• Domingo, 05 Fevereiro 2012 / 13:00

A crise no PMDB do Rio

    Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
    “A grave crise com o PT, no Rio, estremeceu o PMDB fluminense.
O partido é palco de uma queda de braço entre o governador Sérgio Cabral e o presidente regional do PMDB, Jorge Picciani. Disposto a afastar a qualquer custo os petistas da aliança no estado, Picciani tentou emplacar o filho Leonardo, deputado federal, como vice na chapa do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), que disputará a reeleição em outubro. O posto, por enquanto, é do vereador do PT, Adilson Pires.
Picciani defende a candidatura de Paes para o governo do estado em 2014. Assim, se reeleito, o prefeito teria de renunciar ao cargo na metade do segundo mandato, abrindo espaço para Leonardo. Aliado da presidente petista, Dilma Rousseff, Cabral quer lançar seu vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), como candidato ao governo. Picciani está sem mandato. Ex-presidente da Assembleia Legislativa, ele foi derrotado nas eleições de 2010 para o Senado.
— Picciani perdeu poder.
Ele e o Cabral se encontram sempre, almoçam, mas, na prática, tem cotoveladas — conta um peemedebista.
As “cotoveladas” estão ocorrendo nos principais colégios eleitorais do estado. Os dois travam uma batalha ao apoiarem candidatos diferentes a prefeito em cidades com Niterói, São Gonçalo, Macaé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Itaboraí.
Em Niterói, Picciani fará campanha para o atual prefeito, Jorge Roberto Silveira (PDT). Cabral, por sua vez, prefere caminhar com seus secretários Rodrigo Neves (Assistência Social) ou Sérgio Zveiter (Trabalho e Renda). Picciani já chamou Neves de “puxa-saco”.
Em Caxias, Picciani quer eleger Washington Reis (PMDB), e o governador sinaliza para Alexandre Cardoso (PSB), secretário estadual de Ciência e Tecnologia.
Em Nova Iguaçu, o presidente do partido apoia o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) à prefeitura.
Cabral não gosta de Bornier.
Em 2006, o parlamentar pediu votos para Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência e , em 2010, para o também tucano José Serra.
O governador — que ficou ao lado de Lula e Dilma nas duas campanhas, respectivamente —, ensaiou apoio a Vicente Loureiro, subsecretário estadual de Projetos de Urbanismo. Loureiro foi secretário no município justamente na gestão de Bornier.
O ápice do embate aconteceu com as recentes declarações de Picciani. O presidente regional do PMDB disse que Cabral poderia renunciar ao mandato em 2014 para disputar novamente o Senado. Com isso, abriria brecha para que o filho, Marco Antônio, fosse candidato a deputado federal, e Pezão, ao governo do estado.
Cabral ficou irritadíssimo.
Diante da crise, o PT recorreu ao diretório nacional. Os petistas devem apoiar o PMDB em pelo menos 20 cidades. O partido de Cabral e Picciani selou acordo para caminhar com os petistas em apenas quatro municípios.
Procurado pelo GLOBO, Picciani preferiu o silêncio. Cabral, em nota, evitou polemizar: — O presidente Picciani é amigo e companheiro”.
                             * * *
Na queda de braço com Cabral, Picciani levará a melhor.

  • Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:21

Garotinho e Maia mostram força

   Do repórter Cassio Bruno, do ‘Globo’:
   “Nova Iguaçu se transformou no fiel da balança para a consolidação da aliança entre o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Sem acordo fechado na cidade da Baixada Fluminense, que possui 547.483 eleitores, Garotinho se encontrará, nesta quarta-feira, com o filho de Cesar, o deputado federal Rodrigo Maia, para tentar resolver o embrólio. Só assim, PR e DEM deverão selar oficialmente a dobradinha entre Rodrigo e a deputada estadual Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, para ambos formarem chapa única e disputarem a Prefeitura do Rio.
O impasse ocorreu porque o DEM quer lançar, em Nova Iguaçu, a pré-candidatura de Rogério Lisboa à prefeitura daquele município. Lisboa, porém, não decolou nas pesquisas de intenção de voto, o que provocou a resistência de Garotinho em torno de seu nome na disputa. Neste caso, o PR lançaria uma candidatura própria, hipótese já descartada por Cesar Maia. Em 2004, Lisboa foi vice na chapa do então candidato Lindbergh Farias (PT), ex-prefeito da cidade e, atualmente, senador.
- Sinceramente, eu só acredito nesta aliança (DEM-PR), quando Cesar Maia e Garotinho fizerem uma foto pública apertando as mãos. Fora isso, eu duvido de tudo – afirmou um dirigente partidário próximo aos dois políticos.
Na tentativa de mostrar força na aliança com o DEM, no entanto, Garotinho anunciou, na terça-feira, a realização de um evento público na Zona Oeste, nesta quinta-feira, com a presença de Rodrigo Maia, que deverá ser a cabeça de chapa, e Clarissa, a vice. O encontro será às 18h no Bangu Atlético Clube.
Na semana passada, Garotinho defendeu Cesar Maia como candidato da coligação a prefeito da capital, como O GLOBO revelou. Maia rejeitou a proposta sob críticas a Garotinho. Segundo o ex-governador, com Cesar Maia, seria a única chance de levar a disputa para o segundo turno contra o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição.
Em seu blog, nesta terça-feira, Garotinho justificou:
- O fato de eu ter defendido a candidatura de Cesar Maia a prefeito, como expliquei no blog, trata-se de uma questão de viabilidade, mas deixei claro que se tratava apenas da minha visão pessoal, mas nunca um empecilho à aliança entre o PR e os Democratas, que está consolidada. Cesar Maia tem posição diferente da minha, mas isso é normal numa composição. A turma da intriga é que parece estar com medo da aliança política do PR com o DEM, no Estado do Rio de Janeiro”.

