• Quarta-feira, 18 Janeiro 2012 / 12:05

Mais especulações sobre o ministério

     Das repórteres Natuza Nery, Andréia Sati e Catia Seabra, da ‘Folha’:
     “O ex-presidente Lula sugeriu a Dilma Rousseff que nomeie o senador petista Paulo Paim (RS) para o Ministério da Igualdade Racial.
A indicação de Paim, que é negro, foi feita na semana passada, quando Lula e Dilma discutiram em São Paulo os detalhes da reforma no primeiro escalão.
A opção é vista com ressalvas, já que o senador foi motivo de dor de cabeça para o Planalto ao defender no passado reajustes maiores para o salário mínimo e para o benefício dos aposentados.
Para Lula, essa é justamente uma das razões para levá-lo à Esplanada: eliminar do Senado um foco de pressão por aumento dos gastos.
Além disso, ele avalia que Paim daria mais visibilidade à secretaria. Dilma, porém, ainda não encerrou as buscas para o lugar da ministra Luiza Bairros, cuja gestão considera “apagada”.
Sobre a mesa da presidente há até agora sete ministérios com potenciais mudanças à vista: Educação, Ciência e Tecnologia, Trabalho, Cidades, Cultura, Mulheres e Igualdade Racial.
A mudança, desidratada após a queda de sete ministros ao longo de 2011, atinge PP, PDT e PT.
A largada da reforma será dada na semana que vem, com a saída de Fernando Haddad para disputar a eleições em São Paulo e a transferência de Aloizio Mercadante para a Educação.
Seu lugar no Ministério da Ciência e Tecnologia tende a ser ocupado por alguém com perfil mais técnico. O nome mais forte é o de Marcos Raupp, presidente da Agência Espacial Brasileira e indicado por Mercadante. Com menos chance, corre o deputado federal Newton Lima (PT-SP).
Palco de escândalos no ano passado, o Ministério das Cidades é um dos maiores orçamentos da reforma.
A presidente tenta convencer o PP a aceitar Márcio Fortes no cargo, ex-ministro da pasta e aliado de confiança.  O partido, porém, resiste, razão pela qual voltou a falar na manutenção de Mário Negromonte na cadeira ou na indicação do deputado Agnaldo Ribeiro (PB).
No Trabalho, a dificuldade é semelhante. Na lista de cotados pela presidente estão os deputados pedetistas André Figueiredo (CE); Brizola Neto (RJ) e Vieira da Cunha (RS). O ex-ministro Carlos Lupi, presidente da legenda, veta Brizola.
Mesmo com uma reforma pequena e pontual, o Planalto deve anunciar as alterações a conta-gotas. Dilma pode definir, nas próximas semanas, a sucessora da petista Iriny Lopes na secretaria de Mulheres. Iriny disputará as eleições em Vitória. A deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ) pode assumir.
O temor de Dilma é que a reforma reduza o peso da cota feminina na Esplanada, por isso tende a definir, com mais calma, a substituição de Ana de Hollanda na Cultura, o que pode acontecer só em março. Hoje, são dez mulheres no primeiro escalão.
Antes de a “faxina” varrer sete auxiliares de Dilma Rousseff, a presidente cogitava fazer uma reforma mais ampla, o que incluía redução do número de ministérios”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

Cabral e a Carteira de Trabalho

    Dos 11 feriados nacionais, não existe data mais simbólica e emblemática, para Lula, do que o 1º de maio – Dia do Trabalho.
O Presidente ocupou ontem uma cadeia de rádio e TV para, no último discurso aos trabalhadores antes de deixar o governo, falar de seu orgulho: apesar do país ter enfrentado a maior crise, desde 1929, ele a superou e, no ano passado, 995 mil empregos foram criados. E a tendencia é aumentar, já que nesse primeiro trimestre surgiram 650 mil novos postos de trabalho, com carteira assinada, o que é um recorde.

