• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Gabeira: escolha a sua versão

 Da ‘Folha’:
“No dia em que foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) virou alvo de críticas de aliados por declarar apoio a José Serra (PSDB) num eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).
Ele disse ao Blog do Noblat que votaria no tucano após apoiar Marina Silva (PV) no primeiro turno. A declaração gerou incômodo entre aliados da senadora. O ex-deputado Luciano Zica classificou a fala como “lamentável”.
“Foi uma declaração infeliz. Causa estranheza, porque Gabeira é um cara experiente. Não temos o direito de escorregar agora”, disse à Folha. “Não perguntamos ao Gabeira quem ele vai apoiar no segundo turno do Rio. E se a disputa for entre Serra e Marina, ele também vota no Serra?”, provocou Zica.
Obrigado a se explicar, Gabeira disse ter respondido a uma pergunta “bem específica”: “Faz parte de um acordo meu com ele [Serra]. Eles [PSDB] me apoiam aqui no Rio, e eu apoio a candidatura da Marina. Caso haja um segundo turno em que ela não esteja presente, eu o apoio”.
O presidente do PV, José Luiz Penna, tentou contemporizar: “Estamos trabalhando para vencer. Temos que ser generosos com quem escorrega nas cascas de banana”.
Segundo Gabeira, Marina e Serra participarão de seu programa de TV. “Vou fazer a campanha da Marina. Eventualmente posso me encontrar com o Serra, dependendo das circunstâncias”, disse.
A chapa ao governo do Rio foi confirmada ontem, em aliança com PSDB, DEM e PPS. O ex-deputado tucano Márcio Fortes, tesoureiro de Serra na eleição de 2002, deve ser o vice.
O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) tentará ao Senado, e a outra vaga deve ser de Marcelo Cerqueira, do PPS. O PV ainda tenta emplacar a vereadora Aspásia Camargo”.

                          * * *

De Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“Após seis meses de impasse, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) confirmou ontem sua candidatura ao governo do Estado do Rio e oficializou a aliança com PSDB, DEM e PPS. O acordo, sacramentado depois de três horas de reunião, também prevê a participação do parlamentar em atos de campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra.
Até o encontro de ontem, Gabeira e lideranças do PV do Rio mantinham firme a posição de que só fariam campanha para Marina Silva, nome do partido à sucessão do presidente Lula. Os compromissos de Serra no Rio seriam acompanhados apenas pelos candidatos a vice e ao Senado da coligação – indicados pelos demais partidos. O pré-candidato do PV ao governo do Rio confirmou que Serra e Marina participarão da convenção que oficializará seu nome, em junho.
“Pretendemos lançar no dia 23, de manhã. Vamos começar a mobilização. Não será ainda com a presença dos candidatos à Presidência porque nós preferimos que eles venham na convenção”, explicou Gabeira.
Indicado como candidato a vice na chapa de Gabeira, o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB) confirmou que o acordo possibilitará a elaboração de uma agenda de pré-campanha de Serra no Rio. Fortes confirmou a presença de Gabeira nos eventos de Serra no Estado.
“O Gabeira anda com ele”, disse Fortes. “O Serra tem um palanque. A Marina também tem. Mas o Serra tem um palanque bom, uma candidatura vitoriosa, que pode ganhar a eleição e não terá limites. Nossa coligação é adotada por todos universalmente e fará uma bela campanha à Presidência da República. Tanto para o Serra quanto para Marina”, avaliou o tucano.
Pivô da crise que se instaurou entre os partidos, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) teve sua candidatura ao Senado confirmada na reunião de ontem. O PV do Rio resistia em formalizar a aliança tendo ele como representante dos Democratas. Apesar do acordo, os verdes também confirmaram que a vereadora Aspásia Camargo concorrerá ao Senado.
Caso a Justiça Eleitoral se manifeste contrariamente ao lançamento desse tipo de candidatura independente, o partido não criará embaraços para a coligação – de acordo com o presidente da legenda no Rio, Alfredo Sirkis. O outro nome da aliança ao Senado será o advogado Marcelo Cerqueira, do PPS.
“Gabeira já disse que o melhor candidato ao Senado é o Cesar Maia e confirmou que fará campanha para ele”, disse a deputada federal Solange Amaral (DEM), representante do partido e do ex-prefeito na reunião.
Apesar do acordo, Gabeira terá de lidar com resistências veladas. O próprio presidente regional do PSDB, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, saiu da reunião logo no início. Com ar contrariado, confirmou a aliança, mas disse que a prioridade era a eleição de Serra”.
               
