• Domingo, 04 Agosto 2013 / 11:03

Cabral e o mês de agosto

Agosto tem sido um mês trágico para os políticos brasileiros.
Para ficar em apenas três exemplos, Getulio Vargas suicidou-se, Janio Quadros renunciou e Costa e Silva teve um derrame.
Pelo andar da carruagem Sergio Cabral também não deve ultrapassar este mês.
Insistir em manter-se no Governo não é bom para ele, nem para o Rio, nem para seu partido.
Nada leva a crer que, com sua saída, o vice Pezão tenha condições de levar o governo até o final do mandato, e concorrer a reeleição.
Mas isso é outra história, assim como é outra história o que acontecerá com Cabral após deixar o governo.

  • Domingo, 04 Agosto 2013 / 10:37

Cabral deveria seguir o Papa

Sergio Cabral, agora tão religioso e encantado com a pregação de Francisco, deveria seguir o exemplo da Igreja, mais precisamente do Papa Bento XVI que, ao notar que não tinha mais condições de conduzir o Vaticano, decidiu renunciar.

  • Domingo, 04 Agosto 2013 / 10:21

A renúncia de Cabral

Tereza Cruvinel*

A ira das ruas já fez muitas vítimas na política, mas o primeiro a ser literalmente nocauteado é o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Embora negando, ou tratando o assunto como hipótese, ele está decidido a renunciar para favorecer a candidatura do vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), a governador, alegando a necessidade de se afastar para viabilizar legalmente a candidatura, a deputado federal, de seu filho Marco Antônio. Aquele que o pai, protestando contra a pré-candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) e ameaçando romper a aliança com o PT, lembrou ter “Neves” no sobrenome.
De lá para cá, tudo mudou para Cabral, que, segundo fontes do PMDB nacional, ainda tem dúvidas sobre o momento certo para deixar o cargo. Se, no início de janeiro de 2014, o que daria mais tempo de governo para o vice, ou se em abril, quando termina o prazo legal para a desincompatiblização de governantes que serão candidatos ou tenham parentes de primeiro grau com essa pretensão.
No ano passado, Cabral chegou a cogitar a renúncia para que Pezão pudesse disputar a eleição para governador no cargo. Nesse caso, sendo eleito, ele não teria direito à reeleição, tal como acontece hoje, pela mesma razão, com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), que concluiu o segundo mandato de Aécio Neves (PSDB). Depois, desistiu e anunciou que ficaria no cargo até o fim do mandato, trabalhando pela eleição do sucessor.
Com a eclosão dos protestos, entretanto, o mundo de Cabral caiu. As grandes manifestações de junho no Rio, duramente reprimidas, hoje estão praticamente restritas à ação violenta dos vândalos e de grupos radicais, aparentemente infiltrados por mercenários do narcotráfico e de outras organizações criminosas, talvez partidárias, especulam o governador e seus aliados. O prédio em que ele mora, no Leblon, continua sendo um ponto permanente de protestos e de confrontos com a polícia, para irritação dos moradores da rua. Cabral recusou todos os apelos de correligionários e auxiliares para que fosse morar na residência oficial do Palácio das Laranjeiras. No fim de julho, as pesquisas mostraram que ele se tornara o mais impopular, numa lista de governadores vitimados pelo mau humor da população. Em São Paulo, durante a visita do papa, foi alvo de protesto em que uma faixa dizia: “Vaza, Cabral”. O sumiço do pedreiro Amarildo, depois de ter comparecido em 14 de julho ao posto policial da UPP da Rocinha, engrossou os últimos protestos com a participação de moradores da favela. O assunto esquentou na sexta-feira, com as suspeitas levantadas pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de responsabilidade da PM no desaparecimento.
Nos últimos dias, Cabral ensaiou um discurso conciliador, fazendo autocrítica e declarando o desejo de dialogar. Na sexta-feira, anunciou o recuo na demolição do ginásio esportivo Célio de Barros, ao lado do Maracanã, dizendo que a própria concessão, muito criticada pelos cariocas, estava “em suspenso”. Os acenos caíram no vazio, e a sexta-feira terminou com outro ato paulista, contra ele e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), alvejado pelas revelações da empresa Siemens, sobre a participação em um cartel que teria atuado em licitações dos governos estaduais tucanos. Por isso, é possível que agora ele também comece a ser malhado continuamente nos protestos. Os políticos vêm prevendo que as ruas não sossegarão antes da eleição.
A renúncia, que só uma virada favorável na situação de Cabral impediria, tornou-se para ele a melhor saída. Ainda que não tenha condições de disputar o Senado, como cogitado, dará a Pezão uma chance de se provar como gestor para ganhar competitividade, e abrirá caminho para o filho entrar na política. Ainda que Cabral quisesse, nenhum outro governante deseja que ele confirme esse plano agora. Se as ruas gostam e diversificam as apostas, ninguém sabe qual será a próxima pedra a cair no dominó.
*Tereza Cruvinel é jornalista e escreve no ‘Correio Braziliense”.

