• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Transportes não se entendem no Rio

Do repórter Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“A dificuldade de entendimento entre o governo do estado e a prefeitura do Rio no que diz respeito às soluções para o trânsito da cidade pode prejudicar os projetos apresentados para a área de transportes visando às Olimpíadas de 2016. Quem afirma é o arquiteto Jaime Lerner, que acaba de ser incluído na lista dos 25 pensadores mais influentes do mundo, elaborada pela revista ?Time?, por seus trabalhos como urbanista.
Ontem, em entrevista à Rádio CBN, Lerner ? que assessorou a equipe que elaborou o projeto olímpico ? disse que tenta, sem sucesso, obter uma visão conjunta sobre o problema entre os dois níveis de governo: ? Adoro o Rio, já fiz várias propostas.
A última foi a solução de transporte para as Olimpíadas. O Rio nunca esteve tão próximo de uma grande transformação e nunca esteve tão distante. Tão próximo porque tudo está a favor: governo, prefeitura e iniciativa privada. E nunca esteve tão distante (e eu quero dizer isso ao governador e ao prefeito do Rio) porque eles não se encontram, eles não pensam junto o problema dos transportes. Está aí um recado: tem seis meses que eu estou tentando conseguir com que haja uma visão conjunta do sistema de transportes que nós projetamos para as Olimpíadas, mas até agora nada aconteceu ? afirmou Lerner.
O arquiteto disse ainda que qualquer cidade no mundo pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos.
Apesar das críticas, nem o prefeito Eduardo Paes, nem o governador Sérgio Cabral quis comentar as declarações do urbanista. Já o secretário estadual de Transportes, Sebastião Rodrigues Pinto Neto, afirmou que a parceria entre o governo e a prefeitura para tratar do tema nunca esteve tão boa.
? Não acredito que ele (Lerner) realmente pense dessa forma. A sintonia entre nós e a prefeitura tem sido muito boa. Inclusive para os projetos que dizem respeito às Olimpíadas.De qualquer forma, estamos à disposição do Jaime Lerner, cujos projetos e ideias têm sido muito importantes para o estado ? disse o secretário.
Já a secretaria municipal de transportes afirmou, através de sua assessoria, que não daria informações sobre outros projetos apresentados por Lerner para a cidade porque estes foram propostos na gestão de Cesar Maia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Cabral cumpre sua obrigação

Do colunista Ancelmo Góis, em ‘O Globo’:
“Veja que legal. Sérgio Cabral resolveu ajudar a salvar o Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), o grande centro carioca de ciências sociais:
? O Instituto é patrimônio intelectual e acadêmico do Rio. O estado vai pôr recursos por intermédio da Uerj e da Faperj.
A crise do Iuperj tem mobilizado a comunidade acadêmica brasileira.
O Instituto é, atualmente, vinculado à endividada Universidade Candido Mendes”.

                                             * * *

O IUPERJ vem pedindo socorro há tres meses.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Lula chama Dornelles para conversa

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Diante dos sinais de aproximação entre PSDB e PP, Lula decidiu chamar para uma conversa o presidente do partido, Francisco Dornelles. É com ele, e não com a bancada, que será discutido o eventual apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) – decisão que Executiva da sigla decidiu anteontem adiar para junho.
No entender do Planalto, deputados do PP alimentam a especulação de que Dornelles pode ser vice de José Serra (PSDB) para aumentar o poder de barganha na liberação de verbas. Em entrevista à rádio Gaúcha, o senador manteve o suspense: “Não há política sem histórias. E, quando elas ganham força própria, não adianta confirmar nem desmentir”.
A chance de o PSDB convidar e de Dornelles aceitar, acrescentando cerca de um minuto e meio ao tempo de TV de Serra, é hoje maior do que a campanha de Dilma gostaria de admitir.
Ainda Dornelles à rádio Gaúcha: “O PP do Rio Grande do Sul é a seção mais forte e prestigiada do partido. A Executiva Nacional não tomará nenhuma decisão com a qual não concorde o PP do Rio Grande do Sul”. Que está alinhado com os tucanos”.