  • Domingo, 08 Agosto 2010 / 7:46

Cabral: campanha rica e confortável

    Dos repórteres Cássio Bruno, Natanael Damasceno e Maiá Menezes, de ‘O Globo’:
“Quinta-feira, dia 5, meio-dia e meia. O helicóptero alugado pelo governador Sérgio Cabral pousa no pátio de uma grande rede de supermercados em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
De lá, o candidato à reeleição pelo PMDB segue em comboio numa van, escoltado por seguranças em dois carros de luxo e por batedores da PM.
Participará de uma visita ao Hospital da Mulher Heloneida Studart. A rotina de Cabral é o retrato da milionária estrutura que vem sendo usada por ele em compromissos de campanha.
Mas não é apenas nas ruas que o forte aparato do governador chama a atenção. Em um mês, Cabral gastou pouco mais de R$ 4 milhões dos R$ 4,69 milhões arrecadados, segundo prestação de contas parcial ao Tribunal Superior Eleitoral.
O dinheiro foi usado principalmente na produção dos programas de rádio, TV e vídeo, e na contratação de profissionais de comunicação e da área administrativa, transporte e publicidade.
Segundo o relatório, a campanha gastou até agora, apenas com pessoal, R$ 983 mil.
Com a produção audiovisual, o valor foi de R$ 1,5 milhão. Já em material de publicidade como faixas e panfletos , o custo chegou a R$ 1 milhão. Até outubro, a estimativa de Cabral é que sejam gastos R$ 25 milhões.
Perguntas sobre a estrutura da campanha, que incluíram um pedido de detalhamento sobre os gastos e números de prestadores de serviço, não foram respondidas pela assessoria do governador. A única resposta a 20 questões detalhadas enviadas aos assessores foi que todas as informações foram fornecidas, como determina a lei, à Justiça Eleitoral.
Cabral conta com cerca de dois mil cabos eleitorais. Dependendo do evento, há grupos com até 45 pessoas. Cada um recebe cerca de R$ 1.200 por mês para carregar bandeiras e distribuir propaganda. Além disso, tem cerca de 30 carros de passeio e 20 vans.
O comitê funciona em uma antiga agência de automóveis na Avenida Ayrton Senna 5.250, na Barra da Tijuca. O imóvel foi alugado no período de julho a outubro por R$ 70 mil. No local, onde funciona a logística e o armazenamento do material de campanha, circulam até 140 pessoas diariamente. A entrada no comitê é restrita, sem o acesso da imprensa.
É uma estrutura parecida com a campanha de 2006 diz Régis Fitchner, coordenador do plano de governo de Cabral. Os números não são oficiais, mas estima-se que 200 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, são responsáveis pela divulgação da imagem de Cabral. No Polo de Cinema e Vídeo, também na Barra, onde são feitas as gravações, há cerca de 400 empregados.
- Os cidadãos do Estado do Rio sabem que uma campanha eleitoral, ainda mais uma campanha para o governo, necessita de estrutura de comunicação. Ninguém faz campanha sem meios de comunicação, seja TV, rádio ou visual – disse Cabral na semana passada, ao justificar os gastos.
A bordo do helicóptero alugado da Plajap Táxi Aéreo, prefixo PP-LAS, Cabral transporta seguranças, assessores e aliados, como os candidatos ao Senado Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB). Nessa empresa, o custo da aeronave, por cada hora, é de R$ 7 mil. Em terra, Cabral anda em carros luxuosos, como o Chevrolet Captiva, que custa R$ 87.425. Também está à disposição do governador, nas carreatas, a picape Mitsubishi L200 Triton 3.2 D, avaliada em R$ 112 mil. Além disso, batedores da PM, em motos, abrem caminho entre os carros e facilitam a vida do candidato.
- Não pode dispensar a segurança. Mas tudo deverá ser apresentado na prestação de contas e ressarcido pelo partido na forma da lei eleitoral – diz a procuradora Silvana Batini, do Ministério Público Eleitoral.
Cabral não revela a origem do dinheiro que mantém a estrutura da campanha. Afirma que a lei eleitoral só obriga este tipo de prestação no fim do pleito. Em 2006, quando Cabral foi eleito governador, foram gastos, em quatro meses de campanha, R$ 9,74 milhões arrecadados entre 55 doadores.
Entre eles, empresas que mantinham relação com a administração do estado. As duas empreiteiras que mais doaram ao governador eleito foram a OAS Construtora (R$ 800 mil) e a Carioca Engenharia (R$ 700 mil).
Das duas, pelo menos uma, a OAS, prestou serviços ao governo do estado no último ano, segundo dados do Siafen.

