• Sexta-feira, 13 Janeiro 2012 / 9:44

Meritocracia

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    “Em solenidade, ontem, no Bandeirantes, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, pediu aplausos para os 151 anos do banco. Vários funcionários se levantaram, mostrando ocupar metade dos assentos reservados a autoridades.
Minutos depois, Dilma Rousseff acenou para o grupo:
-É tempo de festa, mas também de pensar nas 400 mil moradias que precisamos viabilizar além da meta…
Um funcionário da instituição brincou:
-Nossa, nem deu tempo de assoprar as velinhas e já tem mais trabalho na mesa?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:27

BB: “Ter lucro não é vergonha”

Por Giuliano Guandalini, da ‘Veja’:
“Os bancos públicos, aqueles controlados pelo governo, ainda têm um papel a cumprir no desenvolvimento do país, mas desde que trabalhem em busca contínua da eficiência e da rentabilidade. É sob essa perspectiva que Aldemir Bendine comanda, há dez meses, a maior instituição financeira do país, o Banco do Brasil. “Não precisamos ter vergonha de obter lucros”, afirma Bendine. “Os lucros demonstram a eficiência na administração dos negócios.”
Nascido em 1963 em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, começou a trabalhar no banco como office boy aos 14 anos, quando ser funcionário do BB era sinal de status, principalmente nas cidades pequenas. Em 1982, foi admitido por concurso público. Formado em administração de empresas, casado e pai de duas filhas, Bendine ? ou “Dida”, como os amigos o chamam ? chegou à presidência do banco, o topo da carreira na instituição, em abril do ano passado. Foi indicado pelo ministro da Fazenda, com a responsabilidade de reduzir as taxas de juros. Tal incumbência não impediu o BB de registrar, em 2009, o melhor resultado de sua história: lucro de 10,1 bilhões de reais, de acordo com números divulgados na semana passada. Bendine falou a VEJA.
- O Banco do Brasil alcançou em 2009 o melhor resultado de sua história, com um lucro superior a 10 bilhões de reais e crescimento de 15% em relação a 2008. Como foi possível isso em um ano em que a economia brasileira ficou estagnada?

- No início do ano passado, quando ainda imperava uma crise de confiança, havia um travamento das linhas de crédito no país. Isso aconteceu por causa do receio de que houvesse um contágio mais profundo da turbulência externa, como em outras crises do passado. Nesse ambiente de incertezas, a reação dos bancos foi restringir a concessão de empréstimos e elevar as taxas de juros. Nossa estratégia, ao contrário, foi apostar na recuperação rápida da economia brasileira. Foi uma receita relativamente simples, mas que se revelou acertada e vencedora. Fizemos isso num momento em que o mercado estava bastante conservador. Mas, de acordo com informações de que dispúnhamos, esse conservadorismo era exagerado. A situação da economia real não justificava essa atitude.
- Mas havia uma determinação política do governo de reduzir os juros, motivo inclusive que o levou à presidência do banco. O BB foi até mesmo criticado por cobrar juros, em algumas linhas, maiores que os de bancos privados.
- De fato, o governo julgava que não havia razão para aquela reação exagerada, justificada apenas por uma crise de confiança. Houve, de minha parte e dos diretores que comigo assumiram em abril passado, uma confluência de visão com essa avaliação do governo. Acreditávamos que poderíamos reduzir os juros e tivemos o apoio para fazê-lo. Um dos pontos a ser realçados é que fomos beneficiados pelo fato de, em meio a uma crise, o Banco do Brasil ser visto como um porto seguro para os depósitos. Atraímos assim
clientes de qualidade. Hoje, a taxa de inadimplência de nossos clientes é inferior à média do mercado bancário nacional.
- Observada pelo retrovisor, essa “receita simples”, como o senhor a classifica, comprovou-se eficaz. Mas não houve o risco de comprometer o patrimônio do banco?
- Não foi uma aposta irresponsável, desprovida de fundamentos. Apenas fomos mais corajosos. Tínhamos suporte técnico para tomar aquela decisão. Os juros bancários haviam subido bem acima do razoável, e decidimos reduzi-los antes de nossos concorrentes. Houve um momento em que o mercado como um todo, inclusive o Banco do Brasil, fez uma leitura equivocada do que estava ocorrendo. Nós saímos na frente na correção dos excessos. Na sequência, os demais bancos fizeram o mesmo. Não existiam razões
concretas para aquele travamento nas linhas de crédito. Se essa restrição perdurasse, aí sim haveria um contágio mais profundo da economia brasileira ? algo que felizmente não ocorreu.

- A rentabilidade dos bancos brasileiros não é exagerada, particularmente no caso do BB, um banco público?
