• Terça-feira, 24 Agosto 2010 / 7:05

Herchcovitch vai vestir Dilma

     Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Criticada até poucos meses atrás pelo excesso de babados, cores fortes e tecidos sintéticos, a candidata ao Planalto Dilma Rousseff (PT) passou a ter a consultoria de um dos maiores nomes da moda no Brasil para remodelar seu guarda-roupas.
Alexandre Herchcovitch, estilista que desfila coleções no Brasil e no exterior (e criador de casaco polêmico usado por Dunga na Copa), assinou contrato com a campanha na última sexta-feira para ser o “personal stylist” de Dilma. Sua missão será burilar o guarda-roupas da candidata com peças suas inéditas e de outro estilistas.
As roupas de Dilma começaram a mudar na pré-campanha, em abril, quando blusas de mangas muito curtas e babados passaram a ser alvo de críticas até da campanha.
Nas últimas semanas, entretanto, a mudança se acentuou: com as gravações de TV, a candidata passou a usar cores neutras e terninhos, mantendo um estilo mais clássico.
Transformações já haviam sido feitas no penteado e na maquiagem, realizadas pelo cabeleireiro Celso Kamura, amigo de Herchcovitch.
O estilista, que teve o primeiro contato com a candidata na sexta-feira, terá as tarefas de identificar no guarda-roupas de Dilma o que deve ficar, encontrar modelos de outros estilistas e criar peças exclusivas.
“É um trabalho parte de consultor e parte de estilista”, diz. Segundo ele, a preferência, a pedido de Dilma, será por marcas brasileiras.
Ele fez um estudo da imagem de Dilma para identificar as cores que a privilegiam. Concluiu que o melhor são cores claras e tons naturais. Uma das primeiras instruções que ele deu a sua equipe foi a de encontrar tecidos naturais em tom vermelho, que a petista precisa ter no armário.
“Meu trabalho é fazer com que a roupa seja um coadjuvante à altura”, diz ele.
Hoje, o estilista irá a Brasília para fazer uma primeira seleção no armário de Dilma, que, a partir do fim da semana, começará a receber novas peças -ele também selecionará sapatos e acessórios.
É a primeira vez que Herchcovitch faz uma consultoria particular. Nem ele nem a campanha quiseram informar o valor cobrado pelo trabalho”.
                   * * *
Segundo Sonia Racy informa no ‘Estadão’, o estilista foi quem “se ofereceu para vesti-la. A candidata (Dilma) adorou”.

  • Terça-feira, 17 Agosto 2010 / 9:56

Lula ‘canta’ para Dilma em novo jingle

 Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“A despedida de Lula da Presidência dá o tom do novo jingle que a campanha de Dilma Rousseff (PT) coloca no ar, a partir de hoje, com o horário eleitoral gratuito.
A música não cita os nomes de Lula ou Dilma, mas é como se o presidente estivesse cantando para Dilma.
“Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei, que vais continuar o que fiz” é a frase que abre o  jingle, em um ritmo lento, uma mistura de música nordestina com sertanejo.
A música é longa para um jingle –tem dois minutos e meio–, e nem sempre irá ao ar por inteiro. Ela será também usada em comícios.
Em outro trecho, o jingle diz que “agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir” e que “meu povo ganhou uma mãe”.
A música é uma parceria de João Santana, marqueteiro de Dilma, e João Andrade.
Além de aparecer no programa de rádio hoje pela manhã, a música irá fechar o programa do PT da coligação na noite de hoje, com imagens de Lula desde sua posse, em 2003, até hoje.

Deixo em tuas mãos o meu povo
E tudo o que mais amei
Mas só deixo porque sei
Que vais continuar o que fiz
E meu país será melhor
E o meu povo mais feliz
Do jeito que eu sonhei e sempre quis

Quando passo no meu Nordeste
Vejo o quanto já fizemos
Mas ainda o que farás
Sei pelo Sul tu tens carinho
Porque ele te acolheu
Quando precisar vás mais
Sei que amas o Sudeste
Meu São Paulo, nosso Rio
E tua Minas Gerais
Que te viu jovem e valente
E logo te verá
Primeira presidente

No Norte sei que jamais
O povo a mata e as águas esquecerás
E do Centro-Oeste eu sei que cuidarás da semente
que com muito amor plantei

Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir
Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir
Pois sei, o meu povo ganhou uma mãe
Que tem um coração que vai do Oiapoque ao Chuí”.

