• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Anistia condena decisão do Supremo

De ‘O Globo’:
“A Anistia Internacional condenou ontem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar válida a Lei da Anistia, que perdoa crimes cometidos na ditadura tanto por agentes do Estado quanto por opositores do regime. ?A decisão coloca um selo judicial de aprovação aos perdões estendidos àqueles no governo militar que cometeram crimes contra a humanidade?, afirmou, em comunicado, o pesquisador da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill.
?Isto é uma afronta à memória dos milhares que foram mortos, torturados e estuprados pelo Estado que deveria protegê-los. Às vítimas e a seus familiares foi novamente negado o acesso à verdade, à justiça e à reparação?, escreveu.
Anteontem, o STF decidiu, por 7 votos a 2, rejeitar uma ação impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil que pedia uma revisão da lei de 1979. A OAB defendia que a Lei da Anistia não beneficiasse autores de crimes como homicídio, abuso de autoridade, lesões corporais, desaparecimento forçado, estupro e atentado violento ao pudor cometidos contra opositores à ditadura militar.
Em seu comunicado, a Anistia Internacional criticou o Brasil por não seguir o exemplo de países vizinhos como Argentina, Chile, Bolívia e Uruguai, que, de acordo com o grupo, levaram à Justiça acusados de crimes contra os direitos humanos durante os regimes militares nessas nações.
Na avaliação da Anistia Internacional, a decisão do STF deixa o Brasil em desacordo com leis internacionais que não permitem exceções para crimes de tortura e execuções.
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, disse ontem que, mesmo sendo contra a decisão do STF, acredita que o julgamento do caso vai reforçar a criação da Comissão da Verdade e ajudar a esclarecer crimes cometidos durante a ditadura. Para o ministro, os votos de boa parte dos ministros e o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, referendaram a investigação dos crimes, mesmo que os culpados não sejam punidos por conta da anistia: ? Decisão do Supremo a gente respeita sempre, embora minha opinião fosse diferente. Mas louvo bastante os votos dos ministros Ayres Britto e Ricardo Lewandowski e o fato de que muitos deles e o advogado-geral da União enfatizaram a importância desse empenho para aprovarmos no Legislativo a Comissão da Verdade.
O anteprojeto de criação da comissão será apresentado ao presidente Lula na próxima quarta-feira. O texto está pronto.
Pela sugestão do grupo responsável pelo trabalho, a Comissão Nacional da Verdade deverá ser composta por notáveis, a exemplo de experiências similares na Argentina e na África do Sul. Na Argentina, o ex-presidente Raul Alfonsinn indicou o escritor Ernesto Sábato para coordenar as investigações; na África do Sul, Nelson Mandela indicou o bispo Desmond Tutu.
Num dos pontos mais delicados do acordo que precedeu o projeto, ficou acertado também que não poderão participar da comissão representantes de familiares dos desaparecidos ou de militares. A comissão terá prazo de dois anos para tentar esclarecer os crimes da ditadura que permanecem obscuros.
Terá poderes para requisitar documentos e chamar para depor ex-ativistas de esquerda e militares que participaram de movimentos políticos ou tiveram conhecimento dos crimes”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:53

Llosa, um gênio tumultuado

  Domingo, dia 7, o ?Estadão? publicou um artigo de Mario Vargas Llosa – intitulado ?A decepcionante visita de Lula? -  com críticas a viagem do presidente brasileiro a Havana, no dia em que o ?dissidente? cubano, Orlando Zapata Tamayo, morria de uma greve de fome que durou 85 dias ? recorde no ‘Guinness Book’ – graças a eficiência e a dedicação dos médicos cubanos.
Quando li o artigo, não dei bola. Só que agora ele circula na internet. Então vamos a ele.
O texto é lamentável. Parece ter sido escrito por um daqueles cubanos de Miami, que vive da venda de bugigangas, nutre ódio mortal por Fidel e, agora, por seu irmão Raul, paga uma espécie de dízimo para financiar a propaganda contra-revolucionária, é capaz de planejar um atentado contra a Ilha, e está disposto a cometer, se necessário for, a mais cruel das irregularidades contra o seu próprio país.
E verdade seja dita: Llosa sempre se identificou com essa turma.
Em  2004, ele assinou um manifesto, ao lado da Madeleine Albrigth, ex-secretária de Estado dos EUA, pedindo a libertação de 75 presos cubanos, acusados de cometerem crimes de consciência. Hoje são 53.
Vargas Llosa, 74 anos a serem comemorados no próximo dia 28, teve uma vida tumultuada.