                       * * *

De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O PSDB e o DEM do Rio não querem nem ouvir falar na possibilidade de o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), ser o vice de José Serra. A objeção já foi levada ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Disseram que não aceitam o PP na vice, pois Dornelles apoia o governador Sérgio Cabral (RJ), que é aliado da petista Dilma Rousseff. Um líder da oposição foi taxativo ontem, dizendo que tem quem queira, mas que Dornelles não será o vice”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:52

‘Ser-Ser’ quer reviver o ‘Jan-Jan’

Quando a candidatura de Jânio Quadros, à Presidência, foi lançada pelo pequenos partidos PTN e PDC, em 1960, ele foi aos poucos ganhando adesões, até que conseguiu o apoio da UDN, que viu em Jânio a possibilidade de chegar ao poder.
Na época, a eleição era totalmente descasada, e não havia vinculação nem mesmo com o candidato a vice.
Foi aí que surgiu o movimento Jan-Jan, o voto em Jânio pela UDN, e em Jango Goulart pelo PTB.
E eles foram a vitória.
                          * * *
Em Minas, nas últimas eleições, ocorreu movimento idêntico: o  Lulécio, que era o voto em Lula e em Aécio.
E tudo leva a crer que o fenômeno vai se repetir, lá nas Alterosas, com Dilma, do PT, e Anastasia, governador pelo PSDB.
Ao perguntarem a Dilma sobre a possibilidade da chapa Dilmasia, ela perguntou: “E por que não, Anastadilma?”
                          * * *
No Rio já existe um cidadão – misto de jornalista e publicitário – contratado, informalmente pelo PMDB, para dar assessoria na formação de pequenos movimentos que irão reviver o Jan-Jan de 1960.
No momento, existe uma discussão sobre o nome.
O mais provável é que seja Ser-Ser, mas há quem defenda o Serbral – o voto em Serra e Cabral.
José Serra, diga-se de passagem, nada tem a ver com isso, mas óbviamente que não irá reclamar.
Já Sergio Cabral, dizem seus companheiros, não moverá uma palha a favor de Dilma Rousseff, a não nos dias em que ela estiver ao seu lado.
Depois de tudo que Lula fez pelo Rio, o normal é que Dilma recebesse uma consagração, até mesmo porque Lula teve, em 2006,  mais votos que Cabral, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O lógico seria Dilma somar mais votos do que Lula.
Quanto a esperteza de Cabral, existem dúvidas se o PT do Rio irá denunciá-lo.
O jogo só ficará claro, de verdade, depois da Copa, na segunda quinzena de julho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:51

Cabral irá a debate na TV?

A Band já marcou os seus primeiros debates.
No dia 5 de agosto, teremos o duelo Serra e Dilma, além de Marina.
No dia 12 de agosto, será a vez dos Estados.
No Rio, Gabeira e Garotinho certamente marcarão presença. Sergio Cabral será dúvida.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

Cabral e a Carteira de Trabalho

    Dos 11 feriados nacionais, não existe data mais simbólica e emblemática, para Lula, do que o 1º de maio – Dia do Trabalho.
O Presidente ocupou ontem uma cadeia de rádio e TV para, no último discurso aos trabalhadores antes de deixar o governo, falar de seu orgulho: apesar do país ter enfrentado a maior crise, desde 1929, ele a superou e, no ano passado, 995 mil empregos foram criados. E a tendencia é aumentar, já que nesse primeiro trimestre surgiram 650 mil novos postos de trabalho, com carteira assinada, o que é um recorde.

                                   * * *

Para Lula, Carteira Profissional, principalmente assinada, é algo sagrado.
Até meados dos anos 60, as blitz policiais dispensavam a identidade, mas exigiam a apresentação da carteira anotada. Quem não a apresentasse era considerado vadio e, por isso, sujeito a prisão  que variava de 15 dias a três meses.

