• Domingo, 22 Abril 2012 / 13:31

Prefeitura do Rio no rolo da Delta

     Do repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
     “Com funcionários investigados pela Polícia Federal e alvo de processo administrativo por suspeita de fraude na licitação de coleta de lixo no Distrito Federal, a Delta Construções loca veículos e equipamentos de limpeza urbana para a Prefeitura do Rio desde 2008. O contrato com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) vale até novembro de 2013. O valor corrigido do serviço é de R$ 163,5 milhões.
Além do aluguel de veículos e equipamentos, a construtora firmou acordo com a prefeitura carioca para a operação do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos de Gericinó, na zona oeste. Entre 2007 e 2009, foram estabelecidos quatro contratos emergenciais com dispensa de licitação, no total de R$ 19,9 milhões.
Em dez anos, os serviços prestados pela construtora consumiram R$ 450 milhões. A prefeitura mantém hoje quatro contratos com a Delta. Além da locação de veículos para limpeza, a construtora está encarregada de obras de urbanização e habitação do programa Morar Carioca, orçadas em R$ 116,2 milhões; de melhorias e construção de viaduto na Estrada do Inhoaíba, com previsão de R$ 69,5 milhões, e da criação do Parque Madureira, com contrato de R$ 70,9 milhões – todos os valores corrigidos pelo IPCA.
Levantamento feito pelo gabinete da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) mostra que a empresa faturou R$ 117,8 milhões por ano, em média, em contratos assinados nos três anos de governo Eduardo Paes (PMDB). O valor é 72,6% maior que o montante médio anual obtido na gestão Cesar Maia (DEM). Ainda de acordo com a vereadora, dos dez contratos firmados pela administração Paes com a Delta, cinco foram feitos com dispensa de licitação – total de R$ 47,23 milhões.
Paes, candidato à reeleição em outubro, é afilhado político do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) – amigo do presidente do Conselho de Administração da Delta, Fernando Cavendish. Em cinco anos e quatro meses de gestão no Estado, Cabral pagou R$ 1,49 bilhão em obras e serviços para a empresa.
A assessoria de imprensa de Paes afirmou que os contratos sem licitação com a Delta foram para obras emergenciais em decorrência das chuvas de abril de 2010. Segundo a prefeitura, foram contratados R$ 300 milhões, e a Delta teria recebido em torno de 10% desse valor.
O contrato sem licitação para a operação de Gericinó foi uma prorrogação do acordo firmado pela gestão anterior, segundo a assessoria. Ao fim do termo, uma licitação foi convocada e a empresa ETC foi contratada.
A prefeitura afirmou que o volume de recursos pagos à Delta aumentou porque o município ampliou seus investimentos em obras na cidade. A participação proporcional da construtora no volume de recursos aplicados pela atual gestão foi reduzida, diz a assessoria. A Delta Construções não quis se manifestar”.

  • Quinta-feira, 22 Julho 2010 / 14:25

Sergio Cabral rasga dinheiro

    O repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’, fez uma reportagem sobre a estimativa de gastos de campanha de 18 governadores que tentam a reeleição.
Eles estão inflando em 69%, em média, suas campanhas nos estados.
               * * *
No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral “teve sua tarefa facilitada depois da desistência de seu ex-aliado e atual inimigo político Anthony Garotinho (PR)”
Com o tempo de campanha diminuido, impedido de ter gastos com outdoor, camisetas, bonés, brindes em geral, tendo 16 partidos na sua aliança, o apoio de 91 dos 92 prefeitos do Estado, além de Lula - o político mais popular do país – e da virtual Presidente Dilma Rousseff, Cabral poderia gastar pouco. Muito pouco.
Pois ele informou ao TRE que seu orçamento é de R$ 25 milhões.
Esse valor, segundo a reportagem do ‘Estadão’ “é 158,62% superior ao que ele orçou em 2006, quando se elegeu com o apoio de Garotinho”.
                      * * *
Esse é mais um recorde de Sergio Cabral.
Seus colegas governadores, que disputam a reeleição, gastarão, em média, a imoral cifra de 69% a mais do que em 2006.
E Cabral gastará mais do que o dobro: 158,62%

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Gabeira: escolha a sua versão