CLAQUE RECRUTADA COM ANTECEDENCIA

      Do repórter Marcelo Remígio, de ‘O Globo’:
“A estrutura robusta da campanha de Sérgio Cabral também se reflete na organização dos eventos.
Cada agenda tem um coordenador, de acordo com a região, com a função de recrutar e organizar o trabalho dos cabos eleitorais. Cabe a ele providenciar o material recomendado pelos marqueteiros de Cabral. As agendas são divulgadas, via email, com antecedência para os aliados e coordenadores. A estrutura de comunicação obedece à mesma lógica: por regiões.
Na planilha repassada por correio eletrônico aos aliados constam dados como descrição do evento e informações complementares, onde são indicados nome e telefone da coordenação local. Para a participação de Cabral no debate dos candidatos a governador no próximo dia 12, na TV Bandeirantes, a planilha repassada no dia 3 cobra do coordenador do evento um corredor de cabos eleitorais com bandeiras e um cri-cri animador de campanha que grita o nome do candidato. A equipe deve recepcionar o governador na Rua Álvaro Ramos.
Também são usados nos eventos de Cabral bandeirolas, carrinhos de som, cartazes, adesivos e jornais de campanha. O pagamento dos cabos eleitorais é feito sem atrasos e os salários superam R$ 1 mil mensais. O valor inflacionou o mercado eleitoral fluminense, rendendo críticas dos adversários. Eles esperavam pagar entre R$ 500 e R$ 600 por mês. Candidatos afirmam que apenas com mandato conseguem financiadores de campanha.
Sem a ligação com a máquina do estado, nada conseguem.
Para quem ocupa um lugar de destaque na lista de aliados, a campanha de Sérgio Cabral garante transporte e o combustível para carros de apoio. Além de santinhos, são distribuídas, em média, mil placas para quem tem bom poderio eleitoral.
Quem não possui grandes chances de vitória leva a metade.
Cabral tem cumprido acordos de infraestrutura de campanha com os aliados, sobretudo os de partidos pequenos. Cada legenda ganhou espaço no comitê central da campanha, na Barra da Tijuca, onde são disponibilizados telefones e internet. Mas a bondade é acompanhada de um forte monitoramento. Falar da campanha de Cabral, tecer elogios ou críticas, só fora do QG. A equipe de Cabral ainda arrecada recursos para as legendas, que devem prestar contas”.

  • Quinta-feira, 05 Agosto 2010 / 10:20

Cabral esconde seus doadores

Dos repórteres Cassio Bruno e Rafael Galdo:
   “Candidato à reeleição, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse ontem, ao justificar os R$ 4,7 milhões arrecadados no primeiro mês de campanha, que a população do Rio sabe quanto custa a disputa eleitoral. Ele se recusou, porém, a revelar os nomes dos doadores. O valor é 47 vezes maior do que declarado pelo adversário Fernando Gabeira (PV): R$ 100 mil. O verde considerou um absurdo a quantia arrecadada e gasta por Cabral e cobrou a divulgação da lista de doares.
- Acho um absurdo, num país como o nosso, gastar R$ 4,7 milhões numa pré-campanha só no Rio, um estado com 92 municípios.
Ele gastou mais do que os candidatos José Serra e Marina Silva (que disputam a Presidência e viajam pelo país todo).
O que mostra que o Rio, do ponto de vista da política, vive uma riqueza extraordinária, em contrapartida com o estado da nossa população – disse Gabeira.
Cabral argumentou que os recursos são para cobrir despesas de sua estrutura de campanha, que é enorme em comparação com a do verde: – Os cidadãos sabem que uma campanha eleitoral, ainda mais para o governo do estado, necessita de estrutura de comunicação, como televisão, rádio ou visual. Evidentemente que isso reflete também no desempenho do candidato numa série de questões. Nossa estrutura de campanha demandou essa captação de recursos. Vamos fazer tudo dentro da lei – disse ele, que se recusou a divulgar a lista dos doadores alegando que a lei não o obriga a isso agora.
Cabral, que estima gastar R$ 25 milhões até outubro, ressaltou que só revelará a origem do dinheiro no prazo fixado pela lei eleitoral. A prestação de contas ocorre em 2 de novembro e, em caso de segundo turno, no dia 30 do mesmo mês. A primeira parcial de Cabral é maior do que o arrecadado por Serra (PSDB), com R$ 3,6 milhões, e Marina (PV), R$ 4,65 milhões. Perguntado se considera os R$ 4,7 milhões um valor elevado, ele atacou Gabeira:
- É bastante relativo quando se avalia. O candidato adversário, por exemplo, está dizendo que está atrás do dinheiro do PSDB. Isso está nos jornais de hoje (ontem).
Um indicador da diferença entre a campanha de Gabeira e Cabral ficou claro na visita do verde ontem ao bairro Jardim Catarina, com 250 mil habitantes, em São Gonçalo. Ele andou por ruas sem placas de sua candidatura, mas com dezenas de Cabral e dos aliados do governador.
- As placas não dão voto. O que dá voto é o olho no olho disse Gabeira, que também criticou Cabral ao dizer que moradores do Jardim Catarina denunciaram obras eleitoreiras feitas por estado e governo federal, com verbas do PAC.
Mas o verde afirmou sentir falta de mais recursos, que, segundo ele, poderiam ser usados em seu programa de TV. Ele confirmou que esperava ajuda não concretizada do PSDB:
- Mas compreendemos que as circunstâncias políticas são muito dinâmicas, e que todos tiveram dificuldades de arrecadação, exceto o Cabral, é claro.
A campanha de Marina Silva vai contribuir com recursos para Gabeira. O valor será definido hoje.
- Nós vamos ajudar. A campanha do Gabeira é importantíssima afirmou, ontem, João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina.
Gabeira participou de uma atividade de campanha de Serra, em São Paulo, na terça-feira, mas Capobianco negou que a decisão de repassar recursos tenha relação com o episódio. Já Marina afirmou que a participação de Gabeira numa atividade de Serra é natural”.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 10:07

