• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:24

25% da Câmara tem ficha suja

Da repórter Eugênia Lopes, do ‘Estadão’:
“Não é à toa que as resistências ao projeto que obriga os candidatos a terem ficha limpa são grandes na Câmara. Nada menos que 152 parlamentares são investigados pelo Supremo Tribunal Federal, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco, em setembro de 2009. Ou seja, um quarto dos deputados e senadores tem pendências com a Justiça. O PMDB e o DEM lideram a relação de partidos com maior número de parlamentares encrencados no Supremo.
No PMDB, 32 deputados e senadores estão na mira da Justiça. No DEM, são 22 parlamentares e, no PSDB, 17 respondem a acusações no Supremo.
Dos grandes partidos, o PT é o que tem menor número de parlamentares com problemas na Justiça: 14 deputados do total de 79. Só quatro partidos (PC do B, PHS, PTC e PT do B) com representação no Congresso não têm nenhum parlamentar com ação ou inquérito no STF.
Pelo levantamento do Congresso em Foco, as acusações referem-se a 20 diferentes tipos de crime. Os delitos mais frequentes dizem respeito a crimes de responsabilidade, contra a Lei de Licitações, peculato, formação de quadrilha, homicídio, estelionato e contra o meio ambiente. Há ainda denúncias de menor gravidade, como os crimes de opinião – calúnia, injúria e difamação.
A maioria dos parlamentares que respondem a ações no Supremo será candidata este ano. Um dos casos mais notórios é o do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), alvo de nove ações e inquéritos no Supremo, que incluem emprego irregular de verbas públicas, peculato, estelionato e formação de quadrilha. Jader ainda não decidiu se disputará o governo do Pará ou o Senado, como defende o PT”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:55

Câmara: vai piorar

Do ‘Globo’ de hoje:
“Câmara bate recorde de faltas”.
Isso foi em 2009.
Esse ano será bem pior.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:44

Câmara derrotou Zilda Arns

 Olhem que nota curiosa publicada hoje no site do PDT.
Ela dá uma noção exata do comportamento de nossos políticos. A maioria deles deveria estar presa.
A nota é assinada por Andre Araujo:
“Em dezembro de 2001 a Câmara dos Deputados tinha o direito a indicar dois nomes para o Conselho da Republica, orgão criado pela Constituição de 88 para dar assessoramento de alto nível ao Presidente da Republica. O nome da Dra. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, foi submetido à votação por um grupo de deputados, uma excelente sugestão. Não foi eleita. Teve apenas 94 votos e perdeu para um nome imbatível pelo seu alto nível e prestígio, o deputado Edmar Moreira, conhecido como ?deputado do castelo?, que teve esmagadores 229 votos. O segundo mais votado foi o jurista Evandro Lins e Silva, com 113 votos. Edmar Moreira superou a médica benemérita e o famoso jurista, isso que é vencer, a Camara sabe escolher os bons”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:37

Gabeira continua na mesma praia

Com o título “Gabeira recua e complica PSDB”, Pedro Venceslau escreveu no ‘Estadão’:
“A insistência do PV do Rio de Janeiro em lançar candidato próprio à sucessão do governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), levou o deputado Fernando Gabeira, principal nome da sigla no Estado, a desistir de disputar uma cadeira no Senado.
“As decisões de lançar candidato próprio e não fazer coligação no campo estadual limitaram demais minhas chances ao Senado. Eu teria 30 segundo de TV e rádio. Para quem não tem recursos, isso não basta. Muito provavelmente, disputarei uma vaga na Câmara. É a velha questão de querer ser puro-sangue”, disse.
Até a definição da candidatura de Marina Silva ao Planalto, havia uma forte articulação para que Gabeira encabeçasse uma chapa formada por PSDB e PPS. “Com Marina, ficou bem claro que eu não poderia ter apoio de dois candidatos a presidente. Isso levaria muita ambiguidade ao eleitor.” E frisou que a apoiaria, mas “todos em torno” ficaram com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB)”.
Gabeira só vai na boa.
Ia ser governador, ia ser senador, agora será deputado.
O palanque do Rio é um dos principais problemas de Serra. Sem nomes fortes, o PSDB tem negociado com o PPS, que pode lançar a ex-juíza Denise Frossard ou o vereador e ator Stepan Nercessian, e com o DEM, que pode contar com o ex-prefeito Cesar Maia.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:03