                                   * * *

É pena que um dos principais aliados do Presidente da República – e seu candidato ao governo do Rio – Sergio Cabral, não possua uma.
De família modesta do Engenho Novo, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, filho de jornalista e de professora, o governador nunca teve patrão.
Com 21 anos, seu primeiro emprego foi assessorar um deputado. Para essa função a carteira não foi necessária.
Em 1986, aos 23, disputou uma vaga na Assembléia do Rio, mas com apenas 4 mil votos foi derrotado. Ganhou a diretoria de Operações da TurisRio – Companhia de Turismo do Rio de Janeiro, empresa pública do governo. Ocupando cargo de confiança, de novo a Carteira de Trabalho foi dispensada.
Três anos depois, em 1990, foi eleito deputado estadual. E não parou mais.
Por tudo isso, o governador nunca recebeu salário ou remuneração. Só conheceu verba de gabinete ou de representação, e depois subsídios.

                                  * * *

Não faltará quem diga que Cabral é, na verdade, um patriota, pois dedicou sua vida ao serviço público.
A verdade é que o governador do Rio de Janeiro nunca foi demitido, nem pediu demissão. Não gozou férias, nem recebeu o terço proporcional. Não sabe o que é aviso prévio, muito menos justa causa, auxílio-doença ou seguro-desemprego. Ele nunca se submeteu a um exame médico de admissão (ou de dispensa) de emprego. Nunca brigou por aumento ou participou de dissídios. Não tem anotações de 13º salário e nem de auxílio doença.
Cabral não conta tempo de serviço para aposentadoria, e não tem anotado o nome da mulher e dos cinco filhos.
O governador nunca teve Carteira de Trabalho.

                                  * * *

Há dois anos, o ministro Lupi lançou a nova carteira profissional, e Lula foi o primeiro a recebê-la.
Com código de barras, ela permite que o trabalhador consulte seus abonos salariais e o saldo depositado no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS.
É claro que Cabral não se interessa por nada disso.
Um único detalhe talvez animasse o governador a tirar uma Carteira de Trabalho, até mesmo para exibir em ocasiões festivas, mesmo sem anotações: o novo documento tem a aparência de um passaporte.
Cabral certamente não sabe disso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Cabral invade área de rival

Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Brasiliense’:
“O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, desembarca hoje em Campos, levando a tiracolo o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, deputado Jorge Picciani (PMDB), seu candidato preferencial ao Senado. O pretexto é anunciar o início das obras de recuperação do sistema de drenagem da Baixada Campista, mas no plano eleitoral a agenda representa um ataque frontal ao seu principal adversário nas eleições, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), cuja mulher, Rosinha Matheus (PR), é prefeita da cidade.
A invasão da principal base eleitoral do casal que já governou o Rio de Janeiro é motivada por pesquisas de opinião que revelam a transferência de votos do interior fluminense para Cabral, que hoje contaria com o dobro das intenções de voto de Garotinho. A calamidade causada pelas chuvas que atingiram o estado, depois das medidas adotadas por Cabral, catapultaram o seu prestígio na Baixada Fluminense e nas regiões de Niterói e São Gonçalo.
Cabral mudou o foco de sua estratégia de reeleição. Pretende isolar e enfraquecer Garotinho no norte fluminense para enfrentar seu maior problema no momento: a oposição na capital. Na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), seu aliado, não vai tão bem como esperava. Seu maior desgaste é na Zona Oeste, onde venceu a eleição. Com isso, a candidatura de Fernando Gabeira (PV) ganha chances de chegar ao segundo turno e passa a ser ameaçadora”.
            * * *
O passarinho colocou Azêdo numa fria.
Se é verdade que Cabral está forte no interior, onde teria o dobro de Garotinho, não tem porque ele perder tempo investindo contra o seu antigo parceiro.
Para ele, o mais producente, seria atacar a zona oeste do Rio, onde segundo ele, Eduardo Paes vai mal das pernas e Gabeira tem muitas chances.
E se as chuvas o atingiram na Baixada, além de Niterói e São Gonçalo, porque não investir nessas cidades?
E quem está forte nessa região?
Como se sabe, o eleitorado do Estado é dividido mais ou menos da seguinte forma: um terço é capital, outro terço é Baixada e Niterói e mais um terço para o interior.
Segundo Azedo, no terço da capital Gabeira vence; no interior Cabral tem o dobro de Garotinho, e na Baixada, quem está na frente?
É preciso tomar cuidado com esse pessoal de Cabral que, como Alice, vende a história do ‘Mundo das Maravilhas’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