Cabral promete 50 escolas; fez 4

   Cabral é campeão.
Campeão da lorota.
Isso é o que se depreende da reportagem ‘Cabral promete 50 novas escolas, mas fez 4′, assinada pelos repórteres Cassio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’.
Segundo o governador, em seu primeiro mandato ele investiu na recuperação das escolas existentes. Vale a pena dar uma olhada no ‘Retrato do governo Cabral’, cinco post abaixo deste, onde um vídeo da TV UOL mostra o abandono do CIEP Antonio Candeia Filho, em Irajá, assaltado sete vezes em quatro meses, segundo a Bandnews, ou oito vezes em dois meses segundo o G1.

Mas vamos a reportagem de ‘O Globo’:
“Nas propagandas de campanha distribuídas nas ruas por cabos eleitorais, o governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, promete, caso seja reeleito, construir 50 novas escolas estaduais só na Região Metropolitana.
Segundo a proposta, seria erguida, em média, uma unidade a cada mês até o fim de 2014. A publicidade, no entanto, não informa sobre os custos das obras nem como o governo estadual pretende tirar o projeto do papel. Nos últimos quatro anos, Cabral construiu quatro colégios em todo o estado um por ano.
Em entrevista após almoço realizado ontem pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), no Copacabana Palace, Cabral argumentou:
- No primeiro mandato, a prioridade foi a recuperação dos prédios escolares. Se nós não fizéssemos isso, seria um desrespeito com a grande rede já existente. Avançamos muito nesses quatro anos, oferecendo a climatização (nas salas), melhorando quadras esportivas. E, ao mesmo tempo, fizemos novos colégios.
Para o segundo mandato, se pegarmos os recursos que aplicamos (nas reformas), dá para fazer até muito mais do que 50 escolas.
O anúncio das novas escolas está incluída em um caderno de 16 páginas, com tiragem de 20 mil exemplares. A publicação, que apresenta um balanço das realizações do governo Cabral nas áreas de educação, segurança, saúde, infraestrutura e esportes, entre outros, também é distribuída nas agendas de campanha do governador.
Perguntado sobre quanto seria necessário investir para conseguir construir todas as 50 escolas prometidas, Cabral afirmou:
- Isso não é problema. Se fizer um cálculo, em cada colégio, gastaríamos R$ 5 milhões. Com 50, teríamos gasto de R$ 250 milhões, que, em quatro anos, se diluem disse ele.
Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), porém, disse que a aplicação da verba pode não ter resultado se o governo não atacar o problema do déficit de professores, que preocupa o setor desde o início da gestão de Cabral.
- Construir escolas é uma medida muito bem-vinda. É preciso construir prédios, porque hoje muitas turmas do ensino médio funcionam à noite e em prédios da prefeitura. Mas o problema é a política de sustentação disso. Há um grande déficit de professores que foi mantido nesses quatro anos de governo. Hoje há um déficit de cerca de 18 mil professores criticou Maria Beatriz.
Apesar de a Secretaria Estadual de Educação afirmar que realizou concurso público, contratando 30 mil novos professores, a coordenadora do Sepe disse que a medida tornouse inócua por causa dos baixos salários:
- Não adianta chamar concursados se não houver aumento de salários. Um piso de R$ 700 para uma pessoa com nível superior é muito pouco. O professor entra e sai logo em busca de um emprego melhor. Então, não adianta fazer este tipo de proposta sem discutir aumento de salários. Construir escolas é o tipo de medida que aparece, pois há festa de inauguração. Mas que, sozinha, não funciona.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que já foram investidos R$ 500 milhões na reforma de 270 escolas. O folheto de campanha diz que Cabral reformou 909 colégios, e que a maior parte ganhou aparelhos de ar-condicionado.
Atualmente, existem 75 mil professores na rede estadual em 1.487 unidades, de acordo com o governo”.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:36