 

  • Segunda-feira, 26 Julho 2010 / 11:08

Gonzalez de Serra, Santana de Dilma

    A ‘Folha’ de hoje publica os perfis dos marqueteiro das principais campanhas presidenciais: Luiz Gonzalez, de José Serra; e João Santana, de Dilma Rousseff.
Vamos a eles. 
                    * * *
   De Catia Seabra:
“Tomada 1. 28 de junho. Em meio à crise para a escolha de um vice, o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen (SC), procura Luiz Gonzalez, coordenador de comunicação da campanha de José Serra à Presidência.
“Você acha que é possível vencer a eleição sem três minutos e meio da TV?”, pergunta Bornhausen, numa alusão ao tempo do DEM.
“Não”, admite o jornalista.
“Então, deixo 50% das minhas apreensões com você”, reage o democrata.
Duas horas depois, Bornhausen é recebido por Serra em sua casa.
Tomada 2. Madrugada do dia 30. Reunido com aliados para avaliar uma alternativa a Álvaro Dias (PSDB-PR), Serra abre o e-mail:
“Gonzalez considera o Indio da Costa uma boa alternativa”, comenta.
Naquela tarde, Indio é anunciado vice de Serra.
Descrita por um dos participantes da reunião, a cena dimensiona a influência de Gonzalez sobre o candidato.
Com sua indefectível camisa Lacoste, é consultado sobre tudo: da agenda à elaboração dos discursos.
Na campanha, controlará R$ 50 milhões. Essa concentração de poder -até geográfica- desperta tanto incômodo no mundo político que chegou a ser objeto de bombardeio em reunião promovida pelo ex-presidente FHC.
Excluídos, tucanos insistem para que Serra amplie o núcleo de decisões. Debitando a derrota de 2006 também na conta de Gonzalez, o acusam de centralizador.
Para amigos, uma fama tão injusta como é para Serra.
Numa clara resposta, Gonzalez convidou o publicitário Átila Francucci para direção de criação da campanha.
Mas, avesso à interferência na comunicação, é capaz de fugir do escritório se informado que uma missão política está a caminho.
Até para escapar do rótulo de conservador, renovou a estrutura da campanha. Mas é amparado numa equipe de 20 anos que busca organizar a rotina de Serra.
Dono de temperamento forte e raciocínio rápido, aproximou-se de Serra em 2004, na disputa contra Marta Suplicy. Em campanha, adapta o relógio biológico ao do notívago Serra.
Fora da temporada eleitoral, foge de exposição pública. Prefere pilotar sua moto até o litoral norte de São Paulo. Além da casa em Maresias, outro destino é Madri, onde aluga um flat. Em São Paulo, vive num apartamento de 700 metros quadrados.
Jornalista, com passagem pela TV Globo, estreou no marketing político na disputa presidencial de 1989, integrando a equipe de Ulisses Guimarães. Foi em 1994, com a eleição de Mário Covas, que chegou ao mundo tucano.
Sócio da produtora GW, já investiu numa empresa de busca pela internet. Quebrou. Com a fundação da Lua Branca -desde 2006 em nome dos filhos- experimentou seu maior salto.
Nascida em meio andar de um prédio, a agência é responsável por três contas do governo de São Paulo, com contratos que somam até R$ 156 milhões ao ano. Em 2008, registrou um lucro líquido de R$ 8,9 milhões.
Gonzalez evita aparições. Com humor mordaz, costuma minimizar o papel do marqueteiro em campanha. “Infelizmente, candidato não é sabonete.”