O futuro de Garotinho

O PT e Dilma Rousseff estão enganados com Anthony Garotinho.
Ele não tem porque fazer a campanha da candidata do PT se ela o  repele.
Quando os dois apareceram, juntos, na convenção do PR, em Brasília, os jornais cariocas a atacaram.
Mas ela acredita que a mídia lhe dará melhor tratamento caso fique exclusivamente com Sergio Cabral?
Só se a candidata for muito infantil.
Não existe a possibilidade do ex-governador ficar isolado.
Senão vejamos.
Será que sua candidatura não interessa ao ex-prefeito Cesar Maia, rejeitado pelo deputado Fernando Gabeira?  Afinal o candidato do PR só tem, até agora, um único candidato ao Senado, o Pastor Manoel Ferreira. A segunda vaga continua em aberto, assim como a candidatura a vice-governador.
É óbvio que Cesar Maia só se aliaria a Garotinho, se esse apoiasse José Serra. E porque não ele não o apoiaria? Na última eleição Garotinho pediu votos para Geraldo Alckmin, do mesmo PSDB.
Nesse caso, como se posicionarão os jornais cariocas? Qual deles condenará José Serra? Eles ficarão contra a candidatura do ex-governador de São Paulo? 
            * * *
Em política não existe o impossível, mas é cada dia mais improvável o apoio de Garotinho a Dilma.
Ele já sinalizou isso no encontro do PR, e ela fez o mesmo ontem no Rio.
O noivado pode acabar em rompimento, embora tanto para ela, quanto para o PT,  o interessante é que os dois continuassem noivos até outubro. Mas sem casamento.
Seria uma espécie do que antes era chamado de amizade colorida.
O candidato do PR é evangélico, e tem a família como uma de suas bandeiras. Por isso não quer ‘ficar’. Ele prefere compromisso sério.
            * * *
Garotinho tem hoje dois caminhos.
1 – Aderir a Serra, desde que Serra também o apoie. O namoro não é de todo estapafúrdio. A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, esteve, no ano passado, pelo menos duas vezes com Serra, no Palácio dos Bandeirantes, sempre a convite do então governador de São Paulo. E certamente Serra não o chamou para uma conversa sobre o pré-sal. O fato é que o candidato do PSDB não tem palanque, no Rio,  para o primeiro turno. Na melhor das hipóteses, seu candidato preferencial, Fernando Gabeira, ficará com Marina Silva e , no segundo turno, trabalhará para Serra. E se não houver segundo turno para Presidente? Para que servirá o palanque de Gabeira? E mais: e se Gabeira não for para o segundo turno? Qual será sua contribuição?
2 – Garotinho pode assumir o discurso de que a prioridade é derrotar Sergio Cabral e companhia, já que o Rio  precisa de diversos choques: de moralidade, de administração e de carinho com o Estado. Tipo “prefiro o Rio à Paris”. No discurso, Garotinho diria que o país está resolvido, e em boas mãos, seja quem for o eleito: Dilma, Serra ou Marina, assim como também estaria bem nas mãos de Ciro Gomes, caso ele fosse candidato. Como são pessoas honradas – e Garotinho se dá bem com todos -  ele não precisaria canalizar esforços nessa disputa. Por isso cuidaria apenas do combate a Sergio Cabral, independentemente de quem o eleitor votar para Presidente. E se transformaria no único anti-Cabral, já que Gabeira tem que atender também a outros interesses.
Até o início da próxima semana, o quadro deverá ficar mais claro.
O DEM deu um prazo a Fernando Gabeira para que ele se defina até o dia 30 desse mês.
Até lá, continuarão, aparentemente, empurrando os impasses com a barriga.
Mas todos continuarão conversando.
Quem tiver o que conversar. E a oferecer.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

