• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:14

Lula curado e a bomba de Hiroshima

      O ex-presidente Lula concedeu ontem uma entrevista as repórteres Cláudia Collucci e Mônica Bergamo, da ‘Folha’, e comparou a uma “bomba de Hiroshima” o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.
“Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. “Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou.”
Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão “com a casca dura”.
A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e “guru”, pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto”.
- Como o sr. está?
- O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
- Foi difícil abrir mão…
- Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
- O sr. teve medo?
- A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
- Qual é a palavra correta?
- A palavra correta… É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] – Pelo amor de Deus, presidente!
- Em coma?
- Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até…
- Sentia dor?
- Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
- Teve medo de morrer?
- Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
- O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
- Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
- Mesmo assim, teve um medo grande?
- Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: “Não tenha medo da morte”. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem…
- Qual foi o pior momento neste processo?
- Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada. Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: “Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor”. Eu já tava cansado de chupar pastilha. No dia do meu aniversário, eu disse: “Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames”. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil. Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: “Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!” Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: “Então vamos tratar”.
- Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
- Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: “Vamos fazer”. O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: “Hoje eu não quero, não tô com vontade”.
- O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
- Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
- Fez alguma promessa?
- Não.
- Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
- Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
- E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
- Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói. Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia! Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011… Nós visitamos 30 e poucos países.Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
- Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
- Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
- O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
- Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
- Tem falado com ela?
- Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
- E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
- Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência. Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas? E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral”.

  • Domingo, 04 Março 2012 / 20:29

Lula é internado com infecção leve

     Do iG:
     “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser internado neste domingo (4) no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por causa de uma febre baixa. Segundo o comunicado da equipe médica, após avaliação, foi constatada a presença de uma infecção pulmonar de leve intensidade, iniciando-se administração endovenosa de antibióticos.
O boletim afirma que Lula deve permanecer em tratamento no hospital “nos próximos dias”. A equipe médica que atende o ex-presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e David Uip.
Lula se recupera da radioterapia que combateu um câncer na laringe. O ex-presidente pretendia voltar a ativa no dia 15 de março, participando de campanhas políticas e viagens internacionais.
Leia a íntegra do comunicado do hospital Sírio-Libanês:
“O ex-presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, foi internado hoje, 04/03, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em função de ter apresentado febre baixa.
Após avaliação, foi constatada presença de infecção pulmonar de leve intensidade, iniciando-se administração endovenosa de antibióticos.
O paciente deverá permanecer em tratamento no hospital nos próximos dias.¿
A equipe médica que assiste o Sr. Lula é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e David Uip.

Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira
Diretor Técnico Hospitalar
 
Dr. Paulo Cesar Ayroza Galvão
Diretor Clínico”

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:38

Lula conclui radioterapia

    Da repórter Tatiana Farah, do ‘Globo’:
    ”Após concluir a última sessão de radioterapia contra o câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve alta ontem do Hospital Sírio Libanês, onde ficou internado uma semana, depois que começou a sentir os efeitos da radioterapia: fadiga, tosse e dores na garganta. Segundo o boletim do hospital, os médicos recomendaram que Lula passe o carnaval de repouso, vetando sua participação no desfile da Gaviões da Fiel, escola de samba que o homenageia esta noite.
Devido à radioterapia, Lula começou a sentir dores na garganta, mais rouquidão e dificuldade para engolir. Os médicos detectaram uma inflamação na mucosa da laringe, e Lula foi medicado, hidratado e recebeu suporte nutricional por soro.
- O processo inflamatório não se encerra com o fim do tratamento, imediatamente. Mas Lula está melhor e concluiu a radioterapia – disse o oncologista Artur Katz,
De acordo com Katz, o ex-presidente está se alimentando normalmente, apesar da dificuldade de deglutir. Ele deve continuar, em casa, a fazer fonoterapia e a fisioterapia. Exames preliminares já apontaram a eliminação do tumor. Em março, Lula será submetido a exames de avaliação da doença”.

