Paulo Melo, o ex-morador de rua

      Deu na ‘Folha’:
“Problemas na Justiça não foram empecilho para que pelo menos cinco presidentes de Assembleias Legislativas pelo país fossem escolhidos por seus pares para comandar as Casas.
Os novos presidentes respondem a processos por compra de votos e improbidade administrativa.
Um deles é o deputado estadual Paulo Melo (PMDB), eleito presidente da Assembleia do Rio de Janeiro na quarta-feira passada.
Em seu sexto mandato, ele vai comandar pela primeira vez a Assembleia, agora apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB).
O Ministério Público Eleitoral o acusou de usar o cadastro de contribuintes da Prefeitura de Saquarema (100 km da capital), da qual sua mulher é prefeita, para fazer campanha. A ação ainda está em tramitação.
A assessoria do deputado Paulo Melo negou as acusações e afirmou que o deputado utiliza o procedimento de mala direta para se comunicar com os eleitores há 11 anos, antes da sua mulher entrar na política”.
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Se fosse só isso, será uma maravilha.
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Outra reportagem, assinada por Italo Nogueira, tem o seguinte título: ‘Agora milionário, ex-morador de rua comanda Legislativo’.
Eis o seu texto:
“Ex-morador de rua, o deputado estadual Paulo Melo (PMDB) vai comandar pela primeira vez a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB). Melo foi eleito com 121 mil votos, para seu sexto mandato.
A ascensão do deputado chamou a atenção do Ministério Público. Promotores investigaram por três anos o crescimento de seu patrimônio. Atualmente seus bens somam R$ 3,4 milhões, incluindo 12 terrenos, dois prédios comerciais e apartamentos em Saquarema, na região dos Lagos, sua cidade natal.
O inquérito foi arquivado por falta de provas. Segundo ele, sua fortuna foi construída com um escritório de despachantes do Detran -”Cheguei a ter mais de 50 funcionários”- e empreendimentos imobiliários.
Filho de um pedreiro e uma parteira, Melo vendia cocada feita pela mãe e pedia esmolas a turistas para ajudar a família, na infância.
Aos 11, fugiu para a capital, dormiu na rua e fez bicos. Ele diz ter pernoitado na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia. Acabou recolhido a um abrigo.
Melo se estabeleceu ao trabalhar numa concessionária de carros. Depois, passou a despachante do Detran.
Os contatos empresariais e o trabalho social que iniciava com crianças de rua o levaram à política. Em 1988, foi eleito vereador de Saquarema. Em 1990, deputado estadual pela primeira vez.
Em Saquarema, manteve por anos um centro social, que foi alvo da procuradoria.
O deputado foi acusado de improbidade administrativa por manter convênio de R$ 400 mil com a prefeitura quando a mulher dele, Franciane, era a vice-prefeita. O processo foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça.
Ao presidir a CPI do Propinoduto, na qual indiciou cinco fiscais de renda do Estado, foi acusado de poupar Anthony Garotinho.
“Conduzi no processo jurídico. Não perdoei ninguém. Seria teatro chamá-lo”, diz”.