 Da ‘Folha’:
“No dia em que foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) virou alvo de críticas de aliados por declarar apoio a José Serra (PSDB) num eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).
Ele disse ao Blog do Noblat que votaria no tucano após apoiar Marina Silva (PV) no primeiro turno. A declaração gerou incômodo entre aliados da senadora. O ex-deputado Luciano Zica classificou a fala como “lamentável”.
“Foi uma declaração infeliz. Causa estranheza, porque Gabeira é um cara experiente. Não temos o direito de escorregar agora”, disse à Folha. “Não perguntamos ao Gabeira quem ele vai apoiar no segundo turno do Rio. E se a disputa for entre Serra e Marina, ele também vota no Serra?”, provocou Zica.
Obrigado a se explicar, Gabeira disse ter respondido a uma pergunta “bem específica”: “Faz parte de um acordo meu com ele [Serra]. Eles [PSDB] me apoiam aqui no Rio, e eu apoio a candidatura da Marina. Caso haja um segundo turno em que ela não esteja presente, eu o apoio”.
O presidente do PV, José Luiz Penna, tentou contemporizar: “Estamos trabalhando para vencer. Temos que ser generosos com quem escorrega nas cascas de banana”.
Segundo Gabeira, Marina e Serra participarão de seu programa de TV. “Vou fazer a campanha da Marina. Eventualmente posso me encontrar com o Serra, dependendo das circunstâncias”, disse.
A chapa ao governo do Rio foi confirmada ontem, em aliança com PSDB, DEM e PPS. O ex-deputado tucano Márcio Fortes, tesoureiro de Serra na eleição de 2002, deve ser o vice.
O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) tentará ao Senado, e a outra vaga deve ser de Marcelo Cerqueira, do PPS. O PV ainda tenta emplacar a vereadora Aspásia Camargo”.

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De Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“Após seis meses de impasse, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) confirmou ontem sua candidatura ao governo do Estado do Rio e oficializou a aliança com PSDB, DEM e PPS. O acordo, sacramentado depois de três horas de reunião, também prevê a participação do parlamentar em atos de campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra.
Até o encontro de ontem, Gabeira e lideranças do PV do Rio mantinham firme a posição de que só fariam campanha para Marina Silva, nome do partido à sucessão do presidente Lula. Os compromissos de Serra no Rio seriam acompanhados apenas pelos candidatos a vice e ao Senado da coligação – indicados pelos demais partidos. O pré-candidato do PV ao governo do Rio confirmou que Serra e Marina participarão da convenção que oficializará seu nome, em junho.
“Pretendemos lançar no dia 23, de manhã. Vamos começar a mobilização. Não será ainda com a presença dos candidatos à Presidência porque nós preferimos que eles venham na convenção”, explicou Gabeira.
Indicado como candidato a vice na chapa de Gabeira, o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB) confirmou que o acordo possibilitará a elaboração de uma agenda de pré-campanha de Serra no Rio. Fortes confirmou a presença de Gabeira nos eventos de Serra no Estado.
“O Gabeira anda com ele”, disse Fortes. “O Serra tem um palanque. A Marina também tem. Mas o Serra tem um palanque bom, uma candidatura vitoriosa, que pode ganhar a eleição e não terá limites. Nossa coligação é adotada por todos universalmente e fará uma bela campanha à Presidência da República. Tanto para o Serra quanto para Marina”, avaliou o tucano.
Pivô da crise que se instaurou entre os partidos, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) teve sua candidatura ao Senado confirmada na reunião de ontem. O PV do Rio resistia em formalizar a aliança tendo ele como representante dos Democratas. Apesar do acordo, os verdes também confirmaram que a vereadora Aspásia Camargo concorrerá ao Senado.
Caso a Justiça Eleitoral se manifeste contrariamente ao lançamento desse tipo de candidatura independente, o partido não criará embaraços para a coligação – de acordo com o presidente da legenda no Rio, Alfredo Sirkis. O outro nome da aliança ao Senado será o advogado Marcelo Cerqueira, do PPS.
“Gabeira já disse que o melhor candidato ao Senado é o Cesar Maia e confirmou que fará campanha para ele”, disse a deputada federal Solange Amaral (DEM), representante do partido e do ex-prefeito na reunião.
Apesar do acordo, Gabeira terá de lidar com resistências veladas. O próprio presidente regional do PSDB, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, saiu da reunião logo no início. Com ar contrariado, confirmou a aliança, mas disse que a prioridade era a eleição de Serra”.
               