Beltrame e a violencia no Rio

Certa vez, logo no início do governo Cabral, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, foi assistir a um show no Canecão. Quando teve sua presença anunciada pelo artista que lá se apresentava,
Beltrame, para surpresa geral, inclusive a dele próprio, foi aplaudido pela platéia.
Naquela semana, quase 20 bandidos haviam sido mortos de uma só vez.
Passados quase três anos, Beltrame foi hoje a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, e lá declarou que ?o Rio de Janeiro não é violento. O Rio tem núcleos de violência. Temos índices em determinadas áreas do Rio de Janeiro que são europeus?.
Se forem fazer uma pesquisa com o público que freqüenta o Canecão para saber qual o jornal de sua preferência, ?O Globo? vencerá facilmente a disputa.
Então vejam o que dizem alguns leitores do Globo online sobre a declaração de Beltrame.
Só não publico os nomes dos autores,  pois afinal eles escreveram para ?O Globo? e não para cá. Mas quem duvidar é só acessar o www.oglobo.com.br

1.”Beltrame, ah, Beltrame!quanta ironia na sua fala, quanta desfaçatez na sua colocação, quanta mentira regurgitada da sua garganta, quanta falta do que fazer dos caras da Câmara dos Deputados, quanta esculhambação no reino da incompetência do governo do Rio.
Tá faltando alguém para o time do Casseta e Planeta. Te cuida, Dr. Greysson,Beltrame tá na área pra tomar o teu lugar.Ele e o governador.”
2. “O rio nao e violento nao… Diz isso para a familia do medico que morreu essa semana, baleado durante um assalto. Sera que a “Nascimento Silva” tem os indices europeus que se referiu o palhaco, ops, secretario de seguranca?!”
3. “Vai vê que o excelentíssimo senhor secretário fala isso pq ele não foi assaltado quatro vezes!!! Não teve seu carro levado duas vezes e se viu na mira de fuzis a um passo da morte ou da vida, nas mãos dos bandidos. E nem teve sua tranquilidade roubada até na hora de chegar em casa!!!”
4.”Esse secretário é um palerma.
Como tantos outros que passaram por aquí”.
5. “O Secretário Beltrame tem razão quando diz que o Rio não é uma cidade violenta. Na verdade a cidade é EXTREMAMENTE violenta!!! Chega de conversa fiada de político. Só mentiras e enrolação. Queremos ação!!
6. “Essa pegou no sac@
Era preferível ficar calado”
7. “Como esperar alguma solução para a criminalidade generalizada que nos ronda diariamente se o secretário que deveria garantir a nossa segurança acha que vivemos na Europa? Aliás, senhor secretário, a sua polícia não só é incapaz de prover proteção aos cidadãos, como também se soma às ameaça com as quais somos obrigados a conviver cotidianamente. Nós, civis, cidadãos comuns e pagadores de impostos temos contra nós os bandidos e a polícia. Pagamos pelo “direito” de termos mais ameaças a espreita.”
8. “VERDADE SEJA DITA,A VIOLENCIA DO RIO SÓ
PODER EQUIPARADA AS RUAS DE BAGHAD,
SÓ ESTÃO FALTANDO OSCARROS BOMBAS E HOMENS E
MULHERES SE EXPLODINDO EM
LUGARES DE GRANDE MOVIMENTO,PORQUE DO RESTO
O RIO É IGUALZINHO A UMA CIDADE EM GUERRA.
SÓ O BELTRAME,O CABRAL E O
PREFEITO É NÃO CONSEGUEM
ENXERGAR,POIS VIVEM EM SUAS
FORTALEZAS BLINDADAS”.
9. “O SENHOR É UM FANFARRÃO !
SENHOR SECRETÁRIO !”
10. “Ah, o Beltrame diz isso porque a especialidade dele é culinária… E tá concorrendo a uma vaga no programa da Ana Maria Braga, no lugar do louro José. O problema é que o tal louro sabe se expressar melhor do que o tal do Beltrame….
Palhaçada..!!
Quero ver ele andar sem seguranças..!! Já que o Rio não é violento, abra mão de sua segurança, Beltrame.!!! Vai passear em Copa com sua família à noite..!! Que tal as vias expressas da Cidade?? V.E.R.G.O.N.H.O.S.O..!!”
Até às 17h40m já existiam 161 mensagens.
Beltrame precisa voltar ao Canecão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:40

