• Segunda-feira, 19 Julho 2010 / 10:51

Índio do Demo é pior do que se imaginava

 Se José Serra tivesse juízo – e ele o tem – já estaria arrependido de ter como companheiro de chapa o Índio do Demo.
A essa altura todos tem a certeza de que o vice de Serra é pessoa do mal.
Nesse final de semana, o Índio  – que emprega em seu gabinete um vagabundo que ganha sem trabalhar – deu uma entrevista ao site Mobiliza PSDB, onde acusou o PT de estar ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico.
Vamos as reações:
Da candidata do PV, Marina Silva:
- As acusações de Índio da Costa ao PT são desrespeitosas. Aprendi com os índios da Amazônia que é muito importante estar bem preparado politicamente e tecnicamente, inclusive emocionalmente, para poder pretender o lugar de cacique. É preciso muita maturidade. Acho que talvez o deputado Indio ainda não esteja suficientemente preparado para ser cacique do Brasil.
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Do presidente do PT, José Eduardo Dutra
- São declarações de um desqualificado. A que ponto chega a política. Quando se coloca uma pessoa sem capacidade para concorrer, ela se deslumbra e fala bobagens. É a mesma coisa que pegar um jogador da terceira divisão e botar para jogar no Maracanã. Estamos pensando em processar. O problema é que ele (Indio) não vale o custo do papel necessário para a petição.
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Do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza.
- Esse índio é um babaquara.
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Do ex-secretário Aloyzio Nunes Ferreira, candidato ao Senado pelo PSDB de São Paulo:
- Eu não vejo ligação, e não há nada que me faça ter uma análise dessas. Minhas críticas ao PT são outras. Não acho que Serra pense dessa maneira.
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Do presidente do PPS, deputado Roberto Freire:
- Não acredito que ele tenha feito essa ligação. Não se tem nenhuma notícia disso (da suposta ligação do PT com as Farc).
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O Índio do Demo é muito pior do que se imaginava.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

Petista do MA ameaça com greve de fome

De Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
“O líder do governo na Câmara, CândidoVaccarezza (PT), artífice do acordo que levou o deputado Michel Temer(PMDB-SP) à Presidência da Câmara, defende a tese de que o PT não tem do que se queixar do PMDB em relação ao apoio da legenda aliada à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a presidenta da República. Muito pelo contrário, quem anda criando problemas para a aliança são os quadros do PT que não subordinam seus projetos pessoais à política de alianças do governo Lula e ao projeto nacional do partido, cuja prioridade é a vitória de Dilma.
Vaccarezza fez essa avaliação no começo da tarde de ontem, no gabinete de líder do governo. Minutos depois, o deputado Domingos Dutra(PT-MA) subiu à tribuna da Câmara para um discurso inflamado contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que teria procurado o presidente Lula para reclamar do apoio do PT do Maranhão à candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB), pré-candidato ao governo do estado. Afinal, a governadora Roseana Sarney (PMDB), que disputará a reeleição, apoia Dilma.
No discurso, Domingos disse que entraria em greve de fome no plenário da Câmara se a executiva nacional do PT, a pedido do presidente Lula, fizer uma intervenção no diretório regional, como seria previsível pelas resoluções adotadas até agora no plano nacional.O parlamentar é um dos fundadores do PT no Maranhão e adversário figadal do clã Sarney”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:04

