• Quarta-feira, 21 Julho 2010 / 19:14

Político tem meta para roubalheira

  Mais um caso que a Lei da Ficha Limpa não resolve.
Do jornalista Breno Costa, da ‘Folha’:
“Dono do sexto maior patrimônio entre os mais de 5.700 candidatos a deputado federal no país, Selmo Santos (DEM-SP) declarou à Justiça Eleitoral possuir participação de R$ 80 milhões numa universidade que não existe.
Apesar de declaradamente milionário, o endereço oficial da candidatura de Selmo Santos, 37, é uma casa simples, com tijolos à mostra, sem campainha, vigiada por um vira-lata e com roupas estendidas em um varal.
Segundo vizinhos, Selmo mora no local com a mãe, mas eles disseram não saber o telefone da residência. Seu advogado, André Luiz Stival, confirma que ele reside na casa. A Folha foi ao local na segunda-feira, mas não havia ninguém em casa.
Procurado desde sexta, Santos, por meio do advogado, não deu explicação sobre a discrepância entre patrimônio declarado e realidade.
“Aí é com ele e com a Receita Federal”, afirmou.
Em março deste ano, Santos foi condenado a um ano e dois meses de prisão, em regime semiaberto, por estelionato. A sentença é da 11ª Vara Criminal de São Paulo.
Em 2004, ele já havia sido preso em flagrante pela Polícia Federal por tráfico de drogas. Ainda responde a dois outros processos: um por falsidade ideológica, e outro por estelionato.
No registro de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral, Santos se diz “diretor de estabelecimento de ensino” e dono de bens num total de R$ 91,6 milhões.
Além de diretor da Unilma (Centro Universitário Livre do Meio Ambiente), Santos tem carteira de estagiário da OAB e já atuou como defensor de acusados por tráfico e roubo em processos.
O Ministério da Educação não tem nenhum registro da Unilma. A faculdade, apesar de não existir, conta com brasão e estatuto registrado em cartório. Está formalmente sediada numa casa na zona leste de São Paulo, segundo registros na Receita Federal. A família que mora ali diz nunca ter ouvido falar da instituição ou de Santos.
O estatuto da entidade prevê, como uma de suas fontes de renda, “doações e contribuições de pessoas físicas e jurídicas nacionais, estrangeiras e internacionais”.
Além da participação na universidade, a declaração de bens de Santos inclui, entre outros, dois imóveis em regiões de luxo em São Paulo e R$ 4 milhões aplicados em caderneta de poupança.
Ele consta como um dos três fundadores da entidade, em maio de 2002. À época, tinha 29 anos. Além dele, outras duas pessoas assinam a ata de fundação da instituição: o reitor Luiz Alberto Ribeiro e a pró-reitora acadêmica Maria das Dores Oliveira.
Na ata, ambos declaram morar numa mesma casa na Vila Brasilândia, uma das regiões mais pobres de São Paulo, na zona norte.
Selmo é um dos 31 candidatos à Câmara pelo DEM-SP. O processo de definição dos nomes do partido foi acompanhado de perto pelo presidente do diretório estadual e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab”.

  • Quarta-feira, 14 Julho 2010 / 15:14

Índio do Demo emprega fantasma

 Do repórter Breno Costa, da ‘Folha’:
“O deputado federal licenciado e candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, Indio da Costa (DEM-RJ), emprega em seu gabinete na Câmara dos Deputados um parceiro de voos de ultraleve num aeroclube do Rio.
Paul Zachhau é membro da Abul (Associação Brasileira de Ultraleves) e acompanha Indio em voos de lazer. Ele não trabalha nem no gabinete de Indio, em Brasília, nem no seu escritório político no Rio de Janeiro.
Por meio de sua assessoria, Indio afirmou apenas que Zachhau o acompanha “em agendas no Rio, inclusive em viagens que faço ao interior do Estado, cumprindo atividades de deputado”.
Indio não possui jatinho ou helicóptero, somente o ultraleve, que, segundo sua assessoria, é usado apenas por hobby. Os traslados entre Brasília e Rio são feitos em voos comerciais, conforme o detalhamento de suas contas no site da Câmara.
Zachhau foi nomeado secretário parlamentar por Indio em novembro de 2008. Segundo a assessoria do deputado, ele recebe R$ 540 mensais, sem gratificações.
Por telefone, Zachhau disse que faz voos junto com Indio e que o vice de Serra é “ótimo piloto”. Questionado, em seguida, sobre sua função como secretário parlamentar, limitou-se a informar à Folha o telefone da secretária do deputado “para mais informações”.
Formado em direito, Indio da Costa, 39, foi escolhido vice de Serra no último dia 30, após muita negociação entre PSDB e DEM. Serra preferia um vice tucano, mas acabou recuando após pressões do Democratas.
O nome de Indio, afilhado político do ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), jamais havia sido cogitado para o posto. Ele foi escolhido, no limite do prazo legal, por três fatores centrais: ser jovem, do Rio de Janeiro e pela imagem associada ao projeto Ficha Limpa, do qual foi relator na Câmara”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:32

