• Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:20

Saúde do Rio é a pior do país

    Do repórter André de Souza, do ‘Globo’:
    “A saúde pública no Rio de Janeiro obteve a pior avaliação entre as maiores cidades do país medidas pelo novo indicador de qualidade criado pelo Ministério da Saúde. Numa escala que vai de 0 a 10, o Rio tirou nota 4,33, no Índice de Desempenho do Sistema Único do Saúde (IDSUS), abaixo da média do país, que ficou com 5,47. No estado do Rio, a situação também é preocupante: recebeu nota 4,58, a terceira pior, à frente apenas de Rondônia e Pará. Outras cidades do Rio aparecem na lista de mais baixo desempenho: São Gonçalo (4,18), Niterói (4,24), Nova Iguaçu (4,41) e Duque de Caxias (4,57).
No extremo oposto, Vitória obteve a maior nota entre as principais cidades. O ministério dividiu os municípios em seis grupos de acordo com o porte da cidade e os serviços que presta via SUS. A capital do Espírito Santo foi a campeã do grupo 1, o mesmo em que o Rio ficou em último lugar. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério da Saúde, que calculou o IDSUS de todas as cidades e estados do país.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o que mais pesou para a avaliação do Rio foi o baixo acesso à atenção básica. Os dados usados para calcular o índice são de 2008 a 2010. Mas, de acordo com Padilha, houve uma melhora em 2011. Ele diz que, se contados os dados do ano passado, o Rio de Janeiro estaria acima da média nacional. O ministro informou que, em 2008, o acesso à atenção básica só chegava a 3% da população carioca, mas que até o fim de 2012 deverá chegar a 50%.
Padilha também acredita que o alto número de usuários de planos de saúde no Rio também contribuiu para o resultado, uma vez que eles não são excluídos da avaliação. Por exemplo: se houver baixo uso do SUS para exames de mamografia, porque parte das mulheres prefere usar o plano privado, o indicador terá uma nota baixa.
- Outra coisa que pesa muito na cidade do Rio é que a proporção de pessoas que têm acesso à saúde suplementar é muito maior que em outras capitais do Brasil. Como o cálculo do IDSUS é pensando no conjunto da população da cidade, porque o SUS pretende ser universal e, na prática, muita gente que tem plano usa bastante o SUS, você tem que pensar o índice a partir do conjunto da população. Então, o sentimento de não acesso no Rio de Janeiro pode ser menor do que o sentimento de não acesso em outras cidades – avaliou Padilha.
De acordo com o diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, não é possível responsabilizar apenas o município pela nota que tirou, uma vez que o SUS é formado pelas várias esferas de governo:
Não estamos fazendo avaliação da gestão estadual ou municipal. É uma avaliação que tem que ser vista e assumida pelas três esferas de governo.
No estado do Rio, a cidade de Piraí, do grupo 3, teve a maior nota: 7,14. A nota mais baixa no estado ficou com Guapimirim: 3,53, a oitava pior do grupo 4 no país”.

  • Sábado, 21 Janeiro 2012 / 10:53

Assassinos!

     De Jorge Bastos Moreno, no Nhenhenhém, do ‘Globo’:
      “Indignado, o ministro Padilha me contou que, além da omissão de socorro, houve crime de “racismo institucional”, no caso da morte do secretário Duvanier Paiva Ferreira, do Ministério do Planejamento.
- Duvanier e sua mulher foram barrados no hospital porque eram negros! – disse-me o ministro.
Investigações, processos e a urgente regulação dos hospitais privados – são as primeiras das providências tomadas pelo governo, sob a orientação direta da presidente Dilma.
Particularmente, nunca pensei que um dia experimentaria este sentimento: o de ter vergonha de, como negro, viver num país em que se deixa morrer gente por discriminação racial.
Aconteceu com um negro que exercia cargo de autoridade.
Fechamento do hospital é pouco!
Cadeia, já!
É o mínimo!”