                    * * *

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“Em encontro ontem, na sede do PPS no Rio, para formalizar a coligação PV-PPS-DEM-PSDB, os partidos anunciaram que o pré-candidato ao governo fluminense pelo PV, deputado federal Fernando Gabeira, apoiará, no primeiro turno, dois pré-candidatos à Presidência: Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB). Os dois participarão juntos, em junho, da convenção da aliança no estado. Foi anunciada ainda a chapa de Gabeira para o Senado, que terá o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).
- O Serra tem agora um palanque bom, forte, no Rio. A Marina também tem. Nossa coligação está montada. Foi adotada por todos universalmente e vai fazer uma bela campanha para presidente da República. Tanto do Serra, quanto da Marina. O Gabeira não é mais candidato do PV. Ele é candidato da coligação – afirmou Márcio Fortes, um dos coordenadores da campanha de Serra no Rio e provável vice na chapa de Gabeira.
Coordenador da campanha de Marina, o presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, lembrou da atual situação no Acre:
- Existe uma situação similar no Acre. A Marina apoia a candidatura do (senador) Tião Viana (PT) ao governo. É claro que ele tem todo o interesse de recebê-la (Marina), embora a sua candidata não seja ela. Mas Gabeira vota na Marina.
O lançamento da candidatura de Gabeira deverá ocorrer em 23 de maio. O pré-candidato, no entanto, disse que Serra e Marina só estarão juntos na convenção:
- Os dois (Serra e Marina) estão convidados e estarão presentes. Isso foi conversado aqui (na reunião).
Mesmo com resistência, os partidos confirmaram Cesar Maia para concorrer a uma das duas vagas ao Senado. O PV, que lançou a vereadora Aspásia Camargo como pré-candidata ao Senado, dependerá de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a viabilidade da chapa com mais de dois nomes a senador. O ex-prefeito não foi à reunião.
- Qualquer problema no caminho não comprometerá a coligação – disse Gabeira, referindo-se a uma suposta negativa à consulta do PV para lançar Aspásia.
Participaram ainda do encontro o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, o ex-governador Marcello Alencar e a vereadora Lucinha, pelo PSDB, e os deputados federais Solange Amaral e Índio da Costa, pelo DEM. O presidente regional do PSDB, José Camilo Zito, deixou a reunião logo no início”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Conselheiro do TCE foi preso com drogas

Do repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“A eleição de Aloysio Neves Guedes para ocupar a uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio provocou um festival de baixarias e troca de acusações na noite de anteontem na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Jornalista, advogado e funcionário público de carreira, Aloysio foi preso em junho de 1983 acusado de tráfico de drogas. Ele admite que tinha amigos que usavam entorpecentes, mas afirma jamais ter feito uso de tóxicos, alegando ter sido vítima de um flagrante forjado.
Segundo reportagens da época, uma equipe da Delegacia de Entorpecentes da Polícia Civil encontrou 200 gramas de cocaína, sementes de maconha, seringas usadas, entre outros materiais para consumo e preparo de drogas, no apartamento de Guedes, em Ipanema, zona sul do Rio. Ele e três amigos foram presos em flagrante.
Aloysio foi condenado em primeira instância, mas acabou absolvido quando o processo subiu para a 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.
O caso foi apresentado durante os debates em plenário. O deputado José Nader Júnior (PTB), que teve sua candidatura a mesma vaga no TCE impugnada pela Mesa Diretora da Alerj, levou recortes de jornal e questionou na tribuna: “Como é que os deputados votarão em uma pessoa que saiu no jornal O Globo, no dia 26/06/83, que foi presa por tráfico de droga?  Por tráfico de drogas, e eu, com o meu direito cerceado”, questionou o parlamentar.
Nades Júnior é filho do conselheiro aposentado e ex-presidente da Alerj, José Nader. Ele chegou a entrar com pedido de liminar na Justiça, mas o recurso foi negado.
Pai e filho foram dois dos alvos da Operação Pasárgada da Polícia Federal. Concluída em junho de 2008, a investigação descobriu um esquema de tráfico de influência e venda de sentenças nos tribunais de contas do Rio e de Minas.
Nader Filho chegou a ser indiciado pela PF por corrupção passiva e formação de quadrilha, mas o processo está parado no STJ. O deputado ainda é alvo de processo de cassação que está parado há mais de um ano na Mesa da Alerj. Os dois negam as acusações.
Presidente da CPI do TCE, que investiga irregularidades supostamente cometidas pelos conselheiros do órgão, a deputada Cidinha Campos (PDT) também foi à tribuna. Defendeu o novo conselheiro e atacou Nader Júnior com veemência. Cidinha chamou Nader de “ladrão” diversas vezes e deputados tiveram que intervir para interromper o bate boca entre os dois.
Chefe de gabinete da Presidência da Casa nos últimos 16 anos, tendo trabalhado para o atual governador Sérgio Cabral (PMDB) e o deputado Jorge Picciani (PMDB), Aloysio foi escolhido por 54 dos 70 parlamentares e passará a ganhar um salário vitalício de R$ 26 mil.
Venceu deputados e técnicos experientes do TCE-RJ. Emocionado, disse que a Justiça reabilitou sua reputação. “Tive que recomeçar a viver aos 37 anos”, disse o novo conselheiro, que, hoje, tem 63.
Aloysio disse que foi vítima de uma tentativa de extorsão de policiais e que sua prisão precisa ser entendida com o que acontecia no Rio de Janeiro na época”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:26