PSDB processa o Sensus

  Do repórter Breno Costa, da ‘Folha’:
“O PSDB entrou ontem com representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a pesquisa do Instituto Sensus divulgada anteontem que apontou empate entre os pré-candidatos José Serra (32,7%), do PSDB, e Dilma Rousseff (32,4%), do PT.
Os advogados do PSDB, que pedem multa de R$ 100 mi ao Sensus, argumentam que o instituto não respeitou o prazo legal de cinco dias entre o registro da pesquisa no TSE e a divulgação dos resultados.
A Folha revelou que o sindicato que aparecia como responsável pelo registro não solicitara a pesquisa -só depois o Sintrapav passou a figurar como registrante”.

  • Terça-feira, 18 Maio 2010 / 4:10

Empresários apoiam Marina mas não votam

Do repórter Breno Costa, da ‘Folha’:
“O anúncio do empresário Guilherme Leal como vice na chapa de Marina Silva não rendeu adesão imediata de pesos-pesados do empresariado à pré-candidatura do Partido Verde à Presidência.
A Folha aproveitou a sabatina informal à qual Marina foi submetida por cerca de 350 executivos, ontem em São Paulo, para promover uma enquete sobre a pré-candidata.
Sob a condição de anonimato, foram ouvidos 25 empresários. Apenas quatro afirmaram que pretendem votar em Marina. Os executivos foram ouvidos aleatoriamente.
Ao lado de Leal, executivo da Natura e dono de fortuna estimada em US$ 2,1 bilhões, a pré-candidata falou durante 20 minutos e, em seguida, respondeu a 11 perguntas feitas pela plateia, sobre temas como reformas fiscal, tributária e agrária, mídia e meio ambiente.
À maioria delas, não conseguiu responder objetivamente, especialmente questões de cunho mais econômico.
Questionada sobre qual ela acha que deve ser a meta de crescimento da economia, por exemplo, Marina disse que não falaria na base do “achômetro” e que está “em fase de elaboração de plano de governo”.
A reportagem fez duas perguntas aos empresários. A primeira pedia uma avaliação da performance de Marina: “ruim”, “regular”, “boa” ou “muito boa”. A maioria (18 empresários) considerou “muito boa” ou “boa” a palestra.
Em seguida, ao serem questionados se votariam em Marina, 21 disseram que não.
Informada do resultado da sondagem, Marina desconversou: “Não faço esse cálculo tão pragmático. Eu venho aqui para uma discussão que eu pretendo que seja programática. Vim aqui para ouvir as pessoas através de suas perguntas”.
O almoço-palestra foi organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), presidido pelo empresário João Dória Jr.
Os pré-candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) também deverão participar em breve. O grupo tem cerca de 650 empresas associadas e afirma representar 43% do PIB privado nacional”.

  • Segunda-feira, 17 Maio 2010 / 4:08

Imagine se fosse com Dilma…

De Catia Seabra e Breno Costa, da ‘Folha’:
“Quarenta dias depois de deixar oficialmente o governo de São Paulo, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, tem usado estrutura do Estado em sua pré-campanha, iniciada formalmente no último dia 10 de abril.
O ex-governador, que transmitiu o cargo para o vice Alberto Goldman em 6 de abril, conta com policiais militares na sua segurança. Em São Paulo, ele e seu staff têm ido a eventos em carros oficiais.
Os agentes – policiais vinculados à Casa Militar – também acompanham Serra em viagens pelo Brasil. Os gastos com combustível e celular usados pela equipe de segurança também ficam a cargo do governo.
Os profissionais de comunicação contratados para a campanha mantinham, pelo menos até sexta-feira, os mesmos números de celular de quando atuavam na assessoria do Palácio dos Bandeirantes.
Amparado em decreto estadual, de março de 2004, o governo afirma, em nota, que não há ilegalidade no uso da segurança do Estado. O decreto prevê “a prestação de serviços de atendimento funcional e, complementarmente, de segurança” a ex-governadores durante todo o mandato do sucessor.
Contudo não estabelece um limite de policiais a serviço do ex-governador. Na última quarta-feira, 12 homens vigiavam a casa de Serra, no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital. O governo não informou o número de agentes que acompanham o pré-candidato, alegando “razões de segurança”.
Em 2006, quando, sob a vigência do mesmo decreto, também deixou o Palácio dos Bandeirantes para concorrer à Presidência da República, o ex-governador Geraldo Alckmin contou com o serviço de dois ajudantes-de-ordem e circulava em sua Parati particular.
Quanto aos celulares usados pelos profissionais de comunicação, a Secretaria de Comunicação afirma que os jornalistas podem optar pela manutenção dos números após o desligamento do governo. Ainda segundo a assessoria, os cofres públicos são ressarcidos em caso de despesas “residuais ou remanescentes”.
De acordo com a assessoria da campanha tucana, as despesas com comunicação são cobertas pelo PSDB”.

