• Sábado, 14 Janeiro 2012 / 11:49

Serra pensa em candidatura

   Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
   “Cresce a pressão sobre o ex-governador José Serra para que ele dispute a Prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro. Antes contrários ao lançamento de sua candidatura, amigos de Serra insistem agora para que entre na corrida municipal.
Um deles é o também tucano Alberto Goldman. Vice de Serra no governo do Estado até 2010, Goldman admite ter mudado de opinião. “No começo do ano passado, achava que ele deveria assumir a bandeira da
oposição. Não foi possível. Mudei de opinião e acho que Serra deve se candidatar à prefeitura”, afirmou.
Goldman expôs seu ponto de vista a Serra na semana passada. Serra, de acordo com Goldman, reafirma que não é candidato.
A Folha apurou que, além dele, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o ex-deputado Márcio Fortes (RJ) também procuraram Serra para sugerir que concorra, sob o argumento de que ninguém mais defenderá seu legado durante as eleições.
Aloysio diz que Serra rechaça a hipótese. “Tenho meu ponto de vista. Mas Serra foi categórico. Se ele não quer ser candidato, como eu vou querer?”, afirma.
Aliados afirmam, no entanto, que ele está mais maleável à discussão sobre seu futuro político. Meses atrás, nem sequer conversaria sobre o assunto. Hoje, manifesta disposição de ouvi-los.
Por motivos distintos, a candidatura de Serra conta com o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB), do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para Alckmin, é a fórmula para deter uma ruptura com o PSD já nessas eleições. Para Aécio, um jeito de tirar Serra do páreo para a eleição presidencial. Uma derrota enterraria as pretensões eleitorais de Serra. Se
vitorioso, não poderia deixar a prefeitura para concorrer ao Planalto.
Em 2006, Serra deixou a prefeitura nas mãos de Gilberto Kassab (PSD) para concorrer ao governo de São Paulo. Quatro anos depois, disputou a Presidência.
Atualmente, paga um preço alto pelo afastamento: o alto índice de rejeição na cidade.
Apesar do risco de derrota, aliados de Serra avaliam que ele não sobreviverá politicamente caso espere, fora do cenário político, pela chance de disputar a Presidência.
Na opinião de serristas, ele conservará musculatura política ainda que perca a disputa municipal. Só assim, poderá atuar como contraponto ao PT no Estado.
A candidatura de Serra evitaria a deflagração de um embate interno no PSDB: as prévias. Tucanos e kassabistas avisam, no entanto, que não dá para esperar por uma decisão de Serra. Qualquer que seja, deve ser tomada até março”.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 1:57

Mercadante gasta mais que Dilma

        Dos repórteres Cristiane Agostine e Vandson Lima, do ‘Valor Econômico’:
“Lanterninha na disputa pelo governo de São Paulo, com 2% das intenções de voto, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Paulo Skaf (PSB) arrecadou R$ 3,49 milhões no primeiro mês de campanha. A receita é R$ 110 mil menor do que a da campanha presidencial de José Serra (PSDB), que recebeu R$ 3,6 milhões, de acordo com o primeiro balanço parcial registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A candidatura do PSB gastou R$ 1,8 milhão, entre viagens de Skaf e material publicitário para a campanha. O valor das receitas obtidas corresponde a quase 7% do que foi previsto como gasto máximo, de R$ 50 milhões.
As doações recebidas pelo empresário e ex-presidente da Fiesp equivalem a quatro vezes a receita da campanha do senador Aloizio Mercadante (R$ 840 mil) ao governo paulista. A candidatura petista, até o dia 02 de agosto, assumiu despesa de R$ 12 milhões, segundo a assessoria de Mercadante. O gasto é maior do que o registrado pela candidatura do PT à Presidência. O petista arrecadou 1,8% do teto para gastos com campanha registrado no TSE.
A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) recusou-se a informar o balanço parcial. O TSE deve divulgar os dados fornecidos pelos candidatos na sexta-feira.
Em terceiro lugar nas pesquisas de opinião de voto, atrás de Alckmin e Mercadante, o candidato do PP, Celso Russomano, recebeu R$ 140 mil. Representando o PV na disputa pelo governo paulista, Fabio Feldman declarou receita de R$ 300 mil. Segundo o tesoureiro da campanha do PV, Marco Antônio Mróz, a expectativa é de ter R$ 3 milhões em caixa até o fim deste mês. “Não tivemos tempo para arrecadar”, comentou.
Na disputa pelo Senado, o candidato do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, recebeu pouco mais do que Mercadante: R$ 850 mil. Colega de chapa de Aloysio, Orestes Quércia, do PMDB, declarou ter recebido R$ 143 mil e gasto R$ 120 mil”.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:27