- É preciso desmitificar algumas questões. A rentabilidade dos bancos brasileiros, ao contrário do que se diz, não extrapola o que ocorre em outros países. Em segundo lugar, não é verdade que o setor financeiro seja o mais lucrativo do país. Há outras atividades mais rentáveis. O terceiro ponto é que não existem
razões para sentirmos vergonha de ter lucro. Pelo contrário. Os lucros demonstram a eficiência na administração do negócio. Não é preciso ter timidez em evidenciar os resultados positivos dos bancos brasileiros. Trata-se de uma consequência da eficiência alcançada por essas instituições, que estão entre as mais competitivas do mundo.
- Corrigidos os excessos do momento de quebra de confiança, nos meses mais acerbos da crise, os juros bancários recuaram. Ainda assim, as taxas são elevadíssimas, entre as mais altas do mundo. Por quê?
- Na composição das taxas de juros, que nada mais são do que o valor a ser cobrado dos clientes para cada tipo de empréstimo, existem dois fatores que estão sob a influência direta do banco. Em primeiro lugar, a inadimplência, ou, visto de outra maneira, o risco de que haja perda do capital emprestado. O segundo
componente é a própria eficiência operacional do banco. Agora, existem outros elementos que oneram os juros bancários, mas estão fora do controle das instituições financeiras: a elevada carga de tributos que recai sobre os financiamentos e também os depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos. Sem mexer nessas duas questões, não haverá como reduzir significativamente os juros bancários neste momento.
- O histórico de má administração e utilização política de bancos públicos já levou o governo a capitalizar essas instituições com dinheiro do Tesouro, bancado pelos contribuintes. Estamos livres desse risco?
- É preciso ficar bem claro que essa nova emissão de ações não tem nada a ver com a situação em que o banco se encontrava em 1995, por exemplo. Naquele momento houve a necessidade de uma aplicação de dinheiro público, inclusive elevando a participação do governo no bloco acionário, por causa de uma eficiência na contabilidade do banco. O que estamos fazendo agora, com essa nova emissão, não é para tapar buracos do passado. Pelo contrário, a intenção é ter capital para investir e crescer. A participação privada, agora, crescerá. Com relação à ingerência política, tenho certeza de que o banco está hoje muito mais protegido contra qualquer interferência maléfica.
- No passado, com a doença da inflação e a instabilidade financeira, não havia crédito suficiente para financiar o consumo e as empresas no país. A presença dos bancos estatais era justificada para suprir essa deficiência. Com a conquista da estabilidade, os bancos privados voltaram a financiar o setor produtivo. Qual a utilidade atual dos bancos públicos?
- Não me agrada uma discussão maniqueísta entre público e privado. O modelo misto pode atender a uma economia muito melhor do que os dois extremos. O BB representa muito bem esse modelo. Não é um banco 100% público. Possui ações negociadas em bolsa. Por isso temos a obrigação de apresentar resultados positivos não somente para o governo, que é nosso acionista majoritário, mas também para os nossos acionistas minoritários. Não tenho dúvida de que esses investidores estão felizes com a atual administração do banco. Mas não podemos nos guiar somente pela lógica de mercado. Se fosse para fazer apenas o que as instituições privadas já fazem, seria melhor privatizar o BB. Penso que ainda temos uma função de indutores do desenvolvimento do país. Executamos determinados papéis que às vezes não são
atrativos para os bancos privados, desde que mantidas as premissas de rentabilidade que guiam a ação do banco. Somos responsáveis por 65% do crédito agrícola, por exemplo, e temos uma rentabilidade fantástica com essa carteira de clientes.
- O crédito tem crescido rapidamente no Brasil, acima de 10% ao ano. O financiamento chegou a pessoas que, até pouco tempo atrás, não dispunham nem mesmo de conta bancária. Podemos sofrer uma crise similar à ocorrida nos Estados Unidos?
- A curto prazo, de maneira nenhuma. Não existe a menor possibilidade de termos uma bolha semelhante à americana. Os brasileiros, em sua maioria, ainda estão comprando o seu primeiro carro, a sua primeira casa. Há muito espaço para que o crédito continue crescendo no país. Ao contrário do que ocorreu no mercado americano, no qual as pessoas estavam comprando a sua terceira casa, o seu quinto automóvel. Além disso, o sistema financeiro do Brasil é bem mais conservador, não se norteia por apostas que não sejam lastreadas na economia real. Temos também uma regulação financeira mais rígida, que se mostrou exemplar e coíbe apostas meramente especulativas.
- Quais deverão ser os campos mais promissores nos próximos anos do ponto de vista da ampliação do crédito no país?
- Podemos esperar duas grandes expansões nos próximos anos. A primeira delas é a de investimentos em infraestrutura. Os financiamentos nessa área deverão avançar rapidamente, estimulados pelas obras necessárias à realização da Copa do Mundo e da Olimpíada do Rio. Haverá também a necessidade de
levantar capital para a exploração do petróleo na camada do pré-sal. O segundo evento extraordinário que presenciaremos ocorrerá no setor imobiliário. Com o amadurecimento da economia, os financiamentos residenciais ganharão força. Além disso, estima-se que o país tenha um déficit de 8 milhões de moradias.