  • Sábado, 21 Janeiro 2012 / 10:51

Dilma manda apurar morte em hospital

     Do repórter André Jubé Vianna, do ‘Estadão’:
     Após ordem da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acionou ontem a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para investigar a possível omissão de socorro que resultou na morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira. Há suspeita de que ele teve o atendimento recusado em dois hospitais particulares de Brasília, que não eram credenciados por seu plano de saúde, o Geap. Ferreira conseguiu ser atendido só no terceiro hospital, onde teve parada cardíaca e morreu na madrugada da quinta-feira.
Ainda ontem, o corpo de Duvanier foi enterrado em São Paulo. A ANS já realizou diligências nos hospitais envolvidos e também vai apurar se houve racismo institucional, uma vez que o secretário era negro.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) também está investigando o caso, e o Procon do DF deverá abrir processo administrativo na próxima segunda-feira. Vai ser apurado se os hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia exigiram cheque-caução para atender Duvanier. O ato é considerado prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor, mas não é tipificado como crime. Quanto à omissão de socorro, caso se comprove, eles poderão responder por ações cíveis. Já os envolvidos no atendimento poderão responder criminalmente por omissão de socorro qualificada, cuja pena máxima é de 18 meses. A intenção é ouvir na próxima semana todos os funcionários que estavam de plantão nos três hospitais.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:10

Alguma coisa está fora da ordem

  Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“Um dia depois de vencer as prévias do PT no Rio e conquistar o direito de ser indicado pelo partido para disputar o Senado, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá votos nas ruas e em programas eleitorais na televisão para ele e para o senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato à reeleição. Segundo Lindberg, o anúncio foi feito por Lula em encontro reservado logo após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), em Brasília.
Até então, Lula só tinha tentado um espaço na coligação para Crivella, nos bastidores, em conversas com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição. Agora, o impasse ganha ainda mais força.
Lindberg faz parte da chapa do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), outro postulante ao Senado. Na aliança de Cabral, Picciani e o petista seriam os dois indicados.
O Lula vai pedir votos para mim e para o Crivella, inclusive nos programas eleitorais de TV. Vai dizer aos eleitores que, se ele votasse no Rio de Janeiro, votaria em nós dois afirmou Lindberg.
O prefeito ainda acusou Picciani de tentar minar sua indicação para o Senado, atuando em favor da secretária estadual de Assistência Social, Benedita da Silva, derrotada nas prévias. Assim, o presidente da Alerj, teoricamente, aumentaria as chances de conquistar uma cadeira no Senado, caso concorresse com ela. Com a polêmica, Lindberg avalia que, agora, ficará nas mãos do PMDB e de Picciani a decisão de haver uma campanha pacífica ou com atritos.
Podemos ter uma dobradinha ou não para o Senado.
Não tem nada definido. Vai depender do PMDB e dele se isso tudo será pacífico ou com atritos.
Se não houver acordo, cada um segue o seu caminho.
Essa aliança ainda está aberta revelou Lindberg.
Picciani, por meio de sua assessoria, disse que não comentaria as afirmações do petista.
Benedita nega ser précandidata a deputada No encontro, além de Lula, estavam a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência; o chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho; e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Segundo Lindberg, Lula também pediu a ele e ao presidente do diretório regional do PT no Rio, deputado Luiz Sérgio, que tentem convencer Benedita a disputar as eleições de outubro para deputada federal.
Ontem, Benedita lamentou a derrota e disse que não disputará uma vaga para a Câmara.
- O resultado foi horroroso.Mas é a vida. Agora, faremos campanha para o Lindberg.Nunca discuti isso (précandidatura a deputada). Sempre quis o Senado, e o Lula sabia muito bem disso.
A apuração das prévias realizadas domingo foi finalizada ontem à tarde. Ao todo 28.011 filiados votaram no estado.
Lindberg ficou com 18.639 votos (67,4%) e Benedita, com 9.014 (32,6%). Brancos chegaram a 193 e, nulos, 165″.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:50

Ibsen: “Planalto apoiou a emenda”

