• Sexta-feira, 13 Janeiro 2012 / 8:57

Obama arrecada mais que rivais juntos

     Da repórter Luciana Coelho, da ‘Folha’:
     “Enquanto os republicanos se digladiam, a campanha do presidente Barack Obama para a reeleição anunciou ontem que ele arrecadou US$ 68 milhões no último trimestre de 2011 -mais do que todos os rivais somados. Desde que se lançou à reeleição, Obama obteve US$ 154 milhões (R$ 277 milhões).
“É um bom começo”, disse Jim Messina, diretor da campanha do presidente. Segundo ele, 1,3 milhão de pessoas contribuíram, e 98% das doações são de US$ 250 ou menos -a Comissão Federal Eleitoral (FEC) ainda não certificou os dados.
Outro número festejado pela campanha de Obama foi a adesão de 200 mil novos doadores entre outubro e dezembro de 2011. “Nossa base está mais entusiasmada, em contraste com o outro lado”, alfinetou Messina.
Na verdade, apesar de uma pesquisa da CBS indicar que 58% dos eleitores republicanos preferiam um nome diferente dos atuais aspirantes à Casa Branca, a arrecadação de fundos melhorou também na oposição.
Mitt Romney, atual favorito, informou anteontem que obteve US$ 24 milhões no trimestre passado -US$ 10 milhões a mais do que no anterior, o que o deixa com US$ 56 milhões até agora.
Já o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich, maior rival de Romney no partido, obteve US$ 9 milhões no quarto trimestre, e o deputado texano Ron Paul, que cresce entre a base independente, US$ 13 milhões.
Essa verba, porém, é arrecadada apenas para as prévias partidárias, que definem o candidato, e antes da campanha contra Obama para a eleição. Já o presidente pode poupar seu caixa para a disputa para valer.
Os valores não refletem ainda as prévias da semana passada e desta. Elas devem dar impulso à arrecadação do ultraconservador Rick Santorum, que quase empatou com Romney em Iowa, e derrubar a do governador do Texas, Rick Perry, que registrou performances ruins.
Além dos caixas dos candidatos, grupos independentes ou indiretamente ligados aos aspirantes têm investido pesado em campanhas depreciativas contra desafetos.
A ONG Centro por uma Política Responsável, que rastreia as finanças eleitorais, mostrou que mais de US$ 5,7 milhões foram gastos em anúncios contra Gingrich -o alvo maior após sua disparada em dezembro- por seus rivais e outros grupos ligados indiretamente a eles.
Obama foi alvo de US$ 1,3 milhão em antipropaganda, e Romney, de US$ 447 mil.

  • Quarta-feira, 04 Janeiro 2012 / 10:25

Brasil precisa frear os EUA

                                                    Mark Weisbrot
 

     Todos governos que não querem uma guerra contra o Irã devem agir antes que seja tarde para impedi-la
É como se não tivessem aprendido nada com as mentiras e a sede imperial de poder que nos arrastaram para uma guerra assassina com o Iraque que consumiu trilhões de dólares. Na sexta, o conselho editorial do “New York Times” aplaudiu as ameaças militares dos EUA contra o Irã e pediu “pressão econômica
máxima” contra o país.
E esse é o mais influente jornal “progressista” da América. A imprensa de direita, com um discurso de ódio que alcança milhões de pessoas por dia, é ainda pior.
O Irã vem reagindo com ameaças próprias de fechar o estreito de Hormuz -por onde passa um sexto do petróleo do mundo- se os EUA cortarem suas exportações de óleo. Não surpreende, já que o governo americano tenta estrangular economicamente o Irã. O enorme esforço diplomático e de propaganda internacional dos EUA pode não levar imediatamente a uma guerra -como foi o caso com a Guerra do Iraque, o timing de qualquer ataque será sujeito a considerações eleitorais.
O problema é que essas pessoas deitam as bases para uma guerra que ocorrerá quando o presidente decidir que convém. Quando essa hora chegar, é provável que seja tarde demais para impedir a guerra. Foi o que ocorreu no Iraque.
A marcha em direção à guerra acelera-se agora devido às eleições de 2012 nos EUA. A primária presidencial republicana é em sua maior parte um circo, com todos os candidatos, menos o libertário Ron Paul, lançando chamados por guerra e criticando Obama por não ser “suficientemente duro”. Como Obama tenta arrebatar votos dos republicanos, sua reação é mostrar-se o mais aguerrido possível sem de fato iniciar uma guerra real.
Enquanto isso, o Congresso, com a Câmara controlada por republicanos e o Legislativo inteiro fortemente pelo lobby de Israel, soma mais pressão em favor da guerra.
Mas que ninguém se engane, imaginando que essa promoção da guerra em um ano eleitoral reflete a vontade dos eleitores americanos.
Os pré-candidatos republicanos estão competindo na primária pelos votos dos eleitores mais de direita, mais extremistas pró-guerra no mundo, e Obama os está seguindo.
E o lobby de Israel está seguindo o governo israelense de direita, pró-guerra. Mas dados de pesquisas indicam que, a despeito da lavagem cerebral diária, a imensa maioria dos americanos não deseja uma guerra com o Irã.
Como a mídia americana não reconhece a vontade da sociedade civil independente no que tange questões de política externa, a voz do povo americano passa sem ser ouvida. E não ajuda o fato de o governo americano ter usado sua influência na ONU para nomear um chefe submisso da Agência Internacional de Energia Atômica. Isso pode explicar a mudança recente de tom da agência, que adotou discurso mais aceitável pelo lado favorável à guerra.
Por isso tudo, apelamos ao Brasil e a outros governos que não querem essa guerra que nos ajudem a impedi-la. Quando, em maio de 2010, o Brasil e a Turquia propuseram um acordo de troca de combustível nuclear do Irã, isso funcionou como freio temporário da máquina de guerra. Precisamos de mais ajuda diplomática desse tipo.
Tradução de Clara Allan.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:52

