• Domingo, 26 Fevereiro 2012 / 21:56

Um projeto já

                                                Marcos Coimbra*

       Não faz muito tempo, brincava-se, nos meios políticos, com a mania que os petistas tinham de criar complicações para si mesmos. Complicações desnecessárias, que podiam perfeitamente evitar.
Era um que falava demais, outro que dizia inconveniências, alguns que não sabiam se comportar. Por uma razão ou por outra, expunham suas desavenças e criavam embaraços para todos. O que devia ficar entre quatro paredes saía no jornal.
Os próprios petistas eram seus maiores inimigos.
Hoje, depois de oito anos de Lula, e neste início de segundo ano de Dilma, o PT parece estar pacificado. As futricas internas e as clivagens entre seus grupos e correntes não desapareceram, mas foram apaziguadas. Ninguém dá caneladas nos companheiros, seja por descuido ou de propósito (a não ser com discrição, longe dos holofotes).
Enquanto isso, o PSDB, em sua mais tradicional cidadela e na eleição de maior visibilidade nacional, age de maneira oposta. Nos últimos quinze dias, fez tudo que podia fazer de errado.
A escolha do candidato tucano a prefeito de São Paulo se tornou um espetáculo de forte desgaste para o partido. Que poderia ter sido evitado, pois quem o inventou e encenou foi o próprio PSDB.
Seria um exagero dizer que a secção paulista do partido define sua imagem nacional. Afinal, apenas 20% de bancada parlamentar do PSDB vem do estado e o “candidato óbvio” a presidente em 2014 — nas palavras de seu mais ilustre expoente, o ex-presidente Fernando Henrique — é o mineiro Aécio Neves.
Mas é impossível negar o peso que os paulistas têm no partido. Apenas para ilustrar: desde sua criação, em 1988, todos seus candidatos à Presidência da República vieram de São Paulo — Mário Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin.
Nas idas e vindas do episódio de agora, o PSDB paulista só emitiu sinais negativos. Que não é capaz de definir como prefere escolher seu candidato, hesitando entre fazer prévias com seus filiados ou deixar que os “notáveis” decidam. Que está fragmentado e confuso, dividido em alas que mal conseguem dialogar. Que não tem lideranças que exerçam, com legitimidade, a função de liderar.
Nas palavras de Arnaldo Madeira, peessedebista paulista de alta plumagem — foi líder do governo Fernando Henrique na Câmara e secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin: “O partido não sabe para aonde vai. Essa falta de rumo afeta o PSDB há alguns anos, não é de agora (…). O partido está sem direção, perdido nacionalmente e em lugares como São Paulo, único em que o partido existe para valer”.
Fora os exageros, a irritação de Madeira talvez decorra da crise atual — pois parece não engolir a submissão de seu partido aos vacilantes humores de José Serra, em sua hamletiana dúvida entre ser ou não ser candidato —, mas o diagnóstico que faz sobre o PSDB é mais profundo — e verdadeiro.
No momento em que o PSDB mais precisaria mostrar-se capaz de se tornar (ou de voltar a ser) um meio de expressão e um canal de representação para uma parcela importante da sociedade brasileira — contrapondo-se ao PT, a Lula e a Dilma —, marca passo e retrocede em São Paulo.
Seus líderes locais parecem fortes, mas estão “perdidos”, como diria Arnaldo Madeira. As lideranças nacionais tucanas assistem de longe. Deixam nítido que o partido não tem uma instância de articulação nacional para evitar que conflitos paroquiais o afetem como um todo.
E ainda tem gente que não entende por que Lula e o PT se tornaram o que são no Brasil.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:58

Aposentados: candidatos apoiam Lula

Dos repórteres Sérgio Roxo e Maria Lima, de ‘O Globo’:
“O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, afirmou ontem, em Porto Alegre, que apoiará qualquer decisão do governo federal em relação ao aumento dos aposentados. O tucano disse que é favorável a reposições das aposentadorias ao longo do tempo. Falou que tem até casos na sua família “de pessoas que ficaram para trás” por causa da defasagem dos reajustes, mas disse que é necessário avaliar as contas do governo para definir o percentual de aumento possível.
- Tem que fazer uma análise detida do impacto da questão. O governo tem um ministro da Fazenda, que é sério, não é do meu partido, somos amigos, mas já tivemos diferenças. Tem gente séria. O presidente Lula é um homem que acompanha as coisas. E eles vão decidir. O que eles decidirem, eu vou apoiar, porque é o governo que tem os instrumentos, o conhecimento e a responsabilidade para tomar uma decisão – disse Serra, ao participar de sabatina na sede do Grupo RBS.
Perguntado sobre o fim do fator previdenciário, o ex-governador manteve a linha de resposta:
- Tudo é um problema de custo. Isso tem de ser analisado: tem dinheiro, não tem dinheiro, como vai funcionar. Nós não estaríamos nessa situação se tivesse sido votada a reforma completa da Previdência.
A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, negou-se a fazer declarações públicas sobre o assunto. Em entrevista após almoço com a cúpula do PSB, em Brasília, quando perguntada sobre o aumento das aposentadorias acima do mínimo e possível veto de Lula, ela disse que não comentaria a decisão da Câmara. Mas, em dois posts em sua página no Twitter, Dilma não se posicionou nem contra nem a favor, mas defendeu o direito dos aposentados e ressaltou o compromisso de Lula com os setores sociais.
“Imprensa me pergunta o que o presidente Lula deve fazer em relação ao aumento dos aposentados. O presidente tem um forte compromisso social”, diz o primeiro post do @Dilmabr no Twitter.
E continua, para tentar minimizar o estrago que o veto causaria à sua pré-campanha entre os aposentados: “Lula tem compromisso com trabalhadores e aposentados que deram seu trabalho pelo Brasil. Tenho certeza de que ele decidirá de forma equilibrada”.
Na entrevista, quando perguntada sobre possível veto de Lula, afirmou:
- Nunca fiz, nem farei considerações a respeito dos atos que o presidente vai tomar.
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência, disse que o reajuste aprovado pelos deputados pode ameaçar o controle das contas públicas.
- A discussão tem de ser feita com cuidado. É justo você ter aposentadorias dignas. Por outro lado, há o problema das contas públicas – afirmou ela, em entrevista ao SBT. Marina defendeu a negociação de um projeto que assegure, de forma permanente, a recuperação dos valores pagos hoje pela Previdência.
- O projeto foi aprovado na Câmara, e agora vai ao Senado. Vamos ver o que vai acontecer. Não é só aprovar. É preciso ver também de onde vêm as receitas”.

Como os ex-ministros votaram
 
De ‘O Globo’:
“Quatro deputados que já comandaram o Ministério da Previdência votaram de forma diferente anteontem. José Pimentel (PT-CE), ministro até início de abril, votou contra o fim do fator previdenciário. Seu companheiro de partido e ex-ministro da pasta Ricardo Berzoini (PT-SP) votou a favor. Ministro da Previdência por três vezes, sendo a última no de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) – que há pouco deixou o ministério da Agricultura do governo Lula – votou pelo fim do fator. Stephanes disse que o mecanismo é importante, mas que na votação a base do governo e o PT votaram contra. Para ele, se acabar o fator, terá que ser adotada uma idade mínima para aposentadoria.
Já o ex-ministro da Previdência Jader Barbalho (PMDB-PA), segundo a Câmara, votou pelo fim do fator. O ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima (BA) votou pela manutenção. No PSDB, partido do criador do fator, só seis votaram pela manutenção, entre eles Arnaldo Madeira (SP)”.

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