  • Domingo, 12 Fevereiro 2012 / 21:32

Tumor de Lula não aparece em tomografia

     Dos repórteres Flavio Ferreira, Claudia Collucci e Natuza Nery, da ‘Folha’:
     “Uma tomografia feita ontem revelou que não há mais sinais de tumor na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde novembro passa por tratamento químio e radioterápico.
Lula, 66, foi internado na tarde de ontem no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após se queixar de fadiga, falta de apetite e irritação na garganta, efeitos colaterais normais do tratamento.
Segundo o oncologista Artur Katz, que integra a equipe médica que cuida de Lula, o exame foi feito para avaliar possível infecção pulmonar (que foi descartada), e não para investigar o câncer.
“Pegamos uma carona e, do ponto de vista tomográfico, não se vê mais o tumor”, disse ele ontem à Folha.
Ele ressaltou, no entanto, que só uma endoscopia, que será feita de quatro a seis semanas depois do fim da radioterapia, poderá revelar com certeza se o tumor desapareceu de fato.
“É o melhor exame para avaliar isso. A tomografia pode não enxergar células cancerosas.”
Katz afirma que já era esperado que, nessa altura do tratamento, o tumor estivesse desaparecido.
“De qualquer forma, é uma boa notícia. Nos deixa mais confiantes e mostra que estamos no caminho certo.”
Mas isso não quer dizer que o ex-presidente esteja curado. “A gente só fala em cura após cinco anos sem retorno da doença”, explica o oncologista.
Em boletim divulgado no início da noite, o Hospital Sírio-Libanês afirmou que o estado de saúde de Lula era bom e que não haveria alteração no plano de tratamento radioterápico, previsto para ser concluído na sexta.
“Após avaliação, foi constatada apenas presença de inflamação de mucosa da laringe e esôfago, decorrentes da radioterapia”, informou o boletim do hospital, acrescentando que o ex-presidente vai permanecer internado “para observação e intensificação das medidas de suporte nutricional, fisioterápicas e fonoaudiológicas”.
Nas sessões de fono, Lula fará exercícios de deglutição para facilitar a alimentação e não engasgar.
A equipe médica que trata o ex-presidente o aconselhou a permanecer internado até o fim do tratamento, já que os efeitos colaterais tendem a ser mais severos nesse período.
“Vamos avaliá-lo no dia a dia e ver como ele se sente. Ele está no pico dessa inflamação [na garganta] e deve sofrer um pouco mais de desconforto. Isso é normal para todos os pacientes.”
A internação de Lula se deu após visita de um médico da equipe à casa do petista, em São Bernardo do Campo.
Lula apresentava secreção na garganta e reclamava de fadiga e dificuldade para se alimentar, apresentando também desidratação.
Os médicos já haviam aconselhado o ex-presidente a se alimentar por meio de uma sonda, mas ele resiste à medida, segundo relatos.
Desde que começou a radioterapia, Lula perdeu cerca de 9 quilos.
Por recomendação médica, o ex-presidente não vai mais desfilar na escola de samba Gaviões da Fiel, durante o Carnaval.
Ele também não participou na sexta do 32º aniversário do PT, em Brasília.
Na ocasião, ele enviou uma carta aos petistas lamentando a ausência e explicando que estava na fase final do tratamento”.

  • Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:13

Lula, a voz do Brasil

                                               Frei Betto*

      Lula é, hoje, a voz do Brasil. De modo especial, a voz dos que não têm voz. Nenhum brasileiro tem, no exterior, tanta audiência. Os chefes de Estado prestam atenção no que ele diz, inclusive Dilma Rousseff.
Universidades dos cinco continentes o homenageiam com o diploma de doutor “honoris causa”. Empresários, dentro e fora do Brasil, querem conhecer seu ponto de vista sobre a conjuntura. Organismos internacionais se interessam pelo modo como o seu governo combateu a fome e reduziu a desigualdade social no Brasil.
A vida é imprevisível. Frágil como uma folha seca. E o futuro a Deus pertence. Súbito, Lula vê-se afetado por um câncer na laringe. Até parece que a natureza decidiu atingi-lo em seu calcanhar de Aquiles. Como ocorreu ao pianista João Carlos Martins, cujos dedos das mãos, afetados por uma sucessão de problemas de saúde, quase o obrigaram a se afastar da música. Hoje, ele é reconhecidamente um exímio regente.
O câncer parece perseguir os chefes de Estado: Lugo, Chávez, José Alencar… Lula é feito da mesma matéria-prima de Alencar. Os dois foram dotados de um imbatível otimismo frente à vida, sustentado por consistente fé cristã. Como Alencar, Lula se sabe predestinado – não no sentido messiânico que o termo possa sugerir, e sim como resultado de uma convergência de fatores que o levaram à vida pública e, graças à sensibilidade social trazida de berço, se empenha em minorar a desigualdade social e promover uma ampla política de inclusão dos empobrecidos.
Todo o poder de comunicação de Lula se centra na voz. Ele nasceu brindado pelo dom da oratória. Lembro do início de nossa amizade, nas grandes assembleias metalúrgicas do ABC, no estádio da Vila Euclides, nos primeiros anos da década de 1980. Lula, antes de sair de casa, elencava num pedaço de papel os temas a serem abordados em seu discurso de encerramento da concentração operária. Era sempre o último a falar. Seu discurso marcava a culminância da assembleia.
Ocupado o palanque, iniciava-se a sucessão de pronunciamentos: diretores do sindicato dos metalúrgicos, líderes operários, advogados trabalhistas, políticos… À medida que o ato avançava, os pontos elencados por Lula brotavam da boca dos oradores que o precediam. Eu me sentia aflito por ele, preocupado se, ali no palanque, ele teria ideia de outros temas que ninguém tivesse abordado.
Terminada a lista de oradores, a palavra de coroamento da manifestação cabia a Lula. Todos prestavam silenciosa atenção, como se cada uma de suas frases devesse ser absorvida pela multidão. Então, Lula surpreendia. Não por arrancar da cartola retórica, como um mágico, temas inéditos. A pauta era a mesma. A novidade consistia no modo como a abordava.
Não falava com a cabeça, e sim com o coração. Não proferia teorias nem se perdia na ênfase de frases demagógicas. Discursava a partir de experiências oriundas de sua trajetória pessoal, criava parábolas, contava “causos”. Exortava, advertia, expressava metáforas bem humoradas, destilava ironias em torno da ditadura, caricaturava ministros e empresários, cobrava de cada grevista empenho na mobilização, atiçava os brios éticos da massa trabalhadora. Seu pronunciamento soava mais moral do que político. Sua voz inflamava a assembleia.
Agora, a voz padece. Descansa. Exige cuidados. Lula, como ocorre às águias ao atingirem 40 anos de idade, se recolhe à montanha para adquirir novo vigor. E, em breve, retomar seu voo por uma política, no Brasil e no mundo, centrada no fim da miséria e da pobreza – onde a sua vida teve início.
*Frei Betto é escritor e publicou esse artigo no ‘Granma’, orgão oficial do Partido Comunista de Cuba. A publicação foi em novembro do ano passado, mas hoje ele foi reproduzido na versão eletrônica do jornal cubano.

  • Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 / 10:34

Lula visita o seu crítico

    Lula não visitou apenas o ator Reynaldo Gianecchini, que trata também de um câncer.
Segundo informa Ancelmo Góis, em sua coluna, “Lula fez outro dia uma visita ao empresário Roberto Civita, da Editora Abril, que estava internado no mesmo hospital onde o ex-presidente se trata”.

  • Quarta-feira, 18 Janeiro 2012 / 12:14

Lula reclama de irritação na garganta

     Deu no ‘Correio Braziliense’:
     “Após as primeiras sessões de radioterapia no tratamento contra o câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixou de uma forte irritação na garganta. Ontem pela manhã, Lula esteve no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para submeter-se à 10ª sessão da radio. De acordo com a
assessoria de imprensa do Instituto Lula, o incômodo começou nesta semana, é constante e aumenta quando o ex-presidente ingere alimentos.
Paulo Hoff, integrante da equipe médica responsável pelo tratamento do câncer do ex-presidente, afirma que a irritação é comum e prevista no tratamento com radioterapia. Segundo o especialista em oncologia, a tendência é piorar nos próximos dias. “Só vai aliviar no fim do tratamento”, esclarece Hoff.
Diagnosticado no fim de outubro do ano passado com câncer, o ex-presidente passará ao todo por 33 sessões de radioterapia até fevereiro. De acordo com o boletim médico, elas são realizadas de segunda a sexta-feira. O petista, no entanto, não precisa ficar internado. Uma vez por semana, Lula toma medicamentos que potencializam os efeitos do tratamento.
Além das sessões de radioterapia, o ex-presidente é submetido a quimioterapia complementar uma vez por semana. No início do tratamento, em novembro, Lula estava fazendo somente quimioterapia. A primeira sessão de radioterapia foi realizada em 4 de janeiro.
Segundo a assessoria de imprensa de Lula, a voz dele continua normal, apesar dos procedimentos realizados para combater o tumor. A equipe médica afirmou que, após encerrar o ciclo principal de quimioterapia em dezembro, os primeiros exames feitos indicaram que o câncer na laringe — que tinha 3cm de diâmetro —
já tinha sofrido uma redução de tamanho de 75%. Os médicos afirmam que a radioterapia pode ser a fase final do tratamento de Lula contra a doença. Uma cirurgia está descartada”.

