• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Cabral invade área de rival

Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Brasiliense’:
“O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, desembarca hoje em Campos, levando a tiracolo o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, deputado Jorge Picciani (PMDB), seu candidato preferencial ao Senado. O pretexto é anunciar o início das obras de recuperação do sistema de drenagem da Baixada Campista, mas no plano eleitoral a agenda representa um ataque frontal ao seu principal adversário nas eleições, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), cuja mulher, Rosinha Matheus (PR), é prefeita da cidade.
A invasão da principal base eleitoral do casal que já governou o Rio de Janeiro é motivada por pesquisas de opinião que revelam a transferência de votos do interior fluminense para Cabral, que hoje contaria com o dobro das intenções de voto de Garotinho. A calamidade causada pelas chuvas que atingiram o estado, depois das medidas adotadas por Cabral, catapultaram o seu prestígio na Baixada Fluminense e nas regiões de Niterói e São Gonçalo.
Cabral mudou o foco de sua estratégia de reeleição. Pretende isolar e enfraquecer Garotinho no norte fluminense para enfrentar seu maior problema no momento: a oposição na capital. Na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), seu aliado, não vai tão bem como esperava. Seu maior desgaste é na Zona Oeste, onde venceu a eleição. Com isso, a candidatura de Fernando Gabeira (PV) ganha chances de chegar ao segundo turno e passa a ser ameaçadora”.
            * * *
O passarinho colocou Azêdo numa fria.
Se é verdade que Cabral está forte no interior, onde teria o dobro de Garotinho, não tem porque ele perder tempo investindo contra o seu antigo parceiro.
Para ele, o mais producente, seria atacar a zona oeste do Rio, onde segundo ele, Eduardo Paes vai mal das pernas e Gabeira tem muitas chances.
E se as chuvas o atingiram na Baixada, além de Niterói e São Gonçalo, porque não investir nessas cidades?
E quem está forte nessa região?
Como se sabe, o eleitorado do Estado é dividido mais ou menos da seguinte forma: um terço é capital, outro terço é Baixada e Niterói e mais um terço para o interior.
Segundo Azedo, no terço da capital Gabeira vence; no interior Cabral tem o dobro de Garotinho, e na Baixada, quem está na frente?
É preciso tomar cuidado com esse pessoal de Cabral que, como Alice, vende a história do ‘Mundo das Maravilhas’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:48

A neutralidade de Garotinho

Com Fernando Gabeira, do PV, recuando na aventura de rifar o nome de Cesar Maia como candidato ao Senado, e o PT fechando com a candidatura do ex-ministro Alfredo Nascimento, presidente do PR, para o governo do Amazonas, resta a Garotinho a segunda alternativa prevista ontem nesse blog.
Tornar-se o candidato exclusivamente anti-Cabral, já que Gabeira – mesmo cumprindo esse papel – terá também outras obrigações, como fazer a campanha de Marina Silva, no primeiro turno, e de Serra no segundo.
Garotinho, em seu discurso, diria que o país estará em boas mãos, seja qual for o Presidente eleito: Dilma, Serra ou Marina, assim como estaria também com Ciro Gomes – já que se dá bem com todos eles.
A neutralidade de Garotinho tende a favorecer a candidatura de José Serra.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:48

