Cabral promete 50 escolas; fez 4

   Cabral é campeão.
Campeão da lorota.
Isso é o que se depreende da reportagem ‘Cabral promete 50 novas escolas, mas fez 4′, assinada pelos repórteres Cassio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’.
Segundo o governador, em seu primeiro mandato ele investiu na recuperação das escolas existentes. Vale a pena dar uma olhada no ‘Retrato do governo Cabral’, cinco post abaixo deste, onde um vídeo da TV UOL mostra o abandono do CIEP Antonio Candeia Filho, em Irajá, assaltado sete vezes em quatro meses, segundo a Bandnews, ou oito vezes em dois meses segundo o G1.

Mas vamos a reportagem de ‘O Globo’:
“Nas propagandas de campanha distribuídas nas ruas por cabos eleitorais, o governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, promete, caso seja reeleito, construir 50 novas escolas estaduais só na Região Metropolitana.
Segundo a proposta, seria erguida, em média, uma unidade a cada mês até o fim de 2014. A publicidade, no entanto, não informa sobre os custos das obras nem como o governo estadual pretende tirar o projeto do papel. Nos últimos quatro anos, Cabral construiu quatro colégios em todo o estado um por ano.
Em entrevista após almoço realizado ontem pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), no Copacabana Palace, Cabral argumentou:
- No primeiro mandato, a prioridade foi a recuperação dos prédios escolares. Se nós não fizéssemos isso, seria um desrespeito com a grande rede já existente. Avançamos muito nesses quatro anos, oferecendo a climatização (nas salas), melhorando quadras esportivas. E, ao mesmo tempo, fizemos novos colégios.
Para o segundo mandato, se pegarmos os recursos que aplicamos (nas reformas), dá para fazer até muito mais do que 50 escolas.
O anúncio das novas escolas está incluída em um caderno de 16 páginas, com tiragem de 20 mil exemplares. A publicação, que apresenta um balanço das realizações do governo Cabral nas áreas de educação, segurança, saúde, infraestrutura e esportes, entre outros, também é distribuída nas agendas de campanha do governador.
Perguntado sobre quanto seria necessário investir para conseguir construir todas as 50 escolas prometidas, Cabral afirmou:
- Isso não é problema. Se fizer um cálculo, em cada colégio, gastaríamos R$ 5 milhões. Com 50, teríamos gasto de R$ 250 milhões, que, em quatro anos, se diluem disse ele.
Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), porém, disse que a aplicação da verba pode não ter resultado se o governo não atacar o problema do déficit de professores, que preocupa o setor desde o início da gestão de Cabral.
- Construir escolas é uma medida muito bem-vinda. É preciso construir prédios, porque hoje muitas turmas do ensino médio funcionam à noite e em prédios da prefeitura. Mas o problema é a política de sustentação disso. Há um grande déficit de professores que foi mantido nesses quatro anos de governo. Hoje há um déficit de cerca de 18 mil professores criticou Maria Beatriz.
Apesar de a Secretaria Estadual de Educação afirmar que realizou concurso público, contratando 30 mil novos professores, a coordenadora do Sepe disse que a medida tornouse inócua por causa dos baixos salários:
- Não adianta chamar concursados se não houver aumento de salários. Um piso de R$ 700 para uma pessoa com nível superior é muito pouco. O professor entra e sai logo em busca de um emprego melhor. Então, não adianta fazer este tipo de proposta sem discutir aumento de salários. Construir escolas é o tipo de medida que aparece, pois há festa de inauguração. Mas que, sozinha, não funciona.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que já foram investidos R$ 500 milhões na reforma de 270 escolas. O folheto de campanha diz que Cabral reformou 909 colégios, e que a maior parte ganhou aparelhos de ar-condicionado.
Atualmente, existem 75 mil professores na rede estadual em 1.487 unidades, de acordo com o governo”.