  • Sábado, 14 Janeiro 2012 / 12:00

Voz do dono, dono da voz

     Da colunista Monica Bergamo, da ‘Folha’:
    ”Dez dias depois de começar o tratamento com radioterapia, a voz de Lula ainda não apresenta alterações. Pelo contrário: até melhorou graças aos exercícios de fonoaudiologia que ele está fazendo duas vezes ao dia”.

  • Quinta-feira, 05 Janeiro 2012 / 11:50

Lula inicia radioterapia

      

     Da repórter Daiene Cardoso, do ‘Estadão’
     “Após ter iniciado uma nova etapa na luta contra o câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou ontem à tarde o hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, onde foi submetido à primeira sessão de radioterapia e a uma sessão complementar de quimioterapia.
Durante as seis horas em que esteve no hospital, Lula recebeu a visita do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), e ainda assistiu a parte do jogo entre Corinthians e Santos (da Paraíba), pela Copa São Paulo.
Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente e Kassab conversaram sobre “quase tudo”. “Falaram de futebol, da cidade de São Paulo e sobre enchentes.”
Bem-humorado, Lula acompanhou a partida de futebol pela TV, enquanto fazia a sessão de quimioterapia. “Ele vibrou muito com a molecada”, afirmou, referindo-se à goleada de 9 a 0 do Corinthians, time de Lula.
Segundo Okamotto, o ex-presidente reagiu bem à nova fase do tratamento. “Ele começou com o pé direito.” Além da sessões de radioterapia e de quimioterapia, Lula teve consultas hoje com um fonoaudiólogo e com um dentista. O objetivo é evitar que os efeitos colaterais (surgimento de aftas, perda de apetite, dificuldade para engolir, entre outros) se agravem nas próximas seis ou sete semanas previstas para o tratamento.
Nesse período, Lula terá sessões diárias de radioterapia, com exceção dos finais de semana, tendo de se deslocar de sua casa em São Bernardo do Campo (ABC) para o hospital, na região central de São Paulo. O ex-presidente terá ainda uma sessão semanal de quimioterapia. Segundo Okamotto, caso o trânsito seja muito pesado nesse trajeto, provocando cansaço em Lula, a família pode optar pelo aluguel de um flat ou de um apartamento próximo ao hospital. Lula se alimentou normalmente ontem e não tinha apresentado efeitos colaterais”.

  • Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:35

Lula inicia fase mais dura do tratamento

     Da repórter Daiene Cardoso, do ‘Estadão’:
“    “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa hoje uma nova etapa na luta contra o câncer na laringe – agora com sessões de radioterapia.
Diferentemente das sessões anteriores, de quimioterapia, quando permanecia internado na primeira noite de tratamento, Lula deve comparecer diariamente ao Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, por seis a sete semanas.
“A internação geralmente não é necessária, só em caso de complicação”, explicou Luiz Paulo Kowalski, um dos médicos da equipe que trata o ex-presidente. A expectativa dos médicos é que Lula enfrente a radioterapia tão bem quanto tolerou os três ciclos de quimioterapia.
Os efeitos colaterais da radiação só devem aparecer na terceira ou quarta semana. “Nas primeiras semanas, os pacientes conseguem tocar normalmente as atividades”, explicou Kowalski.
Durante as sessões, o paciente permanece deitado por 10 a 12 minutos no aparelho de radioterapia, com a cabeça imobilizada. No caso de Lula, a radiação deve abranger, além da laringe, os gânglios próximos.
As reações mais comuns à radioterapia são mucosite (inflamação na mucosa oral), vermelhidão, escamação e inchaço na região tratada. Devido às pequenas ulcerações que podem surgir, o paciente sente dores e dificuldade para
ingerir alimentos. Por isso, alguns pacientes passam a ser alimentados por sonda. No longo prazo, a pessoa perde peso e apetite.
Na fase de quimioterapia, Lula teve mucosite, queda de cabelo e fadiga. Para controlar os efeitos da radioterapia na boca e na garganta, o ex-presidente será também assistido por dentistas e uma nutricionista será destacada para
garantir uma dieta compatível com o tratamento”.

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