De Moore sobre Lula da Silva

Quem assina o perfil sobre o Presidente Lula para a revista ‘Time’ é o cineasta Michael Moore. Eis o seu texto:
“Quando os brasileiros elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente pela primeira vez, em 2002, os capitalistas selvagens do país checaram, nervosos, os medidores de combustível de seus jatos particulares. Eles tinham transformado o Brasil em um dos lugares mais desiguais do planeta e agora parecia que tinha chegado a hora da revanche. Lula, 64 anos, era um verdadeiro filho das classes trabalhadoras da América Latina ? na verdade, um dos membros fundadores do Partido dos Trabalhadores ? que já havia sido preso por liderar uma greve.
Quando Lula finalmente conquistou a Presidência, após três tentativas frustradas, já era uma figura conhecida na vida nacional brasileira. Mas o que o levou à política, em primeiro lugar? Foi sua experiência pessoal de como os brasileiros têm que trabalhar duro para sobreviver? Foi ter sido forçado a abandonar a escola depois da quinta série para sustentar sua família? Foi ter trabalhado como engraxate? Foi ter perdido parte de um dedo em um acidente de trabalho?
Não. Foi quando, aos 25 anos, viu sua esposa, Maria, morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, porque não podiam arcar com cuidados médicos decentes.
Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: dêem ao povo boa assistência médica, e ele causará muito menos problemas.
E aqui está uma lição para o resto de nós: a grande ironia da Presidência de Lula ? ele foi eleito para um segundo mandato em 2006, que se encerra no final deste ano ? é que, enquanto ele tenta levar o Brasil ao Primeiro Mundo, com programas sociais como o Fome Zero, que visa acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação oferecida aos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA se parecem cada vez mais com o antigo Terceiro Mundo.
O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de sonho americano. Nós, nos EUA, em compensação, onde o 1% mais rico possui mais do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando mais parecida com o Brasil”.
                      * * *
Em tempo: na lista dos 25 líderes mais influentes do mundo, o nome de Lula aparece em primeiro lugar.
Ao contrário dos jornais em todo o mundo, só aqui dizem que ele não é o primeiro, ele é “apenas um dos 25″ – como se isso fosse pouco.
O curioso é que ele está na capa da revista, e a relação não é por ordem alfabética.
Barack Obama, por exemplo, aparece em quarto lugar.
Se fosse pelo nome, Barack vem antes de Luis ou de Lula.
Se fosse pelo sobrenome, Obama seria antes de Silva.
Não existe, entre os 25 líderes, nenhum dirigente europeu.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:24