                    * * *
   De Ana Flor:
“11 de agosto de 2005. Horas depois de o marqueteiro do presidente Lula em 2002, Duda Mendonça, admitir à CPI dos Correios ter recebido dinheiro de caixa dois do PT em paraísos fiscais, o telefone do ex-sócio de Duda, João Santana, toca. O publicitário está no interior da Argentina, numa campanha local.
Do Brasil, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, expõe o pedido do presidente para que Santana vá a Brasília. A suspeita de envolvimento de Lula no mensalão atingira seu auge.
24 de agosto. Santana entra no Palácio da Alvorada e encontra um Lula abatido. Na conversa, avaliam que o pronunciamento presidencial de dias antes fora um desastre. Santana o convence a fazer uma nova fala, desta vez em 7 de Setembro. Seria o primeiro texto sob a influência do novo marqueteiro.
Nas semanas seguintes, pesquisas nas quais Santana sempre calcou seu trabalho mostrariam que a saída da crise estava no apoio dos movimentos sociais. É o embrião do “Mexeu com Lula, mexeu comigo”.
A lealdade durante a maior crise de Lula, enquanto companheiros históricos de partido claudicavam, fez do baiano de 57 anos uma das pessoas mais próximas do presidente. Eles se falam quase todos os dias e jantam uma vez por semana.
Depois de fazer a campanha que reelegeu Lula, Santana recebeu do presidente a missão de pilotar um de seus maiores desafios: eleger ao Planalto sua pupila e novata nas urnas Dilma Rousseff.
A ligação de Santana com o PT é anterior à publicidade. Como jornalista da “Isto É”, em Brasília, no início dos anos 90, foi um dos autores da reportagem com o motorista Eriberto França, que ajudou na queda de Fernando Collor em 1992. Foi em sua casa, por exemplo, a reunião com congressistas do PT e de outros partidos de esquerda para sabatinar Eriberto. Ganhou o Prêmio Esso.
No início dos anos 2000, sócio de Duda, o publicitário se aproxima de Antônio Palocci numa campanha em Ribeirão Preto. Acaba como ponte entre Duda, tachado de malufista, e o PT. Às vésperas da campanha de Lula em 2002, os dois baianos romperam a sociedade.
Até ser chamado por Lula, em 2005, se dedica a campanhas na Argentina. Pelas mãos de Lula, fez a vitoriosa campanha de Maurício Funes em El Salvador.
Como Duda, Santana foi acusado de remeter dinheiro a paraísos fiscais e envolvido em denúncias de caixa dois de campanha. Diferentemente do ex-sócio, detesta holofotes e cultiva a discrição.
Não tem contas no governo Lula, mas a empresa da qual é sócio chegou a ser denunciada por privilégios nas contas de El Salvador.
Um dos momentos mais delicados dos trabalhos para o PT foi o comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (DEM) feito pela campanha de Marta Suplicy à prefeitura, em 2008 (“É casado? Tem filhos?”). Depois de perder a disputa, Santana tomou para si a responsabilidade.
Um de seus prazeres é compor jingles – vestígio dos anos 70, quando era conhecido como “Patinhas”, criou a banda Bendengó e compôs com Moraes Moreira.
Com Dilma, teve embates na campanha de 2006, mas, apesar do temperamento forte, aprenderam a conviver”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:42