UPAs do Rio estão falidas

Dos repórteres Cassio Bruno e Carolina Benevides, de ‘O Globo’:
“A placa com o aviso no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, seria a esperança de pacientes de receber tratamento digno na rede pública de Saúde administrada pelo governo do estado. Além de conviver com a superlotação e com a falta de infraestrutura, a população sofre com a precariedade das Unidades de Pronto Atendimento as UPAs 24 horas, modelo já adotado pelo governo federal. O projeto, criado para desafogar as emergências, não tem médicos suficientes, e doentes chegam a esperar seis horas por uma consulta.
Os problemas não são menores nos hospitais.
Atualmente, o déficit é de 233 médicos, segundo a Secretaria estadual de Saúde. Resultado: não é difícil encontrar pacientes em macas e pelos corredores. Faltam anestesistas, neurologistas, cardiologistas e pediatras.
Uma auditoria do Ministério da Saúde mostrou que o Estado do Rio não cumpriu a legislação que prevê a destinação de 12% da arrecadação e de transferências federais para a Saúde. Proporcionalmente, o Rio teve o menor repasse do país em 2006 (2,76%) e, em 2007, ficou em antepenúltimo (6,06%). Em 2006 e 2007, o Denasus verificou que o governo do Rio deixou de investir R$ 2 bilhões na Saúde. A Secretaria de Saúde contesta e afirma que o Tribunal de Contas do Estado aprovou os gastos.
As UPAs, uma das principais bandeiras do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, atendem de oito mil a nove mil pessoas por dia. O Rio tem 35 UPAs sendo 15 de responsabilidade da prefeitura, mas todas sob supervisão do estado. Na UPA de Ricardo de Albuquerque, há duas semanas, com um clínico geral, os funcionários dispensavam quem procurava o local. Em Caxias, a demora no atendimento fez com que o auxiliar de carregamento Leonardo Gastaldi, de 20 anos, discutisse com funcionários. A namorada dele, com fortes dores no corpo, esperou seis horas: – Cheguei às 10h e pediram para aguardar. O segurança quis saber por que eu reclamava e discutimos. O atendimento é péssimo.
Para Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, as UPAs padecem do mal de toda rede de saúde do estado: Não há médico suficiente. O paciente não sai com a consulta marcada, o que contribui para que as emergências continuem lotadas.
Vistorias realizadas este ano pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) revelaram que no Getúlio Vargas, na Penha, o déficit é de 40 médicos. No Albert Schweitzer, em Realengo, a UTI neonatal funciona com apenas 50% por falta de médicos.
Coordenador das UPAs, o major Jorge André admite os problemas, mas culpa os médicos: Temos 603 médicos em 20 UPAs. A falha é do médico que não vai ao serviço.
Sobre os hospitais da rede, Carlos Eduardo de Andrade Coelho, superintendente de Unidades Próprias da Secretaria Estadual de Saúde, diz que problemas existem: Temos dificuldades nas internações, principalmente nas UTIs. Estamos fazendo estudos para conseguir leitos em unidades particulares.
E nosso principal obstáculo é ocupar essas ausências em hospitais na Zona Oeste porque os médicos não querem trabalhar na região por causa da distância do Centro do Rio”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Cabral comanda ato pró-Dilma

Dos repórteres Cássio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Acompanhada de dois ministros Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho), a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, reuniu-se ontem com 86 dos 92 prefeitos do Estado do Rio, incluindo os de oposição, como DEM e PSDB. No discurso, a petista prometeu compromisso e continuidade, mesmo admitindo ser inexperiente em disputas eleitorais. Dilma também criticou adversários, dizendo que o Brasil estava de joelhos diante dos credores no governo Fernando Henrique.
O almoço foi numa churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para 400 convidados, entre prefeitos, deputados e vereadores. A maioria usou carros oficiais. A festa, que custou pelo menos R$ 24 mil, foi paga por PT e PMDB, e funcionou como demonstração de força política do governador Sérgio Cabral, pré-candidato à reeleição pelo PMDB. A imprensa não pôde acompanhar.
- Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião disse Dilma.
A petista não quis falar sobre as negociações de apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao governo e adversário de Cabral. E afirmou:
- De fato nunca disputei uma eleição. Mas tenho longa trajetória de serviço ao Brasil. Comecei minha vida pública como secretária de Fazenda de Porto Alegre. Conheço os dramas e tragédias da falta de recursos.
Dilma ressaltou que as prefeituras foram estratégicas durante o governo Lula nas parcerias com os estados em obras de infraestrutura.
Ao falar sobre investimentos, a petista fez duras críticas ao governo FH:
- O Brasil não é mais aquele país de joelhos diante dos credores internacionais. Pagamos a dívida com o FMI, e, hoje, o Brasil é credor. Todas as vezes que falarem que o governo Lula só deu continuidade ao governo anterior, é mentira. No governo anterior, o Brasil precisava pedir licença ao FMI para aumentar o salário mínimo. Hoje, aumentamos porque queremos.
Não compareceram ao evento os prefeitos Rosinha Garotinho (Campos), do PMDB; José Camilo Zito (Duque de Caxias), do PSDB; Jorge Roberto Silveira (Niterói), do PDT; Heródoto Bento de Mello (Nova Friburgo), do PSC; Luiz Carlos Fernandes Fratani (São Fidélis), do PMDB; e Jorge Serfiotis (Porto Real), do DEM”.
                                                         * * *
1. Nenhuma linha sobre a ilegalidade do ato político, com a presença do governador-candidato durante horário do expediente.
2. A manchete da página 9 é a seguinte: ‘Cabral leva prefeitos até Dilma, em almoço fechado’. Se foi fechado, como os repórteres de ‘O Globo’ tiveram acesso? Foi fechado pra quem? Lá está a foto de Dilma discursando e o texto do jornal reproduz trechos do discurso da candidata.
3. Cabral disse que o povo do Rio é grato a ministra, mas ela também falou de sua gratidão: “Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião”.

