O debate na Band, segundo ‘O Globo’

    Dos repórteres Chico Otavio, Paulo Marqueiro e Fabio Brisolla, de ‘O Globo’:
“O governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, sofreu intenso bombardeio dos três adversários que o enfrentaram, na noite desta quinta-feira, em debate sobre a disputa no Rio promovido pela TV Bandeirantes. Deficiências nas áreas de saúde, educação, transportes, além da mistura entre as relações públicas e privadas na gestão estadual, foram algumas das críticas feitas por Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL) a Cabral. O governador chamou as críticas de “ilações absolutamente irresponsáveis”. Os ataques a Cabral – que lidera com folga a disputa – dominaram tanto o debate que os candidatos quase não apresentaram propostas de governo.
As críticas a Cabral começaram no segundo bloco, aberto com uma pergunta de Peregrino para o candidato do PMDB. Em tom de acusação, ele indagou se o governador considera moral o fato de a primeira-dama advogar para as empresas Metrô Rio e Supervia, que Peregrino apontou como responsáveis por prestar “péssimos serviços à população”.
- Lamento você entrar nesse tipo de assunto. Já houve partido que tentou fazer isso e perdeu o horário eleitoral (referindo-se ao PSOL). Minha mulher era advogada antes de eu conhecê-la e continuará sendo depois que eu deixar o governo – defendeu-se Cabral, garantindo que a mulher nunca advogou contra o estado. Na tréplica, Cabral voltou a falar sobre o assunto:
- Lamento profundamente que o candidato do casal Garotinho (Peregrino), cuja prefeita acabou de ser cassada, cuja cidade que eles administram teve nos últimos dez anos oitos prefeitos, venha falar da moral da minha mulher.
O governador disse que Peregrino só disputa a eleição porque o ex -governador Anthony Garotinho foi barrado pela Justiça Eleitoral.
Cabral, que em seguida perguntou a Gabeira o que acha do conceito de parcerias entre os três poderes no Rio (um dos eixos de sua campanha eleitoral), recebeu mais ataques na resposta. O candidato verde, embora se declarasse simpático à parceria, disse que ela estaria “um pouco truncada” em função dos contratos que teriam transformado a empresa Facility em praticamente o único fornecedor para a área de saúde.
- O Rio está estrangulado porque é dominado por um único fornecedor – criticou Gabeira.
O governador, na resposta, disse que esse espírito, referindo-se à falta de entendimento entre os políticos, teria levado o Rio a perder duas vezes a disputa para sediar as Olimpíadas quando o prefeito da cidade era Cesar Maia (DEM), aliado de Gabeira na atual campanha:
- Mudamos o clima. E, quanto à saúde, Eduardo Paes (o atual prefeito do Rio) está fazendo um esforço para recuperar o deserto sanitário que Cesar Maia deixou. Criamos as UPAs 24 horas.
Os ataques, contudo, continuaram. Gabeira insistiu em destacar os problemas na área de saúde. Disse que vários hospitais do estado estariam sem neurocirurgiões e que o setor fora alvo de “inúmeros casos de corrupção, com remédios sem licitação e superfaturados”, citando reportagem da Rede Globo.
- O governador não explicou o que aconteceu (com a saúde). Fingiu que não era com ele, como fingem os coronéis do PMDB que ele representa – atacou o verde.
Como era sua vez de perguntar, Gabeira deu sequência aos ataques ao pedir a Jefferson, do PSOL, comentários sobre o desempenho do Estado do Rio no ranking da educação:
- Por que chegamos a ser a lanterna em educação do Brasil?
Jefferson, após prometer recuperar as escolas em horário integral, disse que considera um absurdo um professor ganhar “metade do que ganha um cabo eleitoral do Sérgio Cabral”:
- Não adianta pensar em pacificar se a juventude está sem perspectiva, sem escolas. O Rio, segundo maior PIB, ficou à frente só do Piauí. Cabral não dá conta de responder ao desafio.
Gabeira, na réplica, voltou-se novamente para a administração estadual. Ele disse que o governador não poderia alegar que o mau desempenho na educação é um problema antigo porque o Ideb começou em 2007, quando Cabral já era governador, e não mudou:
- Não se moveu um milímetro neste índice. Compramos computadores e aparelhos de ar condicionado. Mas os computadores não ensinam por si.
Ao concluir, Jefferson disse que Cabral teria iniciado a carreira no governo Moreira Franco, sendo também colaborador do governador Marcello Alencar e, depois, indicou e nomeou colaboradores nas gestões do casal Garotinho, tendo contado com apoio deles em 2006.
Como era a sua vez de perguntar, Jefferson manteve o fogo contra Cabral ao retomar o debate sobre as condições de transporte público no Rio. Na pergunta a Peregrino, disse que as tarifas no estado são caras e que o sistema de barcas, metrô e trens, ineficiente.
- Cabral está cuspindo no prato que comeu. Ele indicou pessoas para o governo Garotinho, se beneficiou. Deixamos R$ 670 milhões creditados para ele fazer pagamentos (dos servidores). No transporte, é o caos. Trem andando sem maquinista – disse Peregrino.
Em outro bloco, o desastre ocorrido em Angra dos Reis no réveillon de 2010 também provocou discussão entre Cabral e Gabeira. O verde citou decreto que teria sido assinado pelo governador, permitindo novas construções na Ilha Grande, onde ocorreram desabamentos.Cabral negou, disse ter dobrado o parque estadual da Ilha Grande e afirmou que Gabeira tentou se aproveitar politicamente da tragédia ao visitar os locais dos desabamentos na ocasião.
- Gabeira, você estava lá fazendo turismo, passeando na Ilha Grande, e passou lá para dar uma faturadinha – disse Cabral, que criticou o adversário pela tentativa de associar o governo aos acidentes registrados em Angra.
- O decreto não tem vinculação com a tragédia. Foi elaborado para regulamentar as APAs na região. Vincular isso a uma tragédia, vidas foram perdidas, vou te contar… – respondeu o governador, afirmando que não fez decreto ampliando áreas de construção na Ilha Grande. Gabeira respondeu que tudo será esclarecido porque nesta sexta-feira a imprensa checará”.