O casamento de seus pais durou apenas cinco meses, e quando nasceu foi morar na Bolívia.  Aos 10 anos voltou para Lima, e só aí conheceu o pai, que o internou numa escola militar.  Aos 19 anos ingressou na Universidade de San Marcos, em Lima, e trabalhou nos cemitérios da capital peruana, como revisor de nomes em túmulos.
Nessa época, casou-se com uma tia.
Quer maluquice maior?
Pois muito bem. Cinco anos depois, ele trocou a tia Julia pela prima Patrícia.

                                   * * *
O artigo que Llosa assinou no ?Estadão? é de autoria do Llosa político, e não do Llosa escritor  – consagrado como um dos mais importantes de língua espanhola.
Mas como político, ele sempre foi um derrotado.
Em 1987, presidiu o Movimento Liberdade, cuja bandeira era o combate a nacionalização dos bancos. Três anos depois, concorreu à Presidência do Peru pela Frente Democrática, quando perdeu para  Alberto  Fujimori.  Quer humilhação maior?
Em Londres, onde foi viver, voltou a fazer o que sabe de melhor: escrever livros.
Em 2006, passou um período em Lima, durante a campanha de Lourdes Flores. Foi coadjuvante de nova derrota. Alan Garcia ganhou outra vez.
Tudo somado fez de Llosa um homem problemático, tanto em sua vida privada, quanto na política.
O artigo que escreveu peca, principalmente, pela total falta de informações sobre Lula e sobre Cuba. Ele mais um parece um panfleto ordinário.
Para Llosa, Orlando Zapata Tamayo era um ?pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição – depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere – depois de 85 dias de greve de fome?.
Pobre Llosa. Merece mais pena do que o próprio Tamayo.
Este não passava de um pobre coitado, com diversas passagens pela polícia -  todas referentes a crimes comuns. Na época da prisão dos 75 dissidentes, Zapata Tamayo nunca constou de nenhuma relação de ?dissidentes?. Seu nome não aparece nem na lista da Anistia Internacional e, muito menos, na do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Preso por agressão e tentativa de homicídio, Tamayo tornou-se ‘dissidente’ quando já estava na cadeia. E, ao contrário do que diz Llosa, seus algozes não deixaram o preso morrer de inanição. Ao contrário: fizeram de tudo para que ele sobrevivesse. Se o abandonassem, Tamayo não duraria 85 dias.
Llosa tem razão quando afirma que ?os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente?.
Que ele próprio se considere um idiota, é um direito dele. Mas chamar Tamayo de idiota, trata-se de imensa covardia com um morto.  É óbvio que Cuba não aceitou, não aceita e nem aceitará pressões nem chantagens. Não as aceitaria de um contra-revolucionário, muito menos de um criminoso comum, um pobre diabo manipulado por um grupo de espertalhões que queriam um cadáver para transformá-lo em mártir. Até agora, só conseguiram o primeiro intento.