Eleições e o futuro da internet

Sam Graham-Felsen, blogueiro responsável pela campanha de Barack Obama, esteve no Brasil há duas semanas e concedeu uma entrevista a Claudio Dantas Sequeira, da ‘Isto É’. Veja o seu texto:
“A eleição do presidente Barack Obama em 2008 foi um divisor de águas na forma de se fazer campanha política pela internet. Sites, blogs e o Twitter, além de permitirem maior interação com os eleitores, tornaram-se uma poderosa ferramenta de arrecadação. Quem conhece a fundo essa história é o jornalista americano Sam Graham-Felsen, que foi diretor da área de blogs da campanha online do candidato democrata, coordenada pela Blue State Digital. Em entrevista exclusiva à ISTOÉ, Graham-Felsen conta que “mais de três milhões de doadores individuais contribuíram cada um com pouco mais de US$ 100, resultando num montante de US$ 500 milhões”. Segundo ele, “as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por grandes doações de um grupo de interesses, mas Obama rompeu com essa tradição”. Com base na experiência americana, Graham-Felsen acredita que em pouco tempo a televisão deixará de ser fundamental nas campanhas eleitorais. Quem assumirá seu papel, é claro, será a internet.
Na lógica do blogueiro, que esteve no Brasil há duas semanas, quando um grande número de pessoas comuns financia a campanha, o governo sente “uma obrigação maior de servir à população”. Formado em ciências sociais na Universidade de Harvard, Graham-Felsen se auto-define como um “estrategista digital”. Aos 28 anos, ele dirige a ONG de ativismo on-line “Aliança para Movimentos Juvenis” (Allyance for Youth Movements). Em sua opinião, a internet também pode ajudar candidatos que nunca disputaram uma eleição, como a petista Dilma Rousseff. “Quem usar a internet para envolver as pessoas na campanha certamente será beneficiado”, diz o blogueiro de Obama”.
                        * * *
- Como responsável pelo blog de Obama, o sr. tinha liberdade ou o comando da campanha interferia no processo?
- Eu era muito independente como blogueiro. A coordenação da campanha confiou em mim totalmente para transmitir suas mensagens com minha própria voz. Eu fiquei muito agradecido pela liberdade que eles me deram no blog e isso me ajudou a dar mais autenticidade ao discurso na internet. A ênfase na autenticidade do que você publica é o melhor caminho para construir um relacionamento com a base.
- E como era sua relação com Barack Obama?
- Obama vinha ao escritório ocasionalmente e tive algumas oportunidades de me reunir com ele. Mas ele passava a maior parte do tempo falando com os eleitores e tentando obter apoio.
- Fale um pouco da estrutura do blog. O sr. precisou montar uma equipe grande?
- Essa questão da estrutura é importante. A campanha investiu pesado na equipe de novas mídias. Tínhamos 85 pessoas no total. Ou seja, éramos um dos maiores departamentos de toda a campanha. Eu tinha três blogueiros trabalhando comigo diretamente, além de uma dúzia ou mais de blogueiros regionais que postavam especificamente sobre alguns Estados onde a disputa entre democratas e republicanos era mais acirrada. Eu mantinha contato diário com muitos dos melhores blogueiros em nível nacional e estadual, fornecendo a eles o que precisavam para cobrir a eleição.
- Aqui no Brasil, os políticos estão aderindo cada vez mais às novas mídias. O candidato tucano José Serra faz questão de postar pessoalmente seus comentários. Mas muitos admitem que postar no Twitter, por exemplo, toma-lhes muito tempo…
- De fato. Eu costumava trabalhar sete dias por semana, geralmente mais de 12 horas por dia. Com tantas coisas em jogo nessa eleição, nós sentíamos que tínhamos o dever de trabalhar por quantas horas fossem necessárias para causar impacto.
- O sr. acha que a televisão continuará a ter papel dominante nas campanhas políticas por muito tempo ainda?
- Em algum momento, a televisão deixará de ter esse papel e quem vai assumi-lo é a internet. A rede está provando ser uma arma poderosa para campanhas, porque com ela é muito mais fácil testar mensagens e público-alvo. Além disso, com a internet se gasta bem menos que com a tevê. Por outro lado, tevê e internet estão confluindo. Em poucos anos será possível ligar a tevê e ser imediatamente transportado para uma página de doação, como ocorre hoje nos sites.
- Uma das diferenças básicas entre a campanha da tevê e da internet é certamente a possibilidade de o eleitor interagir. Como era a interação com o blog? Vocês deixavam as pessoas comentarem o que era postado?
- Certamente. O blog recebia geralmente cerca de mil comentários para cada postagem. Nós sempre tentamos responder a esses comentários tanto quanto possível, mas não dava para atender todo mundo. Além disso, a maioria dos comentários era de apoio à campanha, em tom amigável. Mas também havia aqueles que aproveitavam o blog para atacar Obama.
- Mas vocês permitiam que as ofensas fossem publicadas?
- A menos que fossem comentários realmente ofensivos, nós geralmente permitíamos que as pessoas pudessem se expressar livremente no blog.
- Qual o real impacto que o blog e todas as ferramentas de internet podem ter em termos percentuais na conquista de votos?
- No caso de Obama, o blog ajudou a contar a história, não apenas dele, mas do movimento que ele inspirou. Nós criamos uma narrativa, a de que pessoas comuns podem realmente fazer a diferença em seu país. Isso foi muito inspirador. E o povo respondeu acima das expectativas. Nós conseguimos US$ 500 milhões em doações individuais e também reunimos milhares de voluntários. Eu acredito absolutamente que a internet foi decisiva para o sucesso de Obama.
- A campanha de Obama foi baseada numa forte mensagem: Yes, we can, que basicamente significa esperança. O segredo é apostar num único mote?
- Acredito que tivemos sucesso porque insistimos numa mensagem básica: pessoas comuns podem causar a mudança. Outras campanhas mudaram suas mensagens frequentemente, enquanto nós fomos consistentes e nunca oscilamos, mesmo quando as coisas não iam tão bem nas pesquisas de intenção de voto.
- A internet pode ajudar a tornar o financiamento eleitoral mais transparente ao estimular doações individuais?
- Eu realmente acredito que pequenas doações podem ter um poderoso impacto nas campanhas. No passado, as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por gran­des doações de um pequeno grupo de doadores. Mas a campanha de Obama rompeu com essa tradição. O meio bilhão de dólares arrecadados veio de três milhões de doadores individuais que doaram cada um pouco mais de US$ 100.
- É a tal história do grão em grão…