                    * * *

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“Em encontro ontem, na sede do PPS no Rio, para formalizar a coligação PV-PPS-DEM-PSDB, os partidos anunciaram que o pré-candidato ao governo fluminense pelo PV, deputado federal Fernando Gabeira, apoiará, no primeiro turno, dois pré-candidatos à Presidência: Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB). Os dois participarão juntos, em junho, da convenção da aliança no estado. Foi anunciada ainda a chapa de Gabeira para o Senado, que terá o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).
- O Serra tem agora um palanque bom, forte, no Rio. A Marina também tem. Nossa coligação está montada. Foi adotada por todos universalmente e vai fazer uma bela campanha para presidente da República. Tanto do Serra, quanto da Marina. O Gabeira não é mais candidato do PV. Ele é candidato da coligação – afirmou Márcio Fortes, um dos coordenadores da campanha de Serra no Rio e provável vice na chapa de Gabeira.
Coordenador da campanha de Marina, o presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, lembrou da atual situação no Acre:
- Existe uma situação similar no Acre. A Marina apoia a candidatura do (senador) Tião Viana (PT) ao governo. É claro que ele tem todo o interesse de recebê-la (Marina), embora a sua candidata não seja ela. Mas Gabeira vota na Marina.
O lançamento da candidatura de Gabeira deverá ocorrer em 23 de maio. O pré-candidato, no entanto, disse que Serra e Marina só estarão juntos na convenção:
- Os dois (Serra e Marina) estão convidados e estarão presentes. Isso foi conversado aqui (na reunião).
Mesmo com resistência, os partidos confirmaram Cesar Maia para concorrer a uma das duas vagas ao Senado. O PV, que lançou a vereadora Aspásia Camargo como pré-candidata ao Senado, dependerá de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a viabilidade da chapa com mais de dois nomes a senador. O ex-prefeito não foi à reunião.
- Qualquer problema no caminho não comprometerá a coligação – disse Gabeira, referindo-se a uma suposta negativa à consulta do PV para lançar Aspásia.
Participaram ainda do encontro o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, o ex-governador Marcello Alencar e a vereadora Lucinha, pelo PSDB, e os deputados federais Solange Amaral e Índio da Costa, pelo DEM. O presidente regional do PSDB, José Camilo Zito, deixou a reunião logo no início”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Gabeira aceita o que rejeitava

Dos repórteres Ludmilla de Lima e Rafael Galdo, de ‘O Globo’:
“Após idas e vindas, a união entre PV, DEM, PSDB e PPS em torno da candidatura do deputado verde Fernando Gabeira a governador será selada na próxima segunda-feira, no Rio.
Mesmo com a resistência a ter o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) como candidato ao Senado na chapa, a aliança será mantida.
? Está resolvida (a aliança).
O PSDB já foi falar com os outros partidos, e o PV foi informado ? diz Gabeira, justificando a decisão como uma forma de ter uma candidatura competitiva.
? Eu, como algumas pessoas, falava: (sozinhos) vamos perder de cabeça erguida. Então, digo: se continuarmos perdendo de cabeça erguida, vamos acabar gostando da derrota.
Com a definição de Gabeira, serão retomados os planos iniciais da coligação, com dois candidatos ao Senado ? o segundo será do PPS. Já a candidatura de Aspásia Camargo (PV) dependerá de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a viabilidade de uma chapa com mais de dois nomes a senador.
Gabeira condicionou a formalização da coligação à aceitação, por parte de todos os partidos, de não darem legenda aos chamados candidatos fichas-sujas, ainda que o projeto que restringe a candidatura de políticos com condenação na Justiça não seja aprovado a tempo para essas eleições.
O deputado repetiu também que não dividirá agendas oficiais com o pré-candidato à Presidência José Serra (PSDB). No entanto, disse que o tucano gravará para o seu programa eleitoral na TV.
Os críticos da parceria com Cesar lamentaram a manutenção da coligação com o DEM.
Para a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), a aliança com o ex-prefeito prejudica Gabeira e Serra. E avisa: passará longe dos eventos em que o político do DEM estiver.
Já o presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, que se opôs à aliança, adotou ontem um discurso mais ameno:
? Há diferenças políticas marcantes, mas que existem em todas eleições. Essa foi uma decisão que coube a Gabeira, que tem todo o respaldo do PV”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:48