Itamaraty quer sigilo por 75 anos

Da repórter Maria Clara Cabral, na ‘Folha’:
“Por pressão do Itamaraty e consentimento tácito da Presidência da República, deputados do governo já falam em aumentar o prazo de sigilo de documentos ultrassecretos para 75 anos. A proposta da Câmara estipula o prazo em 25 anos, renováveis por igual período.
O temor dos diplomatas é ver revelados papéis referentes à Guerra do Paraguai e à negociação para delimitação de fronteiras internacionais. O projeto de lei que regula o direito de acesso a informações públicas está na pauta de votações desde a semana passada, mas não há acordo sobre a redação final.
“Sou favorável a um prazo de sigilo de 75 anos”, afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), negando haver qualquer tipo de orientação para mudanças.
O deputado José Genoino (PT-SP), no entanto, disse ter se reunido por diversas vezes na semana passada com técnicos do Itamaraty. O petista presidiu a comissão especial que produziu o texto final da futura lei de acesso. Os diplomatas tentaram convencê-lo da necessidade de um prazo maior para o sigilo de certos dados.
Quando saiu da Casa Civil para o Congresso, o texto permitia que papéis classificados como ultrassecretos pudessem ser mantidos em sigilo para sempre -por meio da renovação indefinida do prazo máximo inicial de 25 anos. Genoino e o relator do projeto, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), resolveram retirar o dispositivo que permitia renovações sucessivas, mas o Itamaraty reagiu.
Ontem, a expectativa era a de encontrar um deputado disposto a apresentar, a pedido do Itamaraty, uma emenda aumentando o sigilo, ou propor, durante a votação, um recuo para o texto original. Se tudo falhar, a mudança ainda poderá ocorrer no Senado. Procurado, o Itamaraty não se manifestou.
Outro entrave é o trecho que prevê que qualquer pessoa pode solicitar informações a autarquias públicas sem revelar a razão do interesse. O acesso deve ser imediato. Se os dados não estiverem disponíveis, o agente público terá prazo de 20 dias, renováveis por mais 10 dias, para fornecer as informações. Esse prazo, alegam deputados, é menor do que o estipulado para os próprios congressistas -a quem o prazo para a resposta é de 30 dias, renováveis por igual período.
A Unesco enviou ontem uma nota aos deputados pedindo a aprovação do texto. Diz que a lei “será mais um passo dado pela democracia brasileira”. Cerca de 70 países já têm legislação semelhante. Pela atual proposta brasileira, o princípio geral será a publicidade de todos os documentos públicos, com exceções relacionadas a temas específicos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:52

Líder PT acusa Ibsen de hipócrita

Do repórter Gustavo Paul, de ‘O Globo’:
“As declarações do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) ao GLOBO publicadas na edição de ontem provocaram a ira da base aliada no Congresso. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP),rebateu a acusação do parlamentar gaúcho de que o Palácio do Planalto jogou para a plateia na discussão da divisão dos royalties. Segundo Vaccarezza, Ibsen e o Humberto Souto (PPS-MG) co-autor da polêmica emenda que tira R$ 7 bilhões do Rio não quiseram negociar um texto alternativo.
Conversei com Ibsen diversas vezes. O que ele diz é uma hipocrisia. O Humberto Souto disse para mim (à época) que o objetivo era derrotar o governo disse Vaccarezza, líder do PT na ocasião da apresentação da emenda no plenário.
Principal mensageiro da promessa de veto da emenda Ibsen pelo presidente Lula, o líder reiterou que a ideia permanece, caso o Senado não encontre uma alternativa à proposta. Mas Vaccarezza admite que, antes de anunciar o veto, o governo quer negociar com os senadores. Na quinta-feira, na Jordânia, Lula disse que, em relação aos royalties, a bola está com os senadores.
O presidente não pode se manifestar contra o conteúdo que não está pronto, mas reafirmo o que disse disse Vaccarezza.
Sua avaliação é que, ao sugerir que o governo queria a aprovação da emenda,Ibsen tem como estratégia politizar a questão e expor o presidente Lula na discussão.
A fala do Ibsen tem inspiração política. Sua emenda é inconstitucional e eleitoreira.
O líder do PSC, deputado Hugo Leal (RJ), também diz que o governo se esforçou bastante para tentar demover os deputados a apoiar a emenda Ibsen, mas foi derrotado por uma mobilização suprapartidária: Como líder do partido, que é da base aliada, não aceito dizer que jogamos para a plateia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:45

Governador, vá para Paris!