Quércia muda número de comitê

     Da ‘Folha’:
“O candidato ao Senado Orestes Quércia (PMDB), Pitágoras e uma boa dose de superstição não conseguiram mover o edifício Praça da Bandeira, antigo Joelma -mas chegaram perto.
O prédio do centro de São Paulo que ficou famoso pelo incêndio que matou 188 pessoas na década de 70 mudou de número.
Na semana passada, o 184 deu lugar ao 182 na portaria do edifício que recebe diariamente o staff das campanhas de Quércia e dos tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira.
A mudança nem precisou de apresentação de um projeto de lei. Sem maiores burocracias, a prefeitura aceitou o pedido de Quércia.
O ex-governador, seguidor da tese do filósofo e matemático grego Pitágoras, de que cada número possui um significado, quis afugentar o “quatro” (1 + 8 + 4 = 13 = 1 +3 = 4). Sua pronúncia em chinês se assemelha a “morte”.
A prefeitura informou que “houve um pedido” pela mudança do número, mas não especificou de quem. Segundo o órgão, os condôminos poderão continuar usando o 184 formalmente. Quércia não quis comentar o caso”.
                       * * *
Quanta baboseira.
Se 13 – o número do PT – desse azar, Lula não seria presidente, e Dilma não teria chance de sucedê-lo.

  • Segunda-feira, 19 Julho 2010 / 10:51

Índio do Demo é pior do que se imaginava

 Se José Serra tivesse juízo – e ele o tem – já estaria arrependido de ter como companheiro de chapa o Índio do Demo.
A essa altura todos tem a certeza de que o vice de Serra é pessoa do mal.
Nesse final de semana, o Índio  – que emprega em seu gabinete um vagabundo que ganha sem trabalhar – deu uma entrevista ao site Mobiliza PSDB, onde acusou o PT de estar ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico.
Vamos as reações:
Da candidata do PV, Marina Silva:
- As acusações de Índio da Costa ao PT são desrespeitosas. Aprendi com os índios da Amazônia que é muito importante estar bem preparado politicamente e tecnicamente, inclusive emocionalmente, para poder pretender o lugar de cacique. É preciso muita maturidade. Acho que talvez o deputado Indio ainda não esteja suficientemente preparado para ser cacique do Brasil.
                     * * * 
Do presidente do PT, José Eduardo Dutra
- São declarações de um desqualificado. A que ponto chega a política. Quando se coloca uma pessoa sem capacidade para concorrer, ela se deslumbra e fala bobagens. É a mesma coisa que pegar um jogador da terceira divisão e botar para jogar no Maracanã. Estamos pensando em processar. O problema é que ele (Indio) não vale o custo do papel necessário para a petição.
                     * * * 
Do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza.
- Esse índio é um babaquara.
                     * * * 
Do ex-secretário Aloyzio Nunes Ferreira, candidato ao Senado pelo PSDB de São Paulo:
- Eu não vejo ligação, e não há nada que me faça ter uma análise dessas. Minhas críticas ao PT são outras. Não acho que Serra pense dessa maneira.
                     * * *
Do presidente do PPS, deputado Roberto Freire:
- Não acredito que ele tenha feito essa ligação. Não se tem nenhuma notícia disso (da suposta ligação do PT com as Farc).
                    * * *
O Índio do Demo é muito pior do que se imaginava.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Aloysio: “Dilma está aturdida”