                                   * * *

Para Lula, Carteira Profissional, principalmente assinada, é algo sagrado.
Até meados dos anos 60, as blitz policiais dispensavam a identidade, mas exigiam a apresentação da carteira anotada. Quem não a apresentasse era considerado vadio e, por isso, sujeito a prisão  que variava de 15 dias a três meses.

                                   * * *

É pena que um dos principais aliados do Presidente da República – e seu candidato ao governo do Rio – Sergio Cabral, não possua uma.
De família modesta do Engenho Novo, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, filho de jornalista e de professora, o governador nunca teve patrão.
Com 21 anos, seu primeiro emprego foi assessorar um deputado. Para essa função a carteira não foi necessária.
Em 1986, aos 23, disputou uma vaga na Assembléia do Rio, mas com apenas 4 mil votos foi derrotado. Ganhou a diretoria de Operações da TurisRio – Companhia de Turismo do Rio de Janeiro, empresa pública do governo. Ocupando cargo de confiança, de novo a Carteira de Trabalho foi dispensada.
Três anos depois, em 1990, foi eleito deputado estadual. E não parou mais.
Por tudo isso, o governador nunca recebeu salário ou remuneração. Só conheceu verba de gabinete ou de representação, e depois subsídios.

                                  * * *

Não faltará quem diga que Cabral é, na verdade, um patriota, pois dedicou sua vida ao serviço público.
A verdade é que o governador do Rio de Janeiro nunca foi demitido, nem pediu demissão. Não gozou férias, nem recebeu o terço proporcional. Não sabe o que é aviso prévio, muito menos justa causa, auxílio-doença ou seguro-desemprego. Ele nunca se submeteu a um exame médico de admissão (ou de dispensa) de emprego. Nunca brigou por aumento ou participou de dissídios. Não tem anotações de 13º salário e nem de auxílio doença.
Cabral não conta tempo de serviço para aposentadoria, e não tem anotado o nome da mulher e dos cinco filhos.
O governador nunca teve Carteira de Trabalho.

                                  * * *

Há dois anos, o ministro Lupi lançou a nova carteira profissional, e Lula foi o primeiro a recebê-la.
Com código de barras, ela permite que o trabalhador consulte seus abonos salariais e o saldo depositado no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS.
É claro que Cabral não se interessa por nada disso.
Um único detalhe talvez animasse o governador a tirar uma Carteira de Trabalho, até mesmo para exibir em ocasiões festivas, mesmo sem anotações: o novo documento tem a aparência de um passaporte.
Cabral certamente não sabe disso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