A massa salarial dos trabalhadores vem crescendo, então as pessoas se sentem mais confiantes para financiar a casa própria.
- No capitalismo pós-crise, o sistema financeiro mundial parece caminhar para uma concentração. Como isso afeta o Brasil?
- O sistema bancário passa, de fato, por um processo de concentração. Ao contrário do que se possa pensar, isso é salutar. Como em outras atividades, ter escala é fundamental. Sem isso, não há como reduzir custos, oferecer preços mais atraentes e ser mais eficiente. Essa concentração tem sido observada no Brasil. Existem hoje no país dois grandes bancos públicos (BB e Caixa Econômica Federal), dois grandes privados de capital nacional (Itaú Unibanco e Bradesco) e dois grandes privados de capital estrangeiro (Santander e HSBC). Considero esse um bom modelo, com concorrência bastante acirrada. Nesse cenário, é natural que os bancos brasileiros ampliem sua participação no mercado internacional. No BB, temos uma meta de ampliar expressivamente nossas atividades lá fora. O primeiro passo será atender os milhares de brasileiros que vivem no exterior. Outro ponto importante é a internacionalização das empresas brasileiras. Existem hoje 200 grupos nacionais com presença significativa no comércio externo que necessitam de um
suporte dos bancos brasileiros.
- É possível imaginar a fusão do Banco do Brasil com algum outro banco privado nacional, para assim criar uma potência financeira global?
- Não imagino, ao menos a curto prazo, uma fusão pura e simples.
- Fala-se de uma possível união com o Bradesco…
- Em determinados negócios, por que não? Já somos sócios em alguns empreendimentos. Temos uma cultura de administração muito parecida. Eu, particularmente, guardo uma grande admiração pelo
seu Lázaro Brandão (presidente do conselho do Bradesco). Procuro me espelhar na fórmula de administração dele, baseada na simplicidade, na serenidade, no pragmatismo e em muito trabalho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:17

Kakay, defensor dos poderosos

O ?Valor? publica hoje um excelente perfil do mais famoso advogado de Brasília, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o maior amigo de José Dirceu e eleitor confesso de José Serra para a Presidência da República: ?Vamos ter pela primeira vez um governo de esquerda no Brasil?.
O perfil é assinado pelos jornalistas Raymundo Costa e Juliano Basile:
?Eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e “grande amigo” do ex-ministro José Dirceu, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro ganhou muito dinheiro no governo do PT, mas também a fama de usar a rede de relações que construiu com os poderosos da República, ao longo dos últimos 30 anos para obter vantagens para seus clientes.
Antonio Carlos de Almeida Castro é o Kakay, que voltou ao noticiário, nas últimas semanas, na qualidade de defensor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ameaçado por um processo de impeachment, já arquivado. Kakay é o nome certo a ser procurado em Brasília quando o assunto é crime de colarinho branco.
Com a fama e a sucessão de escândalos no país, a clientela de Almeida Castro aumentou, ele reconhece. Mas recusa terminantemente a afirmação de que tenha enriquecido no governo do PT e a pecha de “facilitador” ou de “resolvedor-geral da República”, como já foi chamado.
“Fui advogado de oito ministros do governo de Fernando Henrique Cardoso, além do vice Marco Maciel. Até hoje advogo para o Paulo Renato (ex-ministro da Educação acusado de usar indevidamente jatinhos da FAB em viagens particulares no governo FHC). No governo de Lula, sou advogado apenas de três”, disse Kakay ao Valor, em uma conversa durante almoço no restaurante Piantella, ponto de encontro de políticos, ministros de Estado e do Judiciário, e do qual é um dos sócios.
“Eu sou sócio do Piantella há 15 anos”, conta Kakay. “Nunca trouxe um ministro para almoçar ou jantar aqui. Nunca nenhum ministro de tribunal almoçou ou jantou aqui comigo.” O Piantella ganhou notoriedade como o restaurante preferido do deputado federal Ulysses Guimarães, morto em 1992, que presidiu o PMDB.
Kakay, de fato, está na praça há muito tempo. Já no governo de Fernando Collor de Mello, advogou para a ministra Zélia Cardoso de Melo. E começou a se aproximar de José Dirceu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento. As acusações de Dirceu lhe renderam pelo menos 30 clientes naquela CPI, pela qual passaram as maiores empreiteiras do país.
“Conheci o Zé completamente fora da política. Eu era advogado das empreiteiras nas CPIs. O Zé me deu muitas causas”, diz, referindo-se ao fato de que o então deputado José Dirceu era um dos mais atuantes da bancada do PT.
