• Quinta-feira, 19 Agosto 2010 / 8:01

Aliados querem distância de Serra

    De ‘O Globo’:
“No primeiro dia do horário político gratuito estadual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi onipresente. Apareceu em programas de candidatos a governador e senador tanto do PT quanto do PMDB – que indicou o vice na chapa presidencial – e de outros partidos aliados. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, também foi citada. Mas o tucano José Serra quase não foi lembrado.
No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, usou Lula como cabo eleitoral. Serra foi ignorado por Fernando Gabeira, candidato do PV (apoiado pelo PSDB no Rio), e Cesar Maia, que pleiteia uma vaga ao Senado pelo DEM, partido que indicou o vice do tucano na chapa presidencial. Em Minas Gerais, houve outra estrela: o ex-governador Aécio Neves, citado em praticamente todos os programas dos candidatos ao governo e ao Senado. Aécio concorre ao Senado e apresentou apenas curtas imagens de Serra em seu programa.
Em São Paulo, à tarde, Serra não apareceu na TV pedindo votos para Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo estadual. Alckmin citou o presidenciável apenas no programa de rádio, prometendo ampliar os Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames), “uma bela iniciativa de Serra”. Na TV, preferiu lembrar
que assumiu no lugar do governador Mário Covas, morto em 2001.
Enquanto isso, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, não se apoiou em Dilma, mas citou os avanços na gestão Lula e teve o presidente pedindo votos:
- Eu gostaria muito que você depositasse no Mercadante a mesma confiança que você depositou em mim.
Lula também foi mencionado por Paulo Skaf, candidato do PSB ao governo paulista.
O ex-ministro Hélio Costa, candidato da coligação PMDB-PT ao governo de Minas, disse que a gestão de Aécio foi boa, mas é preciso melhorar. Lula e Dilma apareceram até por mais tempo que o próprio candidato estadual. Lula pediu votos para Costa e o vice, Patrus Ananias. No programa de TV do candidato do PSDB ao governo mineiro, Antonio Anastasia, Serra teve apenas três aparições relâmpago, em imagens de campanha. Foi Aécio quem apresentou Anastasia.
Serra também ficou fora do programa da candidata à reeleição no Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius. Ela não citou Serra, que, em visita a Porto Alegre na segunda-feira, evitou ser enfático no apoio à governadora. Mas houve repetida presença de Lula e Dilma no programa do petista Tarso Genro, que
mostrou trechos de discursos dos dois.
- A visão de busca de consenso sem que se percam raízes e compromissos é o maior legado que o presidente Lula deixou para nós – disse Tarso.
No Ceará, Lula roubou a cena nos programas dos dois principais candidatos e apareceu mais do que Dilma. Pediu votos para o governador Cid Gomes, do PSB, coligado ao PT. E apareceu no programa do ex-governador Lúcio Alcântara (PR), aliado nacional do PT. Serra não apareceu nos programas dos candidatos do PSDB ao governo cearense, Marcos Cals, e ao Senado, Tasso Jereissati.
Ex-ministros de Lula e adversários na corrida pelo governo da Bahia, Jaques Wagner (PT) – que tenta a reeleição – e Geddel Vieira Lima (PMDB) mostraram que não vão largar a companhia do presidente e de Dilma. Usaram na propaganda fotos e vídeos em que aparecem ao lado de Lula e da presidenciável. Paulo
Souto, que concorre ao governo baiano pelo DEM, ignorou Serra, mesmo seu partido tendo indicado o vice na chapa do tucano.
No Maranhão, a candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB) – que se apresentou apenas com o primeiro nome – mostrou Lula e Dilma em sua propaganda de TV. Foram aparições rápidas, em mensagens gravadas para uma reunião que ela promoveu com prefeitos. Mas Rosena ainda afirmou que ela e Dilma iriam
realizar parcerias. Já o candidato tucano, Jackson Lago (cassado em 2009), não fez menção a Serra.
Candidato ao governo de Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) citou Lula e Dilma. Fernando Collor, candidato pelo PTB a governar o estado, não se referiu a Dilma. E Serra foi deixado de lado até pelos tucanos.