Na festa do PT só se falou de Lula

De José Meirelles Passos, de ‘O Globo’:
“Um desavisado que chegasse ao Encontro Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), na quadra da escola de samba Portela, em Madureira, acreditaria estar presenciando o lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O evento fora programado para lançar a précandidatura ao Senado do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, confirmar o apoio do PT à reeleição do governador Sérgio Cabral e servir de palanque para Dilma. Mas tanto o discurso dela quanto o dos políticos que a antecederam, apenas ressaltavam a política desenvolvida por Lula.
?O palanque de Cabral é o único do PT aqui no Rio? Não houve menção alguma a uma plataforma de Dilma. Falou-se apenas na manutenção do modelo atual. Cartazes espalhados pelo ambiente, com uma foto de Lula e Dilma sorridentes, continham um slogan: ?Com Dilma pelo caminho que Lula nos ensinou?.
? Descobrimos o modelo correto de desenvolvimento para nosso país: crescimento econômico com as pessoas subindo na vida. Isso não acontecia antes. Subir na vida era proibido ao brasileiro ? afirmou Dilma.
Líderes da base do governo (PDT, PSB, PCdoB e PMDB) definiram Dilma como ?guerreira?, ?corajosa?, e ?altamente capaz?. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, acrescentou uma virtude: disse que, além de tudo, ?Dilma é carinhosa?. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sugeriu que votar nela seria como saldar uma dívida de gratidão:
? Todos nós devemos a vida à uma mulher. Para compensar isso, temos que eleger Dilma como a primeira mulher presidente do Brasil.
Perguntada se além de apoiar a reeleição de Cabral ela também subiria ao palanque de Anthony Garotinho, candidato a governador pelo PR, em troca de apoio à sua candidatura, Dilma ficou em cima do muro:
? O palanque de Sérgio Cabral é o único do PT aqui no Rio. No que se refere a outros palanques, a coordenação de minha campanha e todos os partidos da base aliada vão decidir as condições, se vai haver ou não outros palanques. Assim que se caracterizarem as coligações que faremos, vai haver uma reunião entre todos e haverá uma decisão.
A plateia não foi muito gentil com o governador do Rio. Toda vez que seu nome era mencionado, ouvia-se uma vaia ? parcialmente encoberta por aplausos depois que, constrangido, o mestre de cerimônias, deputado federal Luiz Sérgio (PT), por fim, decidiu intervir:
? Quem convida, recebe com carinho ? ponderou.
Ao chegar a sua vez de discursar, Cabral usou um artifício para evitar vaias: apanhou o microfone e começou a cantar um conhecido samba de Zeca Pagodinho, alterando a letra de forma a exaltar Dilma:
? Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu… ? entoou, imitado imediatamente pela plateia, com a participação espontânea da bateria da Portela”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Lupi decidiu virar a casaca

O ministro Carlos Lupi sempre defendeu a tese da candidatura própria, em todos os níveis, pelo PDT. “Quando apresentamos candidatos próprios, invariavelmente nossa bancada aumenta. Tanto a federal quanto a estadual”.
Esse ano, Lupi decidiu que o partido não terá candidato à Presidência, o que é compreensível, mas também não concorrerá ao governo do Rio, preferindo ter dois suplentes na chapa liderada por Jorge Picciani.
Atualmente Lupi é ministro do Trabalho e comanda um orçamento fabuloso.
Se ele perder o ministério, no próximo governo, e a bancada diminuir, os pedetistas vão cobrar – e muito – o seu alinhamento ao governador Sergio Cabral.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:49

Orlando Silva brinca com fogo

Dois ministros de Lula estiveram na passeata dos royaltes: Carlos Lupi e Carlos Minc. Mas ambos são cariocas.
Já Orlando Silva, do Esporte, embora anunciado pelos assessores do governador, não apareceu.
Se continuar faltando as festas promovidas por Sergio Cabral, Orlando acabará perdendo a boquinha das Olimpíadas.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

