• Sexta-feira, 02 Março 2012 / 13:59

Tortura e morte de Rubens Paiva

    

        A jornalista Miriam Leitão prestou um trabalho inestimável ao jornalismo e ao país ao apresentar nessa semana, no Espaço Aberto, da GloboNews, um especial sobre o assassinato do deputado Rubens Paiva por agentes da ditadura nas celas do DOI-CODI no Rio de Janeiro.
Ela entrevistou o atual vice-prefeito do Rio, Carlos Alberto Muniz, o Adriano do MR-8 – com quem Paiva teria um encontro no dia em que foi preso – a filha de Rubens, Eliana,  também presa pela ditadura, com apenas 15 anos, e o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-comandante da Eceme, que deveria ser preso por suas declarações contra a Presidente Dilma Rousseff.

  • Sexta-feira, 02 Março 2012 / 13:53

Muniz: “Rubens foi torturado e não me entregou”

      “Os militares que capturaram Rubens Paiva, em 20 de janeiro de 1971, diante da família, queriam saber a identidade de Adriano. Deputado cassado pela ditadura, Rubens Paiva, mesmo sob tortura, não contou quem ele era nem que iria à sua casa naquele dia. Hoje, Adriano, elo perdido do caso Rubens Paiva, está sentado na cadeira de vice-prefeito e secretário de Meio Ambiente do Rio. Seu nome é Carlos Alberto Vieira Muniz.
Um relato escrito por uma professora, hoje aposentada e doente, revela detalhes do sofrimento de Rubens Paiva na Aeronáutica e no Exército. Há também uma prova física que desmente a afirmação, sustentada até hoje pelos militares, de que não sabem o que houve: um recibo com carimbo do Exército prova que o carro do deputado estava na Polícia do Exército.
A história nunca foi apurada porque os militares sempre impediram, com notas e ameaças, que se buscasse informação sobre esse e outros mistérios macabros do regime.
Muniz, o Adriano, era do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, de Carlos Lamarca. Os órgãos de segurança procuravam os sequestradores do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, trocado por 70 presos. Rubens Paiva conhecera Adriano quando tirou do Brasil a filha de um amigo, ameaçada de prisão. Rubens Paiva não tinha ligação com grupo clandestino. Mais de 40 anos depois, Muniz recebeu a GloboNews e O GLOBO.
- Eu era o Adriano. Sou um sobrevivente. Rubens foi barbaramente torturado e não me entregou. Ele não era pombo-correio, não pertencia a grupo armado, não conhecia Lamarca. Rubens era uma referência, por sua grande experiência política. Gostava de trocar ideias com todos que estavam na oposição, inclusive os mais jovens, sobre a redemocratização e ajudava perseguidos a sair do Brasil.
Naquele dia, Muniz ligou para Rubens Paiva e confirmou que iria lá. Eunice (mulher do deputado) o protegeu.
- Ela, sempre afetuosa, atendeu nervosa e disse “Não, Rubens não está”, e me passou a sensação de que algo estava acontecendo. Era a polícia dentro da casa – diz Muniz.
Homens da Aeronáutica mantinham Eunice e filhos sob a mira de metralhadora, ouvindo os telefonemas pela extensão. Rubens já estava apanhando na 3ª Zona Aérea do notório brigadeiro João Paulo Burnier. De lá, foi levado para a PE da Barão de Mesquita ouvindo pelo rádio do carro instruções: “Na casa da Delfim Moreira há uma senhora e quatro crianças. Quem está dentro não sai, quem está fora pode entrar, mas é grampeado”. Rubens sabia: era a sua casa e sua família sob ameaça”.

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