• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:01

Dilma irá a festa de Meirelles

De Sonia Racy, do ‘Estadão’:
“Dilma dá demonstração explícita de apreço ao presidente do BC. Ela faz parte do grupo de brasileiros que vai a NY participar da homenagem a Henrique Meirelles, vencedor do prêmio Homem do Ano da Câmara Brasil-Estados Unidos.
Bem como Antonio Palocci e Marta Suplicy”.
                  * * *
José Serra ficará mesmo por aqui.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Dirceu ataca Henrique Meirelles

Pelo que se sabe, Henrique Meirelles permaneceu na presidência do Banco Central a pedido do Presidente Lula.
Isso foi o que os jornais publicaram e nenhum dos dois procurou desmentir.
Meirelles não tinha condições de ser vice de Dilma Rousseff e, aparentemente, a candidatura ao Senado, pelo PMDB de Goiás, não o interessou.
Lula certamente não acertou a permanência de Meirelles, no BC, num eventual governo Dilma – a não ser que a própria candidata tenha feito um aceno.
Ou quem sabe o candidato José Serra…
           * * *
O fato é que o ex-ministro José Dirceu ataca hoje em seu blog, violentamente, o presidente Henrique Meirelles, que falou em dar uma tacada – para cima óbviamente – na taxa de juros, para não ter de aumentá-la, mês a mês, até as eleições.
Veja o que diz Dirceu:
“O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ficou no governo, não quis ser candidato, mas se comporta como se fosse. Agora dá conselhos ao próximo governo. Previne que ele não deve manipular o câmbio – é, exatamente aquele que os tucanos mantiveram fixo até o Brasil quebrar.
Além disso, dr. Meirelles deita falação sobre gastos públicos – exato, aqueles que os tucanos nunca controlaram; sobre dívida pública, que os tucanos dobraram em seus oito anos de governo; e sobre poupança, que caiu sem parar no tucanato.
Dr. Meirelles continua o de sempre, agora fazendo coro com a oposição por corte de gastos públicos e aumento da poupança. Fala como se essa elevação fosse uma questão de vontade política e como se os tucanos tivessem praticada essa política no governo FHC. Na maior parte do seu tucanato, todos se lembram, era câmbio fixo, ausência de superávits e aumento da dívida pública, que comno eu disse acima, dobrou naqueles oito anos.
Mas como reduzir a relação dívida PIB e aumentar a poupança com aumento dos juros e da taxa Selic? Sim, porque é isso que ele e seus diretores no BC passaram para o jornalista Kennedy Alencar na Folha de S.Paulo, e para outros nos diversos jornais: quer dar uma ?paulada? nos juros, taxas que chegaram a 27,5% descontada a inflação no governo de FHC sob a regência de Gustavo Franco na presidência do BC.
Só espero que não seja uma paulada no governo Lula e no Brasil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Temer, valeu 1º de abril!!!

O presidente da Câmara, Michel Temer, teve conhecimento, há pouco, da melhor notícia que ele poderia receber num dia 1º de abril - conhecido como o ‘Dia da Mentira’.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que, atendendo a pedido do Presidente Lula, desistiu de disputar as eleiçóes de outubro, e continuará no cargo, “visando a garantir a continuidade e a estabilidade da economia”.
A primeira medida de Meirelles, na próxima reunião do Copon, será aumentar a taxa de juros.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:11

A saia curta de Meirelles

Situação difícil é a do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Não sabe se fica no BC ou se sai.
Lula não pode prometer nada a ele.
E fez pior: pediu que continuasse a frente do BC até o final do governo.
Se Meitelles não sair hoje, ele não será senador por Goiás.
Ser vice de Dilma, cargo que sonha, ele não tem a menor chance.
E se ficar, Lula não pode garantir que Dilma o manterá no caso de uma eventual vitória.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Meirelles vai deixar Banco Central

