• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:52

‘Ser-Ser’ quer reviver o ‘Jan-Jan’

Quando a candidatura de Jânio Quadros, à Presidência, foi lançada pelo pequenos partidos PTN e PDC, em 1960, ele foi aos poucos ganhando adesões, até que conseguiu o apoio da UDN, que viu em Jânio a possibilidade de chegar ao poder.
Na época, a eleição era totalmente descasada, e não havia vinculação nem mesmo com o candidato a vice.
Foi aí que surgiu o movimento Jan-Jan, o voto em Jânio pela UDN, e em Jango Goulart pelo PTB.
E eles foram a vitória.
                          * * *
Em Minas, nas últimas eleições, ocorreu movimento idêntico: o  Lulécio, que era o voto em Lula e em Aécio.
E tudo leva a crer que o fenômeno vai se repetir, lá nas Alterosas, com Dilma, do PT, e Anastasia, governador pelo PSDB.
Ao perguntarem a Dilma sobre a possibilidade da chapa Dilmasia, ela perguntou: “E por que não, Anastadilma?”
                          * * *
No Rio já existe um cidadão – misto de jornalista e publicitário – contratado, informalmente pelo PMDB, para dar assessoria na formação de pequenos movimentos que irão reviver o Jan-Jan de 1960.
No momento, existe uma discussão sobre o nome.
O mais provável é que seja Ser-Ser, mas há quem defenda o Serbral – o voto em Serra e Cabral.
José Serra, diga-se de passagem, nada tem a ver com isso, mas óbviamente que não irá reclamar.
Já Sergio Cabral, dizem seus companheiros, não moverá uma palha a favor de Dilma Rousseff, a não nos dias em que ela estiver ao seu lado.
Depois de tudo que Lula fez pelo Rio, o normal é que Dilma recebesse uma consagração, até mesmo porque Lula teve, em 2006,  mais votos que Cabral, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O lógico seria Dilma somar mais votos do que Lula.
Quanto a esperteza de Cabral, existem dúvidas se o PT do Rio irá denunciá-lo.
O jogo só ficará claro, de verdade, depois da Copa, na segunda quinzena de julho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

PT e mineiros minimizam Dilma

Das repórteres Maria Clara Cabral e Ana Flor, da ‘Folha’:
“O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou ontem que as expressões “Dilmasia” e “Anastadilma”, usadas pela pré-candidata petista Dilma Rousseff durante visita ao Estado anteontem, não encontram “amparo na realidade” e que o pré-candidato José Serra (PSDB) terá “situação eleitoral favorável” entre os mineiros.
Os dois termos se referem a dobradinhas híbridas no segundo maior colégio eleitoral do país unindo as candidaturas de Dilma à Presidência e de Anastasia ao governo estadual, reeditando o fenômeno do voto “Lulécio”, observado em 2006, que abarcou fatia dos eleitorados de Lula e Aécio.
Ontem, a direção do PT e os pré-candidatos petistas ao governo de Minas minimizaram a declaração de Dilma, afirmando que foi uma brincadeira. Em sua primeira visita “institucional” a Brasília como governador, Anastasia afirmou também que “soou estranha” a visita da ex-ministra ao túmulo de Tancredo Neves, avô de Aécio, pela atitude do PT no colégio eleitoral, em 1985.
“Nós lembramos que, naquela oportunidade, o PT não só não apoiou como até expulsou deputados que votaram no presidente Tancredo”, disse. Da tribuna da Câmara, petistas defenderam Dilma. “Acho estranha essa raiva, espécie de ciúme da oposição. Ela visitou o túmulo do Tancredo a convite da família dele”, disse o deputado José Genoino (PT-SP).
Sobre o mal-estar gerado entre os partidos aliados por causa da expressão “Anastadilma”, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a petista telefonou para o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), pré-candidato ao governo, para dar explicações e que ele entendeu que “tudo não passou de um chiste da [ex-] ministra”. O coordenador da campanha de Dilma foi na mesma linha.
“É blague”, afirmou Fernando Pimentel, que disputa com o ex-ministro Patrus Ananias a chance de concorrer ao governo do Estado pelo PT.
Pimentel, que acompanhou Dilma na entrevista, afirmou que ela não defendeu um apoio direto ao tucano, mas se referiu àqueles que apoiam Anastasia e preferem, em nível nacional, a continuidade do governo Lula -principal bandeira de campanha da ex-chefe da Casa Civil.
Para definir o imbróglio petista em Minas, deve acontecer no dia 25 uma reunião dos delegados do partido no Estado para definir o pré-candidato. Para o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, o encontro evitará uma “prévia traumática”.
Carta
Sob orientação de Aécio, o PSDB mineiro prepara uma lista de reivindicações a ser entregue ao pré-candidato do partido, José Serra. O documento, denominado “Agenda de Minas”, enumera as obras “estruturantes” no segundo maior colégio eleitoral do país que carecem de recursos da União no quadriênio 2011-14, como investimentos na ampliação do metrô de Belo Horizonte”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Espertalhão prepara a traição