Esse ‘blog’ esteve fora do ar, nos últimos quatro dias, deixando de comentar fatos importantes, principalmente os que dizem respeito a derrota do Rio de Janeiro no episódio dos royaltes do petróleo.
Quem acompanha esse espaço sabe que a derrota não foi surpresa, depois que Sergio Cabral esteve em Brasília, e saiu de uma  reunião com líderes na Câmara afirmando que o Rio estava sendo roubado. Cabral decidiu, naquele momento, brigar com todos, inclusive com os líderes de seu próprio partido, o PMDB.  Ele acreditou que, com sua gritaria, ele inibiria quem quer que fosse. Como ele é tolo.
Cabral está próximo de conquistar a unanimidade: todos contra ele. As recentes declarações, de importantes líderes políticos, mostra o pouco caso que eles passaram a ter pelo governador.
Do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra: “É uma loucura atribuir ao governo e a ministra Dilma a responsabilidade pelo o que ocorreu. Cabral foi quem acirrou esse clima de beligerância ao ser pouco habilidoso”.
Do deputado Cândido Vaccarezza, líder do PT: “O Presidente Lula tem mais voto que Cabral até mesmo no Estado do Rio. E o grande cabo eleitoral de Dilma é o presidente da República, não o Cabral”.
Do deputado Ciro Gomes:”Paciência, Serginho, muda de ramo. Na minha terra ninguém pega galinha gritando “xô”. É preciso construir uma saída, e ela é perfeitamente viável no Senado. Mas se for na base do protesto, da confusão, esculhanbando a Câmara, o Senado e os politicos, o Rio vai perder, porque Lula não vai vetá-la. Ele não vai ficar contra o resto do país, que tem problemas tão ou mais graves do que o Rio. Tem muito político do Rio de conversa fiada e fazendo teatro”.
Do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), aliado de Cabral:”Não adianta levar uma mensagem de guerra, precisamos de uma mensagem de paz e discutir a dosagem da mudança”.

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Depois das mais diversas manifestações contra o comportamento de Cabral, o governador poderia fazer um enorme favor ao Rio de Janeiro, à sua tradição, à sua economia e à sua gente.
Vá para Paris, governador.
Fique por lá uns 60, 90 dias.
Volte depois que o Senado decidir o que fazer com a emenda Ibsen Pinheiro.
Deixe que os políticos encontrem uma saída.
Todos eles amam o Rio de Janeiro e, certamente, não insitirão na idéia de prejudicá-lo.
Mas eles não estão dispostos a continuar ouvindo seus desaforos.
Vá para Paris, governador!
Faça uma reserva no George V.  Passeie. Faça compras. Tanto faz se essas despesas sejam pagas pelo governo do Rio, ou por um de seus amigos.
A essa altura, nada disso mais importa.
O Rio promete não fazer cobranças, desde que nesse período o senhor cale a boca.
Não elogie nem critique ninguém.
Não dê opinião sobre absolutamente nada.
Fuja da imprensa. Não atenda telefonemas.
Fique mudo.
Política é coisa para profissional.
Para exercê-la é preciso, antes de mais nada, equilíbrio emocional.
É pena que, nos quatro anos que o senhor esteve em Brasília, como senador, não tenha apreendido nada.
É exatamente por isso que seu mandato foi apagado.
Não existe, nos anais, um único discurso de importância média, e nem mesmo uma entrevista.
Agora entende-se porque Paulo Duque é seu suplente.
Os senhores são iguais: despreparados, trapalhões, arrogantes.
Por favor, não vá a passeata de amanhã.
Sei que o senhor tem um problema no joelho. Utilize a doença para justificar sua ausência.
Não faça discurso na Cinelândia. Pelo amor de Deus.
Como disse Ciro Gomes, esse não é o seu ramo.
Tudo se encaminha para um entendimento.
Não ponha isso a perder.
Cale a boca.
Governador: pelo amor ao Rio de Janeiro, vá para Paris!!!

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:41

Políticos querem doações ocultas

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
“Líderes de um amplo leque de partidos tentarão restabelecer as doações ocultas de campanha, vetadas por resolução do TSE. Como nem PT nem PSDB querem assumir a paternidade da manobra, ela deverá ficar a cargo do PP, pelas mãos do senador Francisco Dornelles (RJ).
Os parlamentares avaliam que o caminho mais simples seria aprovar um projeto de lei exclusivamente sobre o tema. Outra opção seria emplacar um decreto legislativo anulando a resolução do TSE.
Qualquer iniciativa no Congresso deve gerar impasse jurídico. Técnicos do tribunal argumentam que o prazo para definir ou modificar regras eleitorais expirou na semana passada.
Nas eleições municipais de 2008, 36% das doações aos prefeitos eleitos nas capitais foram ocultas, ou seja, feitas a partidos e sem identificação do candidato beneficiado com os recursos.
Do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP): “O TSE não tem autoridade para fazer essas modificações. A resolução do tribunal tem que ser feita com base na lei e não ao arrepio da lei”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Garotinho tem o apoio do PT