Arruda ameaça sair da cadeia

Da ‘Folha’:
“O Superior Tribunal de Justiça deve julgar hoje o pedido de liberdade do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido). O ex-democrata está preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, acusado de obstruir as investigações do mensalão do DEM.
Primeiro governador do país detido no exercício do mandato, Arruda já superou a marca do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que, em 2005, ficou 40 dias preso também por atrapalhar a Justiça.
A decisão de julgar o pedido da defesa para a revogação da prisão preventiva foi do ministro do STJ, Fernando Gonçalves, relator do caso, que se aposenta no dia 20, ao completar 70 anos. Gonçalves vai submeter o pedido à Corte Especial -que reúne os 15 ministros mais antigos.
Para o advogado do ex-governador, Nélio Machado, não há mais justificativas para a manutenção da prisão. “A prisão do jeito que está é ilegal porque ele [Arruda] não tem como atrapalhar as investigações. Agora, não é questão de inocência, é questão de que a prisão é desnecessária”, afirmou.
A nova justificativa apresentada por Machado para pedir a liberdade do ex-democrata é que os depoimentos à Polícia Federal de testemunhas e pessoas envolvidas no suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina acabaram na semana passada.
O relatório da Polícia Federal com o resultado dos interrogatórios e a perícia dos vídeos de políticos, assessores e empresários recebendo suposta propina deve ser encaminhado hoje ao STJ e ao Ministério Público. A expectativa é que o delegado Alfredo Junqueira solicite, pela segunda vez, a prorrogação das investigações por mais 30 dias”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:17