Do repórter Kennedy Alencar, da ‘Folha’:
“O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pedirá hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para deixar o cargo a fim de concorrer nas eleições de outubro. Segundo a Folha apurou, Lula repetirá que prefere que ele fique, mas não imporá sua vontade.
Ou seja: a tendência é a saída. Nesse caso, o substituto mais provável é o atual diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini. A reportagem apurou, no entanto, que Lula ainda analisa a hipótese de optar por Luciano Coutinho, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Tombini seria um substituto para mandato-tampão até o final do atual governo. O desenvolvimentista Coutinho, não. Significaria uma sinalização de como seria o BC na hipótese de ser eleita como sucessora de Lula sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Ao deixar o posto, Meirelles manteria abertas três possibilidades nas eleições. Ele alimenta o sonho de ser candidato a vice na chapa de Dilma. Também pode disputar o Senado por Goiás ou, menos provável, concorrer ao governo do Estado.
Também contribui para a saída de Meirelles a sinalização do Banco Central de que haverá aumento dos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), nos dias 27 e 28 de abril.
O atual presidente do BC não gostaria de ser o pai de novo ciclo de alta dos juros justamente no ano eleitoral. A Selic está hoje em 8,75% ao ano.
Filiado ao PMDB, Meirelles já ouviu da cúpula do partido que o preferido da legenda para compor a chapa com Dilma é o presidente nacional da sigla, o deputado federal Michel Temer (SP). No entanto, Meirelles ainda pretende insistir.
Como o prazo para a oficialização das candidaturas é o final de junho, há tempo para Meirelles sonhar em ser vice”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Tombini vai substituir Meirelles no BC

