Tasso intriga Dilma com Ciro

Do repórter Caio Junqueira, do ‘Valor Econômico’:
“A viagem de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, ao Ceará, iniciada ontem à noite, acabou por indispor ainda mais os petistas com o também pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, deputado federal Ciro Gomes. O Estado é o reduto eleitoral de Ciro, que o governou entre 1991 e 1995, e desde 2006 está sob comando de seu irmão, Cid Gomes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT pressionam Ciro para desistir da candidatura a presidente.
Para evitar danos maiores na relação dos petistas com Ciro, a coordenação da campanha chegou a limitar a agenda de Dilma a eventos fechados: uma cerimônia para receber o título de cidadã de Fortaleza ontem à noite e um almoço com empresários cearenses hoje.
Inicialmente, estavam previstas agendas abertas ao público, como a ida a Juazeiro do Norte, terra do padre Cícero, caminhada na praça do Ferreira, marco histórico de Fortaleza, e ao Centro Urbano de Cultura, Ciência, Arte e Esporte (Cuca), projeto vitrine da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT).
No entanto, prevaleceu a avaliação de que esses eventos de rua – que podem trazer problemas com a Justiça Eleitoral – deixariam Ciro ainda mais contrariado com a presença da candidata em seu reduto. Ele tem insistido em se lançar candidato a presidente, em oposição aos interesses do PT, do Palácio do Planalto e até mesmo do seu partido, razão por que a presença de Dilma no Estado gerou desconforto entre seus aliados e serviu de munição para a oposição.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), declarou, ontem pela manhã, que a visita dela era uma “afronta” a Ciro. O PT tratou de rebater a acusação de Tasso: “Não tem nada de afronta. Ciro é nosso aliado e assim queremos que ele continue”, disse o vice-presidente do PT cearense, deputado federal José Guimarães. A campanha de Dilma fez o mesmo.
Tasso Jereissati é um dos maiores interessados em ver desestabilizada a relação do PSB com o PT regional, pois pretende se candidatar ao Senado com o apoio informal de Cid Gomes.
O PT, porém, trabalha para que o governador apoie o ex-ministro da Previdência José Pimentel. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) já tem garantido o apoio de Cid, decorrente de um acordo feito entre ambos nas eleições de 2006.
Duas foram as justificativas para a viagem ao Ceará: o fato de Fortaleza ser a maior capital administrada pelo PT e a prefeita ser mulher. Dilma enfrenta uma forte resistência do eleitorado feminino e uma das estratégias iniciais da pré-campanha é neutralizar essa rejeição.
Além disso, avalia um dos coordenadores da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, não se pode estruturar a agenda de campanha a partir das realidades locais e de outros partidos. “As questões regionais e partidárias não podem ser obstáculos à agenda da candidata. Se for assim, ficaremos imobilizados em todo o país.”
As restrições à agenda de Dilma no Ceará estão sendo tratadas, oficialmente, como uma forma de possibilitar que a pré-candidata tenha tempo para comparecer a dois outros eventos de campanha em São Paulo: um jantar na casa da apresentadora Ana Maria Braga e a ida ao “Programa do Ratinho”, no SBT, ambos previsto para amanhã.
Quinta-feira, sexta-feira e sábado, Dilma estará no Rio Grande do Sul, onde acompanhará o primeiro exame pré-natal de sua filha, e cumprirá agenda de pré-candidata: encontro com empresários da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Associação Comercial de Caxias do Sul.
O Estado é um nos quais ela deverá ter palanque duplo, com apoio dos candidatos a governador Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre. Além do Rio Grande do Sul, a campanha precisa aparar arestas surgidas com a possibilidade de mais de uma candidatura da base aliada e, portanto, mais de um palanque em outros oito Estados: Amazonas, com Omar Aziz (PMN), Alfredo Nascimento (PR) e Serafim Corrêa (PSB); Bahia, com Jaques Wagner (PT) e Geddel Vieira Lima (PMDB); Maranhão, com Roseana Sarney (PMDB) e Flávio Dino (PCdoB); Minas Gerais, com Hélio Costa (PMDB) e os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias; Paraíba, com Ricardo Coutinho (PSB) e José Maranhão (PMDB); Piauí, com Wilson Martins (PSB) e João Vicente Claudino (PTB); Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR); Rondônia, com Eduardo Valverde (PT) e Confúcio Moura (PMDB); e São Paulo, com Aloizio Mercadante (PT) e Paulo Skaf (PSB)”.