  • Sexta-feira, 23 Abril 2010 / 3:46

Ciro esperneia e diz que ainda não é defunto

Do repórter Breno Costa, da ‘Folha’, entrevistando Ciro Gomes:
“- O PSB já definiu que terça-feira será o dia D de sua pré-candidatura e está claro que eles vão optar por acabar com ela. O senhor já se conforma em não ser candidato à Presidência da República nas eleições deste ano?
- Eu vou lutar até segunda-feira à noite. Porque considero fundamental para o Brasil, para a democracia brasileira, que o Brasil decida, e não os esquemas de gabinetes em Brasília, confinando as opções até deixar o povo sem alternativa praticamente nenhuma. Eu não quero tomar a Presidência da República de ninguém. Eu quero participar de um debate, trazer uma experiência de 30 anos de vida pública decente, de vivências na área econômica. Mas se o partido entender que não, eu respeitarei. Porque uma democracia se faz não com donos da verdade, se faz com respeito às maiorias. Se a maioria do meu partido entender que não devo ser candidato, eu respeitarei completamente.
- A essa altura dos acontecimentos, o que o faz não declarar efetivamente que não é mais candidato a presidente?
- Boa-fé, confiança, porque a direção do partido me disse que essa discussão será tomada numa reunião com todos os diretórios estaduais, representados em Brasília. E eu confio, estou entre companheiros. É um partido de gente boa, de gente decente, de gente bem intencionada. Pode ser de gente um pouco inexperiente em certa dimensão. Talvez o momento histórico colocou a encruzilhada complexa demais para o nível de experiência de alguns companheiros, mas são gente boa.
- Até que momento o senhor efetivamente acreditou na sua candidatura em termos pragmáticos politicamente, no sentido de o partido efetivamente abraçar sua candidatura, a ponto de buscar alianças com outros partidos?
- Até o presente momento. Porque com a minha experiência, eu não sou nenhum inocente. Eu sei que a natureza da minha candidatura é rebelde ao dispositivo que a grande estrutura do Brasil marcou. A partir da confrontação paroquial, provinciana da política de São Paulo, muito reciprocamente conveniente para eles, PT e PSDB de São Paulo. Eles querem fazer disso a realidade do Brasil. Eu me insurjo contra isso desde sempre. Acho que tem feito muito mal ao país, eu tenho explicado com detalhes, com nomes, o mal que isso tem feito ao Brasil. Então, não terei vida fácil jamais, pela natureza mesmo da candidatura.
Evidente que não tirei aliança nenhuma, se o meu partido não estava seguro de bancar os riscos inerentes a uma candidatura que se rebela contra tudo que está posto na mídia, no poder econômico, nas oligarquias partidárias. Se não for essa a expressão da vontade da maioria, cabe a mim pedir que o partido incorpore no passo adiante, que é o entendimento com alguém que o partido resolva apoiar, as ideias que eu estou defendendo. Porque o que importa não sou eu, o que importa é o país.
- O que o senhor acha que levou a essa situação de agora, de na terça-feira o partido declarar que o senhor não é mais candidato?
- Eu conversei com eles. Olhando a história do Brasil, com essa candidatura o partido só ganha. Porque está provado que quem disputou cresceu. O partido que não disputou definhou. Inclusive, na minha opinião, com razão. Só deveriam sobreviver partidos que tivessem o que dizer para o país. Porque tem feito muito mal ao Brasil essa pulverização de burocracias partidárias que existem para barganhar minutos de televisão, que têm imenso poder no Congresso Nacional, mas nenhuma responsabilidade com a vida da República, com a vida do povo. Vivem chantageando o poder, e o PSB não é isso.
- No caso de haver a confirmação de o PSB abdicar da candidatura própria, qual será o seu comportamento político a partir daí para as eleições presidenciais? Há possibilidade de apoio a Dilma Rousseff, ou o senhor vai se manter neutro?
