PMDB x Lindberg, PT x Picciani

      Dos repórteres Cássio Bruno e Duilo Victor, de ‘O Globo’:
“O governador Sérgio Cabral, candidato do PMDB à reeleição, e os candidatos ao Senado de sua chapa, Jorge Picciani (PMDB) e Lindberg Farias (PT), percorreram a Zona Oeste do Rio em uma carreata ontem à tarde. Os três, que dividiram espaço em uma caminhonete, passaram a tarde pedindo votos em Bangu e Realengo. Mas, apesar do discurso de união usado por Cabral, seus aliados não estão cumprindo o acordo. Mais uma vez, os peemedebistas omitiram o nome do petista no material de campanha de rua.
Apesar de alguns petistas também terem omitido o nome de Picciani, o partido deverá se reunir esta semana para decidir se mantém ou não oficialmente a publicidade conjunta com o nome do peemedebista.
O deputado estadual Domingos Brazão, por exemplo, está distribuindo cédulas apenas com os nomes de Picciani, de Cabral e da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). O parlamentar admitiu ainda que está apoiando o ex-prefeito Cesar Maia, candidato do DEM ao senado. Cesar concorre pela chapa de Fernando Gabeira (PV), adversário de Cabral.
O deputado federal Eduardo Cunha, da executiva estadual do PMDB, também excluiu Lindberg de cartazes e panfletos. Segundo ele, vários candidatos do partido estão fazendo o mesmo
Já do lado do PT, o deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT) omitiu Picciani de sua propaganda. Além dele, o deputado estadual Alessandro Molon também deixou Cabral de fora.
- Ao longo do mandato, denunciei uma série de irregularidades do governo Cabral. Como vou, agora, pedir votos para esse governo? – disse Molon.
Na última pesquisa do Ibope, Picciani aparece em quarto lugar com 11% das intenções de voto. Atrás de Lindberg, com 21%, e de Cesar Maia (DEM) e Marcelo Crivella (PRB), que aparecem empatados com 37%.
O presidente regional do PT, deputado federal Luiz Sérgio, lamentou o impasse:
- Eu acho um erro. Se os dois partidos fizessem campanha juntos os candidatos teriam mais chances. Mas, em ambos os lados, tem candidato que não obedece essa resolução.
Picciani não comentou o assunto e Lindberg minimizou:
- É natural que cada candidato tenha afinidades ideológicas. Tenho o apoio do governador, que tem tentado mostrar que também sou o candidato dele ao Senado.
Ontem, depois da carreata – que percorreu nove quilômetros e reuniu militantes uniformizados do PMDB – o ex-prefeito falou da campanha:
- A (minha) estrutura de campanha não é grande. Espero arrancar depois do início do programa eleitoral na TV. A nossa campanha, entre as que estão na frente, é a que tem o menor grau de conhecimento. Tenho um terreno grande para crescer”.