Do repórter Vicente Nunes,do ‘Correio Braziliense’:
Nos corredores do Banco Central (BC), alguns já o chamam de presidente. Mas, como bom técnico, que consegue separar muito bem a emoção do trabalho, Alexandre Tombini, 46 anos, faz o possível para não levar a conversa adiante. Ainda que aguarde ansiosamente a sua nomeação para a presidência da instituição à qual dedica pelo menos 12 horas por dia, sabe que, em se tratando de um posto tão cobiçado, só cantará vitória quando o presidente Lula tiver assinado a sua nomeação. Sabe também que, até o último instante, o comandante do BC é Henrique Meirelles, a quem faz toda a reverência por ser hoje o mais cotado para chegar ao posto máximo de sua carreira.
Mantido o calendário traçado por Meirelles, o gaúcho Tombini assumirá a presidência do BC em 31 de março. É nesse dia que o atual titular do posto anunciará a sua renúncia para voltar à vida pública, abandonada em 2002 depois de ser o deputado federal mais votado por Goiás. Meirelles, filiado ao PMDB, deve se lançar na disputa por uma vaga no Senado, mas com todas as atenções voltadas para a vaga de vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff. Só mesmo uma reviravolta muito grande mudará os rumos dessa história. Neste momento, as chances de Meirelles ficar no BC são próximas de zero, tamanha é a sua disposição para voltar à política, diz um integrante do governo.
A escolha de Tombini para suceder Meirelles foi feita há pelo menos um ano e passou pelo crivo de Lula. Pesou a favor dele o fato de não compartilhar da visão tão conservadora do grupo dos chamados falcões, o mais visível deles o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, que também está deixando o BC. Tombini, na visão de Lula, é mais moderado, apesar de comprometido com o sistema de metas de inflação. Esse pensamento é compartilhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez do diretor de Normas a sua referência quando se trata de Banco Central.
Formado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), com PhD pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, Tombini assumirá com a missão nada agradável de dar início ao quarto ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) do governo Lula. Muitos acreditam, inclusive, que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de adiar por 45 dias o arrocho teve como objetivo reforçar a sua gestão. Ao liderar o aperto monetário, indicará que nada mudou no BC no seu compromisso de manter a inflação ancorada no centro da meta definida pelo governo, de 4,5%. A credibilidade construída nos últimos anos pela instituição será até reforçada.
Independentemente de esse ter sido ou não o objetivo do atraso na alta dos juros, não há hoje no BC ninguém que duvide da capacidade de Tombini para manter a inflação sob controle. Mesmo sendo este um ano de eleição, de fortes pressões políticas, ele não queimará a reputação de excelente técnico só para dizer que foi presidente do BC em um mandatotampão, afirma um graduado funcionário do banco. Para ele, Tombini vem sendo preparado pelo próprio Meirelles para sucedê-lo, com a promessa de não meter os pés pelas mãos. Não tenho dúvidas, inclusive, de que, fora do BC, Meirelles será o sustentáculo de Tombini, saindo em defesa da instituição ao menor ataque contra a política monetária, acrescenta. O jogo já está combinado.
Sensato, o quase presidente do BC sabe que não tem a estatura de Meirelles ante os mercados, sobretudo o internacional. Por isso, não se arriscará a aventuras, enfatiza um de seus melhores amigos. O próprio Lula, que todos sabem ser contrário ao aumento dos juros, já teria lhe recomendado que seguisse à risca a atual cartilha do BC, de previsibilidade. Na visão de Lula, tudo que o governo não precisa neste ano é de marola provocada pelo Banco Central. A manutenção da estabilidade será vital para que Dilma, talvez acompanhada de Meirelles em seu palanque, arregimente apoios importantes no sistema bancário e entre o empresariado.
Na diretoria de Normas do BC não faltam adjetivos a Tombini: experiente, com sólida formação macroeconômica, vivência internacional trabalhou por um bom tempo no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington e, principalmente, educado e respeitoso. Não foi à toa que teve carreira tão meteórica no BC, ocupando, atualmente, a sua terceira diretoria, ressalta um de seu comandados. Entre junho de 2005 e abril de 2006, foi diretor de Estudos Especiais, de onde saiu para responder pela diretoria de Assuntos Internacionais e, depois, para a de Normas. Não há o que temer, Tombini será a continuidade do que se vê hoje no BC, diz o amigo José Luiz Rodrigues, sócio-diretor da consultoria JL Rodrigues.
Zeina Latif, economista-chefe do banco holandês ING, complementa: Tombini tem uma reputação muito boa e foi um importante contraponto ao grupo mais conservador do BC. Para Alexandre Póvoa, economista-chefe da Modal Asset Management, Tombini é um nome muito forte, com capacidade para fazer uma transição tranquila, sem sustos. É esse pensamento que sustenta a tese de que, se realmente chegar à presidência do Banco Central, Tombini recorrerá ao amigo Carlos Hamilton, recém empossado na diretoria de Assuntos Internacionais, para que assuma a vaga aberta por Mário Mesquita.
Se optar por esse caminho, responderá por um feito histórico: pela primeira vez, todo o primeiro escalão do BC Aldo Luiz Mendes, diretor de Política Monetária, não é servidor de carreira da instituição, mas construiu a vida profissional no Banco do Brasil terá saído do setor público. Será a vitória dos barnabés”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:27

