• Quarta-feira, 21 Julho 2010 / 20:46

Cabral está morrendo de medo

    Do colunista Fernando Molica, do ‘Informe do Dia’:
“Candidato à reeleição, o governador Sergio Cabral (PMDB) não irá aos dois primeiros debates promovidos por emissoras de TV – o da Band (marcado para 12 de agosto) e o da Rede TV! (16 de setembro).
De acordo com a assessoria de Cabral, a decisão foi tomada porque a campanha ainda está na fase inicial. A ida ao último debate, o da TV Globo, em 28 de setembro, ainda não foi avaliada. Mas o governador participará de entrevistas organizadas por TVs, jornais, emissoras de rádio e entidades de classe.
O comando da campanha não confirma, mas ausência aos primeiros debates também é explicável por pesquisas encomendadas pelo PMDB que dão larga vantagem de Cabral sobre Fernando Gabeira (PV). Assim, seria preferível evitar riscos desnecessários”.
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Esse é Cabral, o PRI fluminense.
Mesmo com 16 partidos na aliança, 91 dos 92 prefeitos na campanha, e mais o apoio do político mais popular do país, ele morre de medo de um debate.
E tenham certeza que o temor não é o valor da casa de Mangaratiba, nem o apartamento não declarado do Leblon, nem as viagens constantes ao exterior e, muito menos, os cavalos que mantém na Hípica.
Seu pavor é debater o governo.
O que falar sobre educação, saúde, transportes, violência, etc, etc, etc?

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 12:07

Cabral não tem o que exibir

   Sergio Cabral parece Rubem Ricupero, o ministro da Fazenda, de Itamar Franco, que acabou vítima de uma antena parabólica:
- O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde – disse o ex-ministro na TV-Globo.
No caso de Cabral, a imprensa do Rio ajuda-o a esconder.
Quando não consegue, ele culpa os governos anteriores.
Como no Rio nada funciona – nem a educação, nem a saúde, nem os transportes, nem a segurança, nem nada – tudo é considerado herança maldita.
Não resta dúvida de que governos passados tem sempre uma parcela de culpa, mas os quatro anos de Cabral estão acabando, e ele não tem um só setor de seu governo que tenha sido recuperado. Por isso, o governador não tem o que exibir.
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Dos repórteres Evandro Éboli e Duilo Victor, de ‘O Globo’:
“O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), culpou ontem os governos passados pelo fracasso dos colégios estaduais no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2009. Ele disse que a expectativa é de melhora no desempenho dos alunos. Entre as 50 melhores instituições da capital do estado, há apenas uma estadual, o Colégio de Aplicação da Uerj.
- Ter alguns colégios que tiveram pior desempenho numa rede de 1.300 unidades, com o nível de carência com que assumimos a educação no nosso estado… Temos uma expectativa de, a cada ano, ir avançando. Temos uma política clara de reposição salarial para os professores, de recuperação física das unidades escolares. E tivemos 700 colégios com nota de ensino regular, acima da média do MEC. Mas longe do ideal. Longe – disse Cabral, em Brasília, onde esteve para assistir à assinatura da MP que aumenta o limite de endividamento das cidades-sedes da Copa de 2014.
Cabral, que tenta a reeleição, afirmou que é preciso tempo para resolver o problema:
- O ideal é política de médio e longo prazo. Educação não tem mágica. Foram mais de 30 anos de destruição. Mas estamos recuperando.
Cabral frisou que o colégio da Uerj é o primeiro colocado no Brasil entre todos os estaduais. Esse colégio ocupa, no ranking nacional, o 17º lugar. É o primeiro estadual na lista da elite do ensino médio brasileiro.
Adversário de Cabral na disputa pelo governo estadual, o deputado Fernando Gabeira (PV) criticou o desempenho das escolas estaduais no Enem e propôs reformular o currículo escolar no ensino médio fluminense para resgatar o interesse dos alunos e melhorar o desempenho:
- O desempenho das escolas estaduais no Enem foi fraco. Esses estabelecimentos já tiveram um péssimo desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Em contrapartida, tivemos, assim como no Ideb, escolas públicas com desempenho excelente, por causa do empenho particular dos professores. Temos que pegar os bons exemplos e criar meios de universalizá-los.
Sobre a ideia de alterar o currículo do ensino médio, Gabeira propõe criar uma fórmula na grade escolar em que cada aluno tenha a chance de escolher disciplinas com as quais tem mais afinidade.
- A proposta é reexaminar o currículo e criar, junto com as disciplinas obrigatórias, matérias opcionais, como já ocorre hoje nos Estados Unidos.
Em seu programa de governo, Gabeira acusa a atual gestão de nomear diretores para cargos nas coordenadorias regionais da Secretaria de Educação “quase sempre” com critérios político-partidários. Na lista de promessas para a educação, há também na pauta do candidato elevar o salário dos professores para o mesmo nível de São Paulo e Minas. Para aproximar o ambiente familiar das escolas, Gabeira é a favor de ideias como abrir os estabelecimentos nos fins de semana para atividades extraclasse. Outra proposta é tornar o treinamento de professores mais objetivo.
- Os cursos de formação de professores são muito voltados para disciplinas como filosofia e sociologia da educação, e não para a o ensino da matéria que terão que passar objetivamente em classe.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, divulgou nota classificando os resultados do Enem de assustadores. Para ele, isso se reflete na advocacia. “No exame de Ordem, essa constatação fica muito mais clara pois muitos egressos do ensino público também prestam as provas, e o índice de reprovação é bastante semelhante ao do Enem. A educação no Brasil está na UTI e precisa de um choque efetivo”.

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