                                   * * *
No artigo, Llosa insiste na fantasia de que 50 cubanos pediram uma audiência a Lula, para reclamar da falta de liberdade na Ilha.
Mas qual a prova de que a audiência foi pedida? Para quem eles mandaram o documento? Ele foi enviado pelo correio ou  entregue em mãos?  Quem mandou o pedido?  E quem o recebeu?  Isso ninguém consegue responder.
Boa parte da comitiva de Lula passeou por Havana. Quatro ministros de Estado foram jantar na Bodequita del Médio, o restaurante mais badalado da Ilha. Por que nenhum dos dissidentes apareceu por lá? Eles não queriam conversar? Dezenas de jornalistas brasileiros estiveram em Havana naqueles dois dias? Por que nenhum deles foi procurado? O grevista de plantão, um maluco que atende pelo nome de Fariñas, dá entrevistas por telefone a todo o momento. Por que ele não foi atrás da comitiva brasileira? Uma repórter do Globo Online sabe o número de seu telefone, e ele certamente conhece o dela.
A mãe de Zapata também falou, com jornalistas estrangeiros, após a morte do filho. Para a blogueira dissidente Yoani Sánchez, ela chegou a conceder uma entrevista, com vídeo, na porta do IML local.
Então porque a fantasia de que Lula não aceitou conversar com o quem o procurava?
Na semana passada, um “dissidente” esteve na embaixada brasileira, em Havana, com uma carta para ser enviada ao Presidente. Quem a assinava? Ninguém. Nem mesmo o portador, que ficou de voltar mais tarde ?com pelo menos 100 assinaturas?. Até hoje nada.
No ‘Globo’ desse sábado, por exemplo, a correspondente Marília Martins informa que já “circula pela internet o vídeo produzido por um grupo de manifestantes (cubanos que vivem nos Estados Unidos ) que decidiu sentar-se diante da porta do consulado brasileiro em Miami em protesto contra o que definem como “cumplicidade de Lula com a ditadura cubana”.
- Esse grupo de cubanos esteve aqui durante cerca de meia hora gritando palavras de ordem, num protesto barulhento mas pacífico. Nós perguntamos se eles gostariam de entregar alguma carta ou algum documento para darmos ao presidente Lula. Mas recusaram a oferta. Parece que a intenção era simples: o grupo queria filmar a si mesmo fazendo o protesto para que as imagens circulassem pela internet – comenta o cônsul brasileiro em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro.
 
                                  * * *
Como intelectual, Llosa merece todo o respeito. Mas Llosa assinou o artigo como político. E como tal, ele mente. Mente descaradamente.
O político peruano acusa Lula de “abraçar Chávez, Evo Morales e Ortega”, o que ele considera a ?escória da América Latina?, embora todos tenham assumido o poder através do voto democrático, o que ele não conseguiu.
No artigo ele levanta uma dúvida: seria Lula um ?simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral”?
Quem é esse cidadão para insinuar isso sobre o Presidente do Brasil?
Vargas Llosa? Esse é um político medíocre, desinformado, reacionário, entreguista, frustrado, cheio de ódio, de recalques, e que não merece o mínimo de respeito.
Seu artigo no ?Estadão? não passa de uma coletânea de velhos e repetidos chavões contra Cuba e contra seus dirigentes.
Como intelectual consagrado, ele poderia se opor a Lula, a Cuba e aos irmãos Castro de maneira inteligente. Mas, por preguiça ou falta de argumentos, vomita uma verborragia sem conteúdo.

                                    * * *
Fariñas, o maluco de Cuba, disse ter ouvido de autoridades do Ministério do Interior, que ele tem todo o perfil para se tornar um mártir. Por isso, insiste em morrer. Mas, como é incompetente, não alcança o seu intento. Esta é a sua 23ª greve de fome, e ele continua vivo. Quem sabe, qualquer hora ele consiga.
Llosa, o maluco de Lima, tem certamente o perfil que Fariñas sempre sonhou.
Para virar mártir só precisa fazer uma greve de fome.
Vencedor, com uma infinidade de méritos, nos meios literários, Llosa poderia tentar obter uma vitória na política.
É óbvio que os irmãos Castro não aceitariam a sua chantagem.
Mas mesmo perdendo, Llosa sairia vitorioso.

  • Quarta-feira, 24 Fevereiro 2010 / 2:21

A morte de um dissidente cubano

 É claro que nem tudo o que a internet publica é verdade.
Mas é a fonte de informação mais rápida que existe hoje.
E, com todos os cuidados necessários, parte do que estará nesse post, foi obtido na internet.

