Peregrino e os vândalos de Cabral

    Diz o professor Fernando Peregrino em seu blog que “Ricardo Gama, Dacio Malta, Ricardo Boechat e Anthony Garotinho, independentemente das diferenças” entre eles, existem algumas coincidencias, como a de serem “críticos ferozes de governantes e autoridades, e recentemente tem sido um grande incômodo para Cabral no cenário de uma mídia comprada e silenciada”.
“Por coincidência, nos últimos 2 meses – continua o professor – o público esteve ameaçado (ou está) de ficar sem a opinião corajosa e direta de todos eles. No caso de Dácio Malta e Ricardo Boechat, pelo estranho desaparecimento dos dois.  No caso de Ricardo e Garotinho, pelo atentado que sofreram.
O que está acontecendo com aqueles que “tem voz independente” no Rio de Janeiro de Cabral?” – indaga Peregrino no final.
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De minha parte eu continuo vivo. E continuo crítico não só de Cabral, mas de boa parte dos que os cercam e de outra imensa parte que prefere mantê-lo a distância.
O que ocorre comigo é que estou envolvido com um documentário que fiz para comemorar o centenário de nascimento de Noel Rosa.
O que seria um programa de TV, acabou virando um filme e, modestamente, muito bem sucedido.
Como filme, já que ele foi feito em capítulos para a TV Brasil, ele estreiou na telona em maio, no Festival de Cinema Brasileiro em Paris.
No Brasil, foi exibido no CineDocumenta, em Ipatinga; e no Festival de Cinema de  Maringá, onde ganhei o honroso prêmio de melhor diretor entre 293 concorrentes.
No dia 29 de junho, será apresentado no Festival de AudioVisual do Mercosul, em Florianópolis,  em setembro no CineMúsica de Conservatória, e em outubro no Festival do Japão, a começar por Tóquio.
Essa é a explicação do meu sumiço. Quem quiser saber mais sobre ele acesse o www.noelrosa-poetadavila.com.br.
Acho que em julho estarei mais tranquilo para voltar ao blog.
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Mas para mostrar que estou vivo…
Só mesmo aqui no Rio de Janeiro, bombeiros são chamados de vândalos.
Em qualquer parte do mundo, eles são heróis. Se só existisse o trabalho realizado no morro do Bumba, em Niterói – esse seria mais do que suficiente para classificá-los como heróis.
E mais: talvez eles sejam a classe mais unida, não aqui no Rio ou no Brasil, mas em todo o mundo.
Quem assistiu o filme de Michael Moore sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos, sabe do que estou falando, quando no final existe o abraço emocionado dos bombeiros cubanos e norte-americanos, que
participaram da operação no World Trade Center.
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Sergio Côrtes, secretário de Saúde, ganhou o comando do Corpo de Bombeiros, no início do governo Cabral, por puro capricho.
No iníco de sua carreira, ele foi médico da corporação, e queria comandar seus ex-comandantes, e mais: por pura vaidade, sonhava em desfilar pela cidade com um um ajudante de ordens e suas dragonas.
Escândalos na sua Pasta surgiram desde o início da gestão.
E muitos, ainda, um dia serão revelados.
Como por exemplo a utilização de helicópteros da corporação, para transportar, no domingo de Carnaval do primeiro ano de governo, as fantasias de seus amigos e familiares que estavam em Mangaratiba, passando o final de semana e desfilariam a noite na Sapucaí.
Isso não é roubalheira, e lá existe aos borbotões. Isso é apenas abuso de poder.
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Quanto ao nosso governador fanfarrão, nada tenho de pessoal contra ele.
Minha questão com ele é apenas política e administrativa.
Mas não estou calado por motivos outros a não ser àqueles que expliquei no início da nota.
Vou sumir de novo.
Mas prometo voltar.
Aguardem…