Trecho da coluna de Merval Pereira, em ‘O Globo’:
“Uma disputa presidencial apertada como se avizinha valorizará cada adesão que um dos lados conseguir. Assim como pode haver o voto Dilmasia ou Anastadilma em Minas, pode haver um voto suprapartidário no Rio que una o tucano José Serra e o governador Sérgio Cabral. Já existem até comitês nesse sentido sendo montados no estado”.

  • Terça-feira, 08 Junho 2010 / 4:23

Minas: traição generalizada

Como estamos às vésperas da Copa do Mundo, vale a imagem futebolística.
O eleitorado de Minas é uma caixinha de supresas.
Já foi dito aqui, mais de uma vez, que Aécio Neves fará corpo mole para a eleição de Serra, que hoje estará em Montes Claros.
Para provar a tese, reportagem de Rodrigo Vizeu, da ‘Folha’, informa que das 853 cidades mineiras, PSDB, DEM e PPS controlam 286 prefeituras.
A ‘Folha’ ouviu 264 prefeitos “dessas legendas e 79 deles disseram que não estão fechados com Serra. A fratura atinge 28% do total: 43% no DEM, 36% no PPS e 16% no PSDB.(…) Juntas, elas administram prefeituras onde estão 27% do eleitorado mineiro.
Sem a unanimidade do “núcleo duro” aecista, Serra deve ter mais dificuldades para convencer prefeitos de siglas que integram tanto a base federal quanto a aliança estadual, como PP, PDT e PSB. Nelas, Aécio já admitiu que pode haver defecções. Dos prefeitos ouvidos, 64 se disseram indecisos, seis declararam neutralidade e nove afirmaram apoiar Dilma. Cinco não quiseram revelar quem apoiarão”.
                 * * *
Do lado da oposição, a situação não será diferente.
Hélio Costa, do PMDB, candidato ao governo de Minas, ganharia do PT apenas o tempo de televisão.
Ao que tudo indica, não existe hipótese da militância do partido ir as ruas trabalhar por ele.
                 * * *
Assim se fortalece a chapa Dilmasia ou Anastadilma – como a candidata do PT prefere chamar, pois quem votar em Anastasia para o governo votará nela para Presidente, e não o contrário.