- Exatamente. A campanha de Obama mostrou que pequenos doadores, em grande quantidade, podem ter um peso maior que grandes doações de poucos doadores. Eu acredito também que, quando um grande número de pessoas financia uma campanha, o governo eleito sente uma obrigação maior de servir aos interesses da população de forma geral, em vez de servir a um grupo de interesses. Afinal, essas pessoas ajudaram o político a chegar lá.
- No Brasil, onde menos de 25% da população tem acesso à internet, essas ferramentas virtuais não tendem a ter um impacto limitado?
- Mesmo 25% da população pode trazer uma mudança significativa, caso se envolva mais nas eleições por causa da internet. Além disso, não podemos esquecer da interação dessa plataforma digital com os telefones celulares e há mais de 170 milhões de celulares em uso no Brasil. Isso também pode ter um grande impacto.
- Como a internet pode ajudar, por exemplo, a eleger alguém que   nunca disputou uma única eleição presidencial?
- Bem, os candidatos que usarem a internet para permitir que as pessoas comuns se envolvam em suas campanhas podem certamente se beneficiar dessas ferramentas. As pessoas se engajarão no processo político se elas sentirem que são levadas a sério por seus candidatos, que não estão sendo manipuladas, mas, sim, ouvidas no processo. E que esses mesmos candidatos lhes dão as ferramentas para poderem se envolver e se organizar em sua própria vizinhança.
- A que ferramentas o sr. se refere exatamente?
- A melhor maneira de mobilizar as pessoas é dar a elas tecnologias para que possam se organizar. Como disse antes, em vez de dizer a elas exatamente o que devem fazer, forneçam as ferramentas para que organizem comitês e eventos de arrecadação de fundos em suas próprias vizinhanças. Deixe-as toma a campanha em suas próprias mãos, fornecendo o suporte necessário.
- No Brasil haverá cerca de dez candidatos nestas eleições, mas apenas dois têm chances reais de vitória. A internet pode ajudar os pequenos a crescer durante a campanha?
- Definitivamente, a internet pode ajudar os candidatos menos conhecidos. Por exemplo, nos Estados Unidos, um candidato republicano pouco conhecido chamado Ron Paul usou a internet para ganhar visibilidade. Conseguiu arrecadar dezenas de milhares de dólares e teve destaque significativo nas primárias do Partido Republicano.
- O sr. acha que o blog pode ser usado para deter ou contrapor a repercussão negativa de eventuais escândalos envolvendo algum candidato?
- Bem, nós geralmente tentávamos usar o blog do Obama para transmitir suas propostas políticas e amplificar a mensagem de que a campanha em si era um movimento pela mudança. Nós não estávamos ali para responder a ataques a Obama porque não tínhamos tempo para mais nada.
- Mas vocês não reagiam aos boatos, que são um fenômeno inerente à internet?
- Sim, ocasionalmente nós respondíamos a falsos ataques, de modo que a verdade pudesse vir à tona. Por exemplo, nós criamos o site fightthesmears.com para combater mentiras e falsos rumores sobre Obama.
- Depois das eleições, Obama continua usando a plataforma da internet para conseguir apoio às suas políticas?
- Sim. O site whitehouse.gov é um grande exemplo de como governos podem ser mais transparentes e manter o diálogo com o público, mesmo depois do fim da campanha eleitoral”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