                                                         * * *

Os jornais de hoje anunciaram a morte de um disidente cubano, preso desde 2003, depois de ter feito uma greve de fome de 82 dias, segundo ?O Globo?, e de 85 dias, segundo a ?Folha?.
Orlando Zapata Tamayo era bombeiro hidráulico -  num país onde quase todos tem o curso superior -, tinha 42 anos e era um dos 75 presos políticos na Ilha de Fidel.
Aí a primeira contradição.
A Anistia Internacional, órgão de maior credibilidade em matéria de presos políticos, contabilizou, em março do ano passado, que dos ?57 prisioneiros de consciência atualmente detidos em Cuba, 54 pertenciam a um grupo de 75 pessoas que foram encarceradas durante uma massiva campanha repressiva contra a dissidência em março de 2003. A maioria foi acusada de ?atos contra a independência do Estado?, por supostamente receber fundos ou material de organizações não governamentais sediadas nos Estados Unidos e financiadas por esse governo. Foram condenadas entre 6 e 28 anos de prisão após breves julgamentos, sem garantias, por realizarem atividades que as autoridades consideraram subversivas e prejudiciais para Cuba”.
   “Essas atividades – continua a Anistia – se resumiam em publicar artigos ou conceder entrevistas a meios de comunicação financiados pelos Estados Unidos; contatar organizações internacionais de direitos humanos, entidades ou particulares considerados hostis a Cuba. Até o momento 21 foram libertados, alguns em liberdade condicional, por razões médicas?.
É claro que 57 presos políticos é um número excessivo. Se fosse um único preso por crime de consciencia já seria demais. Mas 57 não são 75. E se ?21 foram libertados por razões médicas?, porque o regime cubano deixaria morrer na prisão um homem que faz uma greve de fome de 85 dias? Zapata deveria ter razões médicas suficientes para ganhar a liberdade. A não ser que o seu crime não fosse apenas de consciência.

                                                         * * *

A maior crítica do regime cubano chama-se Yoani Sánchez, 35 anos, detentora de seis prêmios internacionais pelo seu site Generacion Y, ?um blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contém um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração?.
Yoani fez cinco faculdades e especializou-se em literatura latinoamericana contemporânea: ?Apresentei uma tese incendiária intitulada ?Palavras sob pressão. Um estudo sobre a literatura da ditadura na América Latina?. Ao terminar a universidade havia compreendido duas coisas: a primeira, que o mundo da intelectualidade e da alta cultura me repugnava e, a mais dolorosa, que já não queria ser linguista.
Em setembro de 2000 fui trabalhar numa obscura oficina da Editorial Gente Nueva, enquanto chegava a certeza – compartilhado pela maioria dos cubanos – de que com o salário ganho legalmente não poderia manter minha família. De maneira que, sem concluir meu serviço social, pedi baixa e me dediquei ao trabalho melhor remunerado de professora de espanhol – freelancer – para alguns turistas alemães que visitavam La Habana. Era a etapa (prolongada até os dias de hoje) em que os engenheiros preferiam dirigir um taxi, os professores fazem o impossível para trabalhar no arquivo de um hotel e, nos balcões das lojas um turista pode ser atendido por uma neurocirurgiã ou um físico nuclear?.
Diz Yoani: ?Em 2002 o desencanto e a asfixia econômica me levaram a emigrar para a Suiça, de onde regressei – por motivos familiares e contra a opinião de amigos e conhecidos – no verão de 2004.
Nesses anos descobri a profissão que me acompanha até hoje: a informática. Me dei conta que o código binário era mais transparente que a rebuscada intelectualidade e que se nunca havia me ido bem no Latim ao menos poderia empreender com as compridas cadeias da linguagem html. Em 2004 fundei, com um grupo de cubanos – todos radicados na Ilha – a revista de reflexão e debate ‘Consenso’. Tres anos depois continuo trabalhando como web master, articulista e editora do portal ‘Desde Cuba’.
Em abril de 2007 me enredei na aventura de ter um Blog chamado ?Generación Y? que defini como ?um exercício de covardia? pois me permite dizer neste espaço o que me está vedado em minha ação cívica. Vivo em Havana, com o jornalista Reinaldo Escobar – com quem divido minha vida há quase quinze anos”. Seu blog pode ser lido em espanhol, inglês, polaco, francês, alemão, italiano, lituano, japonês, chinês, português, checo, bulgaro, holandês, finlandês, hungaro e coreano. O ‘Granma’, orgão oficial do Parrtido Comunista, pode ser acessado em apenas seis línguas. 
A responsável pelo site Generacion Y, certamente, deve cometer diáriamente diversos ?crimes de consciência?. Mas continua, sabe-se lá por que, em liberdade.
Ontem, por exemplo, com a morte de Zapata, os jornais anunciaram que ela não estava atendendo ao telefone, pois decretou luto pela morte do dissidente.
 