Marina sonha com apoio de Ciro

De Bernardo Mello Franco, da ‘Folha’:
“A pré-candidata do PV, Marina Silva, vai pedir o apoio do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) na corrida presidencial. Ela deve procurá-lo para uma primeira conversa nos próximos dias.
Os verdes apostam numa rebelião de Ciro contra o próprio partido, que rifou sua candidatura para embarcar na campanha de Dilma Rousseff (PT).
A operação será deflagrada assim que o PSB oficializar que não terá candidato próprio à sucessão do presidente Lula. “O apoio de Ciro nos interessa. Em tempo hábil, a Marina vai procurá-lo”, confirmou à Folha, de Washington, por telefone, o coordenador da campanha do PV, Alfredo Sirkis.
Aliados da senadora avaliam que Ciro demonstrou ressentimento com a cúpula do PSB, que barrou sua candidatura para negociar alianças regionais. Eles interpretaram as críticas a Dilma como um sinal de que o deputado pode boicotar a aliança do partido com o PT.
“Ciro ficou numa situação muito delicada. Apoiar a Marina seria uma boa saída para ele”, diz o ex-deputado Luciano Zica, da Executiva Nacional do PV. “Ele pode ser um parceiro, quem sabe até um colaborador da campanha.”
Marina volta hoje dos Estados Unidos. Antes de viajar, ela divulgou nota chamando a decisão do PSB de “retrocesso” e “intolerância democrática”. “A Marina gosta muito do Ciro. E o eleitorado é dele, não do PSB”, afirma Zica.
A direção do PV agora discute uma forma de iniciar o diálogo sem melindrar o deputado, que está com o orgulho ferido e se sentiu abandonado pelo próprio partido. A ideia é que Marina o procure para marcar uma conversa cara a cara.
“Temos que dar um tempo a ele para deixar a poeira baixar”, disse Sirkis. “A turma da Dilma já está urubuzando o Ciro. Não vamos fazer isso. Vamos tratá-lo com respeito e seriedade.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

Gabeira coloca a viola no saco

Da repórter Alessandra Duarte, de ‘O Globo’:
“Após tanta polêmica, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) deve mesmo ser candidato ao governo do Rio pela coligação inicial dos verdes com PSDB, PPS e o DEM de Cesar Maia. Gabeira havia afastado essa opção depois de críticas de aliados, que temem a rejeição que o nome do ex-prefeito do Rio poderia provocar. Segundo Gabeira, a coligação com Cesar ?é a proposta que vamos manter?:
? A gente encerrou a fase de consultas a diretórios e eleitores pelo Estado do Rio. O que ficou claro é que a única alternativa com mais unanimidade é esta.
Os partidos da coligação do verde haviam consultado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se poderiam apresentar mais de dois candidatos ao Senado. Segundo Gabeira, mesmo sem o TSE ter respondido, será essa a configuração das candidaturas a serem lançadas:
? Dois candidatos pela coligação: o Cesar e o do PPS, Marcelo Cerqueira; e, por fora, a Aspásia Camargo (PV).
Quando o TSE responder, se não puder haver três ao Senado, a Aspásia sairia ? diz o verde.
? Temos de valorizar o que nos une, acabar com a dominação do PMDB.
E minimizar o que nos separa, a questão (da rejeição) do Cesar.
Outro motivo para a decisão é a necessidade de palanque no Rio para a candidatura presidencial de José Serra (PSDB).
? Nada no Rio é dissociado da candidatura Serra ? diz o deputado Luiz Paulo (PSDB).
? Serra aguarda uma solução ? afirma Márcio Fortes (PSDB), cotado para vice de Gabeira.
O anúncio oficial da decisão sai até sexta, após Alfredo Sirkis, presidente do PV-Rio, voltar de Washington”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