Meirelles não vê mudanças no futuro

O presisente do Banco Central disse aos repórteres Patricia Duarte e Sergio Fadul, de ‘O Globo’, que não há espaço para mudanças na política ecônomica seja quem for o futuro Presidente da República.
Eis a entrevista:
“- Estamos terminando 2009 melhor do que se projetava no início do ano?
- Acho que a melhor definição é dentro do que se trabalhou para que fosse. De fato, o Brasil está terminando o ano muito bem, com desempenho da economia excepcional. O Brasil tem perspectiva de crescimento sustentado em 2010, o mercado prevê mais de 5%. É um crescimento saudável, porque é baseado no crescimento do emprego, da renda, do crédito e dos investimentos.
- O resultado do PIB no terceiro trimestre (com crescimento de 1,3%, abaixo dos 2% esperados pelo mercado) jogou água fria nas expectativas?
- Existem dois pontos.Primeiro: não há dúvida de que jogou uma certa água fria na euforia, na exuberância, mais ou menos na linha que vínhamos alertando há bastante tempo. Não é aquele clima de incêndio que se estava esperando. Por outro lado, a composição desse PIB é muito saudável. Temos um crescimento dos investimentos de cerca de 30% anualizados, da indústria perto de 10%. Do lado da demanda, tem o consumo das famílias, sustentado por fatores sólidos: emprego, renda e crédito. Não é o que vemos em alguns países com estímulos do Estado. Isso dá uma base para bastante otimismo em 2010.
- O Brasil ainda depende de incentivos fiscais para crescer? – Já existe um cronograma de retiradas desses estímulos em 2010. Existe uma série de coisas que está sendo anunciada neste momento e foi anunciada durante 2009.O que precisamos olhar agora é 2010, e já existe um cronograma de retirada, como para o IPI.
- Mas esses incentivos também tinham um cronograma de retirada antes e acabou não acontecendo…
- Porque se julgou que era necessário fazer um processo mais gradual. Retirou-se um pedaço. É uma questão de avaliação… Ficar dependendo disso (incentivos fiscais), não acredito. A economia já tem um motor próprio de crédito e renda, e agora de investimentos, inclusive externo. É uma situação diferente da americana, que é dependente de estímulos fiscais para crescer. O que se discute, depois de todos os estímulos fiscais e monetários, é se poderá haver um superaquecimento na economia. Para isso, existe o BC, que analisa através de seus modelos econométricos, faz previsões de inflação e toma medidas adequadas, se precisar.
- O Brasil pode fechar 2009 crescendo, ou o mercado está certo ao prever que a economia vai encolher?
- Estamos revisando nossos números (até agora, o BC calcula expansão de 0,8%). Mas, na última vez que fizemos uma revisão, ainda estava positivo. Ainda não temos um número, mas pode ser ainda positivo.
- O senhor está à frente do BC há sete anos e, nesse tempo, o ponto de maior cobrança certamente foi a taxa de juros. O câmbio assumiu o posto neste ano?
- É normal que, em cada momento, determinados setores estejam pleiteando do governo alguma coisa que beneficie o seu segmento.Quando o dólar subiu muito, ouvíamos a reclamação das empresas que estavam expostas a derivativos de que o BC tinha de agir para evitar que essas empresas quebrassem. Os exportadores, naquele momento, estavam tranquilos. Faz parte do equilíbrio normal da sociedade, e o BC tem de administrar o equilíbrio geral macroeconômico. Não se pode fazer política macroeconômica setorial.
- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a questão cambial está resolvida. O senhor concorda com ele?