Garotinho garante o interior à Dilma

Da repórter Paola Moura, do ‘Valor Ecônomico’:
“O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) acredita que a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não vai atender aos apelos do governador Sérgio Cabral e subir apenas no palanque do PMDB no Estado. Garotinho afirma que o interior do Rio é conservador e hoje dá mais votos para a candidatura presidencial do governador José Serra (PSDB) do que à futura candidata do PT. Garotinho faz questão de frisar o hoje, dando a entender que, com seu apoio, a ministra conseguiria reverter a situação.
No domingo de Carnaval, a ministra Dilma esteve no camarote do governador no sambódromo do Rio. Cabral teria reclamado com a ministra sobre o encontro dela com Garotinho no fim de janeiro e pedido que ela não subisse no palanque do ex-governador durante a campanha presidencial.
A visão de Garotinho é compartilhada pelo ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, que apoia Serra. Para Maia, Dilma precisa mais de Garotinho do que ele dela para ter votação expressiva no interior do Estado. Somado aos municípios da região metropolitana do Rio, o interior responde por 60% do eleitorado. Segundo pesquisa feita pela coligação PSDB-DEM, Serra teria hoje 55% dos votos no interior do Estado do Rio, Dilma, 24% e Marina Silva (PV), 9%. Garotinho diz que também tem pesquisas semelhantes, mas, como estava de cama, em casa, com problemas de coluna, não tinha como acessá-las de imediato para divulgá-las. O ex-governador passou o Carnaval de repouso com pinçamento em duas vértebras, causado pelo excesso de peso e também pelas cinco horas diárias em que passa sentado na frente de um microfone da rádio. “Vou ter que mudar a cadeira”, brinca.
O ex-governador também rebate boatos de que deixaria sua candidatura de lado para apoiar Cabral, em resposta a possíveis pressões do PMDB do Rio. “Já cometi este erro uma vez e não vou repeti-lo”, afirma. Garotinho explicou que ainda não lançou sua candidatura oficialmente, mas deve fazê-lo em março. “Tenho 90% de chances de sair candidato”, afirma.
Enquanto isto, costura alianças políticas. No início de fevereiro, ele se reuniu com o ministro do trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, para articular uma aliança no Rio. Segundo Garotinho, Lupi estava disposto a apoiá-lo. No entanto, teria afirmado que precisaria primeiro consultar seu partido.
O deputado estadual Paulo Ramos, líder da bancada pedetista na Assembleia Legislativa Rio, no entanto, conta que o partido ainda está dividido entre ter candidato próprio e apoiar um dos já existentes. Paulo Ramos diz que será muito difícil, no entanto, um acordo estadual com Cabral, já que durante seus quatro anos de governo ele não aceitou negociar com o partido. “As resistências são maiores para um acordo com Cabral do que com Garotinho”, explica o deputado. “Cabral está oferecendo uma suplência de senador, enquanto o Garotinho nos daria um vice e um candidato ao Senado”.
O ex-governador também negocia com outros partidos, mas prefere não anunciá-los antes do acordo fechado. Entre outros boatos, há quem afirme que ele negocia com o senador Marcelo Crivella, do PRB, que deve concorrer à reeleição no Senado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:06