                                                           * * *

Greve de fome é a cessação voluntária da alimentação por parte de um indivíduo. Ela é considerada um método de resistencia não violenta de pressão, e geralmente é vista como um protesto político.
Do ponto de vista médico, nos primeiros três dias, o corpo se utiliza da energia da glicoce. Depois, o fígado começa a transformação da gordura corporal em um processo chamado de cetose. Três semanas depois, inicia-se o período crítico com perda de energia e da médula osséa, com perigo de morte. Nos exemplos clássicos, a greve de fome mata o sujeito entre o 52º e o 74º dia.
O Guinness Book registra que a maior greve de forme do mundo, sem alimentação forçada, durou 94 dias. Mas esse fato ocorreu há 90 anos, em outubro de 1920. E o texto confuso relaciona nove pessoas, na prisão de Cork, o que certamente é um erro. Podem ter morrido nove pessoas, mas não todas ao mesmo tempo.
Zapata teria sido o segundo dissidente cubano a morrer devido a uma greve de fome. O primeiro foi o poeta Pedro Luis Botiel, em 1972, que ficou 53 dias sem comer.

                                                             * * *

Isso tudo é para dizer o seguinte. É óbvio que existem contradições e exageros no noticiário sobre a morte do dissidente cubano:
1 ? O número de dias que durou a greve. Se o normal é a pessoa morrer após o 52º dia e no máximo até 74º, como ele conseguiu ficar 85 dias? Seria ele o novo recordista do Guinness, ou pelo menos, o recordista do século XXI?
2 ? Zapata morreu em um hospital, portanto estava sendo monitorado. Houve tentativa de alimentação forçada, ele recebia soro? Não se sabe.
3 ? Como é possível que o regime cubano deixe morrer um dissidente, se outros se encontram soltos e falam abertamente contra o regime. Não é apenas o caso da blogeira Yoani. ‘O Globo’ de hoje publica uma entrevista com “um dos principais dissidentes do país, Oswaldo Payá” que chama de “covarde” o Presidente Lula, já que ele é “o verdadeiro cúmplice do regime cubano”. Isso não seria um “crime de consciência”. Afinal, o regime é fechado ou não é?
4 – O blog Generacion Y tem hoje um depoimento de quem se apresenta como a mãe de Zapata. A declaração foi feita na porta do hospital onde seu filho morreu, ontem às 15 horas. A luz é precária, e ele foi gravado pela blogueira que tem cinco cursos superiores, seis premios internacionais e que, depois de ter morado na Suiça decidiu voltar Havana para combater o regime.
Yoane explica que ?esta tarde (23/2), horas depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, Reinaldo (seu marido) e eu pudemos aproximar-nos do departamento de Medicina Legal na rua Boyeros. Um cordão de homens da segurança do estado vigiava o lugar, porém conseguimos aproximar-nos de Reina, mãe do falecido, e fazer-lhe estas perguntas. Dor, indignação em nós?tristeza profunda nela. Aqui deixo a gravação, alternativa e sem luz, porém testemunho pungente da angústia de uma mãe?.
Yoani Sánchez foi quem postou o vídeo, também, no YouTube.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.