O ex-ministro de FHC e principal articulador político da gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira diz que os ataques da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) ao tucano são uma forma de encobrir os problemas do governo Lula na gestão do PAC. Aloysio deixou o cargo de secretário estadual da Casa Civil junto com Serra para disputar uma vaga no Senado, e diz que irá se empenhar na campanha presidencial.
Ao repórter Sérgio Roxo, de ‘O Globo’, ele deu a aeguinte entrevista:
- O que o senhor achou da declaração da ex-ministra Dilma Rousseff de que aceita um embate no campo ético com o PSDB?
- Estamos prontos para uma comparação em qualquer terreno. Nós damos de 10 a 0 em qualquer terreno.
- E o fato de a Dilma ter falado que Serra planejou o apagão quando era ministro do Planejamento?
- É uma forma de encobrir o fiasco da sua função de gestora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em que a maior parte das obras ficara inconclusa.
- O senhor acredita que o tema da campanha serão sempre esses ataques?
- Acho que não. Daqui a pouco começam (outros assuntos). Ela (Dilma Rousseff) deve estar um pouco perdida sem a tutela do presidente Lula, agora que não é mais ministra. Deve estar um pouco aturdida com a nova situação.
- As citações de questões éticas feitas por Serra no discurso de despedida são uma forma de confronto com adversários?
- Quem vestiu a carapuça é que tem que se explicar. O governador José Serra fez no seu discurso um apanhado do conjunto de princípios que regem a sua vida pública. Entre esses princípios está esse, do respeito ao dinheiro público, à gestão ética, à transparência, à responsabilidade.
- Qual será o seu papel na campanha de Serra?
- Estou absolutamente envolvido na campanha dele, convencido de que ele é o melhor para o Brasil neste momento. Vou me empenhar como se fosse minha própria campanha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:48

Zé Dirceu só olha pra SP

Político de São Paulo é danado. Eles só pensam neles.
Hoje, o ministro José Dirceu escreve um artigo, no seu blog, cujo título é: “Há algo errado no PT paulista”.
Mas só no PT paulista?
E no PT do Rio?
E no PT de Minas?
Isso para ficar apenas nos três maiores colégios eleitorais.
O PT do Rio, por exemplo, avacalhou-se de vez. E sempre com o apoio de seus dirigentes.
E tenham a certeza de que daqui pra frente será pior.
Vamos ver como os incompetentes de plantão resolverão, por exemplo, a questão do Senado, já que não tiveram coragem de enfrentar o governador do Rio, cuja principal obra é ter conqui$tado a imprensa.
Vejam aqui o choro do Zé:
“Algo de muito errado está acontecendo no PT paulista. Os militantes, filiados, simpatizantes e eleitores  petistas (mais de 30% dos 29 milhões de votantes do Estado, dos quais 8,2 milhões só na Capital) ficam sabendo das decisões ou indecisões de seus dirigentes, líderes e prováveis candidatos pela imprensa.
Dessa forma nunca é possível saber o que é informação, notícia, análise, previsão ou mesmo desejo seja dos envolvidos nas articulações, seja dos jornalistas. Até os informes mais simples sobre a disputa eleitoral e a coordenação da campanha de nossa pré-candidata à presidência Dilma Rousseff passaram a ser fornecidas via mídia, revistas, jornais…
Enquanto isso, no maior Estado da Federação e no mais difícil para a disputa de 2010, o PT prossegue não só sem candidato como sem estratégia. Continua incapaz de sustentar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a governador ou de apresentar um nome do partido.
Como o tempo voa – já estamos praticamente em fevereiro e temos pela frente a semana do carnaval – espero que quando as águas de março chegarem, o PT e seus dirigentes não se afoguem em suas próprias contradições e indecisões como vem acontecendo.
Como em função do desgoverno demotucano já sofremos a desolação de ver boa parte da população ameaçada de viver embaixo d’água – como pode a maior e mais rica cidade do país não resolver um simples problema de alagamento? – o único consolo que nos resta é que o PSDB também não vai bem.
A dupla governador José Serra (PSDB)/prefeito Gilberto Kassab (DEM-PSDB) não quer ouvir falar em candidatura Geraldo Alckmin (ex-governador tucano) e o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, o candidato do coração de ambos para o Palácio dos Bandeirantes não cresce nas pesquisas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:45