 

Cabral: ”Lula escolheu Dilma pois quer o melhor para o povo” 
 

Essa é a versão da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’ para o mesmo ato:
“Em evento numa churrascaria da Baixada Fluminense, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, atraiu gregos e troianos. Organizado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato ao Senado Lindberg Farias (PT), a reunião com prefeitos do Rio teve a participação de governantes dos partidos da aliança PMDB-PT, mas também da oposição, como DEM, PSDB e PP.
Dos 92 prefeitos do Rio, 86 compareceram ao evento que teoricamente era de agradecimento ao governo Lula e à Dilma, chamada de mãe do PAC, pelos investimentos no Estado. Do DEM havia pelo menos três governantes, José Rechuan Júnior, de Resende, José Luiz Mandiocão, de Rio Bonito, e Adilson Faracao, de São José do Vale do Rio Preto. Do PSDB, pelo menos dois: Darci dos Anjos Lopes, de Seropédica, e Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor.
Outro partido que ainda não faz parte da coligação nem do candidato pelo PSDB à presidência da República, José Serra, nem de Dilma, mas também mandou muitos representantes foi o PP do senador Francisco Dornelles. Pelo menos oito deles compareceram ao evento: Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, Guga de Paula, de Cantagalo, Sérgio Soares, de Itaboraí, Carlos Pereira, de Tanguá, Gilson Siqueira, de Cardoso Moreira, Luis Carlos Ypê, de Itatiaia, Antonio Jogaib, de Porciúncula, e Roberto de Almeida, de Miguel Pereira.
Segundo o Lindberg Farias, o próprio Dornelles prometera se empenhar para que os prefeitos do interior fossem ao evento. Apesar da presença oposição e da tentativa de agradecimento, o almoço parecia mais uma festa de apoio à candidata Dilma Rousseff. Cerca de 400 pessoas se amontoavam na churrascaria a ponto de alguns dos prefeitos, como o de Búzios, Mirinho Braga (PDT), e de Itaboraí, Sérgio Soares (PP), saírem antes dos discursos. A principal reclamação era de que havia gente demais e o acordo era que apenas prefeitos compareceriam.
Do lado de fora, foi possível ouvir, pelo menos por três vezes, os gritos “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Em seu discurso, o governador Sérgio Cabral disse que o Brasil nunca teve o que tem hoje e que o Rio saiu de uma situação crítica com parceria do governo federal. No fim, afirmou “Lula escolheu Dilma porque quer o melhor para o povo brasileiro”.
A candidata retribuiu e dizendo que o Rio é um exemplo com suas UPAs e UPPs. E para agradar a platéia, lembrou que começou sua vida como secretária de Fazenda de Porto Alegre e que sabe como é gerenciar um município sem verba, porque, segundo ela, em 1989, não havia dinheiro disponível para os municípios.
Dilma ainda lembrou das críticas do PSDB. “Quando eles falarem que conseguimos tudo o que fizemos porque somos continuidade do governo deles, é mentira. O Brasil estava de joelhos para o FMI, tinha que pedir permissão para aumentar o salário-mínimo, para aplicar em saneamento. E se tivesse um sopro de crise, quebrava”.
Depois do evento a ministra foi para Porto Alegre. Da última vez que esteve no Rio, Dilma se encontrou com o candidato a governador, Anthony Garotinho, do PR, opositor a Cabral. Desta vez, o encontro não foi cogitado porque, segundo Garotinho publicou ontem em seu blog, o PR e o PT ainda não resolveram questões sobre o palanque duplo da ex-ministra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Gabeira: escolha a sua versão

 Da ‘Folha’:
“No dia em que foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) virou alvo de críticas de aliados por declarar apoio a José Serra (PSDB) num eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).
Ele disse ao Blog do Noblat que votaria no tucano após apoiar Marina Silva (PV) no primeiro turno. A declaração gerou incômodo entre aliados da senadora. O ex-deputado Luciano Zica classificou a fala como “lamentável”.
“Foi uma declaração infeliz. Causa estranheza, porque Gabeira é um cara experiente. Não temos o direito de escorregar agora”, disse à Folha. “Não perguntamos ao Gabeira quem ele vai apoiar no segundo turno do Rio. E se a disputa for entre Serra e Marina, ele também vota no Serra?”, provocou Zica.
Obrigado a se explicar, Gabeira disse ter respondido a uma pergunta “bem específica”: “Faz parte de um acordo meu com ele [Serra]. Eles [PSDB] me apoiam aqui no Rio, e eu apoio a candidatura da Marina. Caso haja um segundo turno em que ela não esteja presente, eu o apoio”.
O presidente do PV, José Luiz Penna, tentou contemporizar: “Estamos trabalhando para vencer. Temos que ser generosos com quem escorrega nas cascas de banana”.
Segundo Gabeira, Marina e Serra participarão de seu programa de TV. “Vou fazer a campanha da Marina. Eventualmente posso me encontrar com o Serra, dependendo das circunstâncias”, disse.
A chapa ao governo do Rio foi confirmada ontem, em aliança com PSDB, DEM e PPS. O ex-deputado tucano Márcio Fortes, tesoureiro de Serra na eleição de 2002, deve ser o vice.
O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) tentará ao Senado, e a outra vaga deve ser de Marcelo Cerqueira, do PPS. O PV ainda tenta emplacar a vereadora Aspásia Camargo”.

