A violência e as Olimpíadas

Sandra Carvalho é diretora da ONG Justiça Global e recebeu, semana passada, nos Estados Unidos, o Prêmio Anual da Human Rights First. Em Boston, ela esteve reunida com a Sra. Navaneethem Pillay,  alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, que estará no Brasil de 9 a 13 desse mês.  Pillay virá discutir a  violência no Rio com o Chanceler Celso Amorim e com o comitê de organização das Olimpíadas de 2016. Em entrevista a Adriana Carranca, do ?Estadão?, Sandra Carvalho fala sobre a situação do Rio e diz que ?após as Olimpíadas tudo será igual ou pior?. Eis a entrevista:
- Como você avalia a política de segurança pública no Rio?
- Em todo o Brasil ainda impera o Estado repressor. No Rio, a polícia é responsável por 20% dos homicídios e tem focado em megaoperações com grande número de policiais e mortes. Mas, não houve redução da violência no Rio que justificasse essa política.
- O Rio pode sediar a Olimpíada?
- Acho temerário. Nos Jogos Pan-Americanos, houve muita repressão contra favelas e despejo de comunidades inteiras, chacina no Morro do Alemão. Com a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, a discussão sobre a construção de muros para isolar as favelas foi retomada e a retirada de pessoas da rua já começou. Após os Jogos, tudo será como antes ou pior, porque essas medidas não são a solução.
 - Como foi a conversa com a alta comissária da ONU?
- Discutimos essas questões e sugerimos que a ajuda financeira para o programa Cidades Mais Seguras seja vinculada à garantia dos direitos das populações pobres e de medidas efetivas contra a violência.
- Como dar fim à violência no Rio?
- Com a reforma das polícias, ações de combate à corrupção, controle externo da Segurança Pública e mudança no foco do combate ao crime organizado com mais investimentos em inteligência. Drogas e armas não são fabricadas no Rio. As favelas são só o fim da linha do narcotráfico e nem sequer concentram o grosso do dinheir