Visão tucana para 2010

 Quem chamou a atenção para a entrevista que o publicitário Luiz González deu ontem ao ?Valor? foi o ex-prefeito Cesar Maia.
O principal marqueteiro do PSDB acredita que José Serra ganhará a ?guerra das biografias?.
Vale a pena ler a íntegra da entrevista concedida ao repórter Caio Junqueira:
 ?Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.
Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma – “Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida”. A seguir, trechos da entrevista:
- O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?
- Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.
- Mas e no resto do país?
- Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa. 
- Foi a privatização que derrotou o Alckmin?
- Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: “Quem é esse cara? Tô desconhecendo”. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.
- A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?
- Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca. 
- Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?
- Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica? 
- O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?
- Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.
- E o PAC e o pré-sal?
- Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?
- A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?
- O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e daA Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.
- Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?
- Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.
- O PMDB é crucial?
- Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.
- O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?
- Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.
- E o Ciro?
- Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.
- E a Marina?
- É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.
- Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?
- São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.
- O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?
- Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.
- E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio? 
- Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.
- O que é mais determinante ao voto?
- Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida. 
- A internet vai ser importante em 2010?
- A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.
- Por que?
- Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios – 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas. 
- Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?
- Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.
- O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?
- Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo? 
- Quais são os outros problemas da reforma?
- A reforma instituiu um “liberou geral” nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do “liberou geral” para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula “invadiu” grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as “invasões” foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular “imagem e voz” do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma” invadirem” os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto?.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:19

Goldman pode ser candidato em SP

Caso o grupo de José Serra, que trabalha pela candidatura de Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, para o governo de São Paulo, não se entenda com a de Geraldo Alckmin, que também luta pela legenda para voltar ao Palácio dos Bandeirantes, um terceiro nome poderá surgir, com força e com uma caneta cheia de tinta.
Será o vice-governador Alberto Goldman, que assumirá o governo de São Paulo em abril do próximo ano, com a desincompatibilização de Serra.
Ele ficaria nove meses como governador, e disputaria a reeleição.

  • Sexta-feira, 14 Maio 2010 / 4:06

Numerologia na campanha de Serra

Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“O staff de José Serra contará com o apoio do aliado e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para se livrar da influência malévola do 13 na disputa eleitoral. A pedido do presidente do PMDB, Orestes Quércia, e com a autorização do proprietário do imóvel, a Prefeitura de São Paulo está trocando o número do edifício onde funcionará o comitê de campanha de Serra e Geraldo Alckmin nessas eleições: de 184 para 182.
A associação com o 13 do PT é só coincidência. Discípulo de Pitágoras -e adepto da teoria de que cada número traz um significado-, Quércia quer é afugentar os efeitos do temido 4. Como sua pronúncia se assemelha a “morte” em chinês, o 4 é evitado no Oriente. E por Quércia.
Para chegar a um resultado na numerologia, é preciso somar os algarismos de um número até que reste apenas um. É assim que 184 (1+8+4) vira 13. E, depois (1+3), 4.
Quércia recorre à numerologia cada vez que se instala num novo endereço. Como ocupará salas do edifício Praça da Bandeira -antigo Joelma-, pediu a troca. Kassab consultou o proprietário.
Com a mudança, troca-se o 4 pelo 2. Embora rechace a vinculação do 4 com a morte, a numeróloga Vera Caballero reconhece que o 2 é benéfico por sua associação à diplomacia -o 4 seria “falta de jogo de cintura”.
QG do tucanato desde 2004 -quando abrigou a equipe de transição de Serra para a prefeitura-, o Joelma foi palco de trágico incêndio em 1974, com 188 mortes.
Pré-candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira confessa que tem medo de assombração. Mas que isso não se aplica ao Joelma. Apesar disso, ele diz que os comitês do partido foram benzidos antes de ocupados”.

                                                  * * *

Parece até que Orestes Quércia é um vencedor.

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