- Eu nunca fui neutro na minha vida, nunca deixei de tomar posição. Eu vou seguir a orientação do meu partido, a posição que o partido tomar é aquela que eu seguirei. O nível de entusiasmo, entretanto, vai depender do nível de incorporação das minhas preocupações com o futuro do país, com as diretrizes éticas, programáticas, ideológicas do passo seguinte que o partido der, se eu não for candidato.
- O senhor pretende se reunir com a candidata Dilma Rousseff para discutir colaborações suas para o programa de governo dela?
- Sua entrevista está completamente fora de tempo, ou então você está querendo enterrar o defunto com ele vivo ainda. É preciso refrasear as perguntas aí.
- Insisto. Na hipótese da decisão de terça-feira ser desfavorável aos seus anseios, o senhor pretende colaborar com o programa de governo da ex-ministra Dilma Rousseff?
- Eu acho que é uma falta de delicadeza você tratar como defunto quem está vivo, antes de ser enterrado. Publique isto.
- Durante todo esse tempo em que o senhor tentou viabilizar a sua candidatura, o senhor sempre foi crítico da aliança PT-PMDB. O senhor vai manter o discurso público nesse sentido ou vai se recolher?
- Eu nunca fui crítico da aliança PT-PMDB. Eu sei que interessa para eles reduzir a minha opinião a essa miudice. Eu não sou crítico de aliança nenhuma. Eu sou crítico da hegemonia moral e intelectual que preside essa aliança. Se você compreende o Brasil, você sabe que precisa ter aliança. A pretexto de que isso é correto e necessário, o que está se fazendo é tráfico de minuto de televisão, é acobertamento de malfeito, manipulação de CPI. E isso não tem nada a ver com governabilidade, tem a ver com frouxidão moral, concessão de espaço público para fisiologia, corrupção e clientelismo. Essa opinião não muda, é uma opinião de vida minha.
- Em entrevista ao portal iG, o senhor declarou que José Serra é mais capaz do que Dilma Rousseff. A sua visão é essa, efetivamente?
- Eu não dei nenhuma entrevista para o portal iG.
- Independentemente da entrevista, o senhor acredita que José Serra é mais capaz do que a ex-ministra Dilma?
- O que eu digo a todo mundo que me pergunta é que a Dilma é uma pessoa muito melhor do que o Serra, mas infelizmente para nós outros, o Serra é mais preparado do que ela, mais legítimo do que ela.
- O que confere legitimidade a um candidato?
- Estrada, serviço prestado, experiência, derrotas, vitórias, compromissos assumidos. Isso é o que confere legitimidade a alguém.
- Já que ele prestou serviços ao país, cumpriu compromissos, por que o senhor o vê como uma figura ruim para o país?
- A vinculação a um projeto de país que prejudicou o Brasil de forma quase criminosa. Ele foi ministro do governo Fernando Henrique durante quase oito anos. Não adianta fazer de conta, manipular, fazer conivência da grande mídia, lavagem cerebral, não adianta. Ele foi ministro do Planejamento no tempo em que se formatou a privataria. Ele foi ministro da Saúde, ele foi o sucessor do Fernando Henrique, ele foi a Dilma do Fernando Henrique. Isso, infelizmente, é o real. Então, na política, você é você e as suas circunstâncias. Eu, por exemplo, era da mesma turma e rompi quando vi o Fernando Henrique fazer o que estava fazendo. Fui para o deserto, fui falar contra, apelar contra, sofri o pão que o diabo amassou, para sustentar a coerência da minha percepção de mundo em relação ao Brasil.
- O senhor pretende, se não vier a ser candidato a presidente da República, se candidatar a algum outro cargo eletivo este ano?
- Se eu não for candidato a presidente da República, eu vou me aquietar. Vou sair da política, não sei se definitivamente, mas pelo menos por um longo tempo.
- Sair da política por um longo tempo significa se ausentar dos debates agora das eleições presidenciais?
- Depende, se eu for candidato a presidente da República, eu não posso me ausentar. Se eu não for, você espera o defunto ser enterrado para você tripudiar em cima, cuspir na cova”.

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