Gabeira ainda procura saída

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Enquanto o DEM bate o pé, o PV continua a tentar uma alternativa para que o deputado federal Fernando Gabeira (PV) seja o candidato a governo do Estado e dê ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, o tão desejado palanque no Estado do Rio. O presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, colocou em seu site uma nova proposta de coligação que tenta evitar a necessidade de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o vereador, ” a geometria é simples porque se tratam de duas eleições majoritárias: uma estadual, de governador, e outra federal, na qual o eleitor deve votar para dois poderes, o Legislativo, senador, e o Executivo, para presidente ” . Com isso seriam permitidas as diferentes coligações, na primeira, entre PV, PSDB e PPS e, na segunda, PSDB; DEM e PPS. Para ele, nesta composição, apenas Gabeira perderia tempo de televisão. ” Mas será o ônus que teremos que pagar”.
O deputado federal e presidente do DEM, Rodrigo Maia, nem quer ouvir falar na proposta. Segundo Maia, a nova tentativa está sendo feita para evitar uma possível derrota na Justiça Eleitoral. ” Eles vão perder, é claro ” , afirma o deputado. Para Maia, não há mais negociação possível. O DEM quer uma coligação completa que inclua em todos os horários de TV o ex-prefeito Cesar Maia como candidato da coligação ao Senado. ” Não há como ceder mais.”
Desde a semana passada. Gabeira disse que poderia novamente desistir de se candidatar ao governo do Estado porque seus eleitores não aprovavam a união de seu nome com a do ex-prefeito Cesar Maia, tese defendida por Sirkis desde o início das negociações. Gabeira chegou a dizer que voltaria a se candidatar a deputado federal se não tivesse tempo suficiente de televisão para tentar concorrer com a máquina do atual governador Sérgio Cabral.
Ontem, na inaguração da exposição em comemoração ao centenário de Tancredo Neves; no Museu Histórico Nacional, no Rio, com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e do candidato José Serra, Rodrigo Maia marcou presença junto a políticos do PSDB. Nem Gabeira nem Sirkis compareceram. Do PV apenas a vereadora Aspásia Camargo, virtual candidata ao senado pelo partido, caso o nó político não seja desfeito.
Apesar da intransigência, Rodrigo Maia disse que o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB) e candidato a vice-governador na chapa é quem está negociando com Gabeira uma solução para o problema. ” O que o Márcio Fortes conseguir, vamos negociar ” , afirmou. Sirkis também afirmou, por telefone, que a decisão está nas mãos de Gabeira e que vai apoiá-lo seja ela qual for.
Caso a coligação saia, a vereadora Aspásia Camargo ainda sonha com a candidatura ao senado. Ela diz que a legislação permite que o partido tenha um candidato avulso. ” A Marina (Marina Silva, candidata à presidência pelo PV) precisa de um candidato ao Senado. Não pode ficar sem ninguém ” , acredita.
No evento no Museu Histórico Nacional, tanto José Serra como Aécio Neves não quiseram falar de política. Em curta entrevista, depois de conhecer a exposição rapidamente, sempre acompanhado do ex-governador mineiro José Serra se limitou a dizer que Tancredo o inspirava muito. Os dois ficaram lado a lado durante toda a visitação, que durou cerca de meia hora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Gabeira diz ter opção secreta