O deputado Ibsen Pinheiro, autor da emenda que retirou R$ 7 bilhões por ano do Rio de Janeiro, referente aos royaltes do petróleo, disse que o Planalto apoiou indiretamente a sua proposta, senão ela não seria aprovada por quase a unanimidade da Câmara. Mas disse que é ele quem está buscando uma fórmula transitória para resolver o problema, e não qualquer deputado do Rio de Janeiro. Ibsen reclamou do governador Sergio Cabral que apostou no enfrentamento, ao dizer que o Rio estava sendo roubado.
O ex-presidente da Câmara diz que, depois de resolver essa questão, ele virá ao Rio de Janeiro pedir de volta a sua medalha, cassada pela Câmara de Vereadores. Ele concedeu uma entrevista ao repórter Gustavo Paul, de ‘O Globo’:
- Quais as razões que o levaram a apresentar a emenda de redistribuição de royalties, ao lado dos deputados Humberto Souto e Marcelo Castro?
- Há um sentimento muito forte no Congresso Nacional há 20 anos de que o modelo de distribuição de receitas é injusto, centralizador e desequilibrado. A oportunidade é que é rara. No bojo de um projeto do governo com urgência, todos identificaram a oportunidade. Não por acaso essa emenda tem 258 apoiadores. É preciso um tratamento equânime das receitas que são comuns a todos os entes federados.
- Por que o senhor diz que a emenda foi uma reação a um acordo feito por poucas pessoas?
- Lamentavelmente a condução feita na Câmara excluiu a negociação. A matéria ficou restrita a uma Comissão Especial. Todo esforço feito naquela ocasião para uma negociação ampla que levasse aa distribuição equânime e a proteção dos estados beneficiários a partir de um período de transição, foram rejeitadas, inclusive pelo governador do Rio, que apostou no enfrentamento, dizendo numa entrevista que o Rio estava sendo roubado.
- O senhor tentou conversar com o governo federal antes de apresentar o texto?
- Antes da apresentação da emenda, fui a três pessoas importantes. O líder do PMDB, o líder do PT e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, Esqueceram de combinar com os russos. Não houve espaço para uma solução amigável.
- Deputados e senadores terão dificuldade de votar contra sua emenda, em pleno ano eleitoral. Foi uma estratégia política apresentá-la na última hora, em plena votação no plenário?
- Não. A estratégia de colocá-la em votação no plenário teria de ser do governo. Se não tem o interesse do governo, não tem essa votação. A matéria jamais chegaria no plenário, porque ela depende de urgência dos líderes.
- Ou seja, o governo apoia de forma indireta sua emenda?
- Vamos falar mais claro. O governo lutou contra minha emenda, acho eu, jogando para a plateia. Para poder dizer aos governadores: “olha companheiros, perdemos essa luta”. A evidência disso é que em 24 estados a votação foi unãnime em torno da minha emenda. Isso jamais aconteceria se não fosse no bojo de um projeto do governo.
- O senhor que dizer que governo não abriu espaço para essa discussão?
- Acho que o presidente da República queria no início. A primeira declaração dele foi que ele mandaria uma rediscussão dos royalties. Na ocasião recebeu os governadores Sérgio Cabral e Paulo Hartung que cobraram a retirada dessa matéria da mensagem. Foi uma atitude imprudente. A negociação sempre é boa, mas se você é minoria, ela é mais do que boa, ela é indispensável.
- E a ameaça de veto do presidente Lula? Ele disse hoje (ontem) que o senado é que terá de resolver a questão.
- O presidente percebeu o óbvio, o que as vezes não é fácil. Como o presidente pode anunciar o veto de um texto que ele não conhece. Se chegar ao presidente o produto de uma guerra, não sei o que ele fará. Mas se chegar o produto de um amplo entedimento nas duas casas do Congresso eu adivinho que teremos uma sanção festiva.
- Mas, sua emenda causa uma redução muito grande das receitas dos estados produtores, particularmente o Rio. O que senhor previa esse problema?
- Tínhamos clareza disso, tanto que tentamos uma fase de transição. Mas não se pode fazer uma transição que não seja negociada.