- Não há dúvida de que aquela trajetória de depreciação do dólar que esteve em curso está, agora, em patamar de relativo equilíbrio.Do dólar em relação a diversas moedas, inclusive o real. Uma certa euforia também que existia nos mercados foi um pouco equilibrada por esses eventos de Dubai, da Grécia, da Espanha, o que levou um pouco de sobriedade também aos mercados. Além do mais, o BC continua com sua politica de acumulação de reservas, houve adoção de algumas medidas fiscais (como cobrança de IOF sobre entrada de capital estrangeiro para investimento em ações e títulos no país). Agora, a mensagem mais importante é que num câmbio flutuante existe um sistema de correção. No momento que existe aumento gradual das importações e do déficit em conta corrente, haverá correção das taxas de câmbio caso haja distorções. O que importa é evitar exageros, como já existiram no passado. Os governos e os BCs estão olhando isso com muito rigor, temos alertado os mercados contra excesso de euforia e distorções nas formações de preços.
- Diante dessa calmaria, perdeu-se a urgência na elaboração de medidas para modernizar a legislação cambial?
- Continua normalmente.O trabalho de modernização da legislação cambial, interrompido com a crise, foi retomado. São mudanças normais, que não visam a alterar a trajetória de câmbio. Por exemplo, envolvendo investimentos de brasileiros no exterior, garantias de investidores estrangeiros no Brasil.
- O ano de 2009 foi dos bancos públicos, que cresceram em participação no mercado. Como vai ser a concorrência bancária em 2010?
- Vai ser o ano do aumento do grau de competitividade do mercado. Os bancos privados aumentaram em muito o grau de agressividade nos últimos meses, e acredito que vamos ver um equilíbrio em 2010.
- Os bancos públicos precisam continuar com o papel de instrumento de política econômica que tiveram em 2009? – Não. Acho que eles cumpriram o papel contracíclico no momento de crise e agora entramos num momento de normalidade, onde voltam a cumprir seus papéis de bancos comerciais e, onde prevê a legislação e a prática, bancos de fomento em áreas específicas.
- Qual a maior preocupação no horizonte para o ano que vem, o que vai provocar tensão na economia? O cenário externo, como foi em 2009, ou o cenário interno?
- Acho que o cenário interno tenderá a gerar mais tensão no ano de 2010.
- Por que?
- É normal que num ano eleitoral sempre exista um pouco mais de preocupação com o futuro.
- Diante dos candidatos que estão colocados até o momento?
- Em qualquer circunstância, em qualquer ano eleitoral, sempre um processo de mudança gera algumas perguntas. Isso é normal.A palavra que eles (mercado) dizem, um pouquinho mais de tensão, é resultado da incerteza. Mas, evidentemente, estamos preparados, e o Banco Central está muito bem equipado para manter o equilíbrio normalmente.Do ponto de vista do resultado, não me preocupa. O Brasil vai crescer de forma equilibrada, e o BC tem todos os instrumentos para manter esse equilíbrio.
- O senhor prevê que o risco de termos distorções profundas nos indicadores econômicos como nas eleições de 2002 de novo é menor?
- É muito baixo. Vamos devagar. Estamos falando de duas coisas diferentes. O risco de termos 2002 é remoto, para não dizer que não existe. Banqueiro central nunca diz que não existe risco. É remoto porque o Brasil tem reservas internacionais de US$ 240 bilhões, estará recebendo mais de US$ 40 bilhões em investimentos externos durante 2010, o Brasil está crescendo, a inflação está na meta, a dívida pública está próxima a 40% do PIB, não há dívida dolarizada, o Tesouro Nacional é credor internacional.Então é uma situação estrutural completamente diferente daquela época.
Por outro lado, o que se coloca de preocupação não é isso, de ter uma crise em 2010. A preocupação é se poderia ou não haver, dependendo de quem seria o próximo presidente, uma mudança de política econômica. O que eu digo no mundo inteiro é que acho que não há espaço hoje na sociedade brasileira para mudança de política econômica em virtude dos ganhos trazidos pela estabilidade.
- E o senhor, nas eleições, estará no ataque (disputando o pleito) ou na defesa (no BC)?
- Espero tomar essa decisão na segunda quinzena de março de 2010. É quando vou começar a pensar nesse assunto.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:27