Serra inaugura obras inacabadas

A ?Folha? publica uma reportagem, assinada pelas repórteres Ana Flor e Catia Seabra, mostrando que o governador José Serra faz, em São Paulo, o mesmo que Dilma Rousseff  faz no resto do país: inaugura obras inacabadas. Ao contrário do que diz ?O Globo?, isso não é um privilégio da candidata do PT à sucessão de Lula.
Vejam o texto da ?Folha?:
?A menos de um mês do prazo final para afastamento de seus cargos, os dois principais pré-candidatos à Presidência têm um calendário apertado de eventos midiáticos e inaugurações de obras – algumas das quais ainda inacabadas.
Ao deixar os cargos a partir de 3 de abril, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), amargarão um período de menor visibilidade até junho, quando as candidaturas serão oficializadas.
O plano de vôo de Serra previa inaugurar no fim do mês – quando deve anunciar publicamente sua candidatura- três carros-chefes de sua administração: a Nova Marginal, o trecho Sul do Rodoanel e duas estações da Linha 4 do Metrô. Mas as chuvas do início do ano põem em risco a pretensão.
O diretor-presidente da Dersa, Delson José Amador, sugere que as obras viárias sejam apenas abertas ao tráfego em vez de inauguradas. O trecho Sul, explica, não estará integralmente liberado.
Embora a “essência” da obra -acesso a Imigrantes e Anchieta- deva ficar pronta a tempo, falta o o acesso a Mauá.
Sob o argumento de que não se pretende sobrecarregar o trânsito em Mauá, a abertura desse trecho dependerá da conclusão da Jacu-Pêssego e da duplicação da Papa João XXIII.
Para a Nova Marginal, está prevista apenas a entrega das faixas adicionais, sem os quatro viadutos principais.”A solução mais sensata seria apenas abertura ao tráfego. Isso está em discussão entre governo e secretaria”, diz Amador.
Segundo o Metrô, “a inauguração das estações Paulista e Faria Lima da Linha 4-Amarela dependerá da conclusão do protocolo de testes de estações, sistemas e material rodante”.
Além de obras como na linha verde, não há também garantia de conclusão do Rodoanel. Aliados de Serra, no entanto, ainda apostam na aceleração das obras para que ele possa capitalizar os investimentos.
Nos próximos 20 dias, Dilma intensifica viagens na companhia de Lula, sobretudo no Sudeste. Amanhã, por exemplo, estarão em Cubatão para inaugurar uma usina termoelétrica.
Obras de saneamento e habitação -foco do PAC 2- serão visitadas, mesmo aquelas ainda em andamento. No mesmo rol estão visitas ao gasoduto interligando as regiões Sudeste e Nordeste (Gasene) e à Ferrovia Norte-Sul. Os dois ainda têm trechos em construção.
A ministra participará também de festas de lançamentos de projetos com grande potencial eleitoral, mas que pouco andarão no atual governo, como a chamada Consolidação das Leis Sociais e o PAC 2.
O lançamento do Plano Nacional de Banda Larga, alvo de pendências jurídicas e divergências no governo, deverá ocorrer depois de sua saída.
De abril a julho, a petista deve se concentrar em viagens pelo país, inclusive um tour por Minas Gerais, onde nasceu.
Como a Lei Eleitoral não impede, Dilma poderá acompanhar Lula em solenidades mesmo após o afastamento do cargo no governo. A presença em inaugurações fica proibida três meses antes das eleições, segundo a norma?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:04

O otimisto do vice Alencar

O vice-Presidente José Alencar está animado.
Com a cura do câncer e o seu futuro.
“Antes eu aceitava a idéia da morte, hoje penso na expectativa da cura”.
E mais: “Se o eleitor permitir, volto ao Senado”.
A ‘Folha’ publica hoje uma entrevista de Alencar, que ele concedeu no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, a repórter Ana Flor.
Eis o seu texto:

- Como vai seu tratamento? Os médicos falam em redução de 30% dos tumores. 
- Os exames mostraram uma redução muito grande nos tumores. Era uma coisa que até não era esperada. Estou passando muito bem, não tive problema algum, trabalhando normal como se não tivesse nada.
Além disso, há, e muita gente não acredita, uma verdadeira corrente no Brasil inteiro de pessoas que me mandam cartas, mensagens, remédios, ervas, uma coisa nunca vista. O que eu tenho recebido, o que chega, não tem gabinete que consiga catalogar. As manifestações são fantásticas.
Acho que Deus está nos ouvindo, porque parece uma vontade Dele de me curar. Hoje já penso em expectativa de cura, quando antes estava aceitando a ideia de que ia morrer mesmo. Mas as coisas mudaram. 
- O senhor havia dito que, se chegasse aos 78 anos, seria como renascer. Seu aniversário foi no mês passado. Dá para fazer planos? 
- Eu tenho que planejar tudo de novo. Passei por uma operação em janeiro em que não morri porque Deus não quis, a coisa foi feia.
Sigo a orientação de Santo Agostinho: “O homem deve viver preparado para morrer a qualquer instante e proceder como se não fosse morrer nunca”. Sempre achei que a morte é algo natural, nós todos vamos morrer. Se Deus quiser me levar, ele não precisa de câncer.
Se ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve. E isso está acontecendo, porque estamos lutando contra o tumor há bastante tempo, um tumor difícil. A gente fala “um tumor”, mas são vários. Hoje estou quase dizendo “eram vários”. 
- E os planos políticos? 
- Termina meu mandato no ano que vem, tenho pensado sobre isso. Posso ser muito útil na vida pública, mas acho mais adequado para mim um cargo no Legislativo, porque esse eu posso enfrentar e dar uma grande contribuição. Ao passo que no Executivo, na minha idade, provavelmente não fosse recomendado, porque a agenda é muito pesada. Se Deus me curar, eu terei todas as condições de ser candidato.
Se você perguntar “o que você gostaria de fazer”, [a resposta é] eu gostaria de me candidatar ao Senado. Vai depender do resultado dos exames. Se eu tiver bem, eu posso levar meu nome. Se os eleitores quiserem, eu volto para o Senado. 
- Como o senhor acha que serão as eleições de 2010? 
- Todas as eleições são difíceis. Eleição tem sempre adversário. Há umas que são menos penosas, mas difíceis todas são. Há três anos, nós fomos ao segundo turno. Tudo indicava que devíamos ganhar no primeiro turno, mas não ganhamos. Então, eleição não é brincadeira. 
- Acha que chegou a hora de Minas voltar a ter um presidente? 
- Eu sinto que o Brasil está com saudade de Minas. Ainda que tenha na presidência o Lula, e não tem nenhum outro presidente que obteve maior sucesso do que ele no exercício da Presidência. 
- Dilma [Rousseff, ministra da Casa Civil] seria uma presidente à altura do que Minas pode oferecer? 
- Ela saiu de Minas há muito tempo e vive no Rio Grande do Sul, o que até contribui para que chegue ao governo influência de dois Estados da importância de Minas e do Rio Grande do Sul no campo político. Esses dois Estados sempre foram muito bem referendados. Tivemos o presidente Getúlio Vargas e tivemos o presidente Juscelino [Kubitschek], que foram grandes presidentes.
A Dilma é mineira, porque nasceu em Minas, o umbigo dela está enterrado em Minas. Então ela é mineira, e isso é bom. Mas ela é também gaúcha, e isso é bom também. 
- Tem um outro pré-candidato mineiro… 
- Eu respeito e admiro o Aécio [Neves, PSDB, governador de Minas] desde antes de ele nascer. Seus avô paterno, Tristão Ferreira da Cunha, foi um político admirável. E seu avô materno, então [Tancredo Neves], dispensa comentários. Mas ele tem um problema para resolver dentro do partido primeiro. Ele é jovem, tem muito tempo pela frente [para ser presidente]… 
- A população vai ouvir o conselho de Lula ao votar? 