TRE do Rio no mundo da lua

De ‘O Globo’:
“O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE) decidiu ontem multar em R$ 50 mil o Partido da República (PR) e o pré-candidato da legenda ao governo do Rio, Anthony Garotinho, por propaganda eleitoral antecipada. A representação foi feita contra a propaganda partidária do PR, veiculada em agosto do ano passado, em cinco inserções.
Os juízes entenderam que o tempo da propaganda não cumpriu o objetivo de divulgar as atividades e diretrizes comunitárias do partido. Os vídeos do PR exibiram exclusivamente as falas do ex-governador Garotinho, que havia se filiado ao partido no mês anterior, e teria usado o programa para se autopromover.
A procuradora regional eleitoral, Silvana Batini, disse que as irregularidades foram repetidas no programa partidário do PR veiculado em março deste ano. Ela vai ajuizar nova representação contra o partido e o pré-candidato. Em decisão numa ação anterior, o TRE também cassou o direito do PR de veicular a propaganda partidária no primeiro semestre de 2011.
Nas inserções de agosto do ano passado, após Garotinho anunciar obras e ações realizadas durante o mandato, uma pessoa dizia: ?Eu não sabia que esse cara havia feito tanta coisa?. O nome de Garotinho também era exibido em letras grandes, junto ao número do PR (22), do mesmo do précandidato do partido ao governo do estado. O relator do processo, juiz Mello Serra, disse que a estratégia foi personalista.
Para ele, ?a forma de veiculação não deixa dúvida de que se trata de propaganda antecipada?. O voto do relator foi acompanhado pelos demais magistrados”.
              * * *
A decisão do TRE, contra Garotinho, não chega a ser uma covardia com o candidato.
É apenas o maior equívoco até agora do Tribunal.
Eles deveriam assistir os vídeos do último programa nacional do PSDB, ou mesmo do PT ou do PSB.
Poderiam pedir os programas do DEM, tanto em nível nacional, em eleições passadas, quanto em nível regional.
Usar a TV para testar candidaturas, sempre foi feito por todas as legendas.
Ou os juizes do TRE, por não gostarem de política, não viram esses programas; ou eles tem memória curta; ou então é mesmo pura má-vontade com o candidato do PR.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

O futuro de Garotinho

O PT e Dilma Rousseff estão enganados com Anthony Garotinho.
Ele não tem porque fazer a campanha da candidata do PT se ela o  repele.
Quando os dois apareceram, juntos, na convenção do PR, em Brasília, os jornais cariocas a atacaram.
Mas ela acredita que a mídia lhe dará melhor tratamento caso fique exclusivamente com Sergio Cabral?
Só se a candidata for muito infantil.
Não existe a possibilidade do ex-governador ficar isolado.
Senão vejamos.
Será que sua candidatura não interessa ao ex-prefeito Cesar Maia, rejeitado pelo deputado Fernando Gabeira?  Afinal o candidato do PR só tem, até agora, um único candidato ao Senado, o Pastor Manoel Ferreira. A segunda vaga continua em aberto, assim como a candidatura a vice-governador.
É óbvio que Cesar Maia só se aliaria a Garotinho, se esse apoiasse José Serra. E porque não ele não o apoiaria? Na última eleição Garotinho pediu votos para Geraldo Alckmin, do mesmo PSDB.
Nesse caso, como se posicionarão os jornais cariocas? Qual deles condenará José Serra? Eles ficarão contra a candidatura do ex-governador de São Paulo? 
            * * *
Em política não existe o impossível, mas é cada dia mais improvável o apoio de Garotinho a Dilma.
Ele já sinalizou isso no encontro do PR, e ela fez o mesmo ontem no Rio.
O noivado pode acabar em rompimento, embora tanto para ela, quanto para o PT,  o interessante é que os dois continuassem noivos até outubro. Mas sem casamento.
Seria uma espécie do que antes era chamado de amizade colorida.
O candidato do PR é evangélico, e tem a família como uma de suas bandeiras. Por isso não quer ‘ficar’. Ele prefere compromisso sério.
            * * *
Garotinho tem hoje dois caminhos.
1 – Aderir a Serra, desde que Serra também o apoie. O namoro não é de todo estapafúrdio. A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, esteve, no ano passado, pelo menos duas vezes com Serra, no Palácio dos Bandeirantes, sempre a convite do então governador de São Paulo. E certamente Serra não o chamou para uma conversa sobre o pré-sal. O fato é que o candidato do PSDB não tem palanque, no Rio,  para o primeiro turno. Na melhor das hipóteses, seu candidato preferencial, Fernando Gabeira, ficará com Marina Silva e , no segundo turno, trabalhará para Serra. E se não houver segundo turno para Presidente? Para que servirá o palanque de Gabeira? E mais: e se Gabeira não for para o segundo turno? Qual será sua contribuição?
2 – Garotinho pode assumir o discurso de que a prioridade é derrotar Sergio Cabral e companhia, já que o Rio  precisa de diversos choques: de moralidade, de administração e de carinho com o Estado. Tipo “prefiro o Rio à Paris”. No discurso, Garotinho diria que o país está resolvido, e em boas mãos, seja quem for o eleito: Dilma, Serra ou Marina, assim como também estaria bem nas mãos de Ciro Gomes, caso ele fosse candidato. Como são pessoas honradas – e Garotinho se dá bem com todos -  ele não precisaria canalizar esforços nessa disputa. Por isso cuidaria apenas do combate a Sergio Cabral, independentemente de quem o eleitor votar para Presidente. E se transformaria no único anti-Cabral, já que Gabeira tem que atender também a outros interesses.
Até o início da próxima semana, o quadro deverá ficar mais claro.
O DEM deu um prazo a Fernando Gabeira para que ele se defina até o dia 30 desse mês.
Até lá, continuarão, aparentemente, empurrando os impasses com a barriga.
Mas todos continuarão conversando.
Quem tiver o que conversar. E a oferecer.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:46