  • Domingo, 04 Agosto 2013 / 10:16

Cadê o Amarildo?

Do jornalista Elio Gaspari, no Globo:
“No dia 14 de julho o pedreiro Amarildo de Souza, pai de seis filhos, foi levado para a Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha e desapareceu.
Segundo a polícia, ele foi liberado e não se sabe para onde foi.
Cadê o vídeo que registrou sua saída da UPP? A câmera estava quebrada.
Cadê os GPS dos carros da UPP, capazes de mostrar por onde andaram? Estavam desligados.
Cadê a inteligência da população? Precisa ser pacificada.
Para isso, o secretário de segurança Beltrame poderia responder a uma pergunta: Quantas vezes pifaram simultaneamente os controles das câmeras e os aparelhos de GPS em outros estabelecimentos policiais sob sua jurisdição?”

  • Sábado, 03 Agosto 2013 / 17:16

Luiz Paulo Horta e a simplicidade do Papa

Jorge Antonio Barros*

“A verdade é que, no fundo, no fundo, a Igreja que Cristo fundou tem dois compromissos fundamentais, que andam juntos como as duas pernas de um bípede. Um deles é estar ao lado dos humildes. Foi assim que começou o cristianismo: dando ânimo e esperança às massas que, no Império Romano, pouco podiam almejar fora da condição de escravos. O outro é fazer a ponte entre o céu e a terra. Esta talvez seja, no fundo, a primeira missão de cada igreja, cristã ou não cristã.”
O texto é de Luiz Paulo Horta, acadêmico, jornalista e, o mais importante, eterno amigo da Turma da Coluna de Ancelmo Gois, que neste sábado partiu dessa para outra muito melhor. Convivíamos com Luiz Paulo diariamente, sobretudo antes das mudanças físicas na redação do GLOBO. O pessoal da coluna ficava num módulo colado ao dos editorialistas do jornal, onde Luiz Paulo batia ponto todo dia.
Peço licença ao chefe Ancelmo, que conheceu Luiz Paulo bem antes de mim, para deixar aqui no nosso blog meu testemunho pessoal do caráter e da inteligência que marcaram a trajetória deste grande jornalista, um exemplo para várias gerações. Além desses dois atributos considerados básicos para o exercício da profissão do jornalismo, Luiz Paulo cultivava outro cada vez mais desprezado pelos homens da alta cultura deste país — a espiritualidade.
A espiritualidade de Luiz Paulo, um especialista em assuntos religiosos que sempre afirmou sua fé cristã e católica, era facilmente percebida no dia-a-dia do jornalista. Apesar de ser dono de uma cultura erudita, era na simplicidade que estava a grande virtude de Luiz Paulo. O olhar tranquilo que expressava num simples cumprimento aos colegas de redação. O jeito manso próprio dos verdadeiros sábios. E o maior legado de Luiz paulo para mim foi, sem dúvida, a fé no cristianismo. A fé de Luiz Paulo era um grande estímulo para aqueles que pretendem exercer a profissão do jornalismo sem abrir mão de princípios e valores cristãos.
Luiz Paulo era condutor de uma simplicidade bem parecida com a do Papa Francisco. Tanto assim que me intrigava como um grande jornalista como ele, membro da Academia Brasileira de Letras, ia diariamente para a redação do jornal. Trabalhava todo dia, como qualquer mortal, sendo que já havia atingido um status profissional que não requeria mais tanta labuta. Luiz Paulo transmitia a todos os que conviviam com ele uma grande paixão pelo ofício do jornalismo, através do qual cumpria religiosamente seu sacerdócio.
Lamento apenas não ter conseguido aceitar o convite que Luiz Paulo vez por outra me fazia, de tomar um chá na Academia Brasileira de Letras. O encontro ocorre sempre na hora em que as coisas começam a ferver na redação. Que ele descanse em paz.
*Jorge Antonio Barros é repórter de ‘O Globo’.