- Alguns críticos dizem que sua segunda emenda é uma contradição em relação à emenda original.
- Fiz uma proposta no dia da votação da emenda: vamos aprovar do jeito que está e negociá-la no Senado. Se Senado mantiver o sistema como está hoje, a Câmara pode rever tudo. É preciso que os senadores e seus partidos concebam um texto que preserve a equanimidade, que proteja os estados que hoje tem uma receita significativa, que comuniquem aos líderes da Câmara. O que não vai passar é manter o atual modelo.
- O senhor acredita que sua emenda, da forma em que está, representa um problema, na medida em que desequilibra a economia do Rio de Janeiro?
- Não podemos ignorar que o Rio de Janeiro e o Espírito Santo sofreriam um baque nas suas finanças. E também alguns municípios de São Paulo e cinco do Rio Grande do Sul. Se negociarmos um mecanismo de transição que preserve as finanças desses estados e municípios não há porque desrespeitar a regra da equanimidade: todos são iguais perante a lei.
- O artigo 20 da Constituição diz que é assegurada aos Estados e aos Municípios participação no resultado da exploração de petróleo no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva.
- A propriedade daquele patrimônio é da União. O termo “respectivo” está no singular e se refere a território. Mas não tem lógica atribuir que o mar territorial é carioca, gaúcho. Não é a respectiva plataforma continental.
- Mas o que o senhor diz dos impactos econômicos e sociais?
- Quanto ao impacto econômico e social ele é mais positivo que negativo. Traz empregos, plataformas, helicopteros. Mas, se houver um vazamento na plataforma, nada indica que a mancha de óleo vai correr para a costa que está defronte. É mais provável que ela corra para o sul ou para o norte.
- Mas o senhor não leva em conta os impactos nas cidades?
- Talvez se possa fazer um dispositivo legal sobre dano ambiental, quando ocorrer.
- O Rio já distribui o crédito do petróleo por meio do ICMS que não é cobrado na origem. A questão não estaria assim equilibrada?
- Nisso o Rio tem razão. Houve uma inversão sobre o destino e a origem no petróleo e na energia. O Rio tem direito moral, mas isso não está escrito. Eu não nego razão ao Rio e sou dos que lutam por uma reforma tributária. 
- Como o senhor vê a reação da população do Rio e do governador Sérgio Cabral contra sua emenda?
- Não se pode esquecer o poder que tem o Rio. O poder de comunicação e das empresas de comunicação que tem o Rio. Os veículos do Rio entraram nisso como se fosse uma guerra santa. O GLOBO é carioca. Eu compreendo isso. Os jornais gaúchos são gaúchos. E criou um clima emocional e eleitoral também.
- Se o senhor fosse carioca faria a mesma coisa? Se o Rio Grande do Sul fosse um grande produtor, o senhor apresentaria a emenda?
- Eu tenho aqui alguns municípios que foram prejudicados. O homem público que só faz o que agrada seus eleitores é dispensável. O deputado deve representar o povo de acordo com sua consciência e presta conta de quatro em quatro anos. O deputado não é despachante de seus eleitores.
- O senhor passou a ser considerado “inimigo do Rio”, por sua emenda. Isso o incomoda?
- É claro que eu não gosto. Mas sinto que a vida pública que não tenha contrariedade não é vida pública. O grande poeta, Francisco Otaviano, nome de rua do nosso Rio de Janeiro, diz que quem passou pela vida e não sofreu só passou pela vida e não viveu.
- O senhor é candidato à reeleição?
- Já decidi e comuniquei ao meu partido, disse que não iria mais disputar a deputação. Vou pedir emprego. Sou homem de vida resolvida, porque sou procurador da justiça. Se aparece (trabalho) no jornalismo ou na advocacia, estou no mercado a partir do ano que vem.
- E o senhor vai ao Rio com tranquilidade?
- Quando essa emenda passar compensando o Rio de Janeiro, vou pedir de volta minha medalha. Afinal, alguém teve que cuidar dos interesses do Rio na tramitação no Senado e eu fiz isso”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Dilma, candidata sem prévia

