Governador, vá para Paris!

Esse ‘blog’ esteve fora do ar, nos últimos quatro dias, deixando de comentar fatos importantes, principalmente os que dizem respeito a derrota do Rio de Janeiro no episódio dos royaltes do petróleo.
Quem acompanha esse espaço sabe que a derrota não foi surpresa, depois que Sergio Cabral esteve em Brasília, e saiu de uma  reunião com líderes na Câmara afirmando que o Rio estava sendo roubado. Cabral decidiu, naquele momento, brigar com todos, inclusive com os líderes de seu próprio partido, o PMDB.  Ele acreditou que, com sua gritaria, ele inibiria quem quer que fosse. Como ele é tolo.
Cabral está próximo de conquistar a unanimidade: todos contra ele. As recentes declarações, de importantes líderes políticos, mostra o pouco caso que eles passaram a ter pelo governador.
Do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra: “É uma loucura atribuir ao governo e a ministra Dilma a responsabilidade pelo o que ocorreu. Cabral foi quem acirrou esse clima de beligerância ao ser pouco habilidoso”.
Do deputado Cândido Vaccarezza, líder do PT: “O Presidente Lula tem mais voto que Cabral até mesmo no Estado do Rio. E o grande cabo eleitoral de Dilma é o presidente da República, não o Cabral”.
Do deputado Ciro Gomes:”Paciência, Serginho, muda de ramo. Na minha terra ninguém pega galinha gritando “xô”. É preciso construir uma saída, e ela é perfeitamente viável no Senado. Mas se for na base do protesto, da confusão, esculhanbando a Câmara, o Senado e os politicos, o Rio vai perder, porque Lula não vai vetá-la. Ele não vai ficar contra o resto do país, que tem problemas tão ou mais graves do que o Rio. Tem muito político do Rio de conversa fiada e fazendo teatro”.
Do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), aliado de Cabral:”Não adianta levar uma mensagem de guerra, precisamos de uma mensagem de paz e discutir a dosagem da mudança”.

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Depois das mais diversas manifestações contra o comportamento de Cabral, o governador poderia fazer um enorme favor ao Rio de Janeiro, à sua tradição, à sua economia e à sua gente.
Vá para Paris, governador.
Fique por lá uns 60, 90 dias.
Volte depois que o Senado decidir o que fazer com a emenda Ibsen Pinheiro.
Deixe que os políticos encontrem uma saída.
Todos eles amam o Rio de Janeiro e, certamente, não insitirão na idéia de prejudicá-lo.
Mas eles não estão dispostos a continuar ouvindo seus desaforos.
Vá para Paris, governador!
Faça uma reserva no George V.  Passeie. Faça compras. Tanto faz se essas despesas sejam pagas pelo governo do Rio, ou por um de seus amigos.
A essa altura, nada disso mais importa.
O Rio promete não fazer cobranças, desde que nesse período o senhor cale a boca.
Não elogie nem critique ninguém.
Não dê opinião sobre absolutamente nada.
Fuja da imprensa. Não atenda telefonemas.
Fique mudo.
Política é coisa para profissional.
Para exercê-la é preciso, antes de mais nada, equilíbrio emocional.
É pena que, nos quatro anos que o senhor esteve em Brasília, como senador, não tenha apreendido nada.
É exatamente por isso que seu mandato foi apagado.
Não existe, nos anais, um único discurso de importância média, e nem mesmo uma entrevista.
Agora entende-se porque Paulo Duque é seu suplente.
Os senhores são iguais: despreparados, trapalhões, arrogantes.
Por favor, não vá a passeata de amanhã.
Sei que o senhor tem um problema no joelho. Utilize a doença para justificar sua ausência.
Não faça discurso na Cinelândia. Pelo amor de Deus.
Como disse Ciro Gomes, esse não é o seu ramo.
Tudo se encaminha para um entendimento.
Não ponha isso a perder.
Cale a boca.
Governador: pelo amor ao Rio de Janeiro, vá para Paris!!!