Brasília, 1976. Gonzaguinha em um dos primeiros shows de sua curta e brilhante trajetória. Filho do célebre sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga, morreria em um acidente automobilístico 15 anos mais tarde em uma rodovia do Paraná.Na sexta-feira passada, dia 29, a morte do genial Gonzaguinha completou 20 anos.

Como foi – Carlos Marchi, colega de redação d’O Globo, pediu-me para dar uma força a um amigo carioca que estava lançando seu primeiro disco. Pensei tratar-se de um daqueles casos contumazes de gente que faz portfólio à custa das amizades. Qual nada! Era o “moleque” Gonzaguinha dando início uma bela carreira musical. Às nove da noite estava eu fotografando a apresentação daquele magrinho de barba rala, autor de canções com letras de extrema qualidade. Embora jovem, o filho de Gonzagão já figurava na lista daqueles que a censura não tirava os olhos. Para não desmerecer a fama de contestador do regime militar, no intervalo de duas melodias tirou do bolso um pequeno discurso e abriu o verbo contra as ditaduras latino-americanas. No fim do show, três agentes do DOPS cercaram-me e exigiram meus filmes. Não era a primeira vez que isto me acontecia. Não ofereci resistência, tirei da câmara o rolo e o entreguei. Claro que era um filme “frio”. O principal eu já havia escondido embaixo de uma das cadeiras do ginásio. Horas depois voltei para resgatá-lo. Estava no mesmo lugar. Ainda bem. Umas das fotografias que ele continha é essa aí que somente agora estou a publicar, trinta e cincos anos depois.