Balanço de Obama

     Passadas 48 horas da visita de Obama ao Brasil, pode-se dizer que sua passagem por aqui beirou ao fracasso.
1. Do ponto de vista político, o país não recebeu o apoio que esperava para ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. A declaração de Obama foi tímida, ao contrário do que ele fez  na India, em novembro do ano passado.
2. Do ponto de vista econômico, tudo continua como dantes. As barreiras economicas que tanto reclamou a Presidenta Dilma continuarão: ao etanol, ao suco de laranja, as exigencias sanitárias à importação de carne, etc. etc. etc.
3. Do ponto de vista ideológico foi um desastre. Não bastasse o fato de que a ordem para a invasão da Libia fosse dada em solo brasileiro, a questão cubana não foi citada. Por que não se fez  referencia ao deplorável embargo econômico contra a Ilha?
4. Do ponto de vista popular, principalmente da classe média - que Obama reconhece ser hoje a maioria do povo brasileiro - nada se falou sobre o fim da necessidade de vistos para viagens aos Estados Unidos.
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No Rio, a vítima foi o próprio Presidente norte-americano, atarefado que estava com a invasão da Líbia.
1.  Ele não deu o tão sonhado mergulho na praia de Copacabana;
2.  O mau tempo não permitiu a visita ao Cristo durante o dia, quando a vista da cidade é deslumbrante;
3.  Obama não jantou fora do hotel, pratica constante em outras cidades que visita.
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De positivo teve o cancelamento do discurso na Cinelândia. Ele seria um equívoco. Primeiro pelo inusitado do ato, de fazer um comício em praça pública; segundo pelo público que iria assisti-lo: um bando de cabos eleitorais do interior do Estado, que viriam ao Rio em troca do passeio de ônibus, de uma diária e de um lanche.
A assessoria fez bem em transferir a fala presidencial para o interior do Theatro Municipal, onde dois mil convidados se engravataram, em pleno domingo, para ouvir 14 minutos de discurso.
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O melhor da visita a essas paragens foi o que estava programado e não ocorreu: a visita a uma UPP.
Não fazia sentido ocupar, por menor tempo que fosse, o homem mais poderoso do mundo em cumprimentos e fotos ao lado de soldados da PM na Cidade do Deus, onde o tráfico de drogas continua a todo vapor.
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Obama é um sedutor.
A Paulo Skaf  ele disse que deveria ter ido a São Paulo.
Ao governador Jacques Wagner, Obama garantiu que da próxima vez irá a Bahia.
No Municipal referiu-se a Dilma Roussef como a “maravilhosa Presidenta”.
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De importante na viagem, ficará a declaração que Brasil e Estados Unidos devem ser “parceiros iguais”.
E tudo isso de olho nos quase 100 bilhões de dólares que movimentarão a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas do Rio, em 2016.