Dos repórteres Isabel Braga e Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“A tentativa do PV de contornar os problemas da coligação em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio, com o lançamento de mais de dois candidatos ao Senado na mesma chapa, deverá render novo debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O entendimento de especialistas é que essa dúvida tornou-se procedente a partir do fim da regra da verticalização nas alianças partidárias.
O TSE terá de dizer se a emenda que acabou com a verticalização liberou totalmente a possibilidade de coligações eleitorais ou se ainda vale a regra prevista no artigo 6º da lei eleitoral ( Lei 9.504/ 97). Este artigo faculta aos partidos, dentro da mesma circunscrição ( no caso do Rio, o estado), celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, “ou para ambas”. E estabelece que, no caso das proporcionais, é permitido fazer subcoligações, desde que formadas por partidos que integram a coligação na eleição majoritária.
Ou seja, se quatro partidos se unem para tentar eleger um governador, eles podem, no caso de eleição de deputados, fazer coligações menores. No entendimento de especialistas, isso não se estenderia à eleição de senadores, mas caberá ao TSE esclarecer.
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), relator da minirreforma eleitoral do ano passado, diz acreditar que o TSE manterá o entendimento de que não é possível subcoligações no caso de eleições majoritárias nos estados.
- Entendo que cada partido pode se coligar para o governo e apresentar, sozinho, seu candidato ao Senado. Mas não pode haver, para o Senado, subcoligações entre os partidos que formam a chapa para o governo.
Para o advogado eleitoral do PSDB, Afonso Ribeiro, a lei é mais restritiva e só permite que uma coligação para o governo lance dois candidatos ao Senado. O PV entrou com consulta indagando justamente se cada partido pode lançar individualmente seu candidato ao Senado. E também perguntAlou se é possível sub coligações. O PV quer lançar Aspásia Camargo ao Senado, e os nomes de Marcelo Cerqueira (PPS) e Cesar Maia (DEM) seriam lançados pelos demais partidos. A consulta ainda não foi respondida.
Gabeira disse ontem que sua maior preocupação é a de garantir um candidato da oposição que seja competitivo.
- Essa proposta (de lançar quatro candidatos ao Senado) foi feita para acomodar as divergências. Estamos também pensando em outras opções, mas não posso adiantar ainda – disse Gabeira. – Existe uma dominação do PMDB no estado, que pode ser ameaçada por uma candidatura de oposição. Podemos nos unir porque o mais importante é ter um candidato de oposição competitivo.
A crise na coligação PV/PSDB/DEM/PPS no Rio, provocada pela resistência de parte dos verdes e dos tucanos a Cesar Maia, pode atingir as pretensões do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, de ter um palanque no estado.
Gabeira está sendo pressionado por aliados, que temem desgaste se o deputado fizer dobradinha com Cesar Maia, que vai disputar uma vaga no Senado pelo DEM. Gabeira e Serra devem se encontrar ainda esta semana para tentar solucionar o impasse.
Ontem, o presidente regional do PV no Rio, Alfredo Sirkis, admitiu que a situação na coligação está tensa:
- A hipótese (da desistência de Gabeira) tem que ser considerada. Ele (Gabeira) está preocupado e impaciente. Mas temos até junho, na convenção, para resolver.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, disse que o partido seguirá as orientações de Serra, independentemente de Gabeira ser ou não candidato ao governo do Rio:
- Faremos o que Serra mandar para beneficiá-lo no palanque do Rio.
Há quase duas semanas, Rodrigo Maia centrou ataques em Gabeira, dizendo que “ele recebe meia dúzia de mensagens contra Cesar Maia e entra em TPM”.
Ontem, por e-mail, Cesar Maia foi mais cauteloso:
- Acho que o Rio deixaria de contar com um vetor alternativo, o que prejudicaria muito a decisão do eleitor. Espero que isso (a desistência de Gabeira) não ocorra”.
                       * * *
O deputado Fernando Gabeira foi engolido pelos aloprados de sua coligação e, agora, finge que a questão depende do TSE.
É claro que não depende.
O TSE poderá responder a consulta da maneira que bem entender.
O que se discute não é o fim da verticalização, já que o impasse não é jurídico, e ele sabe disso.
O impasse é político.
Não faz sentido o DEM e o PSDB abrirem mão de seu tempo na TV, para o candidato ao governo, e esse não ser leal àqueles que lhe proporcionam esse espaço.
                       * * *
Coligação é para unir simpatizantes e, às vezes, até contrários.
Correligionários estão sempre no mesmo partido.
O que não parece ser o caso do PV.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Marina cria comitê invisível

Do repórter Eduardo Scolese, da ‘Folha’:
“Para não afastar colaboradores que rejeitam qualquer tipo de vinculação partidária e eleitoral, o comando da pré-candidatura presidencial de Marina Silva (PV-AC) criou uma espécie de “comitê neutro” para a formulação do programa de governo da senadora.
Desde que a ex-ministra petista anunciou sua intenção de disputar a Presidência, acadêmicos e empresários têm imposto a seguinte condição: querem oferecer ideias, desde que, ao menos por ora, não tenham seus nomes propagandeados como colaboradores do partido e da pré-campanha.
Entre os chamados “colaboradores invisíveis”, segundo auxiliares de Marina, há intelectuais historicamente ligados a PT e PSDB que não estariam encontrando espaço para apresentar suas ideias nessas siglas.
Para manter as portas abertas a todos os interessados, auxiliares de Marina não têm recusado nenhuma proposta, mesmo aquelas que não estarão no texto final do programa de governo, como o uso de energia nuclear como opção de matriz energética do país.
Por enquanto, o comitê, com sede em São Paulo, tem realizado mesas de discussões e debates para receber propostas, em geral, para setores como educação, saúde, energia, cidades e segurança pública. Esse primeiro documento trará os principais eixos da campanha. Em seguida, tomará corpo para o texto final do programa.
A coordenação da pré-campanha ainda não sabe exatamente como fará a fusão dessas propostas com o novo caderno oficial de diretrizes do PV, a ser finalizado até julho.
“É uma coisa contraditória de se pensar. Ou seja, pessoas colaborando com o partido e outros colaborando fora do esquema do partido. É uma ginástica superinteressante”, afirma o coordenador do “comitê neutro”, João Paulo Capobianco, que foi secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina.
Um elo certo entre os dois documentos será a sustentabilidade. “É um dos eixos da revisão programática do partido e será o eixo da proposta de reforma tributária do programa de governo, com estímulos para o desenvolvimento sustentável”, afirma o vereador carioca Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Para bom entendedor…