Do repórter Cassio Bruno, de ‘O Globo’:
“O pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PR) reagiu ontem às declarações do presidente Lula. O ex-governador lembrou que lideranças do próprio PT já sinalizaram ser a favor da participação de Dilma Rousseff em seu palanque, apesar dos petistas apoiarem o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição.
? Três lideranças do PT declararam apoio: o (deputado Cândido) Vaccarezza, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o José Dirceu. A declaração do Lula pode estar relacionada a outros estados, como a Bahia, e não ao Rio ? afirmou ele.
Durante o carnaval, Cabral cobrou fidelidade de Dilma: ? Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque de situação e para um de oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
O presidente do diretório estadual do PT no Rio, Luiz Sérgio, defendeu Garotinho afirmando que o partido não pode ter ?postura arrogante?: ? Se a nossa aliança no Rio é com o PMDB, o palanque deve ser mesmo do Cabral. Mas nós não podemos ter uma postura arrogante e rejeitar outro apoio. Se o Garotinho for candidato, evidentemente que ele será muito bem-vindo.
É preciso ter coerência política, diz Picciani O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), porém, lembrou que Lula já está dando o tom da campanha: ? Fechamos aliança com quase todos os partidos que foram oposição a Sergio Cabral em 2006. Agora, é partir para as eleições. O presidente está dando o tom. E nós temos que fazer o que ele pedir.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), pré-candidato ao Senado na chapa de Cabral, por sua vez, disse que Dilma seria incoerente ao subir em dois palanques: ? Ela não somaria votos.
Sendo Garotinho opositor de Cabral, como ela explicará para o eleitor? Vai ficar, ao mesmo tempo, num palanque da situação e da oposição? É preciso ter coerência política.
Segundo Picciani, o palanque duplo só fortaleceria as campanhas do deputado federal Fernando Gabeira (PV) e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidatos ao governo do Rio e à Presidência, respectivamente: ? Essa postura da Dilma só faria crescer a campanha do Gabeira e do Serra”.
O melhor da reportagem é o deputado Jorge Picciani cobrando coerência da ministra Dilma Rousseff.
Era só o que faltava.
Quanta ousadia!!!