José Serra não é Carlos Lacerda

Do jornalista Elio Gaspari:
“Como era previsível, uma única palavra ? ?roubalheira? ? deu o tom do discurso de despedida de José Serra. Pena. Foi uma fala tediosa, mas uma só palavra desviou o curso de uma reflexão em torno de ideias, honradez e sobriedade administrativas.
Ela não caiu como cabelo na sopa. Foi um flerte com ?a busca da notícia fácil? que o próprio Serra criticaria no mesmo discurso.
Com suas pressões e ansiedades, as campanhas moldam os candidatos. Quando entrou na disputa pela Presidência, Barack Obama não tinha proposta para a reforma dos planos de saúde. Juscelino Kubitschek nunca pensara em construir Brasília até que, meses antes da eleição, um estudante chamado Toniquinho perguntoulhe se cumpriria o dispositivo constitucional que previa a transferência da capital para o Planalto.
Na atual campanha, há uma energia interna no mandarinato oposicionista que procura um foco na denúncia da amoralidade do governo de Lula. Foi essa força que levou o ?roubalheira? para o discurso de Serra.
Se essa tática prevalecer, acarretará vários riscos, todos lesivos ao nível político do país e à biografia do candidato. O combate à corrupção não deve ser plataforma de governo, mas pressuposto.
O país sofre com o desembaraço dos mensaleiros e com a proteção paternal que Lula lhes dá, assim como padece com o silêncio tucano diante da cassação do mandato, pela Justiça, de seu governador da Paraíba. O mais ilustre detento do sistema carcerário nacional é o ex-governador José Roberto Arruda, o queridinho do DEM, que chegou a aspirar à vice-presidência na chapa de Serra.
Dois presidentes chegaram ao Planalto montados na bandeira da moralidade: Jânio Quadros (seu símbolo de campanha era uma vassoura) e Fernando Collor. Nenhum dos dois concluiu o mandato, e Jânio tornou-se o único governante nacional com conta secreta no exterior disputada em juízo. Esses exemplos não devem estimular complacência, apenas ilustram que o moralismo é um refúgio habitual do corrupto.
Serra nada tem a ver com Jânio e Collor. Faltam-lhe até mesmo a teatralidade, o oportunismo e a mediocridade administrativa. Pelas obsessões, pelo estilo e pela visão de governo, ele se parece com Carlos Lacerda, seu adversário juvenil. Lacerda foi o maior governante da História do Rio de Janeiro (1960-1965). Fez a adutora do Guandu e resolveu o problema secular do abastecimento de água da cidade. Urbanizou o Aterro do Flamengo, abriu o túnel Rebouças e remendou a rede escolar pública. Desse Lacerda, o ?Carlos? dos amigos, pouco se fala. O personagem da História foi outro, o ?Corvo? dos inimigos, que carimbava ?roubalheira? nos adversários. Demolidor audaz, escondia em ímpetos de calculada agressividade um temperamento egocêntrico e depressivo. Carregava nas costas o suicídio de Getulio Vargas (cujos capangas tentaram matá-lo em 1954), assim como carregou a deposição de João Goulart e um pedaço da ditadura que se instalou em 1964.
Vale ouvi-lo: Sobre Vargas: ?Getulio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência.
Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse.
Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar?.
Sobre Juscelino Kubitschek: ?Um político notoriamente desonesto, cujo enriquecimento, seu e de seus amigos, constitui uma afronta ao país?.
Sobre João Goulart: ?Eu agarro o touro pelos chifres?. Diante dos risos da plateia, fez um adendo infame: ?E ele os têm?.
Sobre o presidente Castello Branco: ?O marechal é um anjo da rua Conde Lages?. (Numa referência aos santos colocados nas salas de estar dos bordéis da Lapa.) Nada a ver com Serra. Numa trapaça do tempo, ele recorreu ao ?roubalheira? no dia 31 de março, exatos 46 anos depois do levante militar que o levou ao exílio e deu a Lacerda um breve período de esplendor.
Uma campanha desqualificadora que fecha seu foco na denúncia da corrupção alheia precisa que o candidato puxe o samba. Para aprender esse papel, Serra tem idade demais e treino de menos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:32