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi entrevistado pela repórter Andrea Pinheiro, do ‘Correio Braziliense’. Eis o seu texto.
“O médico Alexandre Padilha, 38 anos, ministro das Relações Institucionais, é o responsável pela articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a missão de conduzir as relações do Palácio do Planalto com o Congresso, estados e municípios. Nos últimos meses, tem sido visto frequentemente ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Padilha é um dos estrategistas da pré-campanha de Dilma e diz que trabalhará integralmente, ?durante o dia e a noite?, para ajudar a eleger os candidatos da base governista.
Mais jovem ministro do governo Lula, Padilha fala sobre a retomada das atividades do Congresso Nacional e do processo eleitoral. Ele aposta que a ministra Dilma conseguirá mobilizar mais militantes em torno de sua eleição do que o próprio presidente Lula e que, na campanha, a liderança e a capacidade de interlocução da pré-candidata petista com os partidos da base e com a sociedade crescerão. Otimista, defende uma eleição polarizada entre a candidato governista e o adversário do PSDB, ainda indefinido.
- Como o senhor acha que a ministra Dilma vai lidar com o próprio PT?
- Eu tenho certeza de que a ministra lidará com isso com a mesma facilidade do presidente Lula. Ela conseguiu algo que nem o presidente Lula conseguiu no PT: ser candidata sem prévia. Em 2002, o presidente teve que enfrentar a prévia contra o senador (Eduardo) Suplicy para ser candidato a presidente. A ministra conseguiu unificar o conjunto do partido em torno do nome dela. O partido compreendeu que a melhor pessoa para a sucessão seria aquela que estaria no centro do governo. Também acho que conseguiu essa unanimidade porque ela nunca operou pessoalmente para ser candidata. A candidatura dela nunca foi um desejo pessoal e nem de uma tendência do PT. Acabou sendo um projeto coletivo. Além disso, nós vamos enfrentar a campanha, e é quando ficará nítida a capacidade de liderança da nossa candidata. Ao longo da campanha, vai crescer ainda mais a capacidade de interlocução dela com os partidos e com a sociedade.
- O PT sempre foi um partido conhecido por sua capacidade de mobilização do eleitorado, mas tinha um líder carismático liderando o partido e concorrendo às eleições. Embora o PT esteja unido em torno de Dilma, ela não é uma ?petista de carteirinha?. O senhor acredita que haverá a mesma mobilização em torno dela?
- Acredito que será ainda maior. Os militantes de todos os partidos da base do governo do presidente Lula e sobretudo aquela população que viu o ciclo de crescimento ininterrupto no país no governo Lula ? desde os setores mais pobres, os setores que migraram para a classe média, aos empresários ? vão querer defender esse governo e vão querer que esse caminho continue.
- Então, vocês apostam mesmo numa eleição plebiscitária?
- Essa eleição, como diz o presidente Lula, é a eleição ?do quem sou eu, quem és tu?. Iniciamos um novo caminho para o país. Respeitamos quem é contra esse caminho, quem tem um caminho alternativo. Mas nós queremos debater com quem é contra quais os rumos para este país. O Brasil não pode permitir retrocesso nem aventura, e nós queremos fazer esse debate.
- Como o governo tem se preparado para a saída da ministra Dilma do cargo e dos outros ministros que concorrerão a cargos eletivos?
- O presidente Lula tem dado sinais de que pretende manter a máquina andando, quer a continuidade das políticas, e pretende manter a economia acelerada. A tendência é que os ministros que saem sejam substituídos por alguém da própria área.
- Qual é exatamente o seu papel na pré-campanha da ministra Dilma?
- O que faço no governo é manter a base unida. Acho que posso contribuir para a coordenação da campanha no sentido de fazer esse diálogo com os parlamentares. Temos o coordenador da campanha, que é o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros membros. O Dutra vai conversar com os demais partidos para compor uma coordenação mais formal de campanha. E o meu papel é ajudar o presidente Lula a terminar o governo, e a ministra Dilma naquilo que ela nos demandar nessa pré-campanha.
- O senhor tem sido visto muito ao lado dela ultimamente?
- Isso é por conta da relação com os governos estaduais e municipais. Eu dirigi a Secretaria de Assuntos Federativos e isso fez com que tivesse papel permanente com os governos estaduais e municipais. E, como há as viagens com os governadores envolvidos e as obras do PAC, isso faz com que a gente seja convidado. - Muito se fala sobre a guinada mais à esquerda do PT a partir do congresso do partido. Como o senhor avalia essa questão?
- O congresso do partido mostrou que a grande maioria do PT compreende que a mudança já começou no governo do presidente Lula, que a inflexão na política econômica nós já fizemos no nosso governo, quando colocamos como objetivos centrais a manutenção do crescimento, a redução do desemprego, da pobreza e da vulnerabilidade externa. Fizemos isso mantendo os instrumentos da política macroeconômica, metas de inflação, superávit primário e câmbio variável, fazendo com que essas metas fossem submetidas a esses ajustes fiscais. E o PT tem a percepção de que o governo da futura presidenta Dilma tem que dar continuidade a esse mesmo caminho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:26