  • Sábado, 03 Agosto 2013 / 17:10

Camarotti, de Helder a Francisco

Vitor Hugo Soares*

Ligo a televisão na tarde do dia seguinte à entrevista, cara a cara, do papa Francisco ao repórter Gerson Camarotti, de repercussão planetária. Registre-se, por justiça e mérito, que a façanha apresentada domingo no Fantástico é, desde já, digna das menções e prêmios mais relevantes do jornalismo brasileiro em 2013, a começar pelo Esso.
A cena inicial que vejo na telinha do canal privado Globo News é comovente: modestamente sentado no sofá do Estúdio I, programa diário comandado por Maria Beltrão (que não perco por nada), o autor do feito destinado a marcar época na imprensa do País, fala sobre os bastidores da entrevista com simplicidade e despojamento de vaidades mais que franciscanos. Incomum no meio, nestes dias de soberba e arrogância.
Sintonizo o canal no momento exato em que o jornalista fala de suas dificuldades para conseguir a conversa com Francisco. A começar pelos obstáculos criados dentro do próprio Vaticano, que desaconselhava exclusividade a um profissional brasileiro, mesmo sendo ele um jornalista da maior credibilidade e larga experiência junto as melhores fontes do clero católico no Brasil e fora do País.
Escuto o repórter dizer que ficou surpreendido diante da constatação de que o papa já havia lido trechos de seu livro. “Fiquei muito surpreso, porque eu cheguei com o livro com uma dedicatória muito carinhosa para ele. Eu o comparava a um arcebispo da minha cidade, Dom Hélder Câmara, já falecido, e aí ele falou: “nossa, mas eu já li vários trechos do livro’.
O repórter conta mais: Aí eu perguntei assim: ‘mas está bom, é isso mesmo?’, e ele falou assim: ‘Como é que você sabe tanta coisa?’, então não deixou de ser um cartão de visitas para o Santo Padre”, conclui Camarotti em relato depois reproduzido em O Globo.
Devo registrar, no entanto, que foi a comparação que o repórter fez de Francisco com Dom Helder Câmara o que (por experiência própria e profissional) mais impactou o jornalista que assina estas linhas de opinião.
São perfeitas e exatas (como se requer de um bom repórter) as palavras comparativas de Camarotti. Principalmente quando alguém que viveu (pessoal ou profissionalmente) os dois momentos separados por décadas, revê discurso e ação do destemido papa argentino destes tempos temerários, com as do corajoso e revolucionário religioso brasileiro em épocas tenebrosas.
Assim, a memória me transporta para uma manhã ensolarada nos anos 70. De férias no jornal onde trabalhava então, em Salvador, estava hospedado na casa de um casal de queridos amigos numa praia de Olinda. Saímos os três, no “fusquinha” do casal, para dar um passeio em Recife, com parada obrigatória no barzinho da “Livro Sete”, então a maior, melhor e mais interessante livraria do Nordeste.
Na passagem diante de uma as igrejas de Olinda, a cena surpreendente e inusitada para mim, mas bastante comum para os dois amigos pernambucanos:
De batina ( ele não abria mão da vestimenta tradicional), próximo a um poste da rede elétrica, vejo o “Dom”, como todos os chamavam em sua diocese. No jeito de quem espera alguém conhecido ou uma carona.
“Sozinho e Deus”, penso com as palavras da minha mãe, ainda sem acreditar: estava ali bem na minha frente o religioso brasileiro mais perseguido pela ditadura, sempre vigiado e cercado por temidos inimigos de então.
“Vamos dar uma carona ao Dom”, disse o amigo ao volante do fusca, acostumado a conduzir o bispo pela diocese outras vezes. Ao ver o conhecido, o religioso se aproxima da janela da frente do fusca .”Obrigado, meu filho, mas desta vez vou dispensar a sua carona.Estou aguardando outro conhecido que vai me levar, de carro, a uma reunião distante daqui do centro de Olinda.
Meu amigo insiste: “Mas Dom, a praça aqui está bem deserta, quase ninguém por perto, o senhor não teme por sua segurança?”. E a resposta serena sem tirar o sorriso do rosto: “Medo de que, de quem. Meus diocesanos, como você agora, me alertam, me protegem , me ajudam a todo momento. Que segurança maior posso querer?”
E a despedida mais surpreendente ainda: “Vá tranqüilo para o Recife, ninguém vai me matar ou fazer mal. Os inimigos da minha ação pastoral, da minha pregação, do meu jeito de ser padre, teriam mais problemas, ainda, se algo mais violento assim me acontecesse. Obrigado, mais uma vez pela generosa oferta da carona. Vou rezar por vocês”.
Quem mais parecido com o papa Francisco? Obrigado Gerson Camarotti, pelo feito histórico no jornalismo e pela maravilhosa lembrança do Dom.
*Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta.

