Presidente ou Presidenta?

     

    Verissimo, com sua infinita sabedoria, disse ontem, em ‘O Globo’, que a discussão é  se  Dilma Rousseff, a partir de 1º de janeiro de 2011,  deve ser tratada como  Presidente ou Presidenta.
O site da candidata, e o comando de sua campanha, não tocaram ainda no tema.
O slogan da candidata é Dilma Presidente.
Mas quando trata do futuro, se refere a ela como Presidenta Dilma – tratamento que certamente ela preferirá.
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No serviço publico federal existe hoje uma só mulher presidindo uma empresa, no caso a Caixa Econômica, Maria Fernanda Ramos Coelho, que se intitula Presidenta.
Elle Gracie, em seu curriculo, diz que, em 2006, foi eleita Presidente do Supremo, mas se dizia Ministra-Presidente.
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O Aurélio ensina que as duas formas estão corretas.
O professor Hélio Consolaro escreveu sobre o tema:
“A predominância do masculino na língua reflete o machismo. Se houver numa sala 39 mulheres e um homem, o orador deverá usar o masculino na sua invocação: prezados senhores… No máximo, falará: prezadas senhoras e prezado senhor. Ofenderia o macho presente se o orador generalizar pelo feminino e dissesse apenas: prezadas senhoras.Assim, em passado recente, não havia feminino de presidente e nem de hóspede. Agora, depois da luta das mulheres na sociedade, os dicionários já registram e a gramática aceita os femininos: presidenta, hóspeda”.
Na hierarquia militar, não existe o feminino. Ninguém é soldada ou sargenta.
“As soldadas – diz o professor – se sentem sendo tratadas como homens, mas há mulheres que escrevem versos e não gostam de ser chamadas de poetisas, querem ser tratadas de poetas, acham que o feminino as desvaloriza. Isso também é machismo, e pior, machismo do feminino.
Talvez seja apenas preocupação de um professor de Português e os soldados femininos estejam gostando desse tratamento”.
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A forma como os jornais passsarão a tratá-la, será um termômetro sobre o futuro do relacionamento da mídia com Dilma.
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Na época em que editei o ‘Jornal do Brasil’, o Presidente Fernando Henrique Cardoso era tratado como Sr. Cardoso.  A ordem era: nada de intimidades.
Fernando Henrique nunca gostou disso e deixou chegar, à presidência do JB, a sua insatisfação.
O Dr.Nascimento Brito dizia que seu jornal era “sério e grave” – argumento que eu utilizada para continuar chamando o Presidente de Sr. Cardoso. Afinal, no NYT ele era Mr. Cardoso e no ‘Le Monde’, M.Cardoso. Não tinha porque sermos diferentes.
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No dia seguinte a minha saída do JB, em agosto de 1995 - basta consultar a coleção do jornal – Fernando Henrique passou a ser tratado, pelo jornal, como FH – como seus marqueteiros sugeriam e ele tanto desejava.
FH soava como JK.
Por isso, a oposição sempre o chamou de FHC.
Para quebrar o seu encanto.