PT do Rio garante dois palanques

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
O novo presidente do Diretório Estadual do PT no Rio, deputado federal Luiz Sérgio, admitiu ontem, antes da cerimônia de sua posse, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que a pré-candidata do partido à Presidência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terá dois palanques no estado nas eleições de
outubro: o do governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputará à reeleição, e o do ex-governador Anthony Garotinho, que disputará pelo PR.
? Nossa prioridade, claro, é Cabral por causa da aliança nacional. Mas seria arrogância recusar apoio de qualquer candidato ? disse ele.
O palanque duplo no Rio vem causando polêmica. No carnaval, Cabral chegou a cobrar fidelidade de Dilma, o que irritou dirigentes petistas. O próprio presidente Lula afirmou que não participará de campanha
estaduais onde houver palanque duplo.
Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, esteve com Cabral. O governador teria dito que Dilma perderia votos no estado para o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência, se ela subir no palanque de  Garotinho.
? Não descartamos nenhum apoio, mas quem decide são os diretórios regionais ? disse Padilha.
A posse de Luiz Sérgio foi palco ainda para a disputa interna pela indicação do PT ao Senado entre o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e a secretária estadual de Assistência Social, Benedita da Silva. No evento, os dois trocaram elogios nos discursos e se abraçaram.
? Neste fim de semana vamos decidir as regras do jogo.
O partido escolherá o nome por prévias, com a votação de 30 mil filiados, ou entre os 400 delegados ? revelou Luiz Sérgio.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

DF: intervenção inevitável

Do repórter Daniel Pereira, do ‘Correio Braziliense’:
   “Momentos antes de receber o governador em exercício Paulo Octávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na última quinta-feira, com cinco ministros e um conselheiro para discutir a crise no Distrito Federal. Estavam à mesa Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Luís Adams (AGU), além de Sepúlveda Pertence, comandante da Comissão de Ética Pública e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de conversa, o grupo chegou à conclusão de que Octávio avisaria Lula da renúncia ao cargo, o que não ocorreu. Ainda.
Além disso, concluiu que a saída para a crise no DF é a intervenção federal. No encontro, nem Lula nem os ministros se disseram a favor da medida. Pelo contrário, comentaram como a intervenção seria traumática para Brasília e desgastante políticamente para o Palácio do Planalto. Feita a ressalva, concordaram que não há alternativa viável na praça. Para o presidente e os ministros, Brasília foi tomada por ?um esquema pesado de corrupção? e tem ?uma linha sucessória contaminada política e administrativamente?, segundo o relato de um dos participantes da reunião. Por isso, só restaria ao STF acatar o pedido de intervenção apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Antes de desenhar um cenário de falência do Executivo e do Legislativo locais, Lula e auxiliares se debruçaram sobre dados do GDF. Um dos presentes afirmou que o governo do Distrito Federal emprega 3 mil comissionados que não prestaram concurso público. Proporcionalmente, seria como se a União pagasse salários a quase 200 mil comissionados, em vez dos cerca de 20 mil atuais. Repetindo: 20 mil atuais ? ou 10 vezes menos.
?Havia um grande escoadouro de recursos públicos?, disse, assombrado, um ministro ao Correio. O espanto poderia ser maior, já que, na verdade, são 7,8 mil os comissionados pendurados no GDF que não prestaram concurso público. ?A gente ouvia falar da existência de um grande esquema, mas não tinha a dimensão do tamanho dele?, acrescentou o ministro.
Políticos e empresários de Brasília são contrários à intervenção federal. Como o presidente da República, alegam que a suspensão da autonomia do DF representaria um retrocesso. O problema é que não agem a fim de desmontar o quadro de falência institucional desenhado por Lula e por Roberto Gurgel. Pegue-se a bancada de senadores do Distrito Federal. Cristovam Buarque (PDT), que é ex-governador, não abre mão da candidatura à reeleição, um caminho mais fácil e cômodo. Não quer saber de bola dividida. Sempre presente nas discussões de escândalos nacionais, submergiu justamente quando o debate interessa ao eleitorado que lhe garantiu o direito de exercer mandatos.
Já Gim Argello (PTB) trabalha em silêncio. Ou parado. Sumiu do mapa. Finge de morto na esperança de que esqueçam seu passado, e os serviços prestados a Joaquim Roriz (PSC), dando-lhe a oportunidade de, em outubro, vender-se como a solução para o governo. De Adelmir Santana (DEM) não se ouve uma palavra. O escândalo do panetone, ao que parece, assola Roraima. Ou Rondônia. Entre os deputados federais, a situação é a mesma. Prevalecem projetos pessoais. Não há tentativa de construção de uma solução institucional que salve Brasília. É a boa e velha lei de Murici: no aperto, cada um cuida de si.
Mantida a toada, só dois ?agentes? têm condições, em teoria, de convencer o Supremo a rechaçar a intervenção. Um deles é o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Nívio Geraldo Gonçalves. Ele, no entanto, já disse que não assumirá o comando do Executivo se o governador, o vice e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, forem rifados do posto. Com José Roberto Arruda preso, Paulo Octávio à beira da renúncia e a omissão de senadores e deputados federais, o destino político da capital está hoje nas mãos dos distritais. Cabe à turma dos maços de dinheiro em meias, bolsas e paletós guiar os brasilienses rumo à redenção.
É por essas e outras que não será surpresa se ? num futuro próximo ? as vozes contrárias à intervenção façam romaria em defesa da medida. E com ?o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão?, como na clássica saga da Geni de Chico Buarque”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:13