  • Domingo, 06 Junho 2010 / 4:23

A eleição em Minas

                               De Marcos Coimbra*
Em matéria eleitoral, cada estado é um estado, embora existam elementos que todos compartilham, comuns ao conjunto do eleitorado do país. Esses, no entanto (e por isso mesmo), explicam apenas as decisões dos eleitores a respeito da única eleição genuinamente nacional, a de presidente da República. Quase nada nos dizem sobre as escolhas dos governadores e dos ocupantes dos demais cargos. Para entendê-las, é preciso olhar para o que cada um tem de particular.
Uma das eleições estaduais mais interessantes este ano é a de Minas Gerais. Não somente pela importância relativa do eleitorado mineiro no brasileiro, que faz com que as eleições presidenciais tenham sempre no estado um importante capítulo. Com pouco mais que 11% do eleitorado do país, Minas é um campo de batalha relevante na definição de quem vence a eleição. Não é, porém, o lugar decisivo, aquele onde tudo se resolve, como acreditam alguns. São Paulo, para lembrar o óbvio, é mais que o dobro de Minas.
Mas não é por motivos demográficos que a eleição mineira é interessante, e sim por razões políticas. O que a distingue das outras é o fato de que, no estado, temos uma eleição de governador parecida com a de presidente, só que em campos opostos.
Tucanos e petistas estão indo para o embate com uma mesma proposta básica, só que a querem aplicar a apenas uma das escolhas. Trocando em miúdos: o PT quer que os eleitores mineiros votem para presidente pensando nas vantagens da continuidade, mas que escolham seu candidato a governador com critério inverso, o de que é bom mudar. Quanto ao PSDB, espera que os eleitores queiram a continuidade no plano estadual, mas que prefiram a mudança na Presidência.
Não haveria maior paradoxo nessas intenções se não fossem tão elevadas, em Minas, as aprovações dos dois governos ? o federal e o estadual. Lula tem, no estado, uma de suas melhores performances, comparável à do Nordeste, onde, sabidamente, está sua fortaleza. Aécio, enquanto esteve à frente do governo, sempre se destacou por sua popularidade, em constante evolução ao longo de seus dois mandatos.
A lógica ?governo bem avaliado conduz ao desejo de continuidade?, comum nas eleições do mundo inteiro, não deveria levar a duas expressões diferentes. Se, na eleição presidencial, ela dá substância ao discurso em favor da continuidade, o mesmo deveria acontecer na estadual. Vice versa, o contrário. Quem quer que os eleitores a apliquem na hora de escolher o candidato a governador, tem que aceitar que eles façam o mesmo quando tiverem que se definir pelo candidato a presidente.
Teremos, assim, nas eleições mineiras este ano, duas campanhas iguais em seu conteúdo básico, mas antagônicas. Todos vão defender o princípio de que, em time que está ganhando, não se mexe. Mas cada lado vai querer que os eleitores só pensem dessa maneira em uma das escolhas que terão que fazer. Na outra, que raciocinem com critério oposto.
A dificuldade de convencê-los a adotar princípios contraditórios nas duas eleições se acentua pela semelhança simbólica dos candidatos. Para a grande maioria dos eleitores, Dilma e Anastasia se parecem no fundamental: ambos existem como possibilidade de voto apenas porque expressam governos e líderes queridos e bem avaliados. Ela sem Lula, ele sem Aécio, por enquanto, não existem, fora do círculo restrito daqueles que os conhecem profundamente. O fato dela ter sido ministra, enquanto ele foi vice-governador, faz pouca diferença para o eleitor comum.
Para aumentar o problema, existem, também, semelhanças nos adversários que cada um, mais provavelmente, enfrentará. Sem querer sugerir que Serra seja igual a Hélio Costa, ambos terão que fazer campanhas enfatizando a mesma coisa: que a experiência política e a biografia de um candidato são mais importantes que a continuidade. Serra vai dizer isso de Dilma, e Hélio Costa de Anastasia.
Por isso, figuras híbridas e de nome esdrúxulo, como ?Dilmasia? ou ?Anastadilma?, são mais que brincadeiras. Queiram ou não os políticos, muitos eleitores mineiros, ao que tudo indica, vão resolver por conta própria, na hora de votar, o dilema com que foram confrontados. Para eles, não haverá drama em votar com a mesma lógica nas duas eleições.
*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, para o ‘Correio Brasiliense’.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.