Meirelles e o seu futuro

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ainda na entrevista aos repórteres Patrícia Duarte e Sergio Fadul:
- Na confraternização de fim de ano do PMDB, o senhor foi bastante disputado.Está à vontade?
- Eu simplesmente fui convidado e compareci como um mero filiado à festa de fim de ano do PMDB. Eu não sou político. Poderei vir a ser, quem sabe? Hoje, sou banqueiro central.
- Qual foi a sua motivação para entrar na política?
- Quando resolvi me aposentar (da presidência mundial do BankBoston) em 2002, comecei a pensar nisso um ano antes. Tomei algumas decisões, que não eram fáceis. A primeira, me aposentar, quase dez anos antes do prazo limite que seria em 2012, exercendo um direito por contrato por ter cumprido os resultados esperados.Tomei a decisão de me aposentar e voltar ao Brasil. A segunda decisão foi a de colocar a serviço do país toda a experiência que tive no mundo inteiro. Liderei uma instituição com presença em 32 países, lidando com problemas econômicos. O Brasil estava em crise. Conversei com diversos líderes e políticos na época. Com o hoje presidente Lula, com o então presidente Fernando Henrique, com o diretório nacional do então PFL (hoje DEM), com o atual deputado federal Ciro Gomes (PSBCE) e com líderes do setor privado.E concluí que, naquele momento, uma maneira de colocar minha experiência a serviço do país seria pela via parlamentar.Fui para Goiás, me candidatei a deputado federal, ganhei. O presidente Lula me convidou para assumir o BC. Renunciei ao mandato, vim e aqui estou.
- O senhor sempre teve atração pela política?
- Não é exatamente política. Sempre gostei de ter uma participação comunitária, fundei a sociedade Viva o Centro de São Paulo, em 1991, participei da fundação Travessia juntamente com o hoje deputado Ricardo Berzoini, em 1995, fiz política estudantil intensamente no secundário. Na minha família, meu pai foi secretário de estado várias vezes.Meu avô foi prefeito. Não há dúvida de que tive convivência com a função pública, e estou no BC há sete anos.
- Entre as alternativas que se apresentam, como disputar o governo de Goiás ou ser vicepresidente na chapa da ministra Dilma Rousseff, qual lhe agrada mais?
- Existem várias alternativas na vida pública, como deputado estadual, deputado federal, senador, vice-governador, governador, vice-presidente (rindo). Não tenho pretensões, hoje, a nenhum desses cargos. Isso que eu digo é sério. Estou dedicado ao BC até a segunda quinzena de março, quando tomarei uma decisão.Se buscarei uma via eleitoral ou não. Se não, está resolvido, fico no BC até dezembro de 2010. Se decidir buscar a via eleitoral, terei dois, três meses para analisar.Só aí, faria as conversas, as articulações.
- Quais as suas referências na política?
- Lulaaaaa (rindo).Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves. São dois nomes. Juscelino, pelo que ele representou na época, de otimismo, de dinamismo, de liderança. Foi quando o Brasil mostrou uma disposição de se tornar um país de grande porte. E Tancredo Neves por sua sabedoria, capacidade de conciliação, visão, o homem que teve papel muito importante para a retomada da democracia.
- Existe algum político que o senhor para e escuta?
- Lula (rindo novamente).Prefiro não me manifestar, sou presidente do BC. Observo economistas, presidentes do BC, ministros da Fazenda. Não dedico grande tempo, é real isso, a ouvir o debate político. Sou um homem muito focado, muito disciplinado, e o meu tempo livre é muito voltado para a leitura e avaliação econômica.
- Quem são seus conselheiros políticos?
- Não tenho conselheiros políticos porque não estou fazendo política. Se tomar a decisão de tomar a via eleitoral, aí, a partir de abril, terei todo o tempo para conversar com políticos.
- E a sua família está fechada qualquer que seja sua decisão? – Está fechada e não abre, para qualquer decisão.Inclusive voltar ao setor privado.
- Isso é uma novidade…
- Uma possibilidade, lógico que é uma possibilidade. Gosto muito, sempre fui do setor privado. Já fiz bastante coisa no setor público.Não consideraria a possibilidade quando me aposentei do setor privado em 2002, achava que tinha que prestar uma contribuição ao país. Já se passaram sete anos, num certo momento terão sido oito.
- E o senhor, nesse período, queimando suas reservas financeiras…
- Falou e disse (rindo). Presidente e diretor do BC não têm nada de reajuste.Muito pouco.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:23