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De Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“Após seis meses de impasse, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) confirmou ontem sua candidatura ao governo do Estado do Rio e oficializou a aliança com PSDB, DEM e PPS. O acordo, sacramentado depois de três horas de reunião, também prevê a participação do parlamentar em atos de campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra.
Até o encontro de ontem, Gabeira e lideranças do PV do Rio mantinham firme a posição de que só fariam campanha para Marina Silva, nome do partido à sucessão do presidente Lula. Os compromissos de Serra no Rio seriam acompanhados apenas pelos candidatos a vice e ao Senado da coligação – indicados pelos demais partidos. O pré-candidato do PV ao governo do Rio confirmou que Serra e Marina participarão da convenção que oficializará seu nome, em junho.
“Pretendemos lançar no dia 23, de manhã. Vamos começar a mobilização. Não será ainda com a presença dos candidatos à Presidência porque nós preferimos que eles venham na convenção”, explicou Gabeira.
Indicado como candidato a vice na chapa de Gabeira, o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB) confirmou que o acordo possibilitará a elaboração de uma agenda de pré-campanha de Serra no Rio. Fortes confirmou a presença de Gabeira nos eventos de Serra no Estado.
“O Gabeira anda com ele”, disse Fortes. “O Serra tem um palanque. A Marina também tem. Mas o Serra tem um palanque bom, uma candidatura vitoriosa, que pode ganhar a eleição e não terá limites. Nossa coligação é adotada por todos universalmente e fará uma bela campanha à Presidência da República. Tanto para o Serra quanto para Marina”, avaliou o tucano.
Pivô da crise que se instaurou entre os partidos, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) teve sua candidatura ao Senado confirmada na reunião de ontem. O PV do Rio resistia em formalizar a aliança tendo ele como representante dos Democratas. Apesar do acordo, os verdes também confirmaram que a vereadora Aspásia Camargo concorrerá ao Senado.
Caso a Justiça Eleitoral se manifeste contrariamente ao lançamento desse tipo de candidatura independente, o partido não criará embaraços para a coligação – de acordo com o presidente da legenda no Rio, Alfredo Sirkis. O outro nome da aliança ao Senado será o advogado Marcelo Cerqueira, do PPS.
“Gabeira já disse que o melhor candidato ao Senado é o Cesar Maia e confirmou que fará campanha para ele”, disse a deputada federal Solange Amaral (DEM), representante do partido e do ex-prefeito na reunião.
Apesar do acordo, Gabeira terá de lidar com resistências veladas. O próprio presidente regional do PSDB, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, saiu da reunião logo no início. Com ar contrariado, confirmou a aliança, mas disse que a prioridade era a eleição de Serra”.
               
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Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“Em encontro ontem, na sede do PPS no Rio, para formalizar a coligação PV-PPS-DEM-PSDB, os partidos anunciaram que o pré-candidato ao governo fluminense pelo PV, deputado federal Fernando Gabeira, apoiará, no primeiro turno, dois pré-candidatos à Presidência: Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB). Os dois participarão juntos, em junho, da convenção da aliança no estado. Foi anunciada ainda a chapa de Gabeira para o Senado, que terá o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).
- O Serra tem agora um palanque bom, forte, no Rio. A Marina também tem. Nossa coligação está montada. Foi adotada por todos universalmente e vai fazer uma bela campanha para presidente da República. Tanto do Serra, quanto da Marina. O Gabeira não é mais candidato do PV. Ele é candidato da coligação – afirmou Márcio Fortes, um dos coordenadores da campanha de Serra no Rio e provável vice na chapa de Gabeira.
Coordenador da campanha de Marina, o presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, lembrou da atual situação no Acre:
- Existe uma situação similar no Acre. A Marina apoia a candidatura do (senador) Tião Viana (PT) ao governo. É claro que ele tem todo o interesse de recebê-la (Marina), embora a sua candidata não seja ela. Mas Gabeira vota na Marina.
O lançamento da candidatura de Gabeira deverá ocorrer em 23 de maio. O pré-candidato, no entanto, disse que Serra e Marina só estarão juntos na convenção:
- Os dois (Serra e Marina) estão convidados e estarão presentes. Isso foi conversado aqui (na reunião).
Mesmo com resistência, os partidos confirmaram Cesar Maia para concorrer a uma das duas vagas ao Senado. O PV, que lançou a vereadora Aspásia Camargo como pré-candidata ao Senado, dependerá de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a viabilidade da chapa com mais de dois nomes a senador. O ex-prefeito não foi à reunião.
- Qualquer problema no caminho não comprometerá a coligação – disse Gabeira, referindo-se a uma suposta negativa à consulta do PV para lançar Aspásia.
Participaram ainda do encontro o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, o ex-governador Marcello Alencar e a vereadora Lucinha, pelo PSDB, e os deputados federais Solange Amaral e Índio da Costa, pelo DEM. O presidente regional do PSDB, José Camilo Zito, deixou a reunião logo no início”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Gabeira diz ter opção secreta

