• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

ONG não conhece Sergio Cabral

   De ‘O Globo’:
“A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras divulgou ontem lista de 40 políticos, representantes de governo, líderes religiosos, milícias e organizações criminosas considerados “predadores da liberdade de imprensa”. São pessoas ou grupos que, segundo a entidade, não suportam a imprensa, tratada por eles como inimiga, e que atacam jornalistas. “Eles são perigosos, violentos e acima da lei”, diz a nota divulgada pelo Repórteres sem Fronteiras.
Entre os nomes estão o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-i, a máfia italiana, o grupo separatista espanhol ETA. Muitos já integravam a lista ano passado. Para a organização, na América Latina os maiores inimigos da liberdade de imprensa se mantêm os mesmos: os traficantes de drogas, a ditadura cubana (na lista consta o nome de Raúl Castro), as Farc”.
                   * * *
Pena que a ONG não tenha incluído Sergio Cabral entre os predadores da imprensa. 
A ação do governador do Rio diante da Imprensa carioca, desmoraliza os jornais da capital cultural do país.
No final da campanha eleitoral, e depois do horário gratuito de TV, o nível de credibilidade dos jornais deverá estar próximo de zero.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:46

Cabral na corda bamba

Do jornalista Janio de Freitas, na ?Folha?:
?O Governo Federal mexeu-se para que meios de comunicação do Rio não incentivem a participação no protesto público convocado para amanhã pelo governador Sérgio Cabral. E nem mesmo o apoiem em suas indignadas reações à aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que reduz a quase zero os “royalties” do Estado do Rio e do Espírito Santo sobre a exploração de petróleo, e os distribui desigualmente entre os demais Estados.
Já submetido, no final de semana, a forte dieta jornalística, ontem Sérgio Cabral pôde experimentar críticas de pessoas e de onde, até aqui, não recebera senão apoio, explícito ou não. Sabe, porém, tratar-se de afastamento apenas circunstancial, sem implicações no seu propósito de reeleger-se.
A insuficiência de comunicação prejudica os protestos planejados por Cabral, é claro. Mas, ao que se pode perceber, a tendência majoritária é a de sentimento de usurpação e traição praticadas pela maioria da Câmara contra o Rio, mesmo que não haja conhecimento nem sequer mínimo de como é feito o ataque à cidade e ao Estado.
O mau slogan da reação ao projeto aprovado na Câmara estimula aquele sentimento: “Contra a covardia, em defesa do Rio”. Ainda que entender, aí, o sentido de covardia não seja simples: covardia dos que temem reagir? Covardia do governo Lula, mas qual? Ir daí à atitude de bancadas e partidos que se uniram na Câmara contra o Rio e o Espírito Santo, Estados produtores de petróleo, requer um empurrão informativo que a grande maioria não recebe.
Sem o know-how, ao que parece, da criação das velhas e eloquentes passeatas na ditadura, Sérgio Cabral vai em frente com os modos típicos dos políticos e seus comícios. Ponto facultativo a partir das 15h, para o comparecimento “espontâneo” de funcionários; liberação dos operários do PAC, mobilização de comunidades controladas por políticos, condução para o centro da cidade, e por aí.
A ação do governo federal sobrepôs-se à passeata feita na manhã de domingo em Ipanema, para a qual o noticiário preferiu negar seus acessos em geral tão fáceis, ainda mais quando se trata de Ipanema. O que é uma boa indicação de que Sérgio Cabral não pode falhar amanhã, porque, aí sim, seu projeto reeleitoral sofrerá os efeitos da passagem de defensor da cidade e do Estado para a de “incompetência” para tratar do problema, como dele disseram ontem os seus novos e transitórios críticos?.

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