maiores.
— O candidato mais adequado, nas pesquisas que eu tenho, é o Cesar Maia. O Eduardo Paes quer fazer uma eleição fácil, sem disputa — afirmou Garotinho, lembrando que a filha, a deputada estadual Clarissa, ainda não foi confirmada como vice na chapa. Rodrigo Maia não retornou as ligações”

  • Segunda-feira, 16 Janeiro 2012 / 16:25

Rocinha sofre com crise econômica

     O ex-prefeito Cesar Maia publica hoje trechos de uma reportagem do ‘Extra’ sobre a crise econômica na Rocinha, após a criação da UPP naquela comunidade.
Antes faz algumas considerações.
Eis o texto:
“1. Em várias notas, este Ex-Blog chamou a atenção para que a ocupação definitiva, tipo UPP, sempre que ocorresse em comunidades com alta circulação de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, simultaneamente, essa circulação de dinheiro sujo deveria ser substituída por dinheiro limpo (frentes de trabalho, geração de renda, ampliação de ajuda assistência/bolsas, indução a contratação de moradores em empresas da região, etc.). Citou o exemplo da Colômbia, onde a erradicação de campos de folha de coca só começou a vingar quando pontos desse tipo foram implementados.  
2. Uma dessas notas lembrou o que disse o ex-prefeito Cesar Maia no caso do Jacarezinho, em 2000, em que foi pessoalmente analisar a situação. Nesse caso, a ocupação sem essas preocupações levou a uma oposição geral dos que perderam o emprego ou bico ou faturamento, como camelôs, donos de negócios
(mercado, drogarias, açougues, aluguel de vídeos…) e, finalmente, ao recuo da ocupação. Isso também já havia ocorrido na Rocinha, anos atrás, e a ocupação foi desfeita. No Complexo do Alemão (em 2003 eram 17% da população adulta que trabalhavam no próprio Complexo impulsionados pela circulação de dinheiro) há, hoje, uma certa acomodação com a venda de drogas, de forma espontânea, o que reestabelece parcialmente a autoridade do traficante. No morro de São Carlos a acomodação é geral. Não é solução, como não será fazer o mesmo na Rocinha.     
3. (Matéria de Capa do EXTRA, 12) Rocinha entra em crise econômica. 3.1. Na ocupação, Ana Cláudia, tinha o coração cheio de esperança, como qualquer morador da Rocinha. Dois meses após a ocupação policial, ela tenta se equilibrar: — O faturamento caiu pela metade, e ainda pago mil reais de aluguel. Não pensei que a ocupação afetaria o movimento. Duas manicures deixaram o salão e dispensei uma pessoa que trabalhava na minha casa.  Os dias também são de incerteza para Rosângela Jesus Silva. Dona do Isabella’s Coiffeur, na Via Ápia, principal rua de comércio local, ela acreditava que a freguesia aumentaria após a ocupação. Hoje, chora ao lembrar que há dias em que atende apenas uma pessoa. A média diária era de 30 clientes.  — Aos sábados, fechava à meia-noite. Essa semana, fui embora às 21h. Aos poucos, vejo meu sonho acabar — diz, com lágrimas nos olhos.  Dona do salão há oito anos, ela procura alternativas.— Já pensei em levar a loja para Rio das Pedras. Mas vou procurar um ponto na rua.
3.2. A crise na Rocinha não se restringe a salões de beleza, nem aos exageros do choque de ordem. Parte dos milhões que o tráfico lucrava mensalmente circulava no comércio local. Esse dinheiro evaporou da noite para o dia. Além disso, os moradores passaram a arcar com os custos da legalização, como o da TV a cabo. Vida de Oliveira Neves, ouviu por cinco anos o primo dizer que ela deveria ter um negócio na Rocinha. Há oito meses, ela abriu uma lanchonete na Estrada da Gávea, alugou uma casa na comunidade e se mudou com o marido e os cinco filhos. Na semana passada, voltou para o interior e retomou a atividade como cabeleireira — trabalhando em casa, que é própria. A nova vida que ela esperava ter na Rocinha ficou no passado:  —Meu ponto ficava aberto 24 horas e vendia dois mil salgados no fim de semana. Depois, caiu para 500. Parei para não me endividar.  No domingo, ela entregará as chaves da loja alugada por mil reais.  Outro prestes a entregar as chaves e abandonar o negócio é o cearense Adalberto. À frente de um bar na Travessa Oliveira há dois anos, ele viu os clientes sumirem, as caixas de cerveja se acumularem e o faturamento mensal despencar.  — Eu vendia 30 caixas de cerveja num fim de semana. Agora, elas ficam aí por 15 dias. Além da queda nas vendas, pago R$ 1.500 de aluguel. Pedi ao dono do imóvel para baixar o preço, mas não teve negociação. A saída é entregar as chaves e procurar um emprego — diz ele, que deve voltar a ser garçom.
3.3. Os recentes episódios de assaltos e roubos na comunidade — houve dois assassinatos na semana passada — contribuíram para Adalberto, que mora na Rocinha há 31 anos, desistir do sonho de ser seu próprio patrão: — Fecho mais cedo para evitar prejuízo. Não dá para ficar me arriscando”.