  • Quinta-feira, 05 Agosto 2010 / 10:09

Tucanos temem perda de aliados

       Do repórter Raymundo Costa, do ‘Valor Econômico’:
“O sinal amarelo acendeu na campanha do candidato do PSDB a presidente, José Serra: os tucanos temem o “estouro da boiada”, ou seja, a debandada dos aliados diante das notícias de dificuldades de arrecadação e de demonstrações de abatimento do candidato tucano, num momento em que pelo menos três pesquisas de opinião indicam que a candidata do PT, Dilma Rousseff, passou a liderar a disputa presidencial.
A preocupação dos tucanos e de seus aliados é agravada pelo centralismo da campanha de Serra, “encapsulada em São Paulo”, segundo um aliado próximo. Credita-se ao centralismo e à mania de Serra por segredos a publicação de uma informação errada sobre a arrecadação financeira de sua campanha, que estaria abaixo até do resultado de Marina Silva, a candidata do PV que até agora não escapou da faixa dos 10% nas pesquisas.
A arrecadação da campanha tucana, na realidade, está semelhante ou maior que a do PT, algo em torno dos R$ 15 milhões. O que foi divulgado, R$ 3,6 milhões, na realidade refere-se apenas a uma das contas autorizadas a captar doações. O número real aparecerá amanhã, com a divulgação anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas o efeito da notícia sobre os aliados de Serra foi devastador. Pior ainda, a reação do candidato, que se mostrou preocupado com o caixa baixo da campanha, atitude considerada derrotista.
A campanha de Serra avalia que os aliados estão vendendo uma situação de desconforto nos Estados maior do que ela efetivamente é para tirar mais recursos da campanha nacional. Atribui os outros problemas ao fato de a campanha ter começado tarde, pois Serra decidiu sair candidato só no final de março. Além disso, as campanhas estaduais estariam mesmo mais caras do que foi inicialmente projetado.
Há diferentes graus de insatisfação dos candidatos aliados com a candidatura Serra. Na Bahia, por exemplo, a campanha de Paulo Souto ao governo estadual recebeu apenas 30 bandeiras da campanha nacional. Mas há queixas também de isolamento: os correligionários baianos não sabem o que acontece com a candidatura a presidente e o comitê nacional não parece muito preocupado com o que acontece no Estado.
O senador Jarbas Vasconcelos, que se candidatou ao governo do Estado por insistência de Serra, está insatisfeito com o PSDB, mas procura não responsabilizar Serra pela situação estadual. Para apoiar Serra, Jarbas se distanciou do PMDB majoritariamente governista. Mas só conta com três dos 17 prefeitos tucanos no Estado. Mas Jarbas é uma exceção: Serra já esteve duas vezes em Pernambuco, sua equipe de programa de governo também esteve no Recife para ouvir sugestões do pemedebista e tem recebido material da campanha nacional que não “deu para o gasto”.
Candidata a vice de Serra na eleição de 2002, a deputada Rita Camata decidiu disputar o Senado com a garantia de contar com todo o apoio da campanha federal. Até agora, ela só perdeu pontos na pesquisa, que liderava na pré-campanha e agora já aparece no terceiro lugar. Entre tucanos capixabas, avalia-se que ela está sendo “puxada” para baixo pelo candidato ao governo, Luiz Paulo Vellozzo Lucas.
A situação dos palanques regionais é outro problema que se atribui a Serra e ao atraso com que ele entrou na campanha. Um exemplo citado é o do democratas no Pará, que dispunham de uma candidata viável ao Senado, que o PSDB preteriu para tentar a reeleição do senador Flexa Ribeiro. A própria situação em Pernambuco é atribuída à falta de uma coordenação forte na campanha central tucana.
Na região Nordeste, Serra enfrenta um problema ainda maior: a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em casos como o do senador Tasso Jereissati (CE), que disputa a reeleição e aparece em primeiro lugar nas pesquisas, a candidatura nacional do PSDB acaba sendo um peso a mais. Em toda a região Nordeste “é pesado”, segundo a expressão de um senador, fazer campanha na oposição a Lula.
Em dia de Congresso cheio por causa do esforço concentrado de votação, a campanha presidencial ficou visível em Brasília. Num restaurante frequentado por políticos, o ex-deputado Moreira Franco, representante do PMDB no comitê de Dilma, encontra o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), um ruralista de primeira linha. “Soube que você está com Osmar (Osmar Dias, candidato do PDT ao governo do Estado). Do Osmar a Dilma é um passo”. Lupion, que pediu licença ao DEM para apoiar Osmar respondeu que esse era ainda um salto grande demais para ele. Mas contou que havia passado pela 2ª vice-presidência da Câmara, ocupada por ACM Neto, e esperava para ser atendido quando chegaram outros deputados do DEM para reclamar de Serra. “Esperem na fila. Lá dentro está o Rodrigo Maia (presidente do DEM). Depois é a minha vez”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.