PMDB sofre ataque especulativo

Lula está metendo o PMDB está se metendo numa enrrascada que não se sabe como vai acabar.
O PMDB apoiou a candidata de Lula no escuro, e sonhava em ver o presidente do partido, Michel Temer, na vice-presidência.
Agora, o Presidente ameaça escolher o nome do vice.
Temer se mostrou chateado. O ministro Franklin Martins prometeu que Lula o telefonaria.
Ele respondeu que se sentia honrado com o telefonema, mas preferia uma declaração publica de Lula.
Numa aliança, não se pode impor nomes. Essa é a regra. Ou pelo menos tem sido.
Quando o PMDB, de Tancredo Neves, procurou o PDS para fazer uma aliança no colégio eleitoral, o partido ofereceu o nome de José Sarney – na época o que existia de pior no partido.
Tancredo aceitou e provou que a aliança era para valer.
Por tudo isso, a aliança de Dilma com o PMDB pode ir para o beleléu, se Lula insistir nesse caminho.
Fazer de Henrique Meirelles vice, será dificil o PMDB aceitar. Mas isso fortaleceria sem duvida a candidata oficial.
Eis a reportagem de Marcio Aith hoje na ‘Folha’:
“Se o investidor internacional votasse no Brasil ou tivesse influência nas complexas engrenagens do PMDB, partido ao qual se filiou, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, poderia ser suavemente indicado a vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Num prazo de apenas duas semanas, Meirelles recebeu sinais eloquentes de prestígio do que se convencionou chamar de comunidade financeira global -um grupo formado por bancos, fundos de investimento e organismos multilaterais.
No último dia 2, técnicos do FMI (Fundo Monetário Internacional) definiram publicamente como “exemplar” o papel do brasileiro no combate à crise financeira mundial.
Informa o copioso estudo da organização que se notabilizou por admoestar gerações de tecnocratas brasileiras desde a década de 80: “A aparente eficácia das medidas adotadas pelo BC do Brasil para garantir a liquidez em dólares sugere que elas podem se tornar instrumento padrão de bancos centrais”.
Sete dias depois, o BIS, banco central dos bancos centrais, aceitou o Brasil como membro de um seleto grupo de países responsável por identificar fontes potenciais de estresse nos mercados financeiros.
De menino levado, o Brasil foi promovido a monitor do BIS. Motivo: a firme supervisão bancária brasileira, nas mãos de Meirelles e sua equipe.
Às duas distinções somam-se outros prêmios, convites e jantares com os quais bancos e investidores tentam demonstrar apreço ao ex-presidente do BankBoston no momento em que o presidente do BC tenta migrar da economia para a política após ter-se transformado num dos integrantes mais longevos do governo Lula.
No evento mais exclusivo ao qual compareceu, em setembro passado, no Reform Club, clube inglês fundado no século 19, Meirelles foi até instado por um dos anfitriões a candidatar-se não a vice de Dilma, mas à Presidência da República.
Com a onda de elogios e a recente menção de caciques do PMDB em escândalos, o nome Meirelles, cristão-novo no partido, volta a ser mencionado como alternativa para compor, com Dilma, a chapa PT-PMDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por isso, a declaração do presidente sugerindo que o partido entregasse a Dilma uma lista tríplice de possíveis vices foi lida por alguns como uma tentativa de inflar o nome do titular do Banco Central, o que causou uma imediata reação da cúpula do PMDB.
A própria ministra tem aventado cada vez mais essa possibilidade em encontros com o setor privado. Ao explicar como seria sua política econômica, caso seja eleita, Dilma travou, em uma dessas reuniões, o seguinte diálogo com Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco:
“Qual seria sua equipe econômica?”, questionou o banqueiro. “Seria essa que está aí. Dizem até que o Meirelles pode ser meu vice”, respondeu ela.
Surpreso, Moreira Salles insistiu: “E pode, ministra?” E ela: “Pode, uai. E por que não?”
O problema para viabilizar a opção Meirelles é o enorme abismo que separa seu prestígio internacional de sua inexperiência no partido que escolheu para reentrar na política, em setembro passado -ele teve curta experiência no PSDB, em 2002, quando foi eleito deputado federal, para logo renunciar.
Meirelles tem dito que aceitou de Lula só duas recomendações quando informou sua disposição de se filiar ao PMDB: não concorrer ao governo de Goiás e ficar no BC até março de 2010, prazo para a desincompatibilização das autoridades que vão disputar eleições.
Quanto à possibilidade de buscar a candidatura a vice de Dilma, Meirelles disse, numa entrevista em outubro, ser esta uma “oportunidade e destino, e não um ato de vontade”.
Destino ou vontade, essa alternativa tem como principal obstáculo os “donos” do partido -além de Michel Temer, o líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e os deputados Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Filippelli (DF).
Até a semana passada, todos diziam que o PMDB “nunca” vai indicar Meirelles a vice”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:12

