Ary Barroso e a ministra da Cultura

       Existem certas pessoas que mereceriam uma estátua.
Uma delas chama-se Omar Jubran, professor aposentado de Biologia, que adora musica e, sem filhos, resolveu adotar Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.
Noel foi o primogênito.
Durante 11 anos, ele pesquisou a obra musical de Noel e conseguiu, com seus próprios e parcos recursos, reunir as 227 gravações originais do ‘Filósofo do Samba’.
Foi um trabalho monstruoso. Para concluí-lo, Omar teve de vender até o velho Fusca que o levava para o trabalho na faculdade.
Omar chegou a colar um disco de 78rpm partido em três partes. E o trabalho deu certo.
Apreendeu, por sua conta, a técnica de remasterização, e deu ao país uma caixa com a obra completa de Noel em 14 CDs.
Um detalhe: ele não ganha um único tostão por caixa vendida.
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Há seis anos, Omar fez o mesmo trabalho com o filho do meio, Ary Barroso. São mais de 300 gravações originais que ocupam 20 CDs.
Patrocinio para editá-los?
Nenhum. Só promessas.
Sergio Cabral, o bom, já chegou a fazer um apelo publico para o magnata Eike Batista: “Tomara que ele goste do Ary Barroso”, brincou Cabral.
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Há quatro semanas, Omar Jubran relatou sua saga para uma platéia amante de Noel, na Casa de Rui Barbosa, no Rio.
Nos debates, ele respondeu a uma única pergunta. Era de uma jovem senhora que já conhecia o seu drama, e colocou ali uma enorme escada para Omar brilhar ainda mais,  e ser aplaudido de pé.
A autora da pergunta foi Ana de Hollanda,  a toda poderosa ministra da Cultura do futuro Governo Dilma.
Ana sabe, como ninguém, da importância do trabalho de Omar Jubran.
E, agora, que está no poder, deveria eleger isso como prioridade.
Ana precisa resolver logo essa questão.
Mas precisa fazer com urgência.
Não durante o seu governo, mas nos primeiros 100 dias.
É preciso liberar Omar, para que possa nascer Lamartine Babo – o seu terceiro filho.