  • Segunda-feira, 10 Maio 2010 / 4:01

Tuma Jr reclama de abuso da PF

O Secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr,, acusado de ligação com a máfia chinesa, em São Paulo, deu entrevista ao repórter Mario Cesar Carvalho, da ‘Folha’, na qual ele reclama de abusos da Polícia Federal, e diz que o objetivo não é investigá-lo mas sim desmoralizá-lo.
Eis a entrevista:
- O sr. já comprou celular e videogame contrabandeado, como sugerem as conversas gravadas?
- Eu estava em Viena e minha filha pediu para eu comprar um Wii para minha neta. Liguei para ela e disse que o Wii custava caro, 350, quase R$ 1.200. Ela me perguntou se não seria melhor comprar no Brasil. Liguei para o Paulinho. Uma coisa que tem de ficar clara é que eu tenho um amigo que é chinês. Não sou amigo de contrabandista. Se cometeu crime, deixa de ser meu amigo.
Falei para o Paulinho: “Vê quando custa um Wii na Paulista”. Ele liga de volta: “Custa R$ 950″. Minha filha liga de novo e diz que o namorado da minha outra filha estava nos EUA, onde o Wii custa US$ 250. O jogo veio dos EUA.
- E o celular?
- Tenho esse celular há três anos, quando fui para a China. Só tem em Hong Kong. Tem um amigo meu, diretor do Corinthians, que ficou doente com o telefone. O Paulinho me liga: “Tá vindo um primo meu de Hong Kong”. Pedi para ele comprar um telefone igualzinho ao meu. O cara trouxe o preto, não dourado. O meu amigo não quis e eu não comprei. Não é pirata. É um Motorola que só tem em Hong Kong.
- Paulo Li é conhecido como contrabandista há alguns anos. O sr., que é delegado, não sabia disso?
- Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada. Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?
- A polícia diz que o sr. ajudava Li a regularizar a situação de chineses ilegais no Brasil.
- Conheço o Paulinho há 20 anos e tem uns quatro e-mails em que ele pede informação sobre estrangeiros. É minha obrigação como servidor atender qualquer pessoa de uma área sob minha responsabilidade. Ele, eventualmente, pode ter pedido alguma coisa. Mas se houve atendimento é porque estava dentro da lei.
- Mas Li é acusado de cobrar comissão para fazer isso.
- Houve uma disputa muito grande sobre a data para anistia dos imigrantes. Decidimos que seria 1º de novembro de 2008. No Congresso, um deputado fez uma emenda colocando a data para 1º de fevereiro de 2009. Isso é um absurdo.As pessoas iriam se aproveitar para colocar imigrantes no Brasil. É criminoso. Um deputado havia montado um esquema com policiais federais na Liberdade e cobravam por atestado. Foi o Paulinho que denunciou esse esquema.
- O sr. avisou a polícia?
- Pedi um inquérito. Foi um mês antes de o Paulinho ser preso. É por isso que ele me liga no dia da prisão. Tinha medo de que não fossem policiais, mas pessoas dessa máfia.
- Numa gravação, um assessor do sr. tenta liberar aparentemente uma carga apreendida.
- É outro absurdo. Se divulgassem a conversa inteira, veriam que não é mercadoria. São livros contábeis. Um empresário me liga e diz: “Veio um fiscal na minha loja e pegou os livros. Para devolver, ele quer R$ 30 mil.” Falei: “Vamos prender o cara”. Pedi para um assessor descobrir quem era o delegado da Receita na região. O empresário foi lá e denunciou.
Não cometi nenhum crime.
- O sr. também é acusado de tentar ajudar a família da deputada Haifa Madi, presa com US$ 123 mil no aeroporto de Cumbica.
- Recebi dezenas de telefonemas nesse caso, inclusive de pessoas do Judiciário. Me perguntavam se podia sair do Brasil com US$ 10 mil ou R$ 10 mil. Eu não lembrava. Era domingo. Liguei para um assessor e contei o caso. Quando soube que eles tinham sido presos na sexta à noite, dois dias antes, falei: “Então tá morto, tá putrefato”. O que eu queria dizer é: por que me ligam se as pessoas já estão presas? Como fazem divulgação seletiva e criminosa dos diálogos, acham que estou dizendo que já não dá para ganhar uma nota.
- É normal um secretário da Justiça ter esse tipo de conversa?
- Sou servidor público e tenho obrigação de atender as pessoas. É natural que uma deputada ligue quando tem parentes presos. Isso não é crime.
- Um assessor seu, Paulo Guilherme Mello, é investigado sob suspeita de ajudar a máfia chinesa. Por que o sr. não o afastou do cargo?
- Ele é um policial federal e não posso prejulgar uma pessoa por uma investigação a que eu não tive acesso.
- O sr. sabe por que seu depoimento não está no inquérito?
- Isso é muito grave. Fui delegado de polícia e, se ouvisse uma pessoa num inquérito e não juntasse o depoimento, estaria na rua. Isso é crime. Não tive direito a defesa.
- O sr. acha que essa investigação da PF cometeu abusos?
- Do jeito que essa investigação está sendo tratada, é um abuso. Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado.
- Por que uma investigação de setembro veio à tona agora?
- Estou sendo vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande. Com a política que implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto. O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação”.

 