- A gente vê que hoje o eleitor esclarecido, inteligente, quer ouvir o presidente antes de votar. Porque ele acha que o Brasil merece mais tempo de bons governos. O que eu sinto é que as pessoas desejam uma continuidade desse trabalho admirável que o Lula vem fazendo. E ele indica a Dilma. Como ministra da Casa Civil, ela é uma espécie de superintendente, tudo passa pela Casa Civil.
Ela tem demonstrado grande eficiência à frente do trabalho que executa. Além disso, todo mundo sabe que a Dilma é uma mulher brava, não é braba, é brava, em todos os sentidos. Ela reúne condições para realizar um excelente trabalho. 
- O senhor acha que os empresários estão com a Dilma? 
- Ainda é muito cedo para falar, tem um ano pela frente. Mas quem a conhece fica bem impressionado. 
- Quais os méritos do seu trabalho no governo? 
- O presidente é o Lula. O mérito é dele. O trabalho do vice é não atrapalhar. 
- Mas o senhor já ficou mais de 400 dias no exercício da Presidência da República. 
- Até o final do mandato, devo passar de um ano e meio no exercício do cargo. Jânio [Quadros, que renunciou em 1961] ficou sete meses na Presidência. Eu já fui presidente mais tempo do que ele.
[Na campanha de 2002] Eu viajava pelo Nordeste e dizia que eu podia me mudar para aquela cidade, porque não adiantaria ficar em Brasília, que o Lula só ia viajar pelo Brasil, eu nunca ia precisar assumir a Presidência. Quem ia imaginar que ele fosse viajar tanto? 
- O senhor é empresário. Acha que o Brasil já saiu da crise? 
- O Brasil está crescendo, saiu da crise, está forte. E isso apesar da política monetária. Essa política monetária é…que adjetivo eu uso…um despropósito. É uma política equivocada, não a econômica, mas a monetária. Mais de 8% ao mês, em algumas áreas mais de 10%, enquanto o setor produtivo ganha muito menos.Controlar os juros serve para conter a inflação de demanda, coisa que o Brasil não precisa fazer. O Brasil precisa estimular o consumo. Mas o Brasil está crescendo apesar disso. Mostra como o Brasil é grande, é um colosso. Eu sempre falei isso nas reuniões internas. O presidente sabe das minhas opiniões. 
- Corrigir isso fica para o próximo governo? 
- Sempre há como reverter e mudar agora. 
- O mensalão mineiro do PSDB e o que envolve o PT estão no STF. O senhor acha que uma decisão deve ficar para depois das eleições? 
- Eu falo em tese, sem me referir a esses casos específicos. É preciso haver investigações rigorosas e detalhadas, não importa quem é o investigado. Sempre defendi isso. Eu acredito que todos são inocentes até se prove o contrário, mas o Brasil se tornou o país da impunidade. Isso é sério e precisa mudar. Não se pune a corrupção. Eu não vejo que isso está mudando. 
- O senhor é a favor da entrada da Venezuela no Mercosul? 
- Sou a favor. A Venezuela é um país importante. Atrás dela, abre-se espaço para a Colômbia, Equador. É natural que o Brasil defenda a ampliação do Mercosul, isso aumenta nossa influência regional. A Venezuela é um país, apesar de seu presidente, tem que ser vista como tal. Presidentes passam. 
- Sua vida mudou com o tratamento? Sente dor? Come de tudo? 
- Como até torresmo, só que não me dão para comer! O que me derem, eu como. Não sinto nada, essa é uma doença silenciosa. A quimioterapia traz efeitos colaterais, mas eu tenho sentido muito pouco.
Quase nada. Isso aí nós já temos experiência. E há também os antídotos para os efeitos colaterais. Eu não parei em nenhum momento em todo esse tempo. Normal. Hoje mesmo volto para Brasília para participar de uma agenda, despachar [como presidente em exercício], tem coisas para assinar. 
- A superexposição de sua doença incomoda? 
- O câncer do José Alencar não interessa a ninguém a não ser a ele, à família, aos amigos. Mas a doença do vice-presidente, essa sim, interessa, é pública. Por isso sempre fui muito transparente e não escondo nada. Até mesmo agora, com a boa notícia de que o tratamento está funcionando e que estamos indo bem.