Dra. Adriana advoga para a Supervia

Do repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“Ao ordenar a prorrogação do contrato de concessão da empresa que explora os serviços ferroviários do Rio, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) vai beneficiar mais um cliente do escritório de advocacia de sua mulher, Adriana Ancelmo Cabral.
Levantamento feito pelo Estado no Tribunal Regional do Trabalho identificou pelo menos 83 processos em que integrantes do Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados defendem a Supervia Concessionária de Transportes Ferroviários S.A. em litígios trabalhistas.
Previsto para ser oficializado esta semana, o acordo com o governo do Rio ampliará até 2048 o direito de a empresa operar o serviço. A Supervia é citada por repetidos problemas de superlotação, atrasos, sucateamento de maquinário e até agressões a usuários.
Além da Supervia, o governador também determinou a prorrogação do contrato da Metrô Rio até 2038. A medida foi tomada em 2007, primeiro ano de seu mandato. Na época, a empresa contratou os serviços do Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados ? conforme o Estado revelou em janeiro. A Procuradoria-Geral de Justiça já abriu investigação, a pedido de deputados do PT e do PSOL, para apurar o caso.
No Rio, os serviços de metrô e trens foram privatizados na década de 90. Com isso, os clientes do escritório da primeira-dama têm de ser fiscalizados pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes (Agetransp), cujos conselheiros são indicados por Cabral.
Foi a Agetransp que autorizou o governador a prorrogar o contrato da Supervia, na semana passada. A mesma autarquia havia imposto, há duas semanas, multa de R$ 1 milhão à empresa pelo episódio conhecido como “trem da chibata”. Em 15 de abril do ano passado, passageiros que embarcavam na estação de Madureira foram agredidos com socos, pontapés e até chicotadas por seguranças contratados pela concessionária que agora terá seu contrato prorrogado.
A prorrogação autorizada pela Agetransp ocorre 13 anos antes do fim do atual contrato. O governo do Rio divulgou que o acordo prevê o investimento de R$ 2,3 bilhões na modernização do sistema, que ficará a cargo da concessionária, e na compra de novos trens ? nesse caso, bancada pelo Tesouro estadual.
Sem restrição. O escritório da primeira-dama disse que não há nenhuma norma legal que o impeça de atuar em qualquer tipo de causa. O sócio e ex-marido de Adriana, Sérgio Coelho e Silva Pereira, disse que não daria mais declarações. É ele quem atua diretamente na maior parte dos processos localizados.
Procurado, o governador Sérgio Cabral não quis se manifestar. Sua assessoria divulgou nota em que também afirma não haver impedimento legal para a atuação de Adriana. “Mesmo não tendo impedimento para atuar em causas contra o Estado, a primeira-dama não participa de ações dessa natureza”, conclui a nota do Palácio Guanabara.
A Supervia não quis se pronunciar sobre a prorrogação do prazo de concessão. “Esse tipo de assunto não se comenta”, disse o assessor de comunicação da empresa, Thiago Nehrer.

  • Segunda-feira, 17 Maio 2010 / 4:09

Marta trapalhona ataca Gabeira

Dos repórteres Malu Delgado e Alfredo Junqueira, do Estadão:
“Em meio à estratégia do PT de abordar a participação da pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, na luta à ditadura, a ex-prefeita Marta Suplicy introduziu ontem ao debate político a atuação do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) contra os militares e afirmou que “ele sim sequestrou”.
Num discurso a militantes petistas da zona leste de São Paulo, acompanhada do pré-candidato ao governo, Aloizio Mercadante, Marta surpreendeu ao comparar a atuação de Gabeira com a de Dilma ao criticar ataques à petista feitos na internet: “Vocês notaram, Aloizio, que do Gabeira ninguém fala? Esse sim sequestrou. Eu não estou desrespeitando ele, ao contrário, mas ele sequestrou. Ele era o escolhido para matar o embaixador. Ninguém fala porque o Gabeira é candidato ao governo do Rio e se aliou com o PSDB”.
O discurso da petista provocou reação imediata no comando do PT e entre coordenadores da pré-campanha de Dilma. Dirigentes do partido afirmaram na noite de ontem que a opinião de Marta não é avalizada pela legenda e nem se trata de uma estratégia eleitoral. “Não vamos adotar isso como estratégia de campanha. Todas as pessoas que atuaram contra a ditadura merecem nosso respeito. Foi uma declaração muito infeliz da Marta”, afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Marta referiu-se à atuação de Gabeira no MR-8 e à participação dele no sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick em 1969. O ministro Franklin Martins (Comunicação) também fez parte do grupo que sequestrou o embaixador.
No Rio, Gabeira reagiu com indignação: “Ela está equivocada, está inventando coisas, está mentindo”. O deputado rechaçou a informação de que poderia ter se tornado o assassino do embaixador. “Não havia escala para isso (para um assassinato). Lamento que ela use esse tipo de coisa na campanha, até porque tem muita gente dentro do PT que sabe bem dessa história”, disse. O pré-candidato, que fez coligação com PSDB, DEM e PPS, disse, contudo, que não pretende processar a petista: “Vou ignorá-la.”
Marta “explicou” a militantes as razões pelas quais o presidente Lula comparou Dilma a Nelson Mandela em programa partidário dia 13: “O que Lula quis dizer com isso? Que pessoas que vão para uma cadeia por ideologia são pessoas de luta, dignas”.

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