Cabral faz ameaça a Dilma

 ’O Globo’ de hoje, publica hoje, em sua Passarela Impressa, um enredo assinado por Chico Otavio, Flávio Tabak e Maiá Menezes, intitulado “Um bloco para atrair Garotinho”.
Vejam as alas e ouçam o samba. Depois cuidaremos dos destaques:
“Encorajado pela apresentação da Unidos da Tijuca, que acabava de passar empolgando o público com o enredo “É segredo”, um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política.
A notícia circulou na porta do camarote do governador, na Passarela do Samba, logo depois da saída da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que passou quase quatro horas no Sambódromo, tempo suficiente para assistir, entre rápidos aplausos e braços cruzados, à passagem de três escolas de samba. Dilma desembarcara na cidade por volta das 20h, mas, antes de seguir para o camarote, teve uma reunião política com Cabral e seu staff no Palácio Laranjeiras. Garotinho, por outro lado, nega as negociações.  O encontro serviu para um acerto de ponteiros depois do mal-estar provocado pelo encontro de Dilma com Garotinho, ocorrido no fim do mês passado, no Rio. Além de explicar as razões da aproximação, a ministra aproveitou a oportunidade, em pleno carnaval, para acertar com Cabral uma agenda de campanha no estado. Segundo testemunhas, o encontro teria sido “extremamente cordial”.
- Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio – disse um dos articuladores de Cabral.
Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica. Cabral venceu as eleições passadas tendo em seu palanque o casal Garotinho, na época no PMDB.
Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas. Para isso, Cabral contaria com o aval do presidente Lula. Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal.
Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã. No Sambódromo, procurou evitar temas políticos. Nem mesmo a provocação, em tom de brincadeira, de Cabral, que tomou o microfone de uma repórter de TV para “entrevistar” Dilma, a convenceu a politizar sua passagem pelo carnaval carioca.
- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela.
Eleito com o aval de Garotinho, de quem hoje é adversário ferrenho, Cabral vinha correndo isoladamente na campanha para a reeleição, até ser surpreendido pela entrada no páreo do deputado federal Fernando Gabeira, que será candidato pelo PV, numa aliança com o PSDB.
Cabral conta com a ajuda do presidente Lula para pressionar o PR a desistir de lançar candidato. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, será o novo presidente do partido. Cabral havia pedido uma conversa com o presidente Lula sobre o quadro eleitoral no Rio e trataria do tema durante o carnaval, mas ele desistiu de acompanhar os desfiles.
De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha.
- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio.
Garotinho faz questão de dizer que ainda não sabe se concorrerá ao governo do estado. Por trás da indecisão está a sua filiação ao PR, em 2009, partido da base do governo Lula. Em troca de seu apoio e dos mais de 20% das intenções de voto que apresenta nas pesquisas, Garotinho quer estar ao lado de Dilma ou, no mínimo afastá-la de Cabral. Garotinho nega que o Planalto está tentando barrá-lo da sucessão.
- Ninguém pode retirar o que não está colocado. A ministra Dilma foi muito clara comigo no encontro que tivemos. Ela disse: “Estou aqui conversando com você, e o presidente Lula sabe que eu não faria nada sem que ele soubesse” – afirma o ex-governador. – Caso se confirmem, hipoteticamente, a minha candidatura, a do Cabral e a do Gabeira, acho pouco provável que ele (Cabral) vá ao segundo turno. A tendência que os setores populares fiquem comigo, e os mais conservadores, com o Gabeira. Aí fica difícil um espaço para ele.
Enquanto Cabral e Garotinho ainda costuram alianças e negociam vagas em suas futuras chapas, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) já começa a esboçar o formato de sua campanha ao governo. A coligação PV/PSDB/DEM/PPS foi formalizada no dia 8 de fevereiro. Durante os dias que restam de folia, Gabeira quer ir ao Maracanã para torcer pelo Flamengo na Taça Guanabara, e escrever idéias que serão apresentadas aos eleitores.
- Trarei algumas metas que serão apresentadas na coligação, como utilizar os recursos do petróleo para nos libertarmos dele. Também escreverei sobre como avançar na segurança, que hoje está mais concentrada na Zona Sul (da capital) – diz o deputado”.

