Um jornal de esquerda

O ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, que está na Europa buscando subsídios para um anteprojeto que regule os meio eletrônicos de comunicação, disse em Londres que “a imprensa no Brasil é livre, o que não significa que seja boa”.
Tem toda a razão o ministro.
Como a imprensa não gosta de ser criticada, haja lombo para levar pancada.
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Mas existe um outro ponto que, mais cedo ou mais tarde, precisará ser discutido.
A liberdade de imprensa no Brasil não é para os seus jornalistas, nem para servir a sociedade.
Ela atende, única e exclusivamente, os donos de jornais. E só.
É obvio que deve-se lutar, dia e noite, para que a imprensa continue livre e que a liberdade de imprensa seja preservada, sem que sofra qualquer ameaça. Mas seria bom que houvesse, paralelamente, um movimento em favor da democratização dessa liberdade.
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A demissão da colunista Maria Rita Kehl pelo ‘Estadão’ é o episódio mais recente sobre essa necessidade.
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Mais um ponto que deixa nervosos os barões da imprensa.
É preciso que o PT – para citar apenas o maior partido com representação na Câmara – tenha o seu próprio jornal.
Não um panfleto partidário como a ‘Hora do Povo’ – jornal ligado ao MR-8, que aliás comemora hoje o seu dia.
Mas um jornal de qualidade, isento em seu noticiário e engajado em sua linha editorial.
Até o final dos anos 60, se via com normalidade um jornal afinado com o PSD, outro ligado ideológicamente com a UDN, outro com o PTB e assim por diante.
Hoje, a imprensa só é livre se ela for de oposição.
O jornalista só é sério e imparcial se ele for contra Lula.
Profissional que trabalha para a campanha de Dilma ou para o Governo Federal não é sério, é da companheirada.
E por aí vai…
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A esquerda precisa de um jornal.