O BC soviet

Do jornalista Élio Gaspari:
“A fritura de Mário Torós na diretoria de Política Monetária do Banco Central teve ingredientes caipiras, mesquinhos e soviéticos.
Os doutores Guido Mantega e Henrique Meirelles são pessoas de gostos e conhecimentos cosmopolitas, mas formaram uma dupla caipira. Torós teria sido defenestrado porque revelou numa entrevista aos repórteres Cristiano Romero e Alex Ribeiro informações “estratégicas” sobre a política do governo para enfrentar o pânico financeiro de 2008.
Torós nada revelou que não possa ser achado nos jornais da época. Mais: passado um ano, nada de essencial há a revelar que um trainee de banco já não saiba. A pobreza desse argumento envergonha quem o ouve. Presume que se deve respeito aos segredos do Banco Central de Pindorama, quando se sabe que o mercado americano já foi abastecido com uma boa dezena de livros contando o que houve por lá entre agosto e outubro de 2008. (Papeleiro que se preza quer ler “Too Big to Fail”, ou “Grande Demais para Quebrar”.)
O Fed americano não vive no regime de clausura do Banco C

entral brasileiro, onde já houve diretores que não colocavam suas biografias na internet. A cada cinco anos o Fed libera as transcrições dos áudios das suas reuniões. A cada reunião o Copom destrói as suas. O banco diz que faz isso para preservar a franqueza no debate. Preserva também a inimputabilidade da rapaziada.
Torós teria sido defenestrado porque contou coisas que não poderiam partir de um hierarca. Esse foi o aspecto mesquinho, como se ele tivesse desafinado no coral da festa de Don Vito Corleone.
Meirelles esteve demitido do Banco Central, como sugeriu Torós? Esteve. Em maio de 2008, antes da crise, Nosso Guia convidou para o lugar o professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Ele aceitou e Lula sentiu-se melhor (nas suas palavras). Na semana em que colocaria o guiso em Meirelles a economia brasileira conseguiu a marca de “investment grade” na banca mundial. Não ficava bem demitir o presidente do Banco Central no meio dos festejos.
Da entrevista de Torós sobram uma referência ao ministro Mantega, associando-o a uma corrida ao dólar e o caso do Banco Votorantim. Ele contou que no dia 10 de outubro o presidente do Banco do Brasil ligou para um diretor do BC, perguntando se havia possibilidade de a Votorantim vender seu banco. Se foi só isso, é vento. A notícia de que o Banco Votorantim tomara uma pancada cambial estava nos jornais do dia 9. No dia 10 soube-se que o tranco chegara a R$ 2,2 bilhões. É provável que os dois doutores estivessem brincando de “Senhores do Universo”. Se o fato do diretor do Banco Central confirmar que os controladores do Votorantim poderiam vendê-lo fosse malfeitoria, os secretários do Tesouro americano Henry Paulson e Timothy Geithner passariam o resto de suas vidas na cadeia.
A fritura de Torós foi antecedida por comentários desprimorosos, capazes de honrar as melhores tradições do Kremlin. A mesma máquina que contou com a ajuda de Torós para manter silêncios injustificáveis funcionou para tentar triturá-lo. Fazendo coisas assim os doutores do BC prejudicam seu pleito por um Banco Central autônomo . Ou melhor, aproximam-se dos costumes do Uzbequistão, onde o BC tem mais autonomia que o brasileiro e o ditador manda ferver oposicionistas”.

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