Crivella é líder, mas busca espaço

Da repórter Luciana Nunes Leal, do ‘Estadão’:
“Candidato à reeleição, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) não tem lugar em nenhuma chapa dos concorrentes ao governo do Rio de Janeiro, apesar de ser o primeiro colocado na corrida ao Senado, segundo as pesquisas de intenção de voto. Para resolver o problema, chegou a apelar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Crivella contou que Lula fez um pedido ao governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, que encontre uma vaga para ele disputar o Senado na chapa governista. Mas Cabral já definiu seus candidatos: o petista Lindberg Farias, ex-prefeito de Nova Iguaçu, e o deputado estadual Jorge Picciani, do PMDB.
“Não quero atrapalhar, não serei nenhum empecilho à aliança do presidente Lula com o PMDB”, disse Crivella. “Não sou de atropelar ninguém. Haveremos de encontrar um caminho.”
No domingo passado, quando o PR lançou a candidatura de Anthony Garotinho ao governo, ele participou do evento. Na quarta-feira, foi à festa da Igreja Universal, da qual é bispo licenciado. No ato, que reuniu 2 milhões de pessoas, na praia de Botafogo, cantou e pregou mudanças.
“Não adianta nada a gente fazer o Minha Casa, Minha Vida se dentro vamos colocar família desestruturada, um homem caído no vício, uma mulher desalentada e os filho entregues ao tráfico”, disse, citando um dos programas do governo Lula e bandeira da campanha da petista Dilma Rousseff”.
                      * * *
De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Brasiliense’:
“O ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (foto), pré-candidato do PT ao Senado, está cada vez mais espremido na aliança com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. A Universal pressiona o presidente Lula para garantir palanque ao senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), candidato à reeleição. Do outro lado, Sérgio Cabral (PMDB-RJ) não abre mão da outra vaga para o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, do PMDB .