Outra versão diz que Kakay aproximou-se de Dirceu, em 2003, quando, empossado na Casa Civil, o petista precisava aproximar-se de mais aliados no PMDB e o advogado o teria auxiliado nessa tarefa junto com Sarney.
Até 1994 foi sócio de José Eduardo Alckmin, hoje advogado do PSDB. Na versão de Kakay, Alckmin queria crescer; ele, manter o escritório que ainda tem num shopping da cidade – só ele e duas advogadas. Ao todo, afirma que tem uns 200 processos, mas que o escritório só toca cerca de 30 permanentemente, por conta da morosidade da Justiça. “Os processos levam 10 anos. Eu nunca tive um casamento de 10 anos”, diz ele, que já está na terceira mulher e tem três filhos.
À época, os dois advogados fizeram um acordo: sempre que um arrumasse uma causa para o outro, dividiriam os honorários. Por conta desse acordo, Kakay recebeu a primeira grande bolada já no período do governo Lula – um acordo da direção da Caixa Econômica Federal com o fundo de pensão de seus funcionários. Total dos honorários: R$ 32 milhões. Kakay ficou com R$ 16 milhões, como combinado.
Para um advogado formado na Universidade de Brasília (Unb), sem mestrado ou doutorado, o sucesso de Kakay chama a atenção. Ele começou como todos os advogados de Brasília – correspondente dos grandes escritórios do eixo Rio-São Paulo. Hoje, é o nome certo a ser procurado em casos de crimes financeiros. Em Brasília. Kakay não vai a posses nos tribunais, não frequenta a casa de ministros, nunca vai a coquetéis e diz que não mistura as coisas – votou em Lula, mas não é filiado ao PT.
“Não sou partidário”, diz Almeida Castro. “Só advogo no Judiciário”, afirma, negando que seja frequentador dos corredores de ministérios, da Casa Civil e muito menos dos palácios presidenciais de Brasília.
“Estive duas vezes em Palácio”, diz. A primeira delas, com Fernando Henrique Cardoso, acompanhando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que fora tratar de assuntos referentes à Copa do Mundo de 2014. A outra, já no governo Lula, foi apresentar outro amigo influente: o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que acabara de ser eleito – mal imaginava que em 2005 Lula colocaria Perillo numa lista de inimigos pessoais, por ter o ex-governador de Goiás dito que avisara o presidente sobre o mensalão.
Kakay hoje se considera “amigo de Sarney”. Mas não era assim em um dia de fevereiro de 2002, quando ele estava no aeroporto de Brasília preparando-se para uma viagem a Goiânia, onde teria uma audiência. O telefone tocou. Do outro lado da linha estava Sarney, a quem Kakay não conhecia e de quem era um crítico. “Eu tinha formação de esquerda”, afirma.
O senador foi direto ao ponto “Um amigo comum me indicou o senhor para advogar para a Roseana”. A filha de Sarney despontava nas pesquisas como uma candidata competitiva à Presidência da República, nas eleições daquele ano, e a Polícia Federal apreendera em um escritório seu e do marido Jorge Murad R$ 1,38 milhão. Dinheiro para a pré-campanha de Roseana.
“Só mudei de lugar, fui para o Maranhão, em vez de Goiânia”, relembra hoje Kakay. “Aí, ganhei o caso dela, estabelecemos um relacionamento ótimo, ficamos muito amigos”. Conversam sobre vinhos, livros. A política não seria um prato forte. “Nunca fui filiado a partido. Fui presidente de centro acadêmico, participei de todos esses movimentos tradicionais (tipo diretas já). Nunca fiz política partidária. Não teria nenhum interesse em me candidatar”, diz o advogado.
Kakay conta que só tomou “liberdade” com Sarney quando o senador foi recentemente jantar em sua casa. Disse que achara uma besteira ele disputar a Presidência do Senado, que não acrescia mais nada à sua biografia. Almeida Castro ficou irritado quando os jornais noticiaram que ele escrevera o discurso no qual Sarney se defendeu no Senado. “Imagina, um ex-presidente da República, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Não quis defender o senador maranhense no Senado por entender que o julgamento seria político. Mas deu boas dicas jurídicas para que as denúncias fossem derrubadas.
Kakay também possui uma parte do sítio do Pericumã, a propriedade mais conhecida de Sarney. A versão corrente em Brasília é a de que ele teria recebido as terras como honorários pelo caso Lunus (a empresa de Roseana e Murad). Almeida Castro, que gosta de dizer que não cobra honorário dos amigos, garante que não houve nada disso. Ele fora procurado por Emílio Odebrecht, da construtora Norberto Odebrecht, que iria tocar um grande empreendimento imobiliário no sítio. E concordou entrar como sócio. Depois disso, nunca foi lá. Sarney continua com uma parte. Alguma coisa entre 10% e 12% das terras.