O ex-prefeito Cesar Maia deu mostras hoje, em seu blog, que está em busca da conciliação com o deputado Fernando Gabeira para manter a coligação no Rio e viabilizar um palanque para  José Serra.
Para tanto, ele pegou um trecho da entrevista que Gabeira deu ontem ao ‘Jornal do Brasil’, onde o pré-candidato do PV – sem abrir mão de suas convicções – ataca Sergio Cabral e sua polícia, e diz como a questão das drogas deve ser encarada.
Eis o seu texto:
” – Como o senhor vai tratar a questão da violência a partir do momento que defende a liberalização das drogas, justo o ponto que fomenta a violência?
 FG ? Exatamente como tratei… O governador Cabral, quando se manifestou a favor da liberalização da droga, naquele momento eu disse que o processo não é liberar a droga no momento. O processo é reformar a polícia, ter uma polícia de alto nível que possa realmente dar uma resposta.       
 - Em todos os lugares onde eu vi a droga liberada foi liberada a partir de uma polícia muito desenvolvida. Vi a liberação da droga como um controle mais sofisticado. É o caso da Holanda, é o caso de alguns setores da Inglaterra. Uma área da Inglaterra chamada Bridgestone, em Londres, onde foi leito isso. Lá em Londres, a determinação de liberar partiu da própria policia, que disse que não tinha tempo para ficar quatro horas prendendo usuário. Então, sou favorável à reforma da polícia. Mais que aumento de salário, é formação, equipamento, uma série de coisas que a sociedade brasileira se recusou a dar durante muito tempo”.

                   * * *

Na nota seguinte, Cesar Maia abre os olhos de Gabeira para o grupo que o cerca, principalmente – sem citá-los – os vereadores Alfredo Sirkis (PV) e Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), que querem melar o acordo com o ex-prefeito, que disputa, na coligação, uma vaga no Senado.
Para tanto, e não é a primeira vez, Cesar utiliza uma biografia de Bismark, assinada por Emil Ludwig, para criticá-los.
Vamos a ele:    
“1. O leito das ruas atemoriza-me mais que o campo de batalha.  
2. No parlamento são 350 pessoas. Entre elas, 50 sabem o que fazem. Destas, 30 são patifes ambiciosos e sem consciência ou comediantes inchados de oca vaidade.           
3. Censuras não são o meio adequado para reerguer um trono caído. Para isso necessita-se de apoio e de ativa dedicação e não crítica.               
4. Nas sessões, prefiro sentar-me entre os adversários, pois entre os meus amigos aborreço-me muito, enquanto que aqui me divirto mais”.
                      * * *
Gabeira com certeza vai pensar sobre o assunto.
Ou ele acredita que Sirkis e Andrea abandonarão sua candidatura para engajar-se na de Cabral ou de Garotinho?
Para eles, isso seria o suicídio político. Já Cesar, certamente, dispensa o apoio de ambos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:17

Cesar Maia: ultima cartada?