Dos repórteres Isabel Braga e Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“A tentativa do PV de contornar os problemas da coligação em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio, com o lançamento de mais de dois candidatos ao Senado na mesma chapa, deverá render novo debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O entendimento de especialistas é que essa dúvida tornou-se procedente a partir do fim da regra da verticalização nas alianças partidárias.
O TSE terá de dizer se a emenda que acabou com a verticalização liberou totalmente a possibilidade de coligações eleitorais ou se ainda vale a regra prevista no artigo 6º da lei eleitoral ( Lei 9.504/ 97). Este artigo faculta aos partidos, dentro da mesma circunscrição ( no caso do Rio, o estado), celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, “ou para ambas”. E estabelece que, no caso das proporcionais, é permitido fazer subcoligações, desde que formadas por partidos que integram a coligação na eleição majoritária.
Ou seja, se quatro partidos se unem para tentar eleger um governador, eles podem, no caso de eleição de deputados, fazer coligações menores. No entendimento de especialistas, isso não se estenderia à eleição de senadores, mas caberá ao TSE esclarecer.
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), relator da minirreforma eleitoral do ano passado, diz acreditar que o TSE manterá o entendimento de que não é possível subcoligações no caso de eleições majoritárias nos estados.
- Entendo que cada partido pode se coligar para o governo e apresentar, sozinho, seu candidato ao Senado. Mas não pode haver, para o Senado, subcoligações entre os partidos que formam a chapa para o governo.
Para o advogado eleitoral do PSDB, Afonso Ribeiro, a lei é mais restritiva e só permite que uma coligação para o governo lance dois candidatos ao Senado. O PV entrou com consulta indagando justamente se cada partido pode lançar individualmente seu candidato ao Senado. E também perguntAlou se é possível sub coligações. O PV quer lançar Aspásia Camargo ao Senado, e os nomes de Marcelo Cerqueira (PPS) e Cesar Maia (DEM) seriam lançados pelos demais partidos. A consulta ainda não foi respondida.
Gabeira disse ontem que sua maior preocupação é a de garantir um candidato da oposição que seja competitivo.
- Essa proposta (de lançar quatro candidatos ao Senado) foi feita para acomodar as divergências. Estamos também pensando em outras opções, mas não posso adiantar ainda – disse Gabeira. – Existe uma dominação do PMDB no estado, que pode ser ameaçada por uma candidatura de oposição. Podemos nos unir porque o mais importante é ter um candidato de oposição competitivo.
A crise na coligação PV/PSDB/DEM/PPS no Rio, provocada pela resistência de parte dos verdes e dos tucanos a Cesar Maia, pode atingir as pretensões do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, de ter um palanque no estado.
Gabeira está sendo pressionado por aliados, que temem desgaste se o deputado fizer dobradinha com Cesar Maia, que vai disputar uma vaga no Senado pelo DEM. Gabeira e Serra devem se encontrar ainda esta semana para tentar solucionar o impasse.
Ontem, o presidente regional do PV no Rio, Alfredo Sirkis, admitiu que a situação na coligação está tensa:
- A hipótese (da desistência de Gabeira) tem que ser considerada. Ele (Gabeira) está preocupado e impaciente. Mas temos até junho, na convenção, para resolver.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, disse que o partido seguirá as orientações de Serra, independentemente de Gabeira ser ou não candidato ao governo do Rio:
- Faremos o que Serra mandar para beneficiá-lo no palanque do Rio.
Há quase duas semanas, Rodrigo Maia centrou ataques em Gabeira, dizendo que “ele recebe meia dúzia de mensagens contra Cesar Maia e entra em TPM”.
Ontem, por e-mail, Cesar Maia foi mais cauteloso:
- Acho que o Rio deixaria de contar com um vetor alternativo, o que prejudicaria muito a decisão do eleitor. Espero que isso (a desistência de Gabeira) não ocorra”.
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O deputado Fernando Gabeira foi engolido pelos aloprados de sua coligação e, agora, finge que a questão depende do TSE.
É claro que não depende.
O TSE poderá responder a consulta da maneira que bem entender.
O que se discute não é o fim da verticalização, já que o impasse não é jurídico, e ele sabe disso.
O impasse é político.
Não faz sentido o DEM e o PSDB abrirem mão de seu tempo na TV, para o candidato ao governo, e esse não ser leal àqueles que lhe proporcionam esse espaço.
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Coligação é para unir simpatizantes e, às vezes, até contrários.
Correligionários estão sempre no mesmo partido.
O que não parece ser o caso do PV.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Garotinho vai a culto e condena aborto

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“O que deveria ser só um culto religioso, com cerca de cinco mil evangélicos, na Assembleia de Deus de Madureira, transformou-se ontem em palanque eleitoral liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Ao lado da mulher, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e do pastor Manoel Ferreira, que disputará o Senado pelo PR, Garotinho, em seu discurso, pregou: ?Vai ser eleito governador de tudo que é tipo e senador de tudo que é estado do Brasil. Mas só vai ser eleito um governador crente, um senador crente?.
O evento marcou o lançamento do ?Manual Feminino da Cidadania?, que reproduz trechos polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos do governo Lula ? como o apoio ao projeto de lei que defende a união civil de pessoas do mesmo sexo, criticado por Garotinho.
O manual distribuído ao fiéis destaca as ?22 razões para não fazer aborto?, ao lado de imagens de fetos mortos. São listadas ainda as ?22 razões para orar por Garotinho?. Na contracapa, ele aparece com Rosinha e os filhos, com o título: ?Quem tem família, defende família?.

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