Seu grande mentor foi José Eduardo Alckmin (primo do ex-governador Geraldo Alckmin, de São Paulo), seguido de José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça de FHC. Ele representou outros grandes escritórios em Brasília, como o de Márcio Thomaz Bastos e Nélio Machado. Tem amigos como Sarney e Marconi Perilo, é chegado a Lula e só elogios ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. “Pode-se discordar dele, mas é uma pessoa competente.”
Como diz um amigo, Kakay é um mestre na arte de fazer amigos e influenciar pessoas, além de bom filho e pai de família. Nas contas do próprio Almeida Castro, ele tem uns 20 grandes amigos. Mas não é cobrado por ser amigo de nenhum. “Eu sou muito amigo do Antonio Carlos Sigmaringa, mas ninguém me cobra isso”. O caso é diferente quando o amigo é José Dirceu.
Ele diz que sua amizade com Dirceu é “imensurável”. De fato presenteou o ex-ministro com vinhos caros e viajou com ele a Cuba, em férias. Uma amizade nascida nas CPIs e regada no Piantella, pois a exemplo dele, Dirceu gosta de jantares e vinhos refinados. Dirceu frequenta sua casa para jantares que têm o dedo da mulher de Kakay, Valéria Vieira, gourmet que chegou a dar aulas de culinária no exterior durante 12 anos
Quando houve a denúncia do mensalão seria natural que o advogado de Dirceu fosse Kakay. Ele achou que não. “Zé, você deve pegar um advogado tucano que faça esquecer qualquer questão partidária.” Dirceu pediu uma indicação. “José Carlos Dias foi ministro da Justiça do Fernando Henrique, é um cara competentíssimo, meu amigo, foi quem mais me avalizou na questão profissional, depois do Alckmin.”
Os dois foram para São Paulo e Dirceu teve uma conversa com Dias. O ex-ministro de FHC até se entusiasmou com a causa, mas já era advogado do Banco Rural (que era acusado de envolvimento no esquema do mensalão). Mas da conversa saiu o nome de José Luiz de Oliveira Lima, o Juca, um advogado jovem que subitamente saltou para a fama.
Kakay foi advogado do banqueiro Daniel Dantas no caso em que a empresa Kroll fora acusada de espionar o ex-ministro Luiz Gushiken a mando do dono do Opportunity. Como Dirceu e Gushiken disputavam espaços de poder no início do governo Lula foi logo identificado como um defensor da causa do banqueiro no Palácio do Planalto, pois Gushiken jogava exatamente do outro lado.
Embora diga que só atua no Judiciário, o Valor apurou que Kakay, nesse caso, exerceu o mesmo papel que outros advogados próximos de Lula, mais recentemente: tentar convencer o governo de que Dantas queria vender sua parte na Brasil Telecom e deixar o ramo da telefonia (o que aconteceu este ano com a criação da Oi – a compra da Brasil Telecom pela Oi).
Em outro episódio, quando José Carlos Dias foi convidado para ser ministro da Justiça, pediu para Kakay sondar o delegado Paulo Lacerda para a direção da Polícia Federal. Lacerda não aceitou. Anos mais tarde, Lula eleito, Márcio Thomaz Bastos veio a Brasília avisou Kakay: “Ele vai me convidar para ministro da Justiça e eu não vou aceitar”. Almeida Castro reagiu causticamente: “Se você entrar lá,sai ministro”. Na saída, já ministro escolhido por Lula, Thomaz Bastos comentou que chamaria Paulo Lacerda para a PF. “Ele não vai aceitar”, avisou Kakay. Desta vez, errou. Lacerda mudara de idéia.
Em Minas, segundo Kakay, existe um ditado segundo o qual “fama de rico, valente e namorador você não desmente não”. Mas ele reclama de que passou a ter “uma exposição negativa com a eleição do governo Lula, porque as pessoas pensam que eu sou petista, e o advogado não deve ser partidário. Eu não sou partidário. Advoguei mais para pessoas do PSDB”. Um amigo de longa data diz: “Criou-se uma imagem do Kakay e isso atrai clientes. Mas ele não oferece vantagens aqui em Brasília. Se ele oferecesse vantagens ele comprometeria o ministro do caso”.
“A minha vida mudou. Só que o Brasil também mudou. Acho que o Lula faz um grande governo, votei nele todas as vezes que foi candidato a presidente, agora, provavelmente eu vote no Serra. Eu acho o Serra o cara mais preparado para administrar o país. Eu só não voto no Serra se o candidato do PSDB for o Aécio Neves, porque aí as razões mineiras falam mais alto” – Kakay é de Patos de Minas.