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:40

A Imprensa do Rio e as eleições

O ex-governador Anthony Garotinho lançou ontem sua candidatura, pelo PR, ao Governo do Rio de Janeiro, em ato realizado na casa de espetáculos Vivo-Rio, ocasião em que fez um discurso com dois pontos que merecem destaque:
1. Um ataque violento ao atual governador Sergio Cabral, não só no aspecto administrativo, mas também no aspecto pessoal. Ele desafiou o atual governador a provar com quem renda ele adquiriu os dois apartamentos que utiliza no Leblon e mais a casa de praia em Mangaratiba.
2. O candidato apresentou um elenco de promessas, como a construção de 100 mil casas populares, e a redução para R$ 2,50 do Bilhete Único, além da ampliação de duas para três horas para a sua utilização.
Garotinho é ex-governador, ao disputar a Presidência da República, em 2002, obteve mais de 20 milhões de votos, e hoje é o segundo colocado em todas as pesquisas feitas para a sucessão de Sergio Cabral. Mesmo que não tivesse todas essas credenciais, o lançamento de sua candidatura, por si só, já  mereceria um espaço mais generoso da imprensa do Rio.
Pois o maior e mais importante jornal da cidade, ?O Globo?, publicou uma notícia de pé de página,  que mereceu apenas 459 palavras, sendo que 159 eram contra o candidato, e outras 87 foram dedicadas ao líder do PT, que explicou a posição do partido quanto a participação de Dilma Rousseff em Estados onde existe mais de um palanque em apoio a seu nome.
Para Garotinho sobraram 213 palavras ? menos da metade da reportagem.
O jornal não pode alegar que não se interessa pelos assuntos políticos do Rio. Na mesma edição, a notícia de que a Assembléia poderá aprovar, essa semana, a criação do 93º município fluminense, ganhou manchete de página e 1.031 palavras, ocupando mais de uma meia página da edição de hoje. Isso é quase cinco vezes mais do que o noticiário sobre o lançamento de Garotinho.
Três vezes mais do que o congresso do PR, é o artigo assinado pelo  líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen, a favor da abertura dos bingos e cassinos. São 213 palavras de Garotinho, contra 616 pró jogatina.
?O Dia? também não ficou atrás: dedicou apenas 217 palavras. Já a notícia de que os comandantes das UPPs receberão uma gratificação mensal no valor de R$ 1 mil, mereceu  287.
Bem ou mal, os jornais de São Paulo deram mais espaço a Garotinho do que os jornais do Rio: a ?Folha? tem 304 palavras, o ?Estadão? 397 e o ?Valor Econômico? que, como o próprio nome diz, dedica-se prioritariamente a outros temas, publicou 539 palavras.
Pelo andar da carruagem, o pobre do (e)leitor do Rio terá de se contentar, mesmo, com o horário gratuito de radio e TV para que possa saber o que pensam os candidatos, quais suas críticas aos adversários e quais seus programas de governo.
Uma ultima curiosidade: com exceção de Moreira Franco – que teve na sua eleição o apoio do chamado ?arco da sociedade? -  desde que foi instituído o voto direto para escolha dos governadores, todos os candidatos apoiados pelo ?Globo? foram derrotados. Contra a opinião do jornal foram vencedores Leonel Brizola (em 1982 e, depois, em 1990), Marcelo Alencar (1994), Anthony Garotinho (1998), Rosinha Garotinho (2002), e o próprio Sergio Cabral (2006).
Será que esse ano será diferente?  
Quem viver verá…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:40

Garotinho é candidato

“Existe hoje uma quadrilha instalada no Palácio Guanabara. Vamos enfrentá-la de peito aberto. Sei do que essa gente é capaz de fazer, mas nunca fui movido pelo medo, sempre fui movido pela fé. Quero que cada um de vocês saia daqui, hoje, com a certeza de que não haverá volta. A decisão está tomada.Vamos fazer uma campanha popular, nacionalista e trabalhista. E não há volta”.
De Anthony Garotinho no Congresso Estadual do Partido da República, quando assumiu sua pré-candidatura ao Governo do Rio.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Três momentos de Gabeira

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“- Não saio.
De Fernando Gabeira (PV), negando a hipótese de abdicar da candidatura no Rio em virtude das dificuldades de acomodação em sua aliança:
- Quem gostaria que eu desistisse é o governador, que aí poderia sair em viagem e nem fazer campanha”.
                            * * *
De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O cerco está se fechando em torno do candidato do PV ao governo do Rio. A cúpula nacional do PSDB recebeu um ultimato do DEM: para apoiar Gabeira para governador, ele tem que aceitar a candidatura de Cesar Maia ao Senado. Os tucanos estão convencidos de que não podem abrir mão de um candidato majoritário que pedirá votos para José Serra em favor de um candidato que fará campanha para Marina Silva”.
                           * * *
De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“Desde a eleição de 1989, quando o ex-governador Leonel Brizola apoiou a candidatura de Lula contra Collor de Mello, o Rio de Janeiro tem simpatia pelo ?sapo barbudo?. Não foi à toa que o governador Sérgio Cabral (PMDB) engoliu cobras e lagartos para manter sua aliança com o PT. A ponto de andar de braços dados com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Faria, seu ex-desafeto, e se agastar com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), velho aliado de Cabral que vive às turras com o petista e também é candidato ao Senado.
Já a oposição precisa desenterrar uma caveira de burro. Não consegue erguer o seu palanque no Rio de Janeiro. O candidato do PV, Fernando Gabeira, que fez bonito na disputa pela Prefeitura carioca, dá sinais evidentes de que está com um pé fora da disputa. Criou caso com César Maia (DEM), por causa do índice de rejeição do ex-prefeito, mas isso pode ser apenas um pretexto para não correr o risco de ficar sem mandato. Gabeira sabe que é complicado para o PSDB e o PPS excluírem Maia da coalizão.
Refém de Gabeira, os caciques da oposição estudam alternativas caso fiquem sem o candidato a governador. Mas não conseguem encontrar alguém para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-governador Anthony Garotinho(PR). A ex-juíza Denise Frossard (PPS), amiga dos Maia, não quer nem ouvir falar do assunto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Ciro há 20 dias evita o PSB