  • Sábado, 03 Agosto 2013 / 13:12

Tchau Cabral

Diz Ilimar Franco, no ‘Panorama Político’:
“O PT do Rio planeja desembarcar do governo Sérgio Cabral (PMDB). Sua Executiva estadual, bancadas e secretários se reúnem para tratar da saída na segunda-feira. A proposta já tem maioria.Para oficializar a decisão, o Diretório Regional ainda será convocado.
Os secretários petistas vão deixar seus cargos até outubro. A candidatura do senador Lindbergh Farias será reafirmada”.
Por que só em outubro? Por que não na terça-feira, logo após a reunião?
É por atitudes como essas que o Rio é a única capital do país onde o PT nunca vingou.
Aqui, lamentavelmente, ele é o eterno Partido da Boquinha.

  • Quinta-feira, 01 Agosto 2013 / 16:50

Mentira tem perna curta

Há 48 horas postei seguinte:
“Enfim uma boa notícia, se for verdade … é claro.
Diz Cabral: “Estou no sétimo ano de governo, não sou candidato a cargo eletivo”.
Se ele cumprir o mandato até o final, seu filho não poderá ser candidato a deputado, como estava nos seus planos.
E melhor: sem mandato, Cabral perde a imunidade”.
Era mentira.
O presidente do PMDB, Jorge Picciani, em entrevista ao ‘Dia’ anunciou que Cabral deixará o governo em abril, e Marco Antonio, seu filho, será candidato a deputado federal.
Desde meados do ano passado digo que Cabral será candidato a deputado estadual.
Quem viver… verá.

  • Quinta-feira, 01 Agosto 2013 / 15:52

Amarildo não está sozinho

O sangue encontrado no banco de trás de um carro da UPP da Rocinha não é de Amarildo.
O corpo encontrado na segunda-feira, num valão da Rocinha, também não é do pedreiro.
Amarildo continua desaparecido e, agora, sabe-se que a violência na Rocinha, a comunidade pacificada, continua como antes.
Não é só Amarildo que está desaparecido.
De quem é o corpo de mulher que encontraram? De quem é o sangue no carro da PM? O que a PM pacificou? Na Rocinha a guerra continua.
E a PM está envolvida em pelo menos dois casos: no sangue encontrado no carro e no sumiço de Amarildo.
A UPP é uma mentira.

  • Quarta-feira, 31 Julho 2013 / 16:53

É o fundo do poço, é o fim do caminho…

No Globo Online, Sergio Cabral está sendo defendido pelo ex-governador Moreira Franco.

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