O título e o Supremo

        O Supremo decidiu, finalmente, derrubar a obrigatoriedade do eleitor de levar dois documentos para a votação no domingo: o título eleitoral e mais outro documento, oficial, com foto.
O ministro Gilmar Mendes, que havia pedido vistas do processo, abriu seu pronunciamento queixando-se de interferências de posições eleitoreiras no posicionamento do tribunal.
Mas posições eleitoreiras de quem?
Pelo que sabe, quem telefonou para Gilmar durante o julgamento, e sugeriu a ele que pedisse vistas do processo, foi o candidato José Serra.
Seriam essas as posições eleitoreiras? Certamente não. 
Mas não se pode acusar o PT de ter arguido, na Justiça,  a necessidade de apresentação de dois documentos.
Que outro caminho o ministro sugeriria ao PT?
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Ele argumentou ainda que “uma liminar, a três dias da eleição”, seria um fator de “desestabilização do processo eleitoral”.
De jeito nenhum.
Aliás, o único fator de desestabilização do processo, foi patrocinado pelo próprio ministro Gilmar Mendes que,  ao pedir vistas do processo, levou o eleitorado a incerteza.
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Um outro que vem se revelando no STF é o presidente Cezar Peluso.
Para ele, o Supremo acabou por decretar  “o fim do título eleitoral”.
Pura bobagem.
É sabido que o que vale é a listagem do mesário nas seções eleitorais. E é bom que seja assim.
O título hoje tem o mesmo valor que uma passagem aérea.
Ninguém mais precisa ter o bilhete físico para viajar.
Você vai ao balcão da companhia e apresenta o seu documento com foto. Se o nome estiver na listagem, você embarca. Caso contrário fica no aeroporto. 
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Não existe nada mais ordinário e falsificável do que o título de eleitor.
Mas não precisam sofisticá-lo. Basta apenas que a  relação de eleitores de uma seção eleitoral esteja correta. Assim como a relação de passageiros.
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Como Peluso raciocina como um  juiz da primeira metade do século passado, ele implica com besteiras do tipo.
É pena que, na época em que presidiu o TSE,  ele não tenha feito nada para refomar o título de eleitor. Por que o título não tem foto?  Espaço é o que não falta.
Aliás, é curioso como um país que consegue fabricar uma máquina de votação eletrônica -  senão invejada, pelo menos admirada em todo o mundo –  seja incapaz de criar um título eleitoral com um mínimo de credibilidade.