De Eugênia Lopes, do ‘Estadão’:
“Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na iminência de o PSB negar-lhe a candidatura à Presidência, Ciro Gomes decidiu mergulhar no isolamento. Há 20 dias, não fala com seus correligionários. O deputado se diz “injustiçado” pelo PSB, pelo PT e por Lula, que agiram para impedir alianças em torno de sua candidatura.
A gota d”água para a insatisfação de Ciro foi a visita da pré-candidata petista Dilma Rousseff ao Ceará, no início da semana passada. O Estado é o principal reduto eleitoral do socialista. Coube à ex-mulher de Ciro Gomes, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), verbalizar a mágoa do deputado com o governo. “Não havia necessidade de a Dilma ir lá nesse momento. Foi um desrespeito ao Ciro por tudo que ele sacrificou pelo governo Lula.”
Ciro sempre manifestou lealdade ao presidente Lula, lembra Patrícia. Transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, a pedido do presidente, com a finalidade de deixar uma porta aberta à possibilidade de disputar o governo paulista com o apoio do PT.
Cerco. Lideranças do PSB também acusam o governo de intervir junto aos partidos para minar as alianças em torno do nome de Ciro. O partido chegou a oferecer a vice-presidência ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ). Também conversaram com o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Ciro nas eleições de 2002. O PTB optou, no entanto, pelo apoio à candidatura do tucano José Serra.
“Não digo que teve uma interferência direta do presidente Lula. Mas o PT tem feito essa interferência não só no plano nacional como nos Estados. O PT está usando sua força para nos isolar”, reclamou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “De fato, a força do governo impediu que o PSB pudesse conseguir alianças”, emendou o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES).
Além da interferência nas possíveis alianças, Ciro Gomes também está decepcionado com a falta de qualquer gesto, pelo presidente Lula, de apreço político ou prestígio. Afinal, como o próprio Ciro gosta de lembrar, ele foi um dos mais fiéis aliados de Lula na época do escândalo do mensalão. Mas, até agora, não há sinal do Palácio do Planalto de entendimento com o deputado em troca de sua desistência da candidatura presidencial.
De concreto, hoje, no Planalto, a situação é esta: o presidente não sabe o que fazer com o caso Ciro. Lula ainda não chamou Ciro para conversar porque não sabe como agir. Além disso, o presidente, dizem seus assessores, achava que Ciro admitia sair do páreo quando combinou com ele a transferência do título para São Paulo – uma ideia que, no Planalto, é atribuída a lideranças do próprio PSB.
Tasso. Com a provável retirada de sua candidatura do páreo da corrida presidencial, o deputado Ciro Gomes deverá “hibernar” nas eleições deste ano, dedicando-se às disputas regionais do Ceará. Ele deverá trabalhar pela reeleição de seu irmão, Cid Gomes, ao governo do Estado. Vai apoiar seu amigo Tasso Jereissati (PSDB-CE), que quer mais oito anos de mandato no Senado. Também ajudará na campanha da ex-mulher para a Câmara dos Deputados.
Casado com a atriz Patrícia Pillar, Ciro pretende passar parte do tempo no Rio, onde mora a mulher. A expectativa é que ele fique afastado das eleições presidenciais.
Segundo correligionários, ele não deverá se empenhar na campanha de Dilma Rousseff. Seus amigos mais próximos também não veem chances de ele vir a apoiar a candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República. E os próprios tucanos reconhecem que é impossível Ciro apoiar Serra, tamanha é a divergência entre ambos.
A última vez que Ciro deu as caras em Brasília foi no dia 29 de março, quando houve uma reunião da cúpula do partido. Desde então, seus correligionários não tiveram mais contato com ele.
Nos últimos 20 dias, Ciro só se manifestou pelo seu site, com um artigo que foi considerado “agressivo” e “injusto” pelos colegas. “Ele não me procurou. Eu bem que tentei falar com ele pelo celular, mas só deu fora de área”, reclamou Roberto Amaral. “Ninguém sabe dele”, resumiu Casagrande. No artigo, Ciro pressionou o partido a definir sua situação na corrida presidencial”.