Lula em Israel, dorme em Belém

Do repórter Marcelo Nino, de Jesuralém para a ‘Folha’:
“O programa da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste mês a Israel e aos territórios palestinos ainda não foi divulgado, mas um gesto carregado de significado político já está definido: ele irá passar uma noite em Belém.
O pernoite na cidade onde nasceu Jesus, segundo a tradição cristã, é um claro sinal de apoio à ANP (Autoridade Nacional Palestina), que controla Belém. Em geral, o protocolo seguido por líderes estrangeiros é visitar Ramallah, sede da ANP, e dormir em Jerusalém.
O presidente Lula, que desembarca em Israel no próximo dia 14, chega num momento de crescentes tensões entre Israel e seus vizinhos, a começar pelos palestinos. O processo de paz do qual o Itamaraty manifestou interesse em participar torna-se uma possibilidade cada vez mais remota.
Paradas há mais de um ano, as negociações entre palestinos estão em ponto morto desde que o primeiro-ministro direitista Binyamin Netanyahu assumiu o governo israelense no início de 2009. Israel acusa os palestinos de impor precondições para reabrir o diálogo, e os EUA de Barack Obama não conseguem quebrar o gelo entre as duas partes.
Diante do impasse, circula entre os palestinos a ameaça de uma terceira intifada (rebelião), em meio a uma sucessão de atritos. Um deles é a desapropriação e a demolição de casas em Jerusalém Oriental, que os palestinos querem como a capital de seu Estado -já para os israelenses, a cidade deve permanecer indivisível e sob controle judaico.
Ontem, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, revelou o plano de construir um parque turístico perto das muralhas da cidade velha, o que implicaria a destruição de 20 casas de palestinos. Barkat alega que as construções são irregulares e que o turismo gerado pelo parque também beneficiará os moradores árabes do bairro.
Pouco antes do anúncio, o premiê Netanyahu pediu a Barkat que tente uma solução negociada com os moradores antes de implementar o projeto, o que deve adiar as demolições por um tempo. Mas os palestinos alertaram que haverá uma conflagração se o plano do prefeito for executado.
Além disso, a decisão do governo de Israel de incluir dois santuários religiosos situados em territórios palestinos em seu patrimônio histórico esquentou os ânimos, deflagrando uma série de confrontos na volátil cidade de Hebron, onde está o Túmulo dos Patriarcas.
O outro santuário, o Túmulo de Raquel, fica em Belém, onde o presidente Lula passará a noite do dia 16. O gesto faz parte da preocupação da diplomacia brasileira de manter o equilíbrio entre Israel e os palestinos, dando tempo igual para as duas visitas. Em seguida, Lula ficará um dia na Jordânia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:18

Governo quer antecipar visita de Obama

Da colunista Eliane Catanhede:
“O governo vai sugerir à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que o presidente Barack Obama venha ao Brasil ainda neste primeiro semestre, para evitar “contaminação” do processo eleitoral na visita. A eleição é em outubro.
Hillary tem encontro com o chanceler Celso Amorim e o presidente Lula na quarta da semana que vem, em Brasília.
A americana poderá falar sobre a Venezuela, mas outros temas terão destaque: Irã, Haiti e Honduras, além de relações bilaterais. A visita de Hillary tem o objetivo de discutir datas e afunilar a pauta da vinda de Obama. A agenda dela será detalhada na sexta com o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, William Burns.
A questão mais delicada será o Irã. O Brasil investe no diálogo com o regime de Mahmoud Ahmadinejad, e Lula deve viajar a Teerã em 15 de maio.
Os EUA estão no lado oposto, articulando para ampliar sanções ao país, que anunciou o enriquecimento de urânio a 20% e não garante que não irá projetar a bomba atômica.
“A agenda do Brasil é para paz, estabilidade, diálogo e solução diplomática, e nossa ação é transparente”, disse o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota, que foi embaixador em Washington, conhece Hillary e tem contato com Burns e o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon.
Segundo Patriota, a conversa entre Amorim e Hillary deve abordar pontos de vista diferentes quanto “a valor e eficácia” de ampliar as sanções.
No caso de Honduras, Brasília e Washington começam a afunilar posições para a reintegração do país à Organização dos Estados Americanos, de onde foi suspenso após o golpe de 2009 contra Manuel Zelaya.
Brasília admite o reconhecimento ao presidente eleito, Porfírio “Pepe” Lobo, mas conta com o apoio de Washington para colher de Lobo garantias de governo de coalizão, com livre trânsito de Zelaya.
No caso do Haiti, EUA e Brasil tentarão fazer um programa para “projetos estruturantes”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:53