E Dilma Rousseff, a candidata de Lula e do amigão do peito José Dirceu? “Eu não tenho muito entusiasmo em votar na Dilma não”, afirma. “Se o Serra for eleito, nós vamos ter pela primeira vez um governo de esquerda no Brasil”, diz Kakay, antes de arrematar: ” Eu acho que a alternância é positiva. Desde que você não paralise as obras do governo anterior. O Lula não paralisou as obras do FHC.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:15

Kakay, defensor dos poderosos

O ?Valor? publica hoje um excelente perfil do mais famoso advogado de Brasília, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o maior amigo de José Dirceu e eleitor confesso de José Serra para a Presidência da República: ?Vamos ter pela primeira vez um governo de esquerda no Brasil?.
O perfil é assinado pelos jornalistas Raymundo Costa e Juliano Basile:
?Eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e “grande amigo” do ex-ministro José Dirceu, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro ganhou muito dinheiro no governo do PT, mas também a fama de usar a rede de relações que construiu com os poderosos da República, ao longo dos últimos 30 anos para obter vantagens para seus clientes.
Antonio Carlos de Almeida Castro é o Kakay, que voltou ao noticiário, nas últimas semanas, na qualidade de defensor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ameaçado por um processo de impeachment, já arquivado. Kakay é o nome certo a ser procurado em Brasília quando o assunto é crime de colarinho branco.
Com a fama e a sucessão de escândalos no país, a clientela de Almeida Castro aumentou, ele reconhece. Mas recusa terminantemente a afirmação de que tenha enriquecido no governo do PT e a pecha de “facilitador” ou de “resolvedor-geral da República”, como já foi chamado.
“Fui advogado de oito ministros do governo de Fernando Henrique Cardoso, além do vice Marco Maciel. Até hoje advogo para o Paulo Renato (ex-ministro da Educação acusado de usar indevidamente jatinhos da FAB em viagens particulares no governo FHC). No governo de Lula, sou advogado apenas de três”, disse Kakay ao Valor, em uma conversa durante almoço no restaurante Piantella, ponto de encontro de políticos, ministros de Estado e do Judiciário, e do qual é um dos sócios.
“Eu sou sócio do Piantella há 15 anos”, conta Kakay. “Nunca trouxe um ministro para almoçar ou jantar aqui. Nunca nenhum ministro de tribunal almoçou ou jantou aqui comigo.” O Piantella ganhou notoriedade como o restaurante preferido do deputado federal Ulysses Guimarães, morto em 1992, que presidiu o PMDB.
Kakay, de fato, está na praça há muito tempo. Já no governo de Fernando Collor de Mello, advogou para a ministra Zélia Cardoso de Melo. E começou a se aproximar de José Dirceu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento. As acusações de Dirceu lhe renderam pelo menos 30 clientes naquela CPI, pela qual passaram as maiores empreiteiras do país.
“Conheci o Zé completamente fora da política. Eu era advogado das empreiteiras nas CPIs. O Zé me deu muitas causas”, diz, referindo-se ao fato de que o então deputado José Dirceu era um dos mais atuantes da bancada do PT.
Outra versão diz que Kakay aproximou-se de Dirceu, em 2003, quando, empossado na Casa Civil, o petista precisava aproximar-se de mais aliados no PMDB e o advogado o teria auxiliado nessa tarefa junto com Sarney.
Até 1994 foi sócio de José Eduardo Alckmin, hoje advogado do PSDB. Na versão de Kakay, Alckmin queria crescer; ele, manter o escritório que ainda tem num shopping da cidade – só ele e duas advogadas. Ao todo, afirma que tem uns 200 processos, mas que o escritório só toca cerca de 30 permanentemente, por conta da morosidade da Justiça. “Os processos levam 10 anos. Eu nunca tive um casamento de 10 anos”, diz ele, que já está na terceira mulher e tem três filhos.
À época, os dois advogados fizeram um acordo: sempre que um arrumasse uma causa para o outro, dividiriam os honorários. Por conta desse acordo, Kakay recebeu a primeira grande bolada já no período do governo Lula – um acordo da direção da Caixa Econômica Federal com o fundo de pensão de seus funcionários. Total dos honorários: R$ 32 milhões. Kakay ficou com R$ 16 milhões, como combinado.
Para um advogado formado na Universidade de Brasília (Unb), sem mestrado ou doutorado, o sucesso de Kakay chama a atenção. Ele começou como todos os advogados de Brasília – correspondente dos grandes escritórios do eixo Rio-São Paulo. Hoje, é o nome certo a ser procurado em casos de crimes financeiros. Em Brasília. Kakay não vai a posses nos tribunais, não frequenta a casa de ministros, nunca vai a coquetéis e diz que não mistura as coisas – votou em Lula, mas não é filiado ao PT.
“Não sou partidário”, diz Almeida Castro. “Só advogo no Judiciário”, afirma, negando que seja frequentador dos corredores de ministérios, da Casa Civil e muito menos dos palácios presidenciais de Brasília.