PT com Picciani, contra Crivella

De Janes Rocha, do ‘Valor Econômico’:
“O deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deverá ser o candidato do PT para a segunda vaga do partido ao Senado pelo Estado. A primeira é do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.
A informação é do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. Em uma rápida entrevista ao Valor ontem, Dutra explicou que o apoio a Picciani é coerente com a posição definida pelo partido em seu encontro estadual deste domingo, na quadra da escola de samba Portela, na Zona Norte do Rio. Com a presença da pré-candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff, o partido sacramentou a aliança com o PMDB no Estado e o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, além da candidatura de Lindberg.
“No Rio, o partido vai apoiar o candidato do (governador) Sérgio Cabral”, reiterou Dutra. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido o apoio do partido ao senador e cantor gospel Marcelo Crivella, candidato do PRB.
Questionado sobre esta contradição, Dutra respondeu que o presidente Lula tem “liberdade” para fazer suas declarações e manifestar suas preferências. “Não podemos enquadrar o presidente da República”, respondeu Dutra, frisando, entretanto, o compromisso assumido pelo partido no Estado com o PMDB. “O presidente [Lula] tem demonstrado simpatia pelo Crivella, mas da mesma forma que o PT espera o apoio do PMDB [para a candidatura de Dilma à Presidência] temos o compromisso de apoiar o candidato do PMDB aqui”, disse Dutra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

Na festa do PT só se falou de Lula

De José Meirelles Passos, de ‘O Globo’:
“Um desavisado que chegasse ao Encontro Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), na quadra da escola de samba Portela, em Madureira, acreditaria estar presenciando o lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O evento fora programado para lançar a précandidatura ao Senado do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, confirmar o apoio do PT à reeleição do governador Sérgio Cabral e servir de palanque para Dilma. Mas tanto o discurso dela quanto o dos políticos que a antecederam, apenas ressaltavam a política desenvolvida por Lula.
?O palanque de Cabral é o único do PT aqui no Rio? Não houve menção alguma a uma plataforma de Dilma. Falou-se apenas na manutenção do modelo atual. Cartazes espalhados pelo ambiente, com uma foto de Lula e Dilma sorridentes, continham um slogan: ?Com Dilma pelo caminho que Lula nos ensinou?.
? Descobrimos o modelo correto de desenvolvimento para nosso país: crescimento econômico com as pessoas subindo na vida. Isso não acontecia antes. Subir na vida era proibido ao brasileiro ? afirmou Dilma.
Líderes da base do governo (PDT, PSB, PCdoB e PMDB) definiram Dilma como ?guerreira?, ?corajosa?, e ?altamente capaz?. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, acrescentou uma virtude: disse que, além de tudo, ?Dilma é carinhosa?. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sugeriu que votar nela seria como saldar uma dívida de gratidão:
? Todos nós devemos a vida à uma mulher. Para compensar isso, temos que eleger Dilma como a primeira mulher presidente do Brasil.
Perguntada se além de apoiar a reeleição de Cabral ela também subiria ao palanque de Anthony Garotinho, candidato a governador pelo PR, em troca de apoio à sua candidatura, Dilma ficou em cima do muro:
? O palanque de Sérgio Cabral é o único do PT aqui no Rio. No que se refere a outros palanques, a coordenação de minha campanha e todos os partidos da base aliada vão decidir as condições, se vai haver ou não outros palanques. Assim que se caracterizarem as coligações que faremos, vai haver uma reunião entre todos e haverá uma decisão.
A plateia não foi muito gentil com o governador do Rio. Toda vez que seu nome era mencionado, ouvia-se uma vaia ? parcialmente encoberta por aplausos depois que, constrangido, o mestre de cerimônias, deputado federal Luiz Sérgio (PT), por fim, decidiu intervir:
? Quem convida, recebe com carinho ? ponderou.
Ao chegar a sua vez de discursar, Cabral usou um artifício para evitar vaias: apanhou o microfone e começou a cantar um conhecido samba de Zeca Pagodinho, alterando a letra de forma a exaltar Dilma:
? Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu… ? entoou, imitado imediatamente pela plateia, com a participação espontânea da bateria da Portela”.

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