Nova denuncias complicam situação de Tuma Jr.
Do repórter Roberto Maltchick, de ‘O Globo’:
“As novas denúncias de envolvimento com Li Kwok Kwen ? preso como um dos chefes da máfia chinesa no Brasil e acusado de contrabando pelo Ministério Público Federal ? complicaram a situação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., dentro do governo. Depois que o presidente Lula disse, no sábado, que Tuma Jr. terá de ser punido ?como qualquer brasileiro?, se as denúncias forem comprovadas, o Palácio do Planalto já admite que ele precisará dar explicações plausíveis se quiser se manter no cargo e estancar o estrago causado pelo escândalo.
O governo avalia que a situação de Tuma Jr. piora à medida que são reveladas novas conversas interceptadas pela PF demonstrando a intimidade do secretário com Kwen. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse ontem que Tuma Jr. precisa dar mais explicações para afastar as dúvidas sobre sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Justiça.
? Se não tiver uma explicação plausível, não tem alternativa senão afastar o servidor.
Neste caso, essa é uma decisão que deve ser avaliada pelo ministro da Justiça ? afirmou.
No último sábado, o jornal ?O Estado de S. Paulo? revelou trechos de conversas telefônicas que indicam outra ação de Tuma Jr., desta vez para tentar amenizar o flagrante de uma apreensão de US$ 160 mil, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). O dinheiro estava na bagagem da deputada estadual Haifa Madi (PDT). Durante a operação, que interceptou a remessa ilegal de dinheiro para Dubai, nos Emirados Árabes, sete pessoas foram presas.
Na avaliação de auxiliares, o presidente Lula está insatisfeito com os argumentos apresentados até agora por Tuma Jr., especialmente a respeito das conversas em que trata da compra de produtos, como telefones celulares supostamente contrabandeados.
? A questão é mais ética do que criminal. Não há, de fato, processo contra o Tuma Jr. O problema é que o cargo dele é totalmente incompatível com esse tipo de atividade ? disse um interlocutor do presidente.
O secretário acumula a função de presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria desde o dia 23 de abril. Na posse de Tuma Jr. no Conselho, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, destacou seu mérito para assumir o posto.
? Não existe máfia no mundo que o Tuma não conheça.
Sua indicação agrega um valor substantivo ao trabalho do órgão ? disse o ministro referindose à atuação de Tuma como delegado da Polícia Civil de São Paulo.
Hoje, a situação de Tuma Jr.será discutida entre o presidente Lula, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e outros ministros durante a reunião de coordenação de governo. O presidente também recebe relatos periódicos sobre o caso do ministro da Justiça.
No sábado, em São Bernardo do Campo (SP), durante o lançamento da campanha nacional de vacinação, Lula admitiu que a permanência de Tuma no governo não está assegurada, embora tenha lembrado sua história como delegado e filho de um homem ?de muito respeito em São Paulo?, o senador Romeu Tuma (PTB-SP)”.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:59

Marqueteiro de Dilma perde poder

 Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Um novo arranjo na estratégia de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff à Presidência, no qual o marqueteiro João Santana teve sua área de atuação limitada aos programas de TV do partido e do horário eleitoral, causou desconforto no bunker petista.
Há menos de um mês, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), jornalista, assumiu a coordenação geral da área de comunicação, trazendo para a campanha novos profissionais.
Falcão passou a atuar na estratégia de imprensa. Ele coordena o planejamento de entrevistas da candidata em viagens e em Brasília e despacha diariamente com a coordenadora de imprensa, Helena Chagas.
A entrada do deputado, amigo de Dilma há décadas, representou, na prática, uma divisão de poder na comunicação.
Como marqueteiro, Santana sempre foi uma espécie de coordenador geral de comunicação, apesar de ser oficialmente responsável pelo marketing.
Sua influência, em geral, vai muito além da TV, com o poder de moldar o discurso, na estratégia política e nos modos dos candidatos que assessora, modificando desde a forma de vestir e vocabulário, até o tipo de público para o qual deve falar.
A voz corrente na campanha, entretanto, é que Santana não deixará o posto, mesmo desgostoso com a nova organização. Ele não apenas é o preferido de Lula, mas também tem relação próxima com Dilma.
Em 2006, quando foi o marqueteiro da reeleição de Lula, a então ministra foi responsável por uma das coordenações da campanha. Ali, ambos estreitaram o relacionamento.
Há aqueles que acreditam que, com o início do horário eleitoral, a influência do marqueteiro voltará a crescer. Além da importância dos programas, Santana sabe utilizar de maneira hábil as pesquisas qualitativas que realiza.
João Santana e Rui Falcão atuaram juntos na campanha de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2008, quando ela perdeu para Gilberto Kassab (DEM).
A campanha enfrentou uma crise na reta final, por causa de um comercial de televisão com perguntas de natureza pessoal sobre Kassab.
Na época, Santana assumiu responsabilidade pela peça e disse que a candidata não tinha conhecimento do teor.
Hoje, os dois fazem parte do grupo de cardeais de Dilma, que se reúne às terças-feiras em Brasília para definir estratégias de campanha.
Os coordenadores são o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), e inclui o presidente do PT, José Eduardo Dutra e os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Na nova estratégia de imprensa, a campanha já ganhou um escritório em São Paulo, para dar apoio a agendas de Dilma no Estado, e está ampliando a estrutura em Brasília.
Na pré-campanha, a equipe usa três casas no Lago Sul, em Brasília. Além da imprensa, há profissionais que fazem programas de rádio e cuidam da manutenção do blog atual da candidata. A internet está a cargo da empresa Pepper”.

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