                                   * * *
Agora vamos aos destaques do enredo, e os comentários onde o samba atravessa:
1 – Diz o enredo:  “Um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política”. Que os repórteres utilizem uma declaração em ‘off’, nada contra. É pena que a direção nacional do PR já divulgou uma nota, antes do Carnaval, informando que a candidatura de Garotinho é inegociável. E Cabral sabe disso. O triste é que a fonte declara que  Cabral estaria disposto a pagar, pela desistência do seu  “mais ferrenho opositor?, que  ganharia  “em troca alguma vantagem política”. Só mesmo rindo. Ou chorando.  Então o governador acha possível comprar uma candidatura com dinheiro ou com cargos?  É muita cara de pau, para se dizer o mínimo. A última ação de Cabral contra Garotinho, foi a de expulsar a filha Clarissa Garotinho, da presidência  da Juventude do PMDB,  e entronizar o filho do governador.
2 – Diz a fonte de ‘O Globo’: “Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio”. A declaração é de tal descaramento, que a fonte deve ter sido, não um assessor, mas sim o próprio governador. Ninguém é tão ousado quanto ele.
3. Mais uma da fonte: “Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica”. Em princípio, isso  é verdade, mas por isso mesmo Cabral não deveria temer o adversário, já que terá mais de oito vezes o tempo de Garotinho na TV. Só que o ex-governador, ao que tudo indica, não ficará apenas com esses  dois minutos. Ele pode chegar a cinco, ou até mesmo um pouco mais, se tiver o apoio do PDT. O ministro Carlos Lupi já esteve com ele, e foi ao seu encontro a pedido da ministra Dilma Rousseff. Aliás, a candidata do PT à Presidência não tem porque dispensar, pelo menos 20% dos votos do Rio que Garotinho detém hoje.
4. O enredo: “Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas”.  Essa aliança já houve no segundo turno da última eleição. No primeiro turno, Sergio Cabral deve ter sido o único candidato a governador do país que tenha ficado  em cima do muro. Ele imaginava que Geraldo Alckmin pudesse vencer a eleição. Hoje sabe-se que Lula usa Cabral, já que nos dois outros grandes Estados do país – São Paulo e Minas – os governadores são do PSDB. Mas o Presidente sabe que Cabral não é pessoa confiável.  Por isso trabalha sempre com um pé atrás.
5. E continua o samba: “Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal”. Cobram nada. Eles cobram o apoio é de Lula. O apoio de Cabral não serve para absolutamente nada, a não ser arranjar dinheiro para pagar suas campanhas. Lula vai apoiar Crivella e o/a candidato/a do PT.  Jorge Picciani seria a única exigência de Cabral. Vamos ver a quem o governador  trairá. Será que ele vai trair o candidato preferencial  de Lula? Ou vai trair o PT que o apóia? Ou trairá o seu próprio candidato? Falta pouco tempo para cair a máscara carnavalesca do governador.
6. O jornal: “Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã”. ?Só amanhã?? Queriam que ela  voltasse quando? Hoje, na Terça-Feira Gorda? E o governador? Será que ele volta amanhã? Ele nunca voltou nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta. Com sorte na próxima segunda. A não ser que, nesse meio tempo,  Lula o chame para ir a Brasília. Aliás, Lula está estressando Sergio Cabral, pois não conversa com ele. Amanhã, quarta-feira de Cinzas, o Presidente receberá até o governador em exercício de Brasília, Paulo Octavio. E Cabral ainda não tem nada marcado. Mas verdade seja dita: se Lula marcar audiência para Cabral amanhã, ou mesmo nessa semana, o  estresse será ainda maior: já pensou ter de trabalhar em plena quarta-feira de Cinzas?
7. O enredo mostra o puxa-saquismo  desnecessário de Cabral com Dilma Rousseff ? que nos bastidores é ridicularizada por ele, por não ser carismática. Fingindo-se de repórter de TV, disse Cabral:
“- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela”. Sem comentários.
8. O enredo de novo: “De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha”. É claro que haverá. Mas Lula não tem quase 80% de popularidade? Por que o temor de Cabral? Se Lula tem a capacidade de transferir votos para Dilma, por que não teria a mesma capacidade para transferi-los para Cabral? O governador não deveria ter medo de nada. Só que a verdadeira preocupação de Cabral é outra:  ele teme, e com razão, é não ir para o segundo turno.
9. Diz ‘O Globo’:  “- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio”. Esse seria o óbvio, mas com alguns reparos. O Presidente não ligou para Cabral. Cabral foi quem cobrou a vinda do Presidente, e esse deu, como desculpa,  uma hipotética  hipertensão da Primeira-Dama, Dona Mariza. Que uma conversa foi marcada para depois do Carnaval, não existe dúvidas, até porque não poderia ser antes. Cabral queria que fôsse na semana passada, mas Lula disse que estava ocupado. E o encontro ainda não tem data marcada. Se tivesse dia e hora acertado eles informariam. E mais: Cabral não está convencido que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio. Isso é o seu desejo, e não o seu convencimento. Por isso ele quer conversar com Lula. Mas se Dilma vai, na Bahia, ao palanque de Jacques Wagner e de Geddel Vieira Lima – seus amigos – por que no Rio seria diferente? Apenas para atender ao capricho do governador? Dilma não é mulher de atender a caprichos de quem quer que seja.
Agora a nota 10 do enredo.
Todo esse texto acima saiu publicado na primeira edição do ‘Globo’. Na segunda edição, o jornal publica algo inacreditável, e aí não tem fonte. É o próprio Cabral que se mostra como puxador do samba, quando canta sua chantagem descarada.  Depois de se referir ao encontro de Dilma com Garotinho,  diz o enredo:  “Cabral disse que há uma equação eleitoral que “não fecha”, e deu a entender que Dilma poderá perder seu apoio”.
Em seguida, a chantagem do puxador:
- Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Outra vez para firmar, vamos repetir o refrão:
 - Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Como Lula e Dilma não são bobos, eles não irão reclamar.
Mas o fato de não reclamarem, não quer dizer que eles não tenham ouvido a chantagem.
E, nesse caso, fica mais do que provado que o governador não é mesmo confiável.
Ele é capaz de tudo.
Quem viver verá…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:04