Davos precisa de Lula

De Merval Pereira, em ‘O Globo’:
“A ausência do presidente Lula certamente tirou do Fórum Econômico Mundial uma de suas principais atrações, e não foi por acaso que ele foi escolhido para ser a primeira personalidade a receber o título de Estadista Global. A presença do Brasil nos grandes temas que dominam a cena mundial, seja a crise financeira, a campanha humanitária no Haiti ou a questão do meio ambiente, é cada vez mais sentida.
Tudo estava preparado para que hoje fosse o dia do Brasil no Fórum Econômico Mundial, embora Lula só passasse três horas em Davos.
Mesmo com sua ausência, está mantido um almoço para debater o futuro do país, no qual falarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Se o Brasil ainda não tem, ao contrário do que muitas vezes pretendem fazer crer nossas autoridades, uma palavra decisiva nas grandes discussões internacionais, pelo menos já é relevante o suficiente para ser ouvido.
E Lula hoje, além de sua história pessoal que encanta o mundo, representa um país emergente que deu certo. A tentativa de ser protagonista no plano internacional é consequência de uma política externa que prioriza a imagem internacional do presidente Lula, mais agressiva do que sempre foi historicamente.
Por isso mesmo, pode levar a homenagens como a de Davos, mas também a situações incômodas, como receber com todas as honras o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, num momento em que a comunidade internacional, inclusive China e Rússia, isolava aquele país como forma de pressioná-lo a desistir de um programa nuclear que não se submete à supervisão internacional.
O chanceler Celso Amorim insiste que a aproximação com o Irã atende inclusive a um interesse do presidente Barack Obama, que teria encorajado o Brasil a manter esse contato. Ontem, em Davos, Amorim reuniu-se com o chanceler do Irã para mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear.
No principal painel de ontem sobre o Haiti, por exemplo, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton rasgou elogios à atuação das forças brasileiras no comando da Tropa de Paz da ONU no Haiti.
E, embora tenha deixado claro que os EUA assumiram a coordenação de fato das operações logísticas de ajuda humanitária, a partir do controle do espaço aéreo e do aeroporto de Porto Príncipe, Clinton referiu-se ao governo brasileiro como parceiro prioritário na reconstrução do Haiti.
Ao governo brasileiro resta aproveitar essa posição especial para tentar influir nas decisões, e não querer competir com os Estados Unidos pela liderança da reconstrução.
Foi o que fez o chanceler Celso Amorim, que também participava do painel. Ele aproveitou o momento de solidariedade para lançar um desafio aos países que estão envolvidos na ajuda humanitária: mesmo sem ser possível chegar-se a um acordo sobre o protecionismo no comércio exterior, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, que a exportação de produtos têxteis produzidos no Haiti tenha taxação zerada, como forma de estimular os investimentos naquele país.
Foi uma maneira indireta de levantar um assunto quase morto, como a retomada da Rodada de Doha, que ele discutirá mais uma vez com Pascal Lamy, da OMC.
O Brasil pode sugerir que o tema seja um dos pontos da próxima reunião do G-20, para que os líderes mundiais assumam a condução das negociações, como fizeram com a questão do clima em Copenhague.
Esse, aliás, seria um dos assuntos do discurso de Lula hoje em Davos, ao receber o prêmio de Estadista Global.
Discurso que certamente teria uma repercussão política tão grande quanto o do presidente francês, Nicolas Sarkozy, pois representaria a posição dos países emergentes respaldando posições de líderes dos países desenvolvidos como o próprio Sarkozy e o presidente Obama, a favor de uma nova regulamentação para o sistema financeiro internacional.
O 40 oFórum Econômico Mundial, aliás, está sendo marcado por um sentimento generalizado de que os países emergentes, que têm demonstrado uma capacidade de reação à crise financeira maior do que a dos países desenvolvidos que a geraram, precisam ter mais voz nos organismos internacionais. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, por exemplo, disse em um dos painéis que o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU tende a cristalizar um desequilíbrio nas relações internacionais, assim como a subrepresentação dos países em desenvolvimento nos organismos financeiros internacionais. A África do Sul, juntamente com o Brasil, reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Em outro painel, o ex-presidente do México e atual professor da Universidade Yale Ernesto Zedillo disse que os países emergentes como Brasil, China e Índia, apesar de terem se mostrado bastante resilientes na crise internacional, não podem garantir o crescimento econômico sem que os países desenvolvidos se recuperem. Para isso, será preciso, segundo Zedillo, que uma nova regulamentação do sistema financeiro garanta a sua estabilidade, evitando novas crises.
Lula precisava de Davos para reforçar sua imagem de líder internacional, mas Davos precisava mais ainda de Lula para ressaltar sua busca por um capitalismo com face humana”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:30