“Estive duas vezes em Palácio”, diz. A primeira delas, com Fernando Henrique Cardoso, acompanhando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que fora tratar de assuntos referentes à Copa do Mundo de 2014. A outra, já no governo Lula, foi apresentar outro amigo influente: o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que acabara de ser eleito – mal imaginava que em 2005 Lula colocaria Perillo numa lista de inimigos pessoais, por ter o ex-governador de Goiás dito que avisara o presidente sobre o mensalão.
Kakay hoje se considera “amigo de Sarney”. Mas não era assim em um dia de fevereiro de 2002, quando ele estava no aeroporto de Brasília preparando-se para uma viagem a Goiânia, onde teria uma audiência. O telefone tocou. Do outro lado da linha estava Sarney, a quem Kakay não conhecia e de quem era um crítico. “Eu tinha formação de esquerda”, afirma.
O senador foi direto ao ponto “Um amigo comum me indicou o senhor para advogar para a Roseana”. A filha de Sarney despontava nas pesquisas como uma candidata competitiva à Presidência da República, nas eleições daquele ano, e a Polícia Federal apreendera em um escritório seu e do marido Jorge Murad R$ 1,38 milhão. Dinheiro para a pré-campanha de Roseana.
“Só mudei de lugar, fui para o Maranhão, em vez de Goiânia”, relembra hoje Kakay. “Aí, ganhei o caso dela, estabelecemos um relacionamento ótimo, ficamos muito amigos”. Conversam sobre vinhos, livros. A política não seria um prato forte. “Nunca fui filiado a partido. Fui presidente de centro acadêmico, participei de todos esses movimentos tradicionais (tipo diretas já). Nunca fiz política partidária. Não teria nenhum interesse em me candidatar”, diz o advogado.
Kakay conta que só tomou “liberdade” com Sarney quando o senador foi recentemente jantar em sua casa. Disse que achara uma besteira ele disputar a Presidência do Senado, que não acrescia mais nada à sua biografia. Almeida Castro ficou irritado quando os jornais noticiaram que ele escrevera o discurso no qual Sarney se defendeu no Senado. “Imagina, um ex-presidente da República, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Não quis defender o senador maranhense no Senado por entender que o julgamento seria político. Mas deu boas dicas jurídicas para que as denúncias fossem derrubadas.
Kakay também possui uma parte do sítio do Pericumã, a propriedade mais conhecida de Sarney. A versão corrente em Brasília é a de que ele teria recebido as terras como honorários pelo caso Lunus (a empresa de Roseana e Murad). Almeida Castro, que gosta de dizer que não cobra honorário dos amigos, garante que não houve nada disso. Ele fora procurado por Emílio Odebrecht, da construtora Norberto Odebrecht, que iria tocar um grande empreendimento imobiliário no sítio. E concordou entrar como sócio. Depois disso, nunca foi lá. Sarney continua com uma parte. Alguma coisa entre 10% e 12% das terras.
Seu grande mentor foi José Eduardo Alckmin (primo do ex-governador Geraldo Alckmin, de São Paulo), seguido de José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça de FHC. Ele representou outros grandes escritórios em Brasília, como o de Márcio Thomaz Bastos e Nélio Machado. Tem amigos como Sarney e Marconi Perilo, é chegado a Lula e só elogios ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. “Pode-se discordar dele, mas é uma pessoa competente.”
Como diz um amigo, Kakay é um mestre na arte de fazer amigos e influenciar pessoas, além de bom filho e pai de família. Nas contas do próprio Almeida Castro, ele tem uns 20 grandes amigos. Mas não é cobrado por ser amigo de nenhum. “Eu sou muito amigo do Antonio Carlos Sigmaringa, mas ninguém me cobra isso”. O caso é diferente quando o amigo é José Dirceu.
Ele diz que sua amizade com Dirceu é “imensurável”. De fato presenteou o ex-ministro com vinhos caros e viajou com ele a Cuba, em férias. Uma amizade nascida nas CPIs e regada no Piantella, pois a exemplo dele, Dirceu gosta de jantares e vinhos refinados. Dirceu frequenta sua casa para jantares que têm o dedo da mulher de Kakay, Valéria Vieira, gourmet que chegou a dar aulas de culinária no exterior durante 12 anos
Quando houve a denúncia do mensalão seria natural que o advogado de Dirceu fosse Kakay. Ele achou que não. “Zé, você deve pegar um advogado tucano que faça esquecer qualquer questão partidária.” Dirceu pediu uma indicação. “José Carlos Dias foi ministro da Justiça do Fernando Henrique, é um cara competentíssimo, meu amigo, foi quem mais me avalizou na questão profissional, depois do Alckmin.”
Os dois foram para São Paulo e Dirceu teve uma conversa com Dias. O ex-ministro de FHC até se entusiasmou com a causa, mas já era advogado do Banco Rural (que era acusado de envolvimento no esquema do mensalão). Mas da conversa saiu o nome de José Luiz de Oliveira Lima, o Juca, um advogado jovem que subitamente saltou para a fama.