  • Segunda-feira, 24 Maio 2010 / 4:15

Dilma descansa em Nova York

Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Embalada pelo resultado da pesquisa Datafolha que a mostra em empate técnico com seu principal adversário, o tucano José Serra, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, esbanjou bom humor no final de semana em Nova York.
Sem agendas oficiais desde a tarde de sexta-feira, Dilma aproveitou para descansar passando um típico final de semana turístico na cidade: jantou em bons restaurantes (como o francês Daniel), passeou por ícones nova-iorquinos, como a Times Square, e fez compras.
No sábado pela manhã, já conhecedora do resultado da pesquisa Datafolha -em que aparece pela primeira vez empatada com o pré-candidato tucano em 37%-, a petista mostrou cautela.
À Folha ela falou que comentar resultado de pesquisas “dá azar”. Relembrou que é mineira e, portanto, trata política com “cuidado”. “Nessas horas é bom ser mineira… Caldo de galinha nunca é demais”, disse, em referência ao ditado “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.
A pesquisa mostrou que a petista melhorou seu desempenho em todas as regiões do país. Cresceu também entre aqueles que aprovam a administração do presidente Lula.
Na manhã de sábado, Dilma foi passear. Visitou o Metropolitan Museum of Art, encravado no Central Park.
À tarde, Dilma fez compras na Sack’s da Quinta Avenida, uma das lojas mais tradicionais da cidade. Circulou incógnita e com tranquilidade.
Dilma quis antecipar a volta ao Brasil para ontem, mas não havia lugar no voo. Assim, voltou a fazer turismo.
Foi à Times Square, onde visitou, entre outras, uma loja de brinquedos -a candidata será avó em setembro.
Mais tarde, circulou de carro em busca de lojas de vitaminas. Experimentou (e comprou) um par de sapatos antes de ir para o aeroporto.
Dilma chega ao Brasil na manhã de hoje, mas só retorna às agendas oficiais de pré-campanha na terça-feira, em Brasília e São Paulo”.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:59

Marqueteiro de Dilma perde poder

 Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Um novo arranjo na estratégia de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff à Presidência, no qual o marqueteiro João Santana teve sua área de atuação limitada aos programas de TV do partido e do horário eleitoral, causou desconforto no bunker petista.
Há menos de um mês, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), jornalista, assumiu a coordenação geral da área de comunicação, trazendo para a campanha novos profissionais.
Falcão passou a atuar na estratégia de imprensa. Ele coordena o planejamento de entrevistas da candidata em viagens e em Brasília e despacha diariamente com a coordenadora de imprensa, Helena Chagas.
A entrada do deputado, amigo de Dilma há décadas, representou, na prática, uma divisão de poder na comunicação.
Como marqueteiro, Santana sempre foi uma espécie de coordenador geral de comunicação, apesar de ser oficialmente responsável pelo marketing.
Sua influência, em geral, vai muito além da TV, com o poder de moldar o discurso, na estratégia política e nos modos dos candidatos que assessora, modificando desde a forma de vestir e vocabulário, até o tipo de público para o qual deve falar.
A voz corrente na campanha, entretanto, é que Santana não deixará o posto, mesmo desgostoso com a nova organização. Ele não apenas é o preferido de Lula, mas também tem relação próxima com Dilma.
Em 2006, quando foi o marqueteiro da reeleição de Lula, a então ministra foi responsável por uma das coordenações da campanha. Ali, ambos estreitaram o relacionamento.
Há aqueles que acreditam que, com o início do horário eleitoral, a influência do marqueteiro voltará a crescer. Além da importância dos programas, Santana sabe utilizar de maneira hábil as pesquisas qualitativas que realiza.
João Santana e Rui Falcão atuaram juntos na campanha de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2008, quando ela perdeu para Gilberto Kassab (DEM).
A campanha enfrentou uma crise na reta final, por causa de um comercial de televisão com perguntas de natureza pessoal sobre Kassab.
Na época, Santana assumiu responsabilidade pela peça e disse que a candidata não tinha conhecimento do teor.
Hoje, os dois fazem parte do grupo de cardeais de Dilma, que se reúne às terças-feiras em Brasília para definir estratégias de campanha.
Os coordenadores são o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), e inclui o presidente do PT, José Eduardo Dutra e os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Na nova estratégia de imprensa, a campanha já ganhou um escritório em São Paulo, para dar apoio a agendas de Dilma no Estado, e está ampliando a estrutura em Brasília.
Na pré-campanha, a equipe usa três casas no Lago Sul, em Brasília. Além da imprensa, há profissionais que fazem programas de rádio e cuidam da manutenção do blog atual da candidata. A internet está a cargo da empresa Pepper”.

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