Fiscalizando o Rio2016

A Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma comissão externa para fiscalizar o uso das verbas federais na organização dos Jogos Olímpicos do Rio2016.
A Assembléia Legislativa e a Câmara Municipal do Rio também anunciaram que criarão comissões com o mesmo o objetivo.
O Ministério Público Federal informou que acompanhará a utilização dos recursos nas obras dos Jogos, ?com o intuito de evitar gastos desnecessários?.
A Procuradoria da República criou o Grupo de Acompanhamento de Liberação, Ingresso, Dispêndio e Aplicação dos Recursos Públicos Federais destinados aos Jogos de 2016.
Tomara que algumas dessas iniciativas sejam para valer.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:39

Eleições tem lei absurda

Esses deputados são mesmo do barulho.
Aprovaram hoje uma lei, pela qual fica liberado o uso da internet durante a campanha eleitoral do próximo ano mas, os sites de conteúdo, só poderão falar a favor.
Os jornais estão livres para tudo.
E por que a diferença?
Ninguém sabe. Nem eles.
Nos jornais pode-se criticar e condenar candidatos, e pode-se vender espaço publicitário para quem quer que seja. Nos sites não.
Como só se poderá falar a favor, o que os políticos querem é incentivar o uso do caixa 2. Essa é a única explicação.
E todo site que estiver a favor de alguém, estará também sob supeita.
O relator do projeto, deputado Flavio Dino, do PCdoB do Maranhão, diz que “não podemos permitir que haja na internet propaganda caluniosa, difamatória, injuriosa, mentirosa e campanha de baixo nível?.
E ele tem toda a razão.
Mas existe o Código Penal para processar quem difama, quem injuria e quem mente.
Explicitar a preferência por um ou outro candidato não se enquadra em nenhum desses casos. Qual o crime que existe nisso? Sites e blogs são feitos por cidadãos e não por juízes isentos.
Pela lei, os únicos que não estarão livres das críticas serão os atuais governantes, candidatos à reeleição.
Pode-se até proibir críticas a sua campanha.
Mas não se poderá impedir críticas as suas administrações.
E eles é que vão pagar o pato.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:02

Era mais barato

 O Congresso é mesmo coisa de doido.
Hoje, toda a pressão está em cima do Senado, e com toda a razão.
Mas a Câmara também faz das suas.
Toda a onda de denúncias começou quando o deputado Fabio Faria (PMN-RN) gastou R$ 21,3 da cota de passagens que tinha direito, com bilhetes aéreos para a namorada e mais dez pessoas.
Só que a namorada era pessoa pública, a apresentador Adriane Galisteu.
Fabio Faria alegou, com razão, que Galisteu era sua companheira na época, mas devolveu o dinheiro para “evitar polêmica”.
O presidente da Casa considerou que não houve intenção do deputado em obter lucro, houve apenas um erro de procedimento.
 A favor do deputado, um detalhe: só ele devolveu o dinheiro, embora a metade da Casa estivesse envolvida na falcatrua.
O escandaloso é que para legítimar o gasto de R$ 21,3, a Câmara pagou R$ 150 mil a dois “especialistas” para dar um parecer.
Seria mais barato deixar como estava.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:01

“Muito além do mensalão”

Artigo do jornalista Janio de Freitas hoje na ‘Folha’ analisando o escândalo porque passa o Senado:

“Ainda longe de saber-se até onde vão as práticas transgressoras no Senado, as revelações iniciais já permitem deduzir que se trata de ocorrência mais grave do que o mensalão que assolou a Câmara.
Primeira distinção, e essencial, é que o mensalão se movimentou em torno de dinheiro, de fora para dentro da Câmara. Proveniente de corruptores para deputados e, ao que alegaram alguns, para caixas partidárias de campanha. Como mecanismo -compra de apoios e decisões do âmbito oficial-, um episódio de corrupção convencional, apenas diferenciado pela aparência de cume dos abusos no e contra o Congresso. Não fosse a proporção, nem como corrupção parlamentar seria novidade.
A devassidão no Senado não tem, em sua essência, ativadores externos, não tem dinheiro privado nem se destina a produzir apoios e decisões favorecedoras em âmbito oficial. Tudo começa e se completa no organismo do Senado. O dinheiro transferido aos beneficiados -seja como emprego impróprio, em vencimento exorbitantes, nas comissões com superfaturamentos e concorrências, nas falsas horas extras, passagens, e o que mais for -é dinheiro dos cofres públicos. Incluído no Orçamento da União pelo próprio Senado e a ele repassado a título de custear a sua função institucional.
Outra diferença está em que o mensalão se moveu na relação direta entre corruptores e parlamentares recebedores, sem a interferência de procedimentos da Câmara. As irregularidades e ilegalidades no Senado só puderam existir porque frutos de um sistema de integração e de fins composto pela direção superior, representada nas Mesas Diretoras, e por sua subordinada direção administrativa da Casa.
Ainda uma distinção agravante para o Senado: a Câmara suplantou a feroz resistência do governo e do PT e criou a CPI para apurar, com resultados incompletos mas nada desprezíveis, os processos e envolvimentos do mensalão. No Senado, a regra geral é a dos escapismos variados, desde uma proposta miúda à de “uma reforma total”, restrita a essa expressão vaga e banal.
Não é, como se tem dito, uma crise que acomete o Senado, algo que irrompe e se desdobra rumo a um fim. É uma instituição na instituição, um sistema vasto e de longa duração que se começa a desvendar.
Esta é a peculiaridade e a gravidade maior: o Senado tornou-se a sua devassidão. E só ele pode refazer-se, como o regime democrático necessita que faça”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 21:57

A chantagem explícita

O presidente do Senado, José Sarney, quando ocupou a tribuna, na semana passada, para dizer que a crise não era dele, era do Senado, ele sabia o que vinha por aí.
No discurso, Sarney fez questão de frisar que todas as suas ações eram de  responsabilidade do conjunto da Casa, e não apenas dele.
A manchete do ?Globo? de hoje é a prova disso.
Ela é, na verdade, mais uma ameaça do que propriamente uma notícia. Mas é claro que, nas próximas horas, os bois passarão a ter nomes, alguns até do chamado grupo ético.
Diz a manchete de primeira página:
?Nem só para contratações irregulares de pessoal serviram os mais de 600 atos secretos do Senado em 14 anos. A comissão de sindicância concluiu que outras decisões administrativas foram tomadas para beneficiar senadores e funcionários. Os gastos, cobertos com dinheiro público, incluem reforma de um apartamento funcional em que só a obra da cozinha custou R$ 100 mil, além de passagens aéreas e reembolso de despesas médicas fora do padrão?.
E tem mais: cirurgias estéticas, pagamento de passagens internacionais para senadores e acompanhantes sem que estivessem em missão oficial,  ampliação sem limite da cota na gráfica do Senado, pagamento de horas extras sem limite a servidores.
A reportagem de Gerson Camarotti publica apenas um nome: a do senador Cristóvão Buarque que empregou a mulher na liderança do PDT. Ela é funcionária da Câmara e há dois anos foi devolvida ao órgão de origem.
Segundo Camarotti, o clima é de ?ameaça e intimidação?.
A partir de agora é o vale-tudo.
E com muita chantagem.
E ponha chantagem nisso.

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