Exemplo de Obama na saúde

De Elio Gaspari para a ‘Folha’ e ‘O Globo’:
“De obama@gov para dilma.e.serra@org
ASSUNTO : plano de saúde para o Brasil
Estimados Dilma Rousseff e José Serra,
Como vocês viram, aprovei o projeto que universaliza o acesso dos americanos aos planos de saúde. Tínhamos entre 45 milhões e 60 milhões de pessoas ao sol e ao sereno. Vocês achavam que não ia dar. Deu, porque recuei quando foi necessário e enfrentei a direita paleolítica à maneira do Lula, de microfone na mão, em cima de um tablado.
Sugiro que vocês aproveitem a campanha eleitoral para oferecer aos brasileiros um novo capítulo da história de vossos serviços médicos.
Quero lhes confessar que entrei na disputa pela Presidência sem ideia formada a respeito da questão dos planos de saúde. Se vocês ouviram as platitudes que eu disse num debate em março de 2007, tiveram pena de mim.
Nosso sistema amparava os velhos e os pobres, mas deixava na chuva um pedaço da classe média. O de vocês oferece o serviço dos planos privados para quem tem saúde para trabalhar. Fora daí, há o SUS. Em tese, é um sistema fenomenal, verdadeira cobertura universal. Na vida real, o Brasil privatiza recursos públicos e a iniciativa privada estatiza uma parte do custo social da saúde. Como? Privatiza o público quando o cliente de um plano privado vai a um hospital público.
Estatiza o custo social quando um trabalhador desempregado ou aposentado é expelido do plano da operadora. Esse é hoje o maior buraco da agenda social brasileira.
Vocês podem virar esse jogo. Yes, you can. Concebam mecanismos por meio dos quais os planos privados e o SUS trabalhem com objetivos convergentes. Dá algum trabalho, mas não muito. Será preciso que o Estado mostre a sua mão pesada e os dentes da opinião pública.
Comecemos pelo óbvio: o ressarcimento, pelas operadoras privadas, das despesas que os hospitais públicos têm com seus clientes. Um caso recente: quem salvou a vida do cineasta Fábio Barreto foi a equipe de neurocirurgia do plantão da madrugada no hospital Miguel Couto. Pela tabela dos hospitais cinco estrelas da rede privada (onde não há plantão de neurocirurgia) as primeiras 12 horas de atendimento de Barreto teriam custado em torno de R$ 100 mil. Procurem saber se a operadora dele pensa em ressarcir a Viúva. (Não deixem de ver o filme do Fábio. A CIA me trouxe uma cópia pirata, adorei. A Michelle chorou, mas a Malia ficou meio desconfiada.)
A lei que determina o ressarcimento tem mais de dez anos e foi sedada pelos gatos gordos do mercado, associados aos gatos magros da burocracia. O que foi feito do cartão do SUS? Com ele, cada brasileiro teria um plástico com seu histórico médico. Já se passaram 11 anos, gastaram-se quase R$ 400 milhões e o projeto está atolado. Os gatos gordos e os gatos magros esterilizaram a iniciativa porque ela racionaliza o serviço da saúde pública. Para eles, governo ideal é aquele que tem ministros caçando holofotes, dando serviço aos empreiteiros que constroem hospitais e aos mercadores de equipamentos.
Quando os hospitais decaem e as máquinas apodrecem, começa-se tudo de novo.
Um último palpite: sugiro que procurem a professora Ligia Bahia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eu li umas coisas dela e garanto: entende do que fala, diz o que pensa e sabe se expressar.
Atenciosamente,
Barack Obama”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:09

Os poderosos para a “Forbes”

Deu na ‘Folha’:
“Barack Obama foi eleito a pessoa mais poderosa do mundo no primeiro ranking do tipo feito pela revista “Forbes”, que escolheu o presidente norte-americano porque ele, além de ter o Prêmio Nobel da Paz, comanda “o maior Exército e a maior economia” do planeta.
Em seguida na lista vêm o presidente da China, Hu Jintao, e o premiê russo, Vladimir Putin. A compilação tem 67 posições, entre empresários, políticos e até criminosos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupa o 33º lugar, em razão dos recursos naturais e do potencial petrolífero do Brasil. O outro brasileiro da lista é Blairo Maggi, governador de Mato Grosso, descrito como “o mais poderoso da agricultura”.
A primeira mulher do ranking é a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel (15), e o 67º lugar é ocupado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Cada posto da lista representa 100 milhões habitantes do total de 6,7 bilhões do mundo. O critério de seleção dos “poderosos” foi a quantidade de pessoas que influenciam, a projeção de poder em múltiplas esferas e seu controle sobre volumosos recursos econômicos. “O objetivo é expor o poder, e não glorificá-lo, e mostrar como a influência é fácil de ser perdida e difícil de ser conquistada”, diz a Forbes.
Um dos nomes mais polêmicos da lista é o do traficante Joaquin Guzmán, homem mais procurado do México -sua inclusão despertara crítica do governo mexicano. A “Forbes” diz que o ranking é “o início de uma discussão, não a palavra final”.

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