CIRO TEM 14 DIRETÓRIOS AO SEU LADO, MAS A CÚPULA  É  CONTRA

“Expectativa de crescimento do partido. Este é o argumento-chave apresentado pelos defensores no PSB da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Além disso, pelo menos 14 Diretórios Estaduais do partido são favoráveis à candidatura própria, de olho nas eleições locais.
É o caso do Amazonas e da Paraíba. Nesses dois Estados, as alianças regionais dificultam as condições para que os candidatos do PSB subam no palanque da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Daí, a pressão para que Ciro se lance na corrida presidencial.
A cúpula do partido é, no entanto, majoritariamente contra a candidatura do deputado. A começar pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, candidato à reeleição ao governo de Pernambuco e interessado em garantir o apoio do PT.
A avaliação é de que o PSB conquistará, pelo menos, 10% dos votos do eleitorado brasileiro se disputar a Presidência da República. “Para nós, 10% dos votos do eleitorado significa elegermos mais de 50 deputados federais”, argumenta o presidente do PSB de São Paulo, deputado Marcio França, um dos principais entusiastas da candidatura presidencial de Ciro dentro do partido.
Em 2002, Marcio França foi o coordenador da campanha de Anthony Garotinho à Presidência da República. “Antes da candidatura de Garotinho, o PSB tinha 3,5% dos votos do eleitorado brasileiro. Saímos da eleição com 6% dos votos”, conta França. É bem verdade que o ex-governador do Rio conseguiu encorpar seus votos com o apoio decisivo da igreja evangélica.
Manobra. Com uma candidatura praticamente solo, restrita a alianças com partidos nanicos, Garotinho também se valeu de uma brecha da legislação eleitoral na época e usou a seu bel prazer o tempo de televisão destinado aos candidatos do PSB nos Estados. “Fizemos uma jogada que hoje é proibida: lançamos candidatos ao governo em todos os Estados e o Garotinho aparecia ao lado deles nos programas”, lembra França. Sem poder contar com esse recurso na eleição deste ano, o tempo de exposição de um candidato presidencial isolado na TV seria sensivelmente menor.
Já os críticos da candidatura Ciro alegam que deputado não conta com apoio financeiro nem estrutura de grupos organizados à sua volta. “Tivemos essa experiência de crescimento da bancada do PSB em 2002. Foi uma experiência muito boa, uma oportunidade para firmar a identidade do partido”, observa o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “Mas temos de ter uma candidatura para disputar e para isso não basta a decisão burocrática de lançar um candidato.”
Amaral foi um dos mais ferrenhos defensores da candidatura de Ciro à Presidência, mas mudou de lado diante da falta de estrutura e hoje é contra a entrada do PSB na corrida presidencial. Ele resume assim sua posição: “Time que não joga não tem torcida. Mas time que perde de goleada também fica sem torcida.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Garotinho vai a culto e condena aborto

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“O que deveria ser só um culto religioso, com cerca de cinco mil evangélicos, na Assembleia de Deus de Madureira, transformou-se ontem em palanque eleitoral liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Ao lado da mulher, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e do pastor Manoel Ferreira, que disputará o Senado pelo PR, Garotinho, em seu discurso, pregou: ?Vai ser eleito governador de tudo que é tipo e senador de tudo que é estado do Brasil. Mas só vai ser eleito um governador crente, um senador crente?.
O evento marcou o lançamento do ?Manual Feminino da Cidadania?, que reproduz trechos polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos do governo Lula ? como o apoio ao projeto de lei que defende a união civil de pessoas do mesmo sexo, criticado por Garotinho.
O manual distribuído ao fiéis destaca as ?22 razões para não fazer aborto?, ao lado de imagens de fetos mortos. São listadas ainda as ?22 razões para orar por Garotinho?. Na contracapa, ele aparece com Rosinha e os filhos, com o título: ?Quem tem família, defende família?.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.