Cabral abandonou os desabrigados

     Do repórter Luiz Ernesto Magalhães, do ‘Globo’:
     “A nova tragédia que deixou cinco mortos na Região Serrana ocorreu sem que os problemas provocados pelo maior desastre natural da história do Brasil tenham sido solucionados. Um ano e três meses depois da morte de mais de 900 pessoas em sete municípios, as casas populares prometidas para moradores de áreas de risco não foram entregues. Além disso, irregularidades foram descobertas no pagamento do aluguel social. As compras que contam com subsídio do estado seguem em ritmo lento, devido à oferta escassa e ao custo dos imóveis. A ocupação desordenada é tão grande que, segundo levantamento de 2010, apenas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo pelo menos 42 mil pessoas viviam em áreas de risco – incluindo favelas e bairros de classe média.
Em Nova Friburgo, a Fazenda da Lage, escolhida inicialmente para reassentar três mil famílias, foi descartada porque exigiria investimentos elevados em drenagem, já que fica perto de um córrego. Somente em fevereiro o governo estadual iniciou as obras de terraplenagem de um terreno em Conselheiro Paulino. As primeiras 500 casas de um total de 2.100 deverão ser entregues até o fim de 2012.
Em Teresópolis, o processo de desapropriação de uma outra área só terminou recentemente. O vice-governador Luiz Fernando Pezão admite problemas nos reassentamentos:
- Estamos investindo, mas temos dificuldades para comprar terrenos planos na Serra. Além disso, os proprietários discutem na Justiça o valor das indenizações, o que atrasa muito o processo.
Os paliativos também não beneficiam a todos. Em Nova Friburgo, cinco mil famílias se inscreveram para receber o aluguel social e sair de áreas de risco. No entanto, o benefício de cerca de R$500 é pago a apenas 2.800. Um recadastramento realizado com dois mil beneficiários encontrou irregularidades em 10% dos cadastros.
- Tem gente que voltou para as casas em áreas de risco e usou dinheiro em melhorias. Outros sequer moravam em locais perigosos. Encontramos até um caso de parentes recebiam no lugar de um morto – diz o secretário de Assistência Social de Friburgo, Josué Ebenezer”.