Arruda a um passo da cadeia

Êta semaninha boa.
Hoje ainda é quinta-feira e todos os dias tivemos boas notícias.
1. O General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga de ministro do STM,  que havia criticado os gays, enviou uma carta, para a Mesa do Senado, se retratando e pedindo desculpas ao homossexuais.
2. Já o General Maynar Marques de Santa Rosa, diretor-geral de Pessoal do Exército, vestiu o pijama, depois de ter divulgado na internet um texto que chamava de fanáticos os integrantes da Comissão da Verdade.
3. No Rio, o deputado Fernando Gabeira conseguiu finalmente fechar a aliança PV-PSDB-DEM-PPS. isso foi na terça-feira na casa de Marcello Alencar. O presidente de honra do PDT, Carlos Lupi, decidiu apoiar a candidatura de Garotinho ao governo do Rio. Com isso, o candidato do PR ganha mais uns minutos de propaganda na TV. Lupi disse que procurou Garotinho, atendendo a um pedido da ministra Dilma Rousseff. Pena que os leitores de jornais cariocas não saibam, até hoje, nada de Gabeira, nem de Garotinho. No Rio, a imprensa só cuida de Sergio Blindado Cabral.
4. O Presidente Lula ainda não decidiu se vem assistir ao desfile das Escolas de Samba. Se não vier, não precisará dividir, com Cabral, as vaias que estão sendo anunciadas para o Sambódromo. Se Madonna estiver ao lado de Sergio Odorico Cabral, ficará obvio que o público não estará vaiando a cantora.
5. O novo presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pediu a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda. E o melhor: o ministro do STJ, Fernando Magalhães, relator do inquérito que corre contra o Governador, já decretou a prisão preventina de Arruda. Mas seu relatório precisa ser aprovado pela Corte do STJ que está reunida, nesse momento, examinando a medida.
É bom demais pra ser verdade. A torcida é enorme.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:01

Dilma dá o PDT para Garotinho

De Renata Lo Prete, da ‘Folha’, para irritar ainda mais o governador Sergio Cabral, que tem agora mais um ítem para estragar o Carnaval do Presidente Lula:
“Presidente do PDT, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) visitou anteontem o ex-correligionário Anthony Garotinho (PR) para tratar de possível aliança no Rio: o partido indicaria um dos nomes ao Senado na chapa do ex-governador”.
Até aí nenhuma novidade. Agora vamos a nitroglicerina:
“Segundo Lupi, a própria Dilma lhe pediu que conversasse com Garotinho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:10

PDT apoia Lindberg no Rio

Ilimar Franco informa no seu Panorama Político que “o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), só precisa vencer as eleições para o diretório regional para garantir o primeiro aliado para sua candidatura ao governo estadual.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) já comunicou ao presidente Lula a definição dos trabalhistas.
?Se ele vencer a disputa interna, e for candidato, terá o nosso apoio?, diz o deputado Miro Teixeira (PDTRJ).
Os trabalhistas alegam que o governador Sérgio Cabral (PMDB) não aglutina a esquerda, e que Lindberg representa uma evolução das políticas sociais e econômicas adotadas pelo governo Lula.
Dizem, ainda, que a aliança PDT-PT é uma tradição.

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