Kakay foi advogado do banqueiro Daniel Dantas no caso em que a empresa Kroll fora acusada de espionar o ex-ministro Luiz Gushiken a mando do dono do Opportunity. Como Dirceu e Gushiken disputavam espaços de poder no início do governo Lula foi logo identificado como um defensor da causa do banqueiro no Palácio do Planalto, pois Gushiken jogava exatamente do outro lado.
Embora diga que só atua no Judiciário, o Valor apurou que Kakay, nesse caso, exerceu o mesmo papel que outros advogados próximos de Lula, mais recentemente: tentar convencer o governo de que Dantas queria vender sua parte na Brasil Telecom e deixar o ramo da telefonia (o que aconteceu este ano com a criação da Oi – a compra da Brasil Telecom pela Oi).
Em outro episódio, quando José Carlos Dias foi convidado para ser ministro da Justiça, pediu para Kakay sondar o delegado Paulo Lacerda para a direção da Polícia Federal. Lacerda não aceitou. Anos mais tarde, Lula eleito, Márcio Thomaz Bastos veio a Brasília avisou Kakay: “Ele vai me convidar para ministro da Justiça e eu não vou aceitar”. Almeida Castro reagiu causticamente: “Se você entrar lá,sai ministro”. Na saída, já ministro escolhido por Lula, Thomaz Bastos comentou que chamaria Paulo Lacerda para a PF. “Ele não vai aceitar”, avisou Kakay. Desta vez, errou. Lacerda mudara de idéia.
Em Minas, segundo Kakay, existe um ditado segundo o qual “fama de rico, valente e namorador você não desmente não”. Mas ele reclama de que passou a ter “uma exposição negativa com a eleição do governo Lula, porque as pessoas pensam que eu sou petista, e o advogado não deve ser partidário. Eu não sou partidário. Advoguei mais para pessoas do PSDB”. Um amigo de longa data diz: “Criou-se uma imagem do Kakay e isso atrai clientes. Mas ele não oferece vantagens aqui em Brasília. Se ele oferecesse vantagens ele comprometeria o ministro do caso”.
“A minha vida mudou. Só que o Brasil também mudou. Acho que o Lula faz um grande governo, votei nele todas as vezes que foi candidato a presidente, agora, provavelmente eu vote no Serra. Eu acho o Serra o cara mais preparado para administrar o país. Eu só não voto no Serra se o candidato do PSDB for o Aécio Neves, porque aí as razões mineiras falam mais alto” – Kakay é de Patos de Minas.
E Dilma Rousseff, a candidata de Lula e do amigão do peito José Dirceu? “Eu não tenho muito entusiasmo em votar na Dilma não”, afirma. “Se o Serra for eleito, nós vamos ter pela primeira vez um governo de esquerda no Brasil”, diz Kakay, antes de arrematar: ” Eu acho que a alternância é positiva. Desde que você não paralise as obras do governo anterior. O Lula não paralisou as obras do FHC.”

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 21:27

A “coletiva” de Paes e Cabral

Sergio Cabral e Eduardo Paes concederam, há pouco, uma ?entrevista coletiva? em Lausanne.
O interesse da  imprensa foi tamanho, que  compareceram dois repórteres: um da assessoria tercerizada de Sergio Cabral, e outro da assessoria de Eduardo Paes, cada um deles com o seu fotógrafo.
Embora a delegação brasileira na reunião do COI tenha outros dois importantes integrantes  -  o ministro do Esporte e o presidente do COB - que trabalhavam efetivamente para a candidatura do Rio, nada lhes foi indagado. Afinal, os funcionários de Cabral e Paes não estão lá para botar azeitona na empada dos outros.
Outra curiosidade é que os dois jornalistas, por preguiça ou por recomendação dos chefes, escreveram um único texto, cuja íntegra foi postada no Portal do Governo do Rio e no Portal da Prefeitura da Cidade. A matéria é exatamente a mesma.  A única mudança é a seguinte:
A assessora do governador escreveu que ?o governador e o prefeito…?
Já o assessor do prefeito disse que  ?o prefeito e o governador…?
O restante é tudo igual.
Os dois fanfarrões anunciaram importantes investimentos na área do meio ambiente para despoluição das bacias de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e baía de Guanabara.
Quanto dará cada um? Zero.
Todo o dinheiro virá do Governo Federal, através da Caixa, que promete liberar até julho R$ 650 milhões.
Como falam, falam, e nada fazem de concreto, o símbolo da campanha Rio 2016 ainda não pode ser visto nem no site do Governo, nem no site da Prefeitura.
A candidatura do Rio, e sua campanha, tem toda a cara de ser clandestina.

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