Garotinho tem o apoio do PT

Do repórter Cassio Bruno, de ‘O Globo’:
“O pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PR) reagiu ontem às declarações do presidente Lula. O ex-governador lembrou que lideranças do próprio PT já sinalizaram ser a favor da participação de Dilma Rousseff em seu palanque, apesar dos petistas apoiarem o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição.
? Três lideranças do PT declararam apoio: o (deputado Cândido) Vaccarezza, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o José Dirceu. A declaração do Lula pode estar relacionada a outros estados, como a Bahia, e não ao Rio ? afirmou ele.
Durante o carnaval, Cabral cobrou fidelidade de Dilma: ? Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque de situação e para um de oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
O presidente do diretório estadual do PT no Rio, Luiz Sérgio, defendeu Garotinho afirmando que o partido não pode ter ?postura arrogante?: ? Se a nossa aliança no Rio é com o PMDB, o palanque deve ser mesmo do Cabral. Mas nós não podemos ter uma postura arrogante e rejeitar outro apoio. Se o Garotinho for candidato, evidentemente que ele será muito bem-vindo.
É preciso ter coerência política, diz Picciani O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), porém, lembrou que Lula já está dando o tom da campanha: ? Fechamos aliança com quase todos os partidos que foram oposição a Sergio Cabral em 2006. Agora, é partir para as eleições. O presidente está dando o tom. E nós temos que fazer o que ele pedir.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), pré-candidato ao Senado na chapa de Cabral, por sua vez, disse que Dilma seria incoerente ao subir em dois palanques: ? Ela não somaria votos.
Sendo Garotinho opositor de Cabral, como ela explicará para o eleitor? Vai ficar, ao mesmo tempo, num palanque da situação e da oposição? É preciso ter coerência política.
Segundo Picciani, o palanque duplo só fortaleceria as campanhas do deputado federal Fernando Gabeira (PV) e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidatos ao governo do Rio e à Presidência, respectivamente: ? Essa postura da Dilma só faria crescer a campanha do Gabeira e do Serra”.
O melhor da reportagem é o deputado Jorge Picciani cobrando coerência da ministra Dilma Rousseff.
Era só o que faltava.
Quanta ousadia!!!

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

Planalto está irritado com Cabral

De Fernanda Krakovics, no Panorama Político do ‘Globo’: 
“O governo federal não deve trabalhar para implodir a candidatura de Anthony Garotinho (PR), como quer o governador Sérgio Cabral (PMDB).
?Candidato a presidente não recusa apoio. O ideal sempre é ter um candidato único da base aliada, mas, em alguns estados, isso não é possível, devido à realidade local?, diz o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) sobre o Rio.
O Palácio do Planalto ficou irritado com as cobranças públicas feitas por Cabral. Integrantes do governo afirmam que o governador não está em condição de fazer exigências.
Dizem que, sem a ajuda do governo federal, ele não teria conseguido levar as Olimpíadas para o Rio e que ainda está sendo beneficiado com investimentos, sobretudo em obras do PAC. Só na urbanização do Complexo do Alemão são R$ 800 milhões. E o apoio do PT já é um indicativo de que esse é o palanque preferencial. Cabral disse a Dilma, no domingo, em conversa reservada, que era muito ruim ter dois palanques. A ministra não respondeu”.

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