  • Sexta-feira, 06 Janeiro 2012 / 16:11

Cesar Maia e a Cidade da Música

     Com o título “Elite” política do Rio não quer saber de investir em artes”, o ex-prefeito Cesar Maia faz um balanço hoje, em seu blog, da vida cultural no Rio e defende, com rãzao, a Cidade da Música, abandonada há tres anos pelo prefeito Eduardo Paes, sem citá-lo.
Eis o seu texto:
“1. Um dos mais destacados líderes políticos brasileiros no pós-guerra dizia que investir em cultura é buscar desgaste. Afinal – dizia – no mundo artístico, cada cabeça é uma sentença e, dessa forma, se agrada um e se desagrada muitos. E concluía: melhor é fazer shows de música popular e ir em frente.
2. Os exemplos são amplos, em nível federal, estadual e municipal. Certamente não foi uma prioridade do regime militar. Vide as pornochanchadas. Também não foi de nenhum dos presidentes de lá até o dia de hoje. Gastam mais com incentivos tributários, transferindo responsabilidade, do que com investimentos
diretos em cultura.
3. O Rio – que os políticos enchem a boca para dizer: “capital cultural do país” – é um exemplo disso. Basta pensar o que fizeram os governadores nesses anos todos para trás. Nada! A prefeitura do Rio, entre 1993 e 2008, reverteu este quadro, com a rede de teatros, com o centro de coreografia, as lonas culturais, o museu de arte contemporânea, a Cidade do Samba, o Centro de Referência da Música Carioca, a Rio-Filmes, operacionalizada a partir de 1993, o novo desenho do réveillon a partir de 31/12/1994, etc.
4. O atual prefeito, apesar dos inegáveis esforços do segundo secretário de cultura, mantém a linha de esquecer da cultura e lembrar dos eventos. Assim mesmo, nenhum do porte dos Rolling Stones em Copacabana. E com patrocínios desproporcionais e inusitados, como 30 milhões de reais para o sorteio das
eliminatórias europeias para a copa de 2014.  
5. Vereadores dos atuais PC do B e o PSOL, com ajuda de boa parte da imprensa, conseguiram impedir o Rio de ter o mais importante museu de arte contemporânea, em rede de museus, do mundo: o Guggenheim, obstruído na justiça. Depois veio a mais importante escola de design do mundo – o IEDI – inviabilizado na
justiça pelo PV.  
6. E, finalmente, a Cidade da Música, o mais avançado complexo de concerto, ópera e balé do mundo, com a acústica mais sofisticada, suspenso pelo explícito PMDB, com apoio do PT, e mais uma vez com a omissão militante de parte da imprensa.     
7. Uma pesquisa com mala direta e resposta paga da mais importante promotora de eventos no Theatro Municipal, direcionada a 5 mil pessoas-top da Barra da Tijuca, não obteve uma só resposta sobre interesse a eventos no Theatro Municipal e Sala Cecilia Meireles.      
8. Não há cidade global sem ter centralidade cultural. E não há centralidade cultural sem um equipamento de dimensão e qualidade internacionais. Gastar 1 bilhão de reais num estádio de futebol só recebe aplausos de muitos ou omissão de parte da imprensa. Gastar 3 bilhões de reais num túnel, após derrubar um viaduto, gera perplexidade de muitos e…, omissão de parte da imprensa.
9. Mas investir 500 milhões de reais em 2006 a 2008 no mais sofisticado complexo de Música e Dança – Ópera, Balé e Concerto – duas salas adicionais para música de câmara e acústica, Escola de Música com 12 salas acústicas, shopping cultural e parque público de atração, com todos os equipamentos de gravação de eventos…, aí sim, isso gera reação. Essa reação é produto da inexistência de platéia e demanda para tal.    
10. Nos últimos 10 dias de 2011, o Lincoln Center recebeu, nas suas 3 salas, 70 mil pessoas. A Cidade da Música tem a função adicional de construir platéia para que o Rio, revitalizado, não seja apenas um desfile de belos corpos, mas também de belas mentes”.

  • Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:44

PMDB tenta atrair o DEM

    Das repórteres Catia Seabra e Maria Clara Cabral, da ‘Folha’:
    “Sob o comando do vice-presidente Michel Temer, o PMDB -maior aliado do PT na coalizão governista- tenta atrair o oposicionista DEM para dobradinhas nas eleições municipais de outubro, ação que se bem-sucedida pode gerar uma futura fusão.
Apesar de não atuar diretamente, o Planalto vê com bons olhos a movimentação. Além de ampliar sua base de apoio no Congresso, ela também abafaria algumas das principais vozes críticas à gestão de Dilma Rousseff.
O próprio Temer participa da costura das alianças municipais, especialmente dedicado à viabilização da candidatura do deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo.
Depois de encontros com integrantes do comando nacional do DEM, como o presidente nacional, José Agripino (RN), e o líder da bancada na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), Temer convidou no último dia 21 o presidente estadual da sigla, Jorge Tadeu Mudalen (SP), para uma conversa sobre a eleição na capital.
Até então resistente a um acordo, Mudalen deixou o Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente) aberto a um acordo.
“Vejo com simpatia essa conversa com o PMDB”, disse Mudalen, que, dois dias antes, jantara com o ministro peemedebista Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos).
Temer e Moreira não são os únicos do PMDB a flertar com o DEM. Também no mês passado, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, recebeu o secretário-geral do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
Na conversa, os dois se comprometeram a fazer um levantamento das cidades gaúchas onde há compatibilidade entre os dois partidos. Mendes propôs objetivamente uma fusão. “O PMDB e o DEM precisam olhar para o Brasil com uma expectativa clara do que pode fazer uma aproximação cada vez maior entre os dois partidos: a eleição municipal como prévia de 2014.”
Lorenzoni admite uma afinidade com o PMDB do Rio Grande do Sul. Mas diz que uma fusão não será necessária porque, apesar de debilitado com a criação do PSD, o “DEM dará a volta por cima” para 2014.
DEM e PMDB ensaiam também aproximação na Bahia e no Rio Grande do Norte, entre outros Estados. “No Maranhão, o DEM e o PMDB sempre caminharam juntos”, disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA).
A articulação preocupa a cúpula do PSDB. Preocupado com o risco de isolamento na oposição, o comando do partido pediu que seus governadores ampliem as negociações com o partido.
Segundo tucanos, o DEM já avisou que, caso constate que não é capaz de eleger 30 deputados federais nas próximas eleições (em 2010, elegeu 43, mas hoje só possui 27), terá que optar por uma fusão. Só não sabe se com o PMDB ou o PSDB”.
                               * * *
No Rio, o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, saiu na frente, ao procurar o deputado Anthony Garotinho e propor um acordo para as prefeituras da Capital e do interior do Rio de Janeiro.
Garotinho, hoje no PR, tem enorme influencia no PMDB no interior do Estado.
Para a Capital, está praticamente certo o lançamento de Rodrigo Maia para a Prefeitura, tendo como vice Clarisse Garotinho.
                               * * *
Quem achar isso exdrúxulo, mire-se no exemplo da Bahia citado pela reportagem da ‘Folha’.
Alguém já imaginou Geddel Vieira Lima de mãos dadas com os herdeiros políticos de Antonio Carlos Magalhães?
O velho senador deve estar esmurrando seu túmulo…

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