 Desde que o PV do Rio – à frente o seu ex-secretário nos três governos, Alfredo Sirkis – começou a bombardear a candidatura de Cesar Maia ao Senado, pelo DEM, o ex-prefeito tem se mantido em silencio sobre o assunto. A única vez que falou foi, semana passada, num vídeo-chat promovido por sua campanha. Cesar prefere falar sobre traições e ódios, do passado.
No blog do hoje, ele não cita responsáveis, mas avança um pouco mais.
Provávelmente seja essa a sua última declaração em busca da pacificação, embora já fale nos “compreensíveis problemas político-hepáticos”.
E deixa claro, mesmo sem citar nomes que, Gabeira sem o DEM, será derrotado, e a eleição no Rio será decidida no primeiro turno (entre Cabral e Garotinho), também sem nomes.
Eis o seu texto:
“1. Em ano de eleição, cada vez que surge um conflito entre políticos ou entre partidos, o que está, de verdade, por trás dos fatos são os votos. No caso do Estado do Rio, há um complicador adicional: a candidatura de Marina da Silva. Em 2006, Heloisa Helena teve 6% dos votos no Brasil e 14% no Rio. Então é natural que os candidatos que apóiam Marina Silva queiram potencializá-la no Rio. Até porque, o elemento vinculante pelo número deve agregar legenda aos deputados.
2. Por isso, além do espaço que foi conquistado por razões de alternativa política local, com a candidatura a governador, querem ampliar esse espaço fazendo aparecer o número de Marina mais vezes na TV. Por isso, o interesse em lançar candidato a Senador e obter algum tempo dos partidos associados na campanha de governador. Excluindo os compreensíveis problemas político-hepáticos, é esta a questão central.
3. Em 2009, quando se configurava compulsoriamente uma campanha presidencial em dois turnos, a afirmação de uma candidatura a governador no Estado do Rio apoiada pelos partidos da base de Serra (PSDB-DEM-PPS) era um dado importante para tirar espaço da candidata presidencial do PT. Mas o quadro mudou. A eleição se tornou polarizada, eliminou a possibilidade de inclusão de Ciro Gomes e Marina, com toda a generosidade da imprensa, continuou patinando no mesmo patamar.
4. Dessa forma, criou-se um quadro que a eleição presidencial pode ser decidida no primeiro turno, bastando para tal, que um candidato supere o outro pela votação de Marina. Observando 2006, isso é possível, na medida em que se projeta, no final de agosto depois da entrada da TV, o mesmo emagrecimento que ocorreu com Heloisa Helena. E esta, estava na época, com níveis bem mais altos do que estará Marina em 2010.
5. Assim sendo, o entorno de Serra, respeitando os avanços que já se tinham feito no Estado do Rio, com seus três partidos em relação à candidatura a governador de interesse de Marina, passou a reavaliar, para dentro, esse quadro. A conclusão óbvia é que não vale a pena mais estimular a candidatura de Marina no Estado do Rio, pois Serra pode ganhar no primeiro turno. E se deixou o barco flutuar.
6. Paradoxalmente, quem resolveu esticar a corda, exigindo ruptura da coligação para ganhar mais tempo de TV no Senado, foram os que apóiam Marina. Durante 8 meses a mesma cantilena deles na imprensa, pedindo a exclusão do DEM. Os partidos da base de Serra se mantiveram silentes. Esse comportamento foi entendido, ingenuamente, pelos apoiadores de Marina, que havia campo para avançarem. E assim o fizeram declarando que excluiriam o DEM da coligação, usando os argumentos mais esdrúxulos contra um candidato que co-lidera as pesquisas ao Senado e que abre entre os eleitores de renda mais alta.
7. O resultado é que, precipitado pelos que apóiam Marina, se reabriu a possibilidade de se rever a decisão anterior e com isso se reabrir a discussão sobre a candidatura a governador, passando-se a usar o numero 45 nela. É possível que isso leve a eleição estadual para ser decidida em primeiro turno, o que seria algo razoável, pois não se teria eleição estadual no RJ no segundo turno. São essas as questões em discussão atrás das cortinas, e o que vem a público são vozes emanadas de lá e desconectadas do conjunto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:17

DEM e PV, isolando radicais

De Renata Lo Prete, do Painel, da ‘Folha’:
“Os mediadores mais otimistas avaliam que ainda é possível resolver o impasse oposicionista no Rio, onde o PV do candidato ao governo Fernando Gabeira se recusa a aceitar Cesar Maia (DEM) ao Senado na chapa.
Para tanto, seria necessário conter os mais inflamados: de um lado, o filho de Cesar, deputado Rodrigo Maia; de outro, Alfredo Sirkis, cuja rejeição